Universidade federal de alagoas



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

CENTRO DE EDUCAÇÃO

SEMANA DE PEDAGOGIA 2013

GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM ALAGOAS: AMEAÇAS E DESAFIOS”





PROJETO DE INTERVENÇÃO: “As múltiplas linguagens da criança pequena no espaço da sala”
Profa. Dra. Lenira Haddad (CEDU/UFAL)

lenirahaddad@uol.com.br


Luciana Gomes Silva (CEDU/UFAL)

Lucianags2010@hotmail.com

Patrícia Torres de Lima (CEDU/UFAL)

patytorres@hotmail.com



RESUMO:
Este artigo tem como objetivo principal, socializar experiências adquiridas através da disciplina de Estágio Supervisionado 2 (Educação Infantil) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Ao realizarmos a caracterização específica da turma do maternal 1, tivemos o interesse de ampliar o repertório de atividades já então trabalhados pelas professoras. Sendo assim, pensamos em projetos voltados para as múltiplas linguagens da criança pequena, através de contação de histórias com caixas surpresas, envolvendo aspectos como: brincadeiras, movimentos e expressões corporais. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e documental, com base na observação. Desta forma, a observação e a escuta foram pontos de partida para a elaboração de novas atividades a serem propostas. Destacamos neste trabalho as sessões mais relevantes, sobretudo relacionando aos autores: Brougère (1997), Corsaro (2002), Haddad (2004), entre outros. Os resultados desse projeto possibilitou a ampliação dos recursos de contação de histórias, a aceitação por parte tanto da professora, quanto das crianças e também trouxe ganhos significativos para nossa formação enquanto futuras pedagogas.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Infantil; Múltiplas Linguagens; Caixa Surpresa.

1 INTRODUÇÃO
Como estagiárias do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas - UFAL, nosso campo de estágio ocorreu no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da mesma Universidade. Foi a partir das observações específicas que nos inspiramos quanto à escolha do tema deste projeto. Observações estas que nos proporcionaram um olhar mais aguçado quanto às características próprias da criança de 2 a 3 anos. É nessa fase que a criança vai construindo sua autonomia, “quando desenvolve a fala e amplia seu vocabulário, quando aprende novas brincadeiras, quando consegue se alimentar sozinha, quando observa imagens de um livro infantil, quando escuta histórias, quando se olha no espelho, e assim por diante.” (MEC/SEB, 2009).

Durante as sessões notamos uma sequência dessas características, as quais fizemos questão de registrar, principalmente, as emoções e euforias nas brincadeiras. “O brincar é sempre uma experiência criativa, uma experiência que consome um espaço e um tempo, configurando uma forma básica de viver. Um momento significativo no brincar é aquele da admiração, no qual a criança surpreende a si mesma”. (BARBOSA, 2009). Na contação de histórias vimos o quanto a criança se envolve com gestos e atitudes espontâneas, num clima de interação e atenção ao mesmo tempo. Neste sentido, “as crianças precisam de espaço para usar objectos e materiais, fazer explorações, criar e resolver problemas; espaço para se mover livremente, falar à vontade sobre o que estão a fazer, espaço para guardar as suas coisas e exibir suas invenções [...]” (HOHMANN; WEIKART, 2007, p.162).

Finalizamos relatando a importância do Projeto na Instituição, bem como as dificuldades que tivemos. Houveram os pontos negativos, mas os positivos se sobressaíram, principalmente pela aceitação tanto por parte da professora, quanto das crianças. Também relatamos nossas sugestões e a contribuição do Projeto para a nossa formação inicial.

