Universidade federal da paraíba centro de ciências agrárias programa de pós-graduaçÃo em zootecnia



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ABSTRACT

It was studied the effect of inclusion of grapewines residue (GR) in different proportions (0, 8, 16 and 24%) on the chemical composition and fermentation characteristics of cassava silages. PVC Silos tubes were used, distributed in randomized groups, opened after 60 days of fermentation for laboratory analyses. Chemical characteristics were determined dry matter (MD), mineral matter (MM), organic matter (OM), ethereal extract (EE), crude protein (CP), fiber in neutral detergent (FND), fiber in acid detergent (FAD), lignin (LIG), general carboidrates (GC), carboidrates non fibrous (CNF), insoluble nitrogen in neutral detergent (INND) and insoluble nitrogen in acid detergent (INAD), in vitro digestibility of the dry matter (DIVMD)) and characteristics fermentative (losses of dry matter, density, pH, nitrogen amoniacal in percentage of the total nitrogen (N-NH3/NT)). The data were submitted to the variance analysis and regression. The inclusion of VR in the cassava silages promoted increase in the dry matter, mineral matter, ethereal extract and lignin (P<0.01). However, it didn't influence the fiber levels in neutral detergent and fiber in acid detergent (P>0.01), and it promoted a reduction in the levels of insoluble nitrogen in neutral detergent and total carboidrates (P<0.01). DIVMS increased (P<0.05) with the inclusion of CPV in the cassava silages, varying from 44.89 to 46.05%. The silages in study presented good fermentative characteristics, in function of the low levels of nitrogen amoniacal in percentage of the total nitrogen and pH values (0.81 and 3.66; 1.05 and 4.07; 0.63 and 4.03, and 0.67 and 3.84 for the levels 0, 8, 16 and 24%, respectively).



KEY-WORDS: by-products, efficiency of use, fermentation, forage conservation, native plants

INTRODUÇÃO
O Sertão do Vale do São Francisco, localizado na zona semi-árida do Brasil, detém um rebanho de ovinos e caprinos que ocupa as primeiras posições no contexto nacional, tendo sua exploração direcionada, principalmente, para a produção de carne e pele, constituindo-se uma oportunidade econômico-social para os criadores da região (Araújo Filho et al., 1995).

Embora numericamente expressivo, o rebanho caprino e ovino apresenta níveis reduzidos de desempenho no semi-árido, condicionados pelo baixo nível tecnológico que caracteriza seus sistemas de produção. Este baixo desempenho zootécnico se deve, principalmente, à forte dependência em relação à vegetação nativa da caatinga, fonte alimentar básica, quando não única, dos rebanhos (Guimarães Filho et al, 2000).

A acentuada redução anual na oferta de forragem, durante as estações secas, é o principal fator determinante do nível de produtividade. Logo, a busca por alternativas alimentares de baixo custo e boa eficiência biológica, tem sido uma necessidade e um desafio para criadores da região.

A maniçoba (Manihot pseudoglaziovii) é uma planta nativa da caatinga, da família das Euphorbiaceaes, encontrada nas diversas áreas do semi-árido nordestino. Além de apresentar grande resistência a seca, rebrota rapidamente com a chegada das chuvas (Soares, 1995).

Normalmente, a maniçoba, em função de sua produtividade e adaptabilidade às condições semi-áridas, é utilizada como forragem verde pelos animais que pastejam livremente na caatinga, devido sua palatabilidade, entretanto, deve haver restrição ao seu uso sob esta forma, devido à possibilidade de provocar intoxicação, sendo a fenação e a ensilagem, práticas que permitem a melhor utilização da maniçoba, constituindo-se recurso forrageiro de uso estratégico importante na pecuária do Nordeste, (Soares, 1995; Souza et al., 2004; Vasconcelos et al., 2000).

Segundo Tomich et al. (2004) além do valor nutritivo, a capacidade de conservação é outra característica que determina a adequação de uma cultura ao processo de ensilagem, de modo que a qualidade da silagem relaciona-se com a eficácia no processo fermentativo para conservar a massa ensilada.

