Universidade federal de pelotas



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Instituto de Sociologia e Política

Ciências Sociais Licenciatura





Relatório

Ensino da Sociologia na E.T.E.P. Sylvia Mello

Daniela Gouveia

Diana Luna Philomena

Júlia Theil Radtke

Marcelo Cigales

Maurício Ritta

Pelotas, Outubro de 2010



Relatório de pesquisa da E. T. E. P. Sylvia Mello

Daniela Gouveia

Diana Luna Philomena

Júlia Theil Radtke

Marcelo Cigales

Maurício Ritta


O relatório apresentado a seguir faz parte das atividades do Programa Institucional de bolsa de Incentivo a docência- PIBID, que visa melhorar e estimular a formação docente dos alunos de licenciatura das Universidades Públicas. O PIBID do curso de C. Sociais está sob orientação do Profº Drº Francisco Vargas.

Pelotas, Outubro de 2010

SUMÁRIO


  1. INTRODUÇÃO ..............................................................................04

  2. A ESCOLA ....................................................................................05

    1. PROJETOS..............................................................06

    2. INFRAESTRUTURA.................................................08

    3. ORGANIZAÇÃO DIDÁTICA PEDAGÓGICA............09




  1. O ENSINO DE SOCIOLOGIA .......................................................11

    1. METODOLOGIA.......................................................13

    2. PLANO DE ENSINO.................................................15




  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................16

  2. APÊNDICE ....................................................................................19

  3. ROTEIRO DE INVESTIVAÇÃO: COORDENAÇÃO

PEGAGÓGICA E DIREÇÃO..........................................................20

  1. ROTEIRO DE INVESTIGAÇÃO: PROFESSORES

DE SOCIOLOGIA ..........................................................................21

  1. ROTEIRO DE INVESTIGAÇÃO: ALUNOS ...................................22

  2. ANEXOS .......................................................................................23

  3. MAPA SYLVIA MELLO ................................................................24



1. Introdução

Diante de uma nova perspectiva de educação que tem como marco a Lei de Diretrizes e Bases da Educação- LDB/ 9.394/96 que visa formar o educando não mais apenas para o trabalho mas também para a cidadania, formulou-se em 2000 os Parâmetros Curriculares Nacionais- PCN. Estes têm como objetivos atender às novas demandas da educação no sentido de formar um sujeito crítico, reflexivo e atuante na complexidade social em que se insere. É a partir desse olhar que a Sociologia foi sancionada como obrigatória aos currículos de Ensino Médio no ano de 2008. Nesse processo de reintrodução dessa ciência ao currículo do ensino básico, novas questões teóricas e metodológicas das práticas de ensino da disciplina estão sendo pensadas, assim como questões ligadas à realidade e à cultura escolar.

O Programa Institucional de Incentivo à Docência- PIBID adotada pelos cursos de Humanas (Letras, Filosofia, História, Teatro e Ciências Sociais) da UFPel tem nas Ciências Sociais o objetivo de planejar e desenvolver um diagnóstico da escola e do ensino da Sociologia colaborando com o desenvolvimento de novas práticas e metodologias de ensino ao promover o intercâmbio entre universidade e escola de ensino básico visando ações interdisciplinares e disciplinares.

O objetivo é perceber a realidade das escolas integrantes do projeto a partir de aspectos físicos e estruturais (biblioteca, sala de aula, laboratório, quadra esportiva, segurança) e aos aspectos institucionais referentes à qualidade de ensino (formação do professor, currículo do ensino básico, Projeto Político Pedagógico, investimentos e projetos educacionais, remuneração dos professores, mais especificamente de Sociologia, e dos funcionários).

A coleta de dados teve início no mês de agosto e setembro do corrente ano e se encontra em fase final de investigação. A metodologia partiu de observações participativas, como diálogos informais e formais acompanhados sempre pelas supervisoras da escola do projeto PIBID, com docentes e funcionários a partir de roteiros pré-estabelecidos pelo grupo. E para melhor conhecer os alunos do Ensino Médio e saber suas visões sobre a realidade da escola e da disciplina de Sociologia aplicaram-se 11,41% dos alunos do turno da manhã um questionário qualitativo. Nossa amostragem aborda 58 alunos divididos em três turmas.

2. A escola

A Escola Técnica Estadual Professora Sylvia Mello integrante do projeto PIBID localizada na Rua Evaristo da Veiga, 75- Bairro Fragata em Pelotas- RS possui a especificidade de atender três modalidades de ensino (Técnico de Contabilidade, Ensino Médio e Fundamental) reunindo um número elevado de alunos conforme a tabela abaixo.