2 DESCRIÇÃO DAS SESSÕES
Contação de histórias em caixa surpresa: “As aventuras do gatinho Tico”
A sessão teve início a partir das 13h50min. Estavam presentes na sala nossa orientadora juntamente com a professora e sua equipe. Fomos apresentadas às crianças pela professora, a qual disse: “Crianças, estão aqui conosco duas amigas, elas tem alguma coisa pra nós, vamos ver o que é que elas têm?” Com essa fala da professora as crianças já ficaram curiosas e olhando para nós (Luciana e Patrícia). Estávamos todas sentadas no chão, quando Patrícia começou: “Crianças, eu tenho uma surpresa pra vocês! Quem tem gato em casa? Como é que o gato faz?” Beto começou a imitar o gato: “miau, miau, miau” E as outras crianças começaram a imitar também. Patrícia prosseguiu: “Quem sabe o que tem aqui?” Lucas queria ver o que tinha dentro da caixa, então, a caixa foi aberta e Patrícia deu início a contação de história: “As travessuras do gatinho tico” em molduras. Patrícia tirava da caixa uma moldura e ao contar a história, mostrava a figura:


F
ig. 1 – Contação de histórias com caixa surpresa

As crianças ficaram bem atentas e demonstraram muita curiosidade a ponto de querer tocar na caixa e pegar as molduras. Elas ficavam bem à vontade, pois na medida em que Patrícia contava a história, diziam: “É um gatinho tia?” ou “Eu quero vê o gatinho” ou “Ele é bonitinho”. Então, na medida em que Patrícia contava a história, também mostrava as figuras e as crianças se levantaram para pegar e mostravam umas para as outras. Beto se levantou e foi olhar o que tinha atrás da moldura e Patrícia disse: “Não tem nada atrás meu amor, olhe, é só uma moldura!”, então ele se deu por satisfeito, mas continuava a observar cada detalhe da história.

Quando Patrícia narrava um trecho da história em que o gatinho tico subiu no telhado e não conseguiu descer, as crianças ficaram na expectativa, então ela perguntou: “Quem sabe o que aconteceu? O gatinho ficou com medo e logo pediu socorro ao seu pai! E depois, o que aconteceu?”. Uma criança disse: “O pai dele não foi pegar ele”. Patrícia indagou as crianças: Vocês sabem me dizer se o gatinho parou de fazer travessuras? E elas respondiam: “ele não parou não tia”. Ele continuou fazendo travessuras e foi mexer na tinta, enquanto isso, as crianças diziam: “Ele foi mexer na tinta tia? A tinta caiu na cabeça dele, olha...”. E apontavam com o dedo. Após a contação da história, cada uma pegou uma moldura, e apontava com o dedo para o gatinho que estava na figura. Observamos que elas reproduziam a história a sua maneira e Beto dizia: “Ele tava no telhado, socorro, socorro, socorro”.

Em seguida, foi feita uma brincadeira, na qual Luciana escondeu um gatinho de pelúcia para que as crianças procurassem em todos os espaços da sala. Todas as crianças ficaram viradas de costas e contaram até dez, então, saíram a procurar dizendo: “Gatinho, cadê você!”. Procuravam nos armários, nos brinquedos, chegavam bem perto e não encontravam, até que, Joana o encontrou: “Achei tia!” Gustavo apontava com o dedo o local onde o gatinho estava e dizia: “Ele tá ali tia!”.


Considerações:

Através da atividade proposta neste dia proporcionamos às crianças um clima de encantamento e fantasia na contação da história. As crianças participaram ativamente interagindo em contato com as figuras da história, pois elas mostravam umas para as outras, assim era desenvolvida a linguagem da criança pequena. De acordo com Barbosa (2009, p. 80), desde o nascimento


[...] as crianças aprendem e se socializam a partir das ações, das relações e interações que estabelecem com as pessoas, adultos ou crianças, e com o mundo que as envolve. Essas ações acontecem no marco das práticas efetivas e afetivas de vida social no cotidiano de cada cultura. O encontro ativo com os outros oferece uma constelação de significados que o bebê vai se apropriando, singularmente, em seu desejo e necessidade de conhecer o mundo. O modo como experimentamos os atos dos outros e suas linguagens vai depender das experiências de nosso campo sensório e dos significados que podemos interpretar e atribuir. E, assim, ao imergirem no mundo as crianças vão, pouco a pouco, emergindo como pessoas e constituindo seus próprios sentidos.

Vale ressaltar também a importância na ampliação dos recursos da contação de histórias, pois “O trabalho que considere as diferentes linguagens das crianças implica, além de elaborar, para elas e com elas, ricos ambientes contendo materiais diversos, que se garanta também a aproximação da arte em suas formas [...]” (GOBBI, 2010, p. 3). Ressaltamos também que foi essencial a mediação que a professora da sala e suas auxiliares tiveram na contação da história e na brincadeira também.