Matos et al. (2005) estudando a conservação da maniçoba sob a forma de silagem, encontrou teores médios de 27,49 e 25,78% de matéria seca na maniçoba in natura e ensilada, respectivamente. Guim et al. (2004) estudando silagens de maniçoba, encontraram teores médios de matéria seca próximos a 25,78% para 1, 3, 6, 9 e 12 dias de exposição ao ar, enquanto que, Souza et al. (2004), identificou o conteúdo de matéria seca de 28,54 e 20,35 em silagens de maniçoba emuchercida e fresca, respectivamente.

Dantas et al., (2006) avaliando a qualidade das silagens de maniçoba sob diferentes épocas de abertura dos silos recomendam sua utilização na alimentação animal, em função dos teores de PB e DIVMS, que apresentaram em média 19,68 % de PB e valores variando de 36,09 a 42,39 % para DIVMS.

Como a Região Nordeste apresenta baixa produção de grãos para formulação de rações concentradas, o uso de subprodutos da agroindústria constitui uma importante alternativa para alimentação dos rebanhos, embora sejam contraditoriamente transformados em agentes poluentes, causando sérios danos ao meio ambiente (Vasconcelos et al., 2002).

De acordo com Zagatto (1992), para se verificar as possibilidades de utilização dos resíduos, sempre se deve considerar a disponibilidade do material, coleta e transporte até o local de tratamento e uso, assim como equipamentos necessários e possibilidades de armazenamento.

Resíduos agroindustriais e provenientes do beneficiamento de produtos vegetais são gerados em grande quantidade devido à necessidade de produzir alimentos para suprir a demanda dos grandes centros urbanos e são passíveis de serem utilizados na alimentação de animais explorados zootecnicamente (Carvalho, 1992), e estão disponíveis geralmente, no período de escassez de forragem verde. Os ruminantes pelas características do seu aparelho digestório são os mais aptos a utilizarem tais produtos (Araújo, 1988).

A região do Vale do São Francisco possui um grande potencial na produção de vinhos, e segundo Nornberg et al. (2002), estima-se que cerca de 30% da produção de vinhos é descartada na forma de resíduo, também chamado de bagaço, composto de casca, engaço e semente. Em função do crescimento na produção de vitivinícola nesta região, o resíduo dessa agroindústria pode tornar-se um problema para o meio ambiente se não forem estudadas formas de utilização, ecologicamente corretas.

Os resíduos das agroindústrias processadoras de uvas para a produção de vinho podem ser opção para suplementação de ruminantes em períodos de escassez de forragem, mediante a grande disponibilidade no Vale do São Francisco.

Com relação às recomendações para o uso do bagaço (resíduo) de uva na alimentação de ruminantes, por tratar-se de um alimento volumoso e de baixo valor energético, deve ser utilizado com outros alimentos (Lima, 1984). Patenotre (1980), relata que o bagaço não deve representar mais de 40 a 50% da ração em base seca, e ter complementação mineral e vitamínica.

Segundo Lopez (1977), o bagaço de uva é formado em média por 58% de cascas (48 a 69%); 20% de engaços (14 a 26%) e 22% de sementes (14 a 27%), quando dessementado o conteúdo de fibra é diminuído, e embora apresente bons teores de PB (11,7 a 14,4%) esta é de baixa digestibilidade (5 a 18%). Dantas et al. (2004) ao avaliar o co-produto de vitivinícolas desidratado na alimentação de caprinos e ovinos, obtiveram 14,77 % PB e 25,49 % de DIVMS com base na matéria seca.

Provavelmente as divergências verificadas na composição de resíduos de vitivinícola ou da produção de sucos de uva sejam atribuídas as diferentes variedades de uva existentes e/ou ao tipo de processo pelo qual são gerados.

O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar a composição química e características fermentativas de silagens de maniçoba com diferentes percentuais de co-produto de vitivinícolas desidratado.
MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi desenvolvida no campo experimental da Embrapa Semi-Árido, localizado na zona rural do município de Petrolina – PE, na BR 428, Km 152 da Rodovia Petrolina – Lagoa Grande, a uma latitude de 09º09”S, longitude de 40º22”W e altitude de 365,5m. A região apresenta média pluviométrica de 570mm e temperaturas variando entre 20,27 e 32,46ºC.