Tabela 1: Modalidades de ensino e número de alunos

Modalidade de Ensino

Turno

Nº Alunos

1.1- Ensino Fundamental: oito anos

Manhã

115

Tarde

304

1.2 Ensino Fundamental: nove anos

Manhã

56

Tarde

123

2- Ensino Médio

Manhã

508

Noite

227

3- Técnico Contabilidade

Manhã

69

Noite

156

 

 

Total 1558

Fonte: Calendário Escolar 2010 E.T.E.P. Sylvia Mello



É difícil estabelecer um perfil do aluno da escola Sylvia Mello já que esta atende a diferentes modalidades de ensino e abrange um número elevado de aluno vindos de diversas localidades. Estes alunos se localizam no entorno da escola que atende às subdivisões da área administrativa Fragata1 como: Farroupilha, Real, Aurora, Guabiroba, Elza e Treptwon, e até mesmo de locais mais afastados, como o bairro do Jardim América no município do Capão do Leão passando pelas áreas centrais de Pelotas.

Constatou-se uma dicotomia de percepção entre o corpo docente e os alunos a respeito do perfil do próprio aluno. O corpo docente parece ter uma visão mais pessimista identificando nos discentes a desestruturação familiar e a baixa estima, manifestada com casos de depressão e também de hiperatividade. Muitos não cogitam a hipótese de continuar estudando, pois há casos da necessidade de inserção no mercado de trabalho para incrementar a renda familiar. Esta percepção contrasta com “auto – imagem” dos alunos. Isto porque, conforme constatado através de questionários com os mesmos, estes parecem, principalmente no segundo e terceiro ano, desejar dar continuidade aos estudos. Alguns quando questionados sobre o que vão fazer depois de terminar o ensino médio, apontam com especificidade alguns cursos universitários, técnicos e até mesmo do colégio militar localizado na escola.

Uma das dificuldades de ensino identificadas pelos professores é o pouco hábito de leitura dos alunos, o que prejudica e agrava ainda mais a qualidade de ensino diante das tradicionais metodologias de educação.


2. 1. Projetos

A escola investe na qualidade da alimentação e em projetos extracurriculares vinculado ao governo e instituições tendo em vista as dificuldades do aluno em permanecer na escola.

Os projetos desenvolvidos são:


  • Escola Aberta para a Cidadania, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul e das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) visando modificar os quadros de crescimento de jovens envolvidos em casos de violência e uso de drogas em comunidades carentes. O projeto ocorre aos finais de semana quando os jovens se encontram sem opção de lazer.2

  • Mais Educação, a iniciativa é coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/ MEC), em parceria com a Secretaria Educação Básica (SEB/MEC) e com a Secretaria Estadual e Municipal de Pelotas. O projeto ocorre em turno inverso e proporciona aos alunos oficinas em diferentes áreas de aprendizagem buscando, maior integração com a comunidade e diminuição da evasão escolar, além de tentar melhorar o rendimento escolar dos educando.3

  • Ana Moser - vinculado ao MEC garante uniformes e recursos para as aulas de vôlei para cerca de trinta alunos que passam a viajar em campeonatos representando sua escola.

  • As Oficinas Filosóficas da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) voltadas ao Ensino Médio, iniciado com as oitavas séries e com intenção de se estender para todo o Ensino Médio ano que vem. Ainda se encontra em processo de implantação.

  • O projeto Airton Senna, que impulsiona o aluno para série de faixa etária mais adequada. Este projeto é desenvolvido a partir de um convênio entre a SEC e o Instituto Airton Senna, e tem por objetivo adequar o aluno quanto à série em relação à idade. São atendidos nesse projeto os alunos das séries iniciais do ensino fundamental.

Há também os projetos pensados e realizados pelos docentes como a Amostra de Ciências de quinta a oitava séries que engloba desde palestras, experiências e cursos de primeiros socorros. A Semana da produção de Conhecimento (Semana Acadêmica) em que busca aproximar os alunos do Ensino Médio, principalmente do terceiro ano, à Universidade, acontecendo no período integral de uma semana. Além disso, há também a Feira da Tradição Gaúcha, a Feira do Livro, o Show de Bandas e o Bazar da Escola, feito a partir de doações. Além destes projetos, a escola costuma desenvolver atividades especiais relacionadas às datas comemorativas.