Contação de histórias em caixa surpresa: “Chapeuzinho vermelho”

Chegamos à sala às 13h20min, algumas crianças estavam dormindo. Aguardamos a professora Sharlane, que chegou às 13h30min, acordou as crianças e iniciou com cantigas de roda. Depois nos apresentou novamente às crianças, as quais nos receberam com alegria. Luciana perguntou se elas se lembravam da história de ontem e da caixa surpresa, então, elas começaram a lembrar: “Do gatinho cheio de tinta, tia!”. Após esse momento, Luciana mostrou outra caixa surpresa e, ao fazer um pouco de suspense, elas se aproximaram e disseram: “O que tem aí tia!”, “Abre tia!” e “ Aí tem um gatinho!”. Em meio às suas curiosidades, a caixa foi aberta, nela tinha um avental com os personagens da história “Chapeuzinho vermelho”, confeccionados de emborrachado.




Fig. 2 – Contação de histórias com caixa surpresa



Então elas ficaram bem atentas, até que Beto tocou no avental, pegou a chapeuzinho vermelho e mostrou aos coleguinhas: “Olha a chapeuzinho vermelho”. Depois, Gustavo pegou a vovó e também mostrou, tocaram no lobo mal, enfim, abriram a porta da casa da vovó...

Após a contação da história, fizemos uma brincadeira com o túnel, no qual as crianças teriam que passar por dentro para socorrer a Chapeuzinho vermelho do lobo mal. Elas se apressaram, pois queriam salvá-la, principalmente Joana, que ficou muito alegre por trazer a Chapeuzinho.
Considerações:

Ao iniciar a contação da historia com o avental, as crianças participavam de maneira ativa e no desenrolar da história as crianças interagiam com os personagens da história e entre elas.

Gobbi (2010, p. 1) diz que as crianças ao se expressarem utilizam as várias linguagens, desta forma, constroem a si mesmas e as culturas nas quais estão inseridas, por meio das palavras, dos choros, dos movimentos, dentre outros, todos imbricados em ricas manifestações. Na mesma linha Barbosa (2009, p. 83) enfatiza que,
As crianças nascem com a possibilidade de construir linguagens: a linguagem do olhar, a linguagem do gesto, a linguagem do toque. As linguagens são aprendidas pelas crianças desde muito cedo nas interações que estabelecem com outros seres humanos. Por exemplo, as crianças pequenas desenvolvem a linguagem oral por viverem num ambiente onde esta é continuamente utilizada. Além disto, as pessoas importantes para elas constantemente as incluem – olhando em sua direção, esperando respostas, fazendo caretas e olhares específicos.
Neste sentido, foi com base nesta citação que procuramos proporcionar às crianças um ambiente que fortalecesse suas capacidades no uso das diversas linguagens. Vale ressaltar o que Corsaro (2002) fala a respeito das crianças, enfatizando que estas, desde cedo, começam a vida como seres sociais, sendo assim, estão inseridas numa rede social definida. Neste sentido, elas passam a construir seus mundos a partir da comunicação e da linguagem em interação com outros.

Na brincadeira com o Túnel, as crianças ficaram entusiasmadas para salvar a vovó e participavam com alegria, pois seus olhos brilhavam e aos pulos queriam entrar logo no túnel. Essa brincadeira proporcionou às crianças movimentos que desenvolvia sua coordenação motora baixa, porque ao entrarem no túnel elas tiveram que engatinhar.


Contação de histórias em caixa surpresa: “Os três porquinhos”
Nesta sessão, trouxemos mais uma caixa surpresa, desta vez com a participação de fantoches, na contação de histórias: “os três porquinhos”. Começamos fazendo o suspense: “O que será que tem nesta caixa!” Desta forma, as crianças se aproximaram para ver o que tinha e, quando viram que eram fantoches, queriam chegar perto e tocá-lo. Depois, todos ficaram sentados, e, atentos, ouviram a história dos três porquinhos. No decorrer da história, pedíamos para eles imitarem o lobo, e a forma como ele assoprava, e elas respondiam: “Ouuu, Ouuu, Ouuu...”