O resíduo de vitivinícola (engaço, casca e sementes de uva) foi obtido em fevereiro de 2006, nas vitivinícolas Santa Maria e Garziera, localizadas no município de Lagoa Grande - PE. O material foi coletado úmido, ainda na plataforma de processamento das vitivinícolas logo após a prensagem, e levado logo em seguida para o campo experimental da Embrapa, onde foi submetido à desidratação natural, por exposição ao sol, em área cimentada, e armazenado em sacos de ráfia até o momento da ensilagem.

A maniçoba utilizada para a confecção das silagens foi coletada em área de vegetação nativa do campo experimental da Embrapa Semi-árido, em março de 2006, quando estava em estágio vegetativo de floração plena, retirando-se as partes mais tenras (ramos e folhas), contendo maior quantidade de massa verde. Imediatamente após o corte, a maniçoba foi levada ao local de ensilagem e triturada em máquina forrageira, obtendo partículas com no máximo cinco centímetros de tamanho.

A maniçoba a ser ensilada em cada tratamento foi previamente pesada, bem como a quantidade de co-produto de vitivinícolas e seguiu-se o processo de ensilagem. Foram utilizados 32 silos experimentais de tubos de PVC com 12 cm de diâmetro e 50 cm de comprimento. Após a compactação os silos foram vedados com lona plástica e liga de borracha nas extremidades. A compactação da forragem foi feita com êmbolos de madeira, empregando pressão e movimentos contínuos para compactação similares em todos os silos.

Os silos foram pesados antes e depois da deposição da forragem, para determinar a densidade da massa ensilada (Figura 6). Determinou-se o volume dos silos através da área e peso dos tubos de PVC, obtendo-se valores expressos em cm3 (centímetro cúbico)e g (gramas) que foram convertidos para m3 (metro cúbico) e kg (quilograma), respectivamente, para poder expressar a densidade na unidade kg/m3 (quilograma por metro cúbico).

Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado, em quatro tratamentos (níveis de co-produto de vitivinícola: 0, 8, 16 e 24% com base na matéria seca), com oito repetições.

Os silos foram pesados para determinação das perdas de matéria seca do material ensilado durante o processo de fermentação, pela diferença entre os pesos das massas dos silos obtidos no enchimento e na abertura dos mesmos, multiplicados pelos respectivos teores de matéria seca.

Foram coletadas amostras da maniçoba e do co-produto desidratado para análises laboratoriais. A composição bromatológica, digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e pH da maniçoba e do co-produto de vitivinícolas utilizados no momento da ensilagem estão descritos na Tabela 1.




Tabela 1. Composição bromatológica, digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e pH da maniçoba e do co-produto de vitivinícola desidratado utilizado na confecção das silagens

Variáveis

Ingredientes

Maniçoba

Co-produto

Matéria seca (MS)

26,06

86,56

Proteína bruta (PB)

20,60

14,77

Extrato etéreo (EE)

3,41

5,63

Matéria mineral (MM)

7,21

13,60

Matéria orgânica (MO)

92,79

86,40

Fibra em detergente neutro (FDN)

42,58

48,40

Fibra em detergente ácido (FDA)

38,09

42,04

Lignina (LIG)

6,51

22,72

Nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NDIN)

0,90

1,42

Nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA)

0,47

0,83

Carboidratos totais (CHOT)

77,60

66,00

Carboidratos não fibrosos (CNF)

35,02

17,60

DIVMS

44,37

46,02

pH

5,17

3,4

Os silos foram abertos após 60 dias de incubação para a determinação de qualidade nutricional e fermentativa das silagens, sendo desprezadas as extremidades (cerca de 10 a 15 cm) e o material restante homogeneizado e amostrado, para análises. Foram observadas características sensoriais das silagens ao abrir os silos, dentre as quais a coloração, textura e cheiro e a presença de fungos ou bolores nas mesmas.

A determinação do pH das silagens foi feita com uso de potenciômetro, e a do nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total, utilizando-se as silagens úmidas segundo metodologias descritas por Silva & Queiroz (2002).

As amostras foram pré-secas (Figura 8), trituradas em moinho, com peneira de 1mm, e em seguida, foi determinada a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS), teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), matéria orgânica (MO), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e o nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA) (Silva & Queiroz, 2002).

