Universidade federal da paraíba centro de ciências agrárias programa de pós-graduaçÃo em zootecnia



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CONCLUSÃO
A adição de co-produto de vitivinícola modificou a composição bromatológica das silagens.

As silagens de maniçoba com e sem adição de co-produto vitivinícola mostraram boas características fermentativas e adequada conservação do material ensilado.




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CAPÍTULO 3

Consumo E Digestibilidade Aparente De Nutrientes De Silagens De Maniçoba Com Adição De Co-Produto De Vitivinícolas Em Ovinos

CONSUMO E DIGESTIBILIDADE APARENTE DE NUTRIENTES DE SILAGENS DE MANIÇOBA COM ADIÇÃO DE CO-PRODUTO DE VITIVINÍCOLAS EM OVINOS

RESUMO
Avaliou-se o consumo e digestibilidade aparente de silagens de maniçoba com adição de 0, 8, 16 e 24% de co-produto vitivinícola (CPV), em ovinos recebendo 1%PV de suplemento concentrado. Foram utilizados quatro ovinos machos, adultos, castrados, confinados em baias individuais, num delineamento experimental em quadrado latino, quatro por quatro. Os consumos de matéria seca, matéria orgânica, matéria mineral, proteína bruta, extrato etéreo, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, lignina e carboidratos totais, expressos em gramas por dia, em porcentagem de peso vivo e em unidade de tamanho metabólico não diferiram entre os tratamentos. Os consumos médios de matéria seca e proteína bruta foram de 3,039 e 0,307 em porcentagem de peso vivo, respectivamente. Os coeficientes de digestibilidade também não foram influenciados com a adição de co-produto vitivinícola nas silagens de maniçoba, com uma média de 52,94 % de digestibilidade para a matéria-seca. A adição de co-produto de vitivinícolas em silagens de maniçoba, não alterou o consumo e a digestibilidade dos nutrientes, podendo ser indicado como opção volumosa.
PALAVRAS-CHAVE: conservação de forragens, ruminantes, semi-árido, subprodutos

INTAKE AND DIGESTIBILITY NUTRIENTS OF CASSAVA SILAGES OF GRAPEWINE RESIDUE ADITION IN SHEEP

ABSTRACT
It was evaluated the consumption and apparent digestibility of wild cassava silages with addition of 0, 8, 16 and 24% of grapewines residue, in sheep receiving 1% WL of concentrated supplement. Four adults and castrated rams were used, in stalls, in an experimental procedure follwed a latin square design and made regression analysis, four by four. The matter dry intake, organic matter, mineral matter, crude protein, ethereal extract, fiber in neutral detergent, fiber in acid detergent, lignin and total carboidrates, expressed in grams a day, percentage live weight and unit of metabolic size did not differ among the treatments (P>0.01). The matter dry and crude protein intake are 3,039 e 0,307 in percentage live weight, respectively. The digestibility coefficients were not also influenced (P>0.01) with the addition of grapewines residue in the cassava silages, with matter dry mean digestibility of 52,94%. It was evaluated the consumption and apparent digestibility of wild cassava silages with addition of 0, 8, 16 and 24% of grapewines residue. The addition of grapewines co-product in cassava silages, didn't influence the consumption and the digestibility of the nutrients, could be indicated as bulky option.

KEY-WORDS: by-products, conservation of forages, semi-árid, ruminant

INTRODUÇÃO

A criação de ovinos é uma importante atividade socioeconômica nas regiões semi-áridas (Fernandes et al., 2006; Salviano et al., 2006) dentro do agronegócio não apenas regional como nacional brasileiro, especialmente quanto à produção de pele, carne e derivados, além de representar importante fonte de proteína de alto valor biológico para a alimentação humana.

No Nordeste brasileiro, em particular, a ovinocultura sempre foi uma atividade de grande relevância, por suprir a demanda de carne a preços mais acessíveis às populações rurais e das periferias das grandes cidades, embora caracterizada como uma exploração de baixo rendimento (Parente et al., 2006). É conduzida geralmente de forma extensiva, com alimentação deficiente, manejo inadequado e profilaxia insipiente, o que implica baixa produtividade, baixo nível de desfrute e conseqüentemente insatisfatórios resultados econômicos e financeiros (Silva et al., 2006).