Fig. 3 – Contação de histórias com caixa surpresa


Lucas tocou o fantoche, colocava objetos na boca dele como se estivesse dando comida, porém, tomou um susto quando o fantoche fechou a boca, enquanto isso, as crianças estavam mostrando as figuras do livro para os seus coleguinhas. Ao nos referirmos a um trecho da história, que falava da casa dos três porquinhos, que uma era de palha, outra de madeira e a outra de tijolos, pedimos que elas olhassem para as produções que estava na parede ao lado do teatro, fazendo uma comparação, então o fantoche dizia: “Olha crianças a casa de palha era igual a essa que está na parede, e a de madeira também é igual a esta” e todos olhavam.

A história repercutiu tanto que elas queriam ver as imagens, tocar os fantoches, imitar o lobo, etc. Depois quiseram reproduzir a história, Gustavo colocou o fantoche em seu braço, entrou no teatro e dizia: “Os três porquinhos entrou na casa e o lobo Ouuuu e a casa caiu”. Depois, ele pegava no nariz, ficava olhando, como se estivesse admirado com tudo que estava vendo.

Após a contação da história, fizemos a brincadeira de esconde-esconde, então, fizemos alguns esconderijos com objetos da sala. As crianças ficaram de costas, as quais contaram até dez, em seguida, com a mediação das professoras, elas procuravam por Luciana, nos armários, nas caixas de papelão, atrás das mesas, etc. Até que, Gustavo encontrou Luciana atrás de um papelão: “Achei! Ela tá aqui!”. Outras ainda continuavam a procurar, até que disseram: “Já achou, o Gustavo já achou a tia”.


Considerações:

A contação de histórias com fantoches chamou a atenção das crianças, pois as crianças ficaram encantadas, e queriam participar ativamente da historinha. De acordo com Brougère (1997), a brincadeira não está limitada ao agir da criança, ou seja, se tem algum sentido o que a criança faz, mas a lógica do fazer de conta. No entanto, para ele o objeto pode despertar imagens que permitirão dar sentido a essas ações.

Vale ressaltar ainda o que Gobbi (2010, p. 2) enfatiza ao dizer que os adultos, muitas vezes, se sentem “seres acabados”, e, portanto, “pouco estimulados a ver as realidades multifacetadas que se apresentam em profusão diante de todos”. Assim, ao reconhecerem as linguagens utilizadas pelas crianças, notam que precisam estar junto com elas e percebem “suas características de acordo com gênero, classe social, etnia, faixa etária a qual pertencem”.

Para Barbosa (2009, p. 85), as crianças pequenas aprendem as linguagens nas ações materiais e simbólicas significativas, ou seja, “ações corporais, gestuais e verbais que acontecem no encontro entre crianças e crianças, entre crianças e adultos, e entre adultos e adultos”. Desta forma, proporcionamos nas atividades, ações como: correr, se esconder, falar e atividades mais integradas com a presença dos fantoches e de diálogos.

Na brincadeira de esconde-esconde, com a mediação do adulto percebemos que as crianças ficavam na expectativa ao se esconder, e com muita alegria ao serem descobertas.
Contação de histórias em caixa surpresa: “As aventuras do cãozinho Lupi”
Chegamos à sala do maternal 1 às 13h15min, fizemos a intervenção às 13h50min, pois tinha poucas crianças, umas estavam dormindo e outras ainda não haviam chegado, mas com alguns minutos todas estavam na sala. Como sempre, trouxemos outra caixa surpresa, nesta havia um livrão, ou seja, colamos as figuras em páginas de emborrachado e confeccionamos a capa com tecido. Patrícia iniciou mostrando a caixa, assim, as crianças iam passando de mão em mão, foi dito a elas que não abrissem a caixa, pois era surpresa. Elas estavam muito curiosas, mas não abriram, esperaram que Patrícia mostrasse o que tinha dentro.