Os carboidratos totais (CT) foram obtidos segundo metodologia descrita por SNIFFEN et al. (1992), em que CT = 100 - (%PB + %EE + %MM), enquanto os carboidratos não fibrosos (CNF), foram obtidos pela diferença de CT e FDN.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e de regressão, considerando-se o nível de 1% de probabilidade.


RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quando abertos os silos, foram observadas boas características sensoriais nas silagens, dentre as quais coloração, textura e aroma. Percebeu-se uma coloração amarela esverdeada, sem umidade em demasia e pouca ou quase nenhuma formação de fungos ou bolores. O cheiro foi avaliado como doce e agradável. Nenhum dos silos analisados apresentou odor forte de vinagre, característico de fermentação acética ou odores desagradáveis e penetrantes, característicos de fermentação butírica, que são indicativos da degradação protéica (Silveira, 1988; Vilela, 1989).

Os valores médios referentes à densidade e às perdas por fermentação das silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas expressos em porcentagem da massa inicial das silagens estão apresentados na Tabela 2.



Tabela 2. Médias, coeficiente de variação, equação de regressão e coeficiente de determinação referente à densidade e às perdas por fermentação das silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas (SMCPV) em porcentagem da massa inicial ensilada

Variável

SMCPV

CV

Equação de Regressão

r2

0%

8%

16%

24%

Densidade (kg/m3)

811

711

712

774

4,69

y = 809,48 – 16,648x + 0,6358x2

0,98

Perdas (%MS)

1,45

1,13

1,28

1,57

73,16

y = 1,35

0,03

Médias submetidas à análise de regressão a 1% de significância.

A densidade das silagens foi influenciada pela adição de CPV, conforme equação quadrática descrita na Tabela 2. Todas as silagens foram bem compactadas, apresentando uma densidade desejável, conforme recomendações de Nussio (1997), que para silagens com densidade na faixa entre 600 e 800 kg/m3 a compactação encontra-se adequada ao processo de ensilagem.

Quanto às perdas de matéria seca em função do processo de ensilagem, não houve diferenças entre os tratamentos (P>0,01). Possivelmente, as perdas de matéria seca em baixo percentual estejam relacionadas à baixa ou nula proteólise do material ensilado durante a fermentação com a inclusão de CPV, indicada pelos baixos teores de nitrogênio amoniacal em todos os níveis.

As médias, coeficiente de variação, equações de regressão e coeficiente de determinação dos teores de matéria-seca (MS), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO), e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas está contida na Tabela 3.




Tabela 3. Médias, coeficiente de variação (CV), equação de regressão e coeficiente de determinação (r2) da matéria seca (MS), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO), e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas (SMCPV) aos 60 dias após ensilagem, com base na porcentagem de matéria seca

Variáveis

SMCPV

CV

Equação de Regressão

R2 / r2

0%

8%

16%

24%

MS

28,23

28,75

32,84

38,57

12,01

y = 23,317 + 3,5133x**

0,56

PB

19,05

17,83

17,80

16,76

6,72

y = 19,307 - 0,6357x**

0,37

EE

4,73

5,29

6,14

6,58

6,33

y = 4,0864 + 0,639x**

0,82

MM

8,98

9,53

10,43

10,03

6,58

y = 8,8961 + 0,1395x -0,0037x2**

0,88

MO

91,90

91,23

90,39

90,69

0,67

y = 91,961 – 0,1527x + 0,004x2**

0,91

DIVMS

44,89

45,71

45,78

46,05

0,67

y = 44,938 + 0,0955x – 0,0021x2**

0,69

** Significativo a 1%.

O teor de matéria seca (Tabela 3) mostrou comportamento linear crescente com aumento dos níveis de co-produto de vitivinícolas nas silagens. Os conteúdos de MS das silagens estiveram próximos à faixa recomendada para forragens armazenadas em silos verticais, que varia de 30 a 35% MS (McDonald et al., 1991; Tomich et al., 2003).