Em 2005, o rebanho de ovinos atingiu 16,06 milhões de cabeças, e a região Nordeste detém atualmente 56,3% desse rebanho (ANUALPEC, 2005). De acordo com o IBGE (2006), o rebanho de ovinos na região Nordeste possui uma densidade populacional de 5,24 cabeças/km2. Apesar da expressividade do rebanho de ovinos do Nordeste, o cenário do sistema produtivo predominante explica os baixos níveis de desempenho animal e produtividade, evidenciado principalmente pela idade tardia de abate dos animais, ocasionada pela baixa qualidade e falta de uniformidade da carne ovina (Salviano et al., 2006).

O setor de produção de carne ovina e caprina, ainda possui demanda insuficiente, em virtude da baixa qualidade e da sazonalidade de ofertas desses produtos (Lousada Junior et al., 2005). Isto ocorre em função de diversos fatores, dentre eles a irregularidade na produção e disponibilidade de alimentos durante o ano para suprir as necessidades destes rebanhos, em função das diferenças climáticas e má utilização dos recursos forrageiros produzidos no período chuvoso.

A caatinga com produção baixa e estacional e valor nutritivo limitante, ainda é o principal suporte de forragens para os rebanhos na região nordeste (Salviano et al., 2006). No Nordeste é crescente a utilização de plantas nativas na forma de feno ou ensilagem para a alimentação de ruminantes, como alternativa para suprir a deficiência alimentar causada pela estacionalidade na produção de forragens.

Neste contexto, destaca-se a maniçoba, uma excelente planta forrageira, que apresenta elevado valor nutritivo, boa palatabilidade, que pode ser cultivada e possui raízes com grande capacidade de reserva, conferindo-lhe resistência à seca e rebrota rápida mediante disponibilidade de água. (Silva et al., 2000).

A maniçoba, quando em pleno vigor vegetativo, apresenta em média 20,88% de proteína bruta, 13,96% de fibra bruta, 8,30% de extrato etéreo e 62,29% de digestibilidade in vitro (Araújo Filho & Silva, 1994), podendo-se até substituir parcialmente os concentrados na ração de engorda de bovino, caprinos e ovinos. Esta forrageira é normalmente utilizada pelos animais em pastejo na caatinga, apresentando restrições quanto ao seu consumo in natura, devido à possibilidade de provocar intoxicação, ocasionadas pelas quantidades variáveis de substâncias cianogênicas, que ao hidrolisarem-se mediante a ação da enzima linamarase, dão origem ao ácido cianídrico (HCN) (Soares, 1995) que é tóxico, podendo levar os animais a morte, quando consumido em grande quantidade.

Portanto, recomenda-se sua utilização na forma de feno ou silagem (Souza et al., 2004), a fim de que estes processos eliminem seu princípio tóxico, já que, quando é transformada em silagem, o HCN da maniçoba é reduzido a níveis não tóxicos (Soares, 2002), podendo então, ser fornecida aos animais, principalmente na época seca (IPA, 1996).

Araújo et al. (2004) utilizando feno de maniçoba, associado à raspa de mandioca em dietas para ovinos, com peso vivo médio de 16,7 kg, verificaram maior ganho de peso, quando utilizados na proporção de 40% da raspa de mandioca e 60% de feno de maniçoba, de modo que os autores recomendam seu uso como suplementação estratégica nos períodos de menor disponibilidade de forragens.

Comparando-se os ruminantes com as diversas espécies domésticas, verifica-se que estes apresentam uma grande habilidade em converter materiais fibrosos, através de simbiose microbiana, em proteínas de excelente qualidade para suprir as necessidades da população humana (Azevedo e Alves, 2000).

Devido a algumas características específicas, os resíduos agroindustriais, tanto podem desempenhar um importante papel na produção de proteína animal, quanto podem se constituir uma séria ameaça de poluição ambiental quando mal aproveitados, armazenados de forma errônea ou eliminados de maneira inadequada (Oliveira, 2003).