Fig. 4 – Contação de histórias com caixa surpresa





Depois, Patrícia abriu a caixa e mostrou o livrão, então cada criança o pegou e o manuseou, porém não o abriram. Estavam todas atentas quando Patrícia começou a contar a história. No decorrer da história Beto intervia: “Eu vou levar ele pra minha casa” e olhando para Daniel dizia: “Quer levar ele pra sua casa?” Davi respondia: “Quero” Beto continuava: “Eu vou tirar ele daí” e ficava olhando para as figuras. Quando terminou a história, ele pegou o livrão e começou a reproduzir a história, ele dizia: “Olha o cachorrinho, ele era desobediente...”

No decorrer da historia, as crianças interagiam conforme a contação e participavam manuseando o livro. Beto começou a pergunta às colegas que estavam ao seu redor: “Alícia você dava nele? Daniel e você ? E tu Sandro?” Percebemos que Beto estava incomodado porque o cãozinho era muito atrapalhado e não parava quieto, então Beto disse: “Esse cachorro é muito desobediente.” Ele fez esse comentário com os colegas querendo bater no cãozinho, para ver se ele parava quieto.

Em seguida, fizemos a brincadeira de esconde-esconde, pois é uma brincadeira que as crianças gostam muito, tanto quando são elas que procuram quem vai se esconder, quanto quando são elas que se escondem. Quando anunciamos a brincadeira, elas vibraram: “Êêêêêêê!” e quando terminou, elas disseram: “De novo tia!”


Considerações:

No decorrer da historia, foi verificado o quanto as crianças interagiam, pois elas pediam para contar a historinha novamente, isto mostra que, para que haja o desenvolvimento da linguagem, essa participação é necessária.

De acordo com Gobbi (2010, p. 1) as crianças são altamente capazes e desejosas de expressar-se, ou seja, de expressarem suas diferentes linguagens, contudo, não são raras as ocasiões em que encontram certa resistência, pois nem sempre são compreendidas pelas instituições pré-escolares ou creches que frequentam.

Portanto, na brincadeira de esconde-esconde fizemos questão de atender ao pedido das crianças, pois elas gostam muito e sentem-se realizadas.


Contação de histórias em caixa surpresa: “Minhoca dorminhoca”
Nesta última sessão, chegamos à Instituição às 13h10min, trouxemos a história da “Minhoca dorminhoca” na caixa surpresa e as brincadeiras de boliche e esconde-esconde. Confeccionamos as minhocas com tecido para cada criança, as quais disseram: “eu quero tia!” e “eu também quero!”, umas pediam ajuda: “Coloca a minhoquinha pra mim tia!” outras não queriam ajuda elas mesmas colocavam: “Não, eu sei tia!”. Patrícia colocou uma minhoca em sua mão para representar o personagem, enquanto isso Luciana narrava a história.

Colocamos um colchão em cima da mesinha, simbolizando a cama da minhoca dorminhoca e as crianças diziam: “A minhoquinha vai dormir”. Gustavo pegou um cobertor para cobrir a minhoca e disse: “Ela tá com frio!” Na história, a minhoca passou o inverno inteiro dormindo e quando chegou a primavera ela não queria acordar, então pedimos que as crianças fizessem barulho para a minhoca acordar, entregamos pandeiros para cada uma, as quais diziam: “Acorda minhoca!”, “Você tá dormindo muito, acorda!” e “Ela num quer acordar tia!”, mais depois disseram: “Ela acordou tia, ÊÊÊÊÊÊÊ!”

Depois fizemos a brincadeira do boliche maluco, nesta brincadeira utilizamos cinco garrafas PET, as embrulhamos com papel de presente e TNT, depois enchemos com um pouco de areia. Colocamos as garrafas em uma espaço da sala que fica de frente para o espelho, entregamos a bola ao Beto e ele a jogou, mas não derrubou nenhuma garrafa, em seguida outra criança e assim por diante. Elas não conseguiam arrematar a bola com força e diziam: “Eu não consigo tia”. Alícia conseguiu derrubar uma garrafa: “ÊÊÊÊÊ!”. Beto estava sempre arrumando as garrafas quando elas caiam.