O uso de co-produto como aditivo no processo de ensilagem da maniçoba foi determinante para o incremento nos percentuais de matéria seca das mesmas, visto que o co-produto de vitivinícola e a maniçoba, utilizados, possuem 86,56 e 26,45% de MS, respectivamente. Deste modo, verifica-se que o CPV cumpriu satisfatoriamente a função de aditivo, reduzindo o teor de umidade da maniçoba ensilada.

Dimpério (2005) trabalhando com níveis de farelo de palma (0, 10, 20, 30 e 40%) em silagens de maniçoba, obteve níveis crescentes de matéria seca variando de 27,16 a 44,91%.

A proteína bruta (Tabela 3) teve um comportamento inversamente proporcional ao aumento no percentual de co-produto nas silagens, com diferenças significativas entre os níveis (P<0,01). Na medida em que aumentou a porcentagem de co-produto na silagem, houve um decréscimo no teor de proteína bruta, o que pode ter ocorrido em função do teor de PB do CPV ser inferior ao teor da maniçoba.

Apesar de haver um declínio nos teores de PB com a inclusão de CPV, estes teores foram superiores aos encontrados por Matos et al. (2005) ao estudarem a silagem de maniçoba (14,58 % PB).

O conteúdo de extrato etéreo presente nas silagens diferiu estatisticamente com a inclusão de CPV (P<0,01), e apresentou equação linear crescente (Tabela 3). A elevação do teor de gordura em função dos percentuais de CPV parece estar relacionada ao maior teor de extrato etéreo do co-produto, já que houve um aumento em suas proporções.

De acordo com o NRC (2001) o total de gordura na dieta não deve ultrapassar 6 a 7% na matéria seca, pois pode acarretar reduções na fermentação ruminal, na digestibilidade da fibra e na taxa de passagem. As silagens de maniçoba com níveis de co-produto de vitivinícola estudadas apresentaram um adequado teor de gordura.

A inclusão de CPV influenciou o teor de matéria mineral (MM) (P<0,01), demonstrando um comportamento quadrático em função do teor de MM do CPV (Tabela 3); o que condiz com o comportamento dos teores de MO (P<0,01), inversamente proporcionais à inclusão de CPV. A silagem de maniçoba sem inclusão de CPV apresentou teor de MM superior às silagens estudadas por Silva et al. (2006), que contraditoriamente, encontraram valores de MM de 1,40 e 3,65 para silagens de maniçoba in natura e emuchercidas, respectivamente. Essa variação no teor de matéria mineral pode estar correlacionada ao tipo de solo do qual foram retiradas as amostras de maniçoba e as uvas destinadas à produção de vinho que originou o co-produto. Os conteúdos de MO deste estudo estiveram próximos ao encontrado por Matos et al. (2005), que foi de 90,61% para silagem exclusiva de maniçoba.

Houve influencia da inclusão de CPV nas silagens sobre a DIVMS em função do incremento de CPV (P<0,01) como demonstrado na Tabela 3. Os resultados obtidos nesta pesquisa foram próximos a DIVMS encontrada por Barros et al. (1990) em pesquisa com feno de maniçoba, os quais obtiveram digestibilidade de 49,40%.

Dantas et al. (2004) e Barroso et al. (2006), avaliando co-produto vitivinícola desidratado encontraram valores de 25,49% e 30,0 % de DIVMS, respectivamente, ambos inferiores à DIVMS do co-produto de vitivinícola utilizado nesta pesquisa, que foi de 46,02% (Tabela 1).

O CPV utilizado neste trabalho pode ser considerado um bom aditivo, quando utilizado em silagens de maniçoba, contribuindo para a elevação da digestibilidade.



As médias, coeficientes de variação, equações de regressão e coeficientes de determinação dos teores de fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN), nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA), carboidratos totais (CT) e carboidratos não-fibrosos (CNF) das silagens de maniçoba com percentuais de co-produto de vitivinícolas estão descritos na Tabela 4.