Segundo Oliveira (2003), os valores nutricionais dos resíduos agroindustriais destacam-se em relação à média dos alimentos disponíveis tradicionalmente para a utilização na alimentação de ruminantes. Onde, a menor ou maior utilização destes resíduos ocorre em função do custo-benefício, associado ao transporte e preço de nutriente por unidade de matéria seca.

Barroso et al. (2006) utilizando resíduo de vitivinícolas, em dietas para ovinos, combinando alimentos tradicionais, como raspa de mandioca, milho moído e farelo de palma, verificaram que as dietas promoveram ganhos de peso nos animais de 71, 117 e 132 g/dia; e digestibilidades da matéria seca, proteína bruta e fibra em detergente neutro de 52, 89, 47,12 e 42,37; 54,36, 49,63 e 54,95; 36,96, 34,22 e 32,82 %, respectivamente.

Segundo Van Soest (1994) é o consumo que determina o nível de nutrientes ingeridos pelos animais, refletindo a resposta e função animal, concordando com Berchielli et al. (2005) que afirmam que associado ao consumo, deve-se utilizar a digestibilidade, por serem parâmetros importantes na determinação do valor nutritivo dos alimentos utilizados na nutrição de ruminantes.

Objetivou-se com este experimento determinar o consumo e a digestibilidade de nutrientes de silagens de maniçoba contendo diferentes percentuais de co-produto de vitivinícolas em ovinos recebendo 1% de suplementação concentrada.


MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi desenvolvida no campo experimental da caatinga da Embrapa Semi-Árido, localizado na zona rural do município de Petrolina – PE, na BR 428, Km 152 da Rodovia Petrolina – Lagoa Grande, a uma latitude de 09º09”S, longitude de 40º22”W e altitude de 365,5 m. A Região apresenta média pluviométrica de 570mm e temperaturas variando entre 20,27 e 32,46ºC.

O resíduo (co-produto) de vitivinícola (engaço, casca e sementes de uva) foi obtido em fevereiro de 2006, nas vitivinícolas Santa Maria e a Garziera, localizadas no município de Lagoa Grande - PE. O material foi coletado úmido, ainda na plataforma de processamento das vitivinícolas logo após a prensagem, e levado para o campo experimental da Embrapa, onde foi submetido à desidratação natural, por exposição ao sol, em área cimentada, e armazenado em sacos de ráfia até o momento da ensilagem.

A maniçoba utilizada para a confecção das silagens foi coletada em área de caatinga do Campo Experimental da Embrapa Semi-árido, em março de 2006, quando estava em estágio vegetativo de floração plena, retirando-se as partes mais externas, contendo maior quantidade de folhas. Imediatamente após o corte, a maniçoba foi levada ao local de ensilagem e triturada em máquina forrageira, obtendo partículas com no máximo cinco centímetros de tamanho. Em seguida, pesou-se a maniçoba referente a cada tratamento, bem como a quantidade de co-produto dos mesmos e seguiu-se o processo de ensilagem. O material foi acondicionado em tambores de 200 litros, fechados com lona plástica e liga de borracha nas extremidades.

Utilizou-se um delineamento estatístico em quadrado latino quatro por quatro, cujos tratamentos foram: silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas, nas proporções de 0, 8, 16 e 24%, com base na matéria seca .

Foram utilizados 4 ovinos, castrados, adultos, da raça Santa Inês, com peso médio inicial 52,07 + 7,00 kg em ensaio de digestibilidade pelo método de coleta total das fezes, para determinar o consumo e a digestibilidade aparente de silagens de maniçoba com diferentes percentuais de co-produto de vitivinícolas desidratado em ovinos, recebendo 1%PV de suplemento concentrado..

Os animais permaneceram confinados durante todo o período experimental, em baias de chão batido, com cobertura de sombrite, comedouro, bebedouro e balde destinado à suplementação concentrada.

As silagens utilizadas foram confeccionadas no campo experimental da Embrapa Semi-árido em março de 2006 e abertas para fornecimento aos animais em agosto do corrente ano.