Depois perdemos o controle, pois as crianças reclamavam: “Agora sou eu tia, é a minha vez!”, Lucas chorava o tempo todo, depois Joana também chorava dizendo: “É a minha vez tia!” e “Tia eu quero!”. Fizemos outra brincadeira, a de esconde-esconde, dessa vez, trouxemos um fantoche, Luciana foi para trás do balcão e através do fantoche dizia: “Olá crianças, quem quer brincar?” e elas respondiam: “Eeeeeu!” e o fantoche continuou a falar: “Meu nome é Zequinha, vamos brincar de esconde-esconde?” as crianças respondiam: “Vamos!” e Zequinha disse: “Então todo mundo vira pro espelho que eu vou me esconder!”. Patrícia e a professora chamaram as crianças e todas começaram a contar até dez, depois diziam: “Agu! Agu! Agu!”. Luciana ficou em pé e colocou as mãos para trás com o Zequinha em sua mão, e as crianças procuravam e diziam: “Zequinha, cadê você!” e “Onde ele se escondeu tia”.

Com a mediação da professora, elas procuravam nos armários, na caixa de brinquedos, atrás dos colchões, etc. Até que Gustavo achou dizendo: “Achei! Ele tá aqui!” e apontava com o dedo em direção à Luciana. As outras crianças diziam: “ÊÊÊÊÊ!”. Gustavo pediu para colocar o fantoche na sua mão dizendo: “Me dá tia, me dá...”. Quando coloquei na mão dele, ele disse: “Eu sou o Zequinha”, Luciana pediu para as crianças virarem as costas novamente, pois o Zequinha ia se esconder e começaram a contar: “Um... dois...três... Agu!”. Gustavo não se escondeu, mesmo com a nossa ajuda, quando dissemos para ele: “Esconde o Zequinha Gustavo!” ele simplesmente ficou no meio das crianças e rapidamente colocou as mãos para trás da mesma forma que Luciana fez. As crianças diziam: “Achei!”. Notamos o quanto foi significativo para as crianças as atividades realizadas nesta sessão, pois ao trazermos a caixa surpresa foi despertado nas crianças a curiosidade de ver o que tinha na caixa e a sua imaginação quando na contação da história. Nas brincadeiras as crianças corriam, pulavam, enfim, faziam movimentos e, quando na brincadeira de esconde-esconde ficavam eufóricas ao encontrarem o boneco.

Enfim, tudo isso, nada mais é do que, as múltiplas linguagens da criança pequena. “Frequentemente o termo ‘linguagem’ é relacionado estritamente à linguagem verbal e escrita e, por vezes, lhe é dado peso tão grande que chega a inibir a curiosidade por conhecer outras manifestações expressivas dos seres humanos, sobretudo quando têm pouca idade”. (GOBBI, 2010). Também tivemos como base os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil, o qual enfatiza que as atividades devem ser planejadas de forma que: “sugiram diferentes possibilidades de expressão, de brincadeiras, de aprendizagens, de explorações, de conhecimentos, de interações.” (MEC/SEB, 2009).


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No termino deste projeto de intervenção, os objetivos propostos foram atingidos em parte, pois houve propostas que não foram realizadas, devido ao número de sessões com as crianças ser muito curto, sendo modificadas a partir das observações da turma, bem como a partir dos interesses das mesmas.

Um dos pontos que podemos citar como bem sucedido, foi o trabalho com caixas surpresas, pois através dessas caixas, as crianças interagiram tanto com os personagens da história, quanto entre elas mesmas, assim, foi proporcionado o desenvolvimento das suas múltiplas linguagens.

Sentimos um pouco de dificuldade em relação ao horário marcado para o início das sessões, das 13h40min as 14h00min, pois nesse horário, as crianças que ficam no período integral estavam dormindo. Neste sentido, sentimos um pouco de tristeza ao interromper o sono das crianças. Além disso, percebemos que elas não participavam ativamente como as outras que chegavam no segundo horário.