Após a implantação destes projetos ocorreu menor depredação da escola e melhora na segurança que surpreendeu a instituição diante do receio anterior de abri-lá à comunidade. A participação nos projetos possibilita a vinda de recursos financeiros que servem para pequenos investimentos na infra-estrutura dos prédios da área escolar.

O projeto Ayrton Senna tem sido objeto de questionamentos por parte de pais dos alunos e de docentes da escola pelo fato de a metodologia de ensino ser constituída somente através de livros e provas, com inexistência de aulas, lançando muitas vezes o aluno para uma série superior sem ter base de conhecimentos necessários para acompanhar a nova série.

Dentre os pontos positivos apontados pelos alunos através dos questionários, os projetos citados acima têm uma boa aceitação pela integração da comunidade com a escola e pelo esforço empreendido por esta na melhoria do ensino.


2.2. Infra-estrutura

A estrutura física da instituição de ensino é plana, contando com uma única construção de dois pisos que passa por reformas para futuramente abrigar o Colégio Militar. O corpo docente aparenta se preocupar com a ocupação, já que esta teria sido apenas comunicada, o que não possibilitou que os professores discutisse sobre essa questão. Há, todavia um receio de que essa medida provisória venha ser permanente. O que também aflige a todos os professores é a suposta divisão da sala áudio visual, da quadra esportiva, do pátio e do teatro que agora para serem utilizados necessitam de negociação com o Colégio Militar. (Ver mapa em anexo)

A quadra esportiva da escola assim como os pátios é ampla, no entanto não possui cobertura, o que impossibilita atividades físicas em dias de chuva. Esta é uma questão importante no Sylvia Mello visto que nos dias de chuva a escola inunda. O seu pátio interior que serve de passagem para quase todas as salas de aula fica intransitável impossibilitando a continuidade das aulas, nesses dias os professores costumam interromper a aula e liberar os alunos mais cedo.

O laboratório de informática e a biblioteca sofrem com a falta de funcionários para seu funcionamento. O laboratório é equipado com aproximadamente quinze computadores, no entanto com a falta de recursos humanos torna-se difícil a realização das aulas e pesquisas dos alunos no ambiente. A biblioteca tornou-se um local em que muitos professores preenchem suas cargas horárias para não serem deslocados até outro estabelecimento de ensino. Além disso, conta com um acervo precário com uma maioria de livros didáticos, com poucos de literatura. Os livros de Sociologia4 existentes são antigos e metodologicamente difíceis de trabalhar, já que não se adequam a realidade social dos alunos ao não trazer questões atuais. Assim, esses livros não despertam um “olhar sociológico” às relações sociais existentes no cotidiano dos alunos que propiciariam um debate mais reflexivo e crítico.

Encontram-se também nas prateleiras muitos exemplares dos PCNs e dos Referenciais Curriculares do RS (Lições do Rio Grande). Entretanto alega-se a inexistência de encontros direcionados para as discussões desses documentos e das questões institucionais relacionadas à escola. Outra justificativa é o excesso de carga horária dos professores devido à má remuneração que os obriga a trabalharem em vários estabelecimentos. Muitas vezes, trabalham em uma mesma instituição de ensino diferentes disciplinas que não condizem com sua formação a fim de preencher a carga horária necessária. Desse modo, além da precariedade para o desenvolvimento de um bom ensino sofrido pelos professores formados, há ainda os que se sobrecarregam com disciplinas pelas quais não tem formação.
2.3. Organização Didática Pedagógica

O atual Projeto Político Pedagógico (PPP) foi elaborado em 2006 e, de acordo com a instituição, necessita ser reformulado. Mas com a inserção do Colégio Militar e dos novos projetos educacionais ainda não se conseguiu adequar o novo PPP com as realidades da escola que se encontra em período transitório. No entendimento geral dos docentes, ele precisa atender às necessidades e às demandas do estabelecimento.

Em seu conteúdo, há pouco desenvolvimento contextual das especificidades da escola. Considerando a importância do PPP não apenas como documento (meramente burocrático), mas também como norteador das atividades e projetos da escola, este parece ser insuficiente para atender às demandas da instituição. Apesar fazer referência indireta a LDB por diversas vezes e de ser notório o esforço para um melhor desenvolvimento do aluno, há ainda uma lacuna entre a formação de um aluno crítico, reflexivo e atuante e a formação oferecida pela escola.

Observando a tabela abaixo, podemos perceber as poucas mudanças que