As silagens foram fornecidas “ad libtum” aos animais diariamente, em duas porções, uma pela manhã e outra ao final da tarde. Além das silagens, os animais foram suplementados (Figura 3) com mistura múltipla (1%PV/dia), formada de 59,5% de milho moído, 39,5% de torta de algodão e 1% de sal mineral Ovinofós, da Purina, também fracionada em duas porções.

Os animais foram pesados em jejum no início de cada período experimental e no primeiro e último dia de cada fase de coleta.

Para coleta total das fezes, foi utilizada uma bolsa coletora, de napa com um zíper, que foi colocada nos animais de modo a evitar a perda das fezes. Foi realizada tricotomia na região posterior dos animais (ancas, cauda e testículos) de modo a evitar contaminação das fezes com os pelos dos mesmos, evitando interferência na determinação dos nutrientes excretados nas mesmas.

O ensaio de digestibilidade foi composto de quatro períodos, com vinte dias cada, sendo dezesseis dias referentes a fase de adaptação dos animais a dieta (tratamento) e quatro dias destinados à fase de coletas para determinação da digestibilidade aparente.

Durante todo o período experimental foram realizadas anotações diárias referentes ao peso do alimento oferecido e as sobras, de modo a calcular o consumo dos mesmos, adotando-se uma margem de sobras que variou de 15 a 20% do oferecido. As fezes foram pesadas e amostradas apenas na fase de coletas.

Os teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), matéria orgânica (MO), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA) e lignina das amostras do oferecido, sobras e fezes foram determinados conforme os procedimentos descritos por Silva & Queiroz (2002) para determinação do valor nutritivo das silagens, consumo e coeficientes de digestibilidade dos nutrientes. Nas amostras de oferecido e das sobras determinou-se a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) (Silva & Queiroz, 2002). Foram estimados os teores de carboidratos totais (CT) segundo metodologia descrita por SNIFFEN et al. (1992), em que CT = 100 - (%PB + %EE + %MM), enquanto os carboidratos não fibrosos (CNF), foram obtidos pela diferença de CT e FDN.

As análises laboratoriais foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal da referida instituição de pesquisa. Os dados de consumo e digestibilidade aparente foram submetidos à análise de variância e estudos de regressão, considerando-se níveis de 1 e 5 % de probabilidade.



Os teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), carboidratos totais (CT), carboidratos não-fibrosos (CNF) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) e da mistura múltipla utilizadas no experimento estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO), de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro corrigido para cinzas (FDNcz), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) e do concentrado, com base na matéria seca

Variáveis

SMCPV

Concentrado

0%

8%

16%

24%

MS

27,67

33,76

37,00

40,27

91,31

MM

7,70

8,35

8,33

8,32

5,23

MO

92,64

91,98

91,94

91,91

95,00

PB

19,10

21,00

20,78

19,21

25,05

EE

6,20

5,40

6,10

6,10

10,03

FDNcz

46,83

49,65

50,64

54,62

38,00

FDA

35,73

36,00

34,65

37,18

13,38

CT

66,42

64,37

65,11

67,51

84,74

CNF

15,65

12,50

18,35

15,15

46,74

LIG

8,88

11,97

11,83

15,96

5,65

DIVMS

45,82

46,29

46,76

47,05

71,05


RESULTADOS E DISCUSSÃO
As médias, equações de regressão e coeficientes de variação (CV) para os consumos de matéria seca (CMS), matéria mineral (CMM), matéria orgânica (CMO), proteína bruta (CPB), extrato etéreo (CEE), fibra em detergente neutro (CFDN), fibra em detergente ácido (CFDA), lignina (CLIG) e carboidratos totais (CCT) expressos em quilogramas por dia (kg/dia), em porcentagem de peso vivo (%PV) e em gramas por unidade de tamanho metabólico (g/kgUTM) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) em ovinos estão apresentadas na Tabela 2.