Não podemos deixar de mencionar os impactos que este projeto causou, tanto para nós estagiarias, como para instituição, destacamos a professora e as crianças do maternal 1-A. Em relação às crianças, notamos que houve uma boa aceitação por parte delas, pois ficavam sempre na expectativa quando na nossa chegada. Queremos destacar que, na última sessão, estávamos na portaria, quando uma criança do maternal 1-A, nos abordou com as seguintes perguntas: “O que vocês trouxeram hoje? Trouxe surpresa? Vocês vão para a minha sala? Vem logo tia!” Logo, podemos perceber os impactos que as caixas surpresas causaram naquelas crianças, pois as mesmas ficavam ansiosas para saber o que iríamos levar.

Quanto à professora da sala do maternal, ela mencionou que se surpreendeu com a nossa atuação na sala, pois segundo ela, chegou a pensar que iríamos infantilizar as crianças. Mas ficou surpresa e satisfeita com a forma que introduzimos as atividades. Assim, destacou a professora: “Eu entendo que as crianças são muito pequenas e muitas vezes se dispersam com facilidade, então a maneira em que foi contado as histórias chamou a atenção das crianças”.

Quando perguntamos se ela daria continuidade às ideias do projeto, respondeu: “Pretendo sim! Inclusive até tive outras idéias a partir das que vocês trouxeram, vou aproveitar e também vou acrescentar algumas coisas! Gostei muito!”

Queremos destacar que todos os materiais confeccionados para o projeto de intervenção, as caixas surpresas com diversidades de historias; o boliche maluco, avental de emborrachado, e outros matérias que foram restaurados, foram deixados para a instituição, em especial na sala do maternal 1-A.

Como estagiarias, percebermos as particularidades no desenvolvimento da criança enquanto sujeito em formação, ou seja, seus gestos, atitudes e sentimentos espontâneos, que demonstram a maneira como expressão suas múltiplas linguagens. Com isso, foi eliminada aquela visão que outrora tínhamos, de não enxergar a criança como um sujeito em formação, pois, por falta de experiência, não sabíamos como lidar com a criança pequena. Agora, o nosso olhar mudou, uma vez que, já conseguimos ver a criança que merece ser ouvida, e que muitas vezes o adulto não se importa, simplesmente, pelo fato de ser criança. Desta forma os desafios, foram superados, a cada sessão realizada. Algumas barreiras foram quebradas como: a superação dos medos e ansiedades

Como todo projeto implantado, gostaríamos que a professora pudesse dar continuidade a ele, por entendermos ser muito significativo para as crianças. Ficamos felizes ao saber que a professora se interessou pelo nosso projeto, assim, vimos o quanto é gratificante todo o esforço que tivemos e, diante das dificuldades que encontramos pelo caminho bem como dos desafios, entretanto, superados. Nossa sugestão é que a instituição possa continuar apoiando as professoras em relação às atividades que verdadeiramente façam sentido e tragam satisfação para as crianças em seu desenvolvimento.

REFERÊNCIAS
BARBOSA, Maria Carmen Silveira. PROJETO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA MEC E UFRGS PARA CONSTRUÇÃO DE ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL: Práticas Cotidinas na Educação Infantil – Bases para a reflexão sobre as orientações curriculares. Brasília: s/d, 2009.
BROUGÈRE. Gilles. O brinquedo, objeto extremo. In: Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1997.
CORSARO, Willian A. A reprodução interpretativa no brincar ao “faz-de-conta” das crianças. Revista Educação, Sociedade e Culturas n.º17, 2002.
HADDAD, Lenira. Pátio. Abordagem High/Scope: quatro décadas de tradição e inovação. Pátio. Educação Infantil, Porto Alegre, v. Ano II, n. 5, p. 13-15, 2004.

GOBBI, Márcia. As múltiplas linguagens de meninos e meninas e a educação infantil. ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL: CURRÍCULO EM MOVIMENTO – Perspectivas Atuais. Belo Horizonte, 2010.


HOHMANN, Mary; WEIKART, David P. Arranjo, organização e qquipamento dos espaços destinados às crianças em acção. In. HOHMANN, Mary; WEIKART, David P. Educar a Criança. Lisboa: Copyright, 1995.
VIGOSTKY, Lev Semenovich. O papel do brinquedo no desenvolvimento. In: A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

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