Tabela 4 - Médias, coeficiente variação (CV), equações de regressão e coeficiente de determinação (R2) das frações fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN), nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA), carboidratos totais (CT) e carboidratos não-fibrosos (CNF) das silagens de maniçoba com níveis de co-produto de vitivinícolas (SMCPV) aos 60 dias após ensilagem, expressas em porcentagem da matéria seca

Variáveis

SMCPV

CV

Equação de Regressão

R2

0%

8%

16%

24%

FDN

44,12

43,51

41,24

43,68

7,01

y = 43,13

-

FDA

35,41

35,33

37,93

36,26

7,04

y = 36,23

-

LIG

7,36

14,88

18,98

18,95

9,96

y = 8,5896 – 0,2283x + 0,0693x2**

0,96

NIDN

0,81

0,68

0,81

0,61

25,49

y = 0,72

-

NIDA

0,47

0,46

0,62

0,51

21,95

y = 0,51

-

CT

68,74

67,98

66,71

67,36

2,26

y = 66,85

-

CNF

24,62

24,47

25,47

23,68

15,47

y = 23,71

-

** Significativo a 1%.

Os conteúdos de FDN e FDA das silagens de maniçoba com CPV são inferiores aos encontrados por Matos et al. (2005) em silagem exclusiva de maniçoba, que foi de 47,15 e 38,10%, respectivamente. Adicionando subproduto do caju em silagens de capim elefante, Neiva et al. (2001) encontraram teores médios de FDN e FDA crescentes na medida que aumentou os níveis de adição do subproduto, o que pode ter sido em função dos teores contidos no subproduto utilizado. No caso da inclusão de CPV nas silagens de maniçoba, as composições dos dois ingredientes apesar de apresentarem inicialmente diferença absoluta (de 42,58 e 48,40% de FDN, e 38,09 e 42,04% de FDA, para maniçoba e co-produto, respectivamente), não proporcionaram diferenças com o processo de ensilagem.

Com a inclusão de CPV houve a elevação dos níveis de lignina nas silagens (P<0,01). Segundo Silva & Queiroz (2002) em forragens mais fibrosas, o teor de lignina pode chegar a 20% do conteúdo de matéria seca. A quantidade de lignina presente em um alimento irá influenciar a digestibilidade do mesmo, já que corresponde a porção indigestível da parede celular, de modo que elevado teor de lignina em alimentos utilizados na nutrição de ruminantes indica paredes celulares com carboidratos indisponíveis para as bactérias ruminais (Barcelos et al., 2001). No entanto, a adição de CPV nas silagens de maniçoba embora tenha elevado as médias de lignina, não prejudicou a DIVMS das mesmas, obtendo-se valores superiores de DIVMS nas silagens com adição quando comparadas ao nível zero de CPV, embora esta variável não tenha sido submetida à teste de médias.

Barros et al. (1990) em pesquisa com feno de maniçoba, encontraram 49,40% de digestibilidade in vitro, o que pode ser atribuído à alta concentração de lignina (17,10%), superior ao teor obtido na silagem de maniçoba sem adição de CPV (7,36%) no presente trabalho.

Os teores de lignina (Tabela 4) obtidos nesta pesquisa foram inferiores aos obtidos por Nornberg et al. (2002) quando avaliaram a ensilagem exclusiva de co-produto de vitivinícolas em três tratamentos: sem compactação, compactada e com adição de 0,5% de uréia, os quais obtiveram valores de 37,48, 33,22 e 30,16%, respectivamente. Essa diferença nos percentuais de lignina dos co-produtos pesquisados pode estar relacionada com a origem dos mesmos e ao tratamento através do qual foram obtidos.

O NIDN e o NIDA são, respectivamente, a fração de nitrogênio presente na fibra que é lentamente degradável pelos microorganismos do rúmen e a fração de nitrogênio presente na parede celular que se encontra totalmente indisponível para absorção. De modo que, quanto menor o percentual de nitrogênio insolúvel na fibra, mais nitrogênio estará disponível para ser absorvido, pois o NIDA é um indicador do quanto o nitrogênio poderá ser aproveitado pelo ruminante.

Segundo Rosa & Fadel (2001), os compostos nitrogenados, como o NIDA, são inferiores a 10% do nitrogênio total em alimentos concentrados, enquanto que em alimentos volumosos, observa-se valores mais elevados. Os valores de NIDA das silagens em estudo foram em média 0,51%, indicando que o nitrogênio total, bem como o valor nutritivo das silagens não foi prejudicado pela adição de CPV, pois, segundo Van Soast e Manson (1991), citado por Oliveira et al. (2007), forragens com teores de NIDA superiores a 20% do nitrogênio total têm sua utilização comprometida em razão de reduções na disponibilidade de nitrogênio e na digestibilidade da matéria seca.