Tabela 2. Médias, equações de regressão e coeficientes de variação (CV) para os consumos de matéria seca (CMS), matéria mineral (CMM), matéria orgânica (CMO), proteína bruta (CPB), extrato etéreo (CEE), fibra em detergente neutro (CFDN), fibra em detergente ácido (CFDA), lignina (CLIG) e carboidratos totais (CCT) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) por ovinos

Variáveis

SMCPV

CV

Equação de Regressão

0%

8%

16%

24%

Kg/animal/dia

CMS

1,540

1,659

1,891

1,748

11,96

y = 1,709

CMM

0,051

0,061

0,071

0,055

23,88

y = 0,059

CMO

0,688

0,674

0,849

0,718

39,61

y = 0,752

CPB

0,151

0,174

0,207

0,161

29,27

y = 0,173

CEE

0,046

0,044

0,072

0,063

25,93

y = 0,055

CFDN

0,321

0,326

0,450

0,404

17,20

y = 0,375

CFDA

0,223

0,228

0,285

0,264

19,72

y = 0,249

CLIG

0,084

0,081

0,090

0,107

19,82

y = 0,090

CCT

0,518

0,495

0,629

0,531

28,30

y = 0,543

%PV

CMS

2,784

2,937

3,340

3,108

13,70

y = 3,039

CPB

0,273

0,314

0,359

0,286

30,96

y = 0,307

CFDN

0,579

0,576

0,789

0,716

18,40

y = 0,664

g/kgUTM

CMS

75,89

80,39

91,52

85,00

13,22

y = 83,20

CPB

7,45

8,56

9,88

7,83

30,44

y = 8,43

Médias submetidas à análise de variância à 1% de probabilidade e regressão.

kg/animal/dia – quilos por animal por dia; %PV – Porcentagem de peso vivo; g/kgUTM – gramas por quilo de unidade de tamanho metabólico


Os consumo de MS, MM, MO, PB, EE FDN, FDA, LIG e CT não foram influenciados (P>0,01) à medida que aumentou o percentual de CPV nas silagens, quando expressos em kg/dia, %PV e g/kgUTM (Tabela 2).

O consumo das silagens não foi influenciado significativamente com a adição de CPV, apesar de ter aumentado numericamente, de modo que, além de aditivo para o conteúdo seco, o co-produto pode ser um bom palatabilizante, podendo ser utilizado em dietas para ovinos.

As quantidades de MS e PB ingeridas (Tabela 2) pelos ovinos em todos os tratamentos supriram as exigências nutricionais dos animais para mantença e ganho de peso (300g/dia) segundo tabela de exigências nutricionais para cordeiros (NRC, 1985).

Os valores de CMS estiveram próximos aos obtidos por Araújo et al. (2004) ao estudar dietas contendo diferentes níveis de feno de maniçoba em ovinos, que variou de 2,85 a 3,42%PV. Quando expresso em g/kgUTM, o CMS foi superior ao encontrado por Ribeiro et al. (2002), para silagem de sorgo (69,75+2) em ovinos com peso final em média de 52,04+2 e semelhante ao consumo de MS usando silagem de milho (83,25+2).

As médias, equações de regressão e coeficientes de variação da digestibilidade in vivo da matéria seca (DMS), matéria mineral (DMM), matéria orgânica (DMO), proteína bruta (DPB), fibra em detergente neutro (DFDN) e fibra em detergente ácido (DFDA) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) em ovinos estão apresentadas na Tabela 3.



Tabela 3. Médias, equações de regressão e coeficientes de variação (CV) da digestibilidade in vivo da matéria seca (DMS), matéria mineral (DMM), matéria orgânica (DMO), proteína bruta (DPB), fibra em detergente neutro (DFDN) e fibra em detergente ácido (DFDA) das silagens de maniçoba com inclusão de co-produto de vitivinícola (SMCPV) por ovinos

Variáveis

SMCPV

CV

Equações de regressão

0%

8%

16%

24%

DMS

53,50

54,98

54,26

49,07

20,09

y = 52,94

DMM

47,45

54,37

52,94

63,06

26,68

y = 54,92

DMO

62,22

64,05

69,95

69,51

12,65

y = 66,74

DPB

69,82

74,87

65,76

67,08

12,91

y = 69,38

DFDN

48,58

40,72

55,16

56,60

26,84

y = 50,37

DFDA

43,37

46,77

34,56

37,75

30,99

y = 43,68

Médias submetidas à análise de variância e regressão.
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