Universidade federal da paraíba centro de ciências agrárias programa de pós-graduaçÃo em zootecnia



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Não houve diferença para os coeficientes de digestibilidade das silagens de maniçoba com níveis de co-produto vitivinícola estudadas (P>0,01). As médias dos coeficientes de digestibilidade dos nutrientes das silagens em estudo, com exceção do FDA, superiores a 50%, revelam a boa digestibilidade do alimento, o que indica a viabilidade destas dietas na alimentação de ruminantes.

Barroso et al. (2006) estudando a adição de CPV em dietas com grão de milho (GM), raspa de mandioca (RM) e farelo de palma (FP) na proporção de 50% com base na matéria seca, encontraram coeficiente de DMS de 52,89, 54,36 e 36,96, respectivamente, em ovinos, enquanto que o coeficiente de DMS das silagens com adição de CPV em ovinos foi de 52,95%.

A digestibilidade da PB das silagens em estudo foi em média 69,39%, superiores aos coeficientes de DPB encontrados por Barroso et al. (2006) em dietas contendo GM, RM e FP associados ao CPV na proporção de 50%, que foi 47,12, 49,63 e 34,22%, respectivamente.

Baixo teor de PB pode limitar a digestão dos nutrientes por deficiência de compostos nitrogenados para os microorganismos ruminais (Lousada Junior et al., 2005), o que não ocorreu com as silagens em estudo, pois apresentaram bons teores de PB, fato que refletiu nos adequados coeficientes de digestibilidade das silagens com e sem adição de CPV.

No caso do coeficiente de DFDN, Barroso et al. (2006) obtiveram valores de 42,37 e 32,82 nas dietas de CPV com GM e FP, respectivamente, inferiores a média obtida no presente estudo para silagens de maniçoba com CPV que foi de 50,27%, e valor superior a esta média para a dieta a base de RM com CPV, igual a 54,95%.

Barroso et al. (2006) obtiveram coeficientes de digestibilidade da matéria seca, proteína bruta e fibra em detergente neutro de 52,89, 47,12 e 42,37; 54,36, 49,63 e 54,95; 36,96, 34,22 e 32,82 %, respectivamente, para as dietas com grão de milho, raspa de mandioca e farelo de palma,

De acordo com Van Soest (1994), os teores de FDN de um alimento são negativamente correlacionados com seu consumo e digestibilidade, não existindo outros fatores envolvidos, de modo que alimentos apresentando menor concentração desse componente apresentariam maior consumo e melhor desempenho pelos animais no que diz respeito a sua digestibilidade. Contraditoriamente, os resultados obtidos nesta pesquisa mostram que houve maior consumo para a silagem com inclusão de 16% de CPV, com o segundo maior teor de FDN (50,65%) quando comparada às outras silagens, e maiores valores de consumo (0,450kg/dia) e coeficiente de digestibilidade (55,16%).

Embora as silagens apresentem uma grande quantidade de lignina em sua composição química, esta não prejudicou a digestibilidade das mesmas. Lousada Júnior et al. (2005) alimentando ovinos com subprodutos agroindustriais, obtiveram valores de digestibilidade de 50,8; 16,8; 17,7; 56,2 e 38,7, para os subprodutos de abacaxi, acerola, goiaba, maracujá e melão, respectivamente, aos quais apresentaram teores de lignina de 5,3, 20,1, 18,5, 9,5 e 16,6, respectivamente. O valor médio do coeficiente de DFDN encontrado no presente estudo foi de 50,27 e os teores de LIG nas silagens com adição de CPV foi de 8,88, 11,97, 11,83 e 15,95, o que não prejudicou a digestibilidade das mesmas, e foi maior que os coeficientes encontrados por Lousada Júnior et al. (2005) quando utilizou acerola, goiaba e maracujá, que continham os níveis mais elevados de lignina.

As silagens de maniçoba com e sem adição de co-produto de vitivinícola, apresentaram consumo e digestibilidade equivalentes, de modo que podem ser utilizadas na alimentação de ovinos.



Diante do exposto, é necessário ressaltar que a utilização de co-produtos da vitivinicultura na alimentação de ruminantes na região do Vale do São Francisco pode ser tida como uma fonte de renda complementar aos vitivinicultores e aos criadores de ovinos na região, pela doação ou mesmo venda do material evitando que este se torne poluente, garantindo um ambiente limpo e ecologicamente saudável dos parques industriais e em função de uma possível melhora na utilização do co-produto desta agroindústria como fonte volumosa para ruminantes, já que busca de alternativas alimentares tem sido uma constante.

CONCLUSÃO
A adição de co-produto de vitivinícolas em até 24%, não prejudicou o consumo e a digestibilidade das silagens de maniçoba, de modo que as silagens de maniçoba com e sem adição de co-produto vitivinícola podem ser igualmente utilizadas na alimentação de ovinos.

Sugestão: De acordo com os resultados obtidos neste trabalho, sugere-se avaliar a viabilidade econômica da adição do co-produto de vitivinícolas na ensilagem de maniçoba para a alimentação de ovinos.

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