As médias, coeficientes de variação, equação de regressão e coeficientes de determinação dos valores de pH e teor de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total das silagens estão descritas na Tabela 5.




Tabela 5 - Médias, equações de regressão e coeficiente de determinação (r2) das determinações de pH e porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total (N-NH3/NT) das silagens de maniçoba com níveis de co-produto de vitivinícolas (SMCPV)

Variáveis

SMCPV

CV

Equação de Regressão


R2 / r2

0%

8%

16%

24%

pH

3,66

4,07

4,03

3,84

5,39

y = 3,6701 + 0,0635x - 0,0024**

0,95

N-NH3/NT

0,81

1,05

0,63

0,67

22,57

y = 0,9079 - 0,0101x**

0,34

** Significativo a 1%.

A considerável redução do pH do material original, que foi inicialmente 5,17; 5,10; 5,0 e 4,8 nos tratamentos com, respectivamente 0, 8, 16 e 24% de adição de CPV nas silagens com maniçoba, em relação ao das silagens aos 60 dias de vedamento dos silos (Tabela 5), é um indicativo de que houve uma fermentação adequada das misturas ensiladas, característica desejável ao processo de ensilagem. Indica também que as misturas apresentam quantidades de carboidratos solúveis adequados à ação das bactérias lácticas, proporcionando o abaixamento do pH nas primeiras horas de ensilagem.

Os valores de pH encontrados (Tabela 5) se comportaram de forma quadrática (P<0,01), e estão na faixa de 3,6 a 4,2 recomendada por McDonald et al. (1991), como suficiente para preservar o material analisado.

É necessário verificar o comportamento do pH nas primeiras horas de ensilagem, para confirmar se há um rápido abaixamento do pH no processo de ensilagem (Silveira, 1988). No entanto, embora, a velocidade de queda do pH das silagens não tenha sido avaliada neste experimento, a redução no pH das silagens pode ter contribuído com os baixos níveis de nitrogênio amoniacal das silagens, provavelmente pela rápida inibição da proteólise e da ação de bactérias responsáveis por fermentações secundárias.

Também foram identificadas diferenças (P<0,01) para o conteúdo de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total (Tabela 5) entre as silagens em função da adição de CPV ao material ensilado.

Os valores de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total, encontrados nas silagens em estudo, se enquadram na classificação de Benacchio (1965), que recomenda teores de N –NH3 / %NT abaixo de 10%. Assim, verifica-se que as silagens estudadas neste trabalho apresentam valores de N –NH3 / %NT (Tabela 5) muito abaixo destas médias e podem ser classificadas como silagens bem conservadas quanto a este parâmetro.

Guim et al. (2004) e Matos et al. (2005) estudando silagens de maniçoba obtiveram valores de N –NH3 / %NT, aproximados aos obtidos neste estudo (1,6%). Rodrigues et al. (2002) estudando silagens de sorgo, tradicionalmente utilizado no processo de ensilagem, obtiveram teores de N-NH3/NT bem mais elevados (2,46 a 2,61%), quando comparados às silagens em estudo.

Segundo Tayarol Martin (1997), o nitrogênio na forma volátil está associado ao teor de matéria seca da silagem, quanto maior a umidade do material, maior será o teor de nitrogênio amoniacal, bem como o do ácido butírico, o que nos dá suporte para afirmar que os baixos teores de N –NH3 / %NT obtidos nas silagens em estudo podem estar relacionados aos adequados teores de matéria seca das mesmas no momento da ensilagem.

Diante dos resultados obtidos em função dos parâmetros analisados (MS, N-NH3/NT e pH), verifica-se que houve um processo adequado de fermentação em todos os tratamentos.

Assim sendo, o co-produto de vitivinícolas pode ser utilizado como aditivo em silagens de maniçoba. No entanto, a utilização deste co-produto como aditivo em silagens poderia reduzir a carga poluente que é gerada nos pólos vitivinícolas, fato que deve ser avaliado posteriormente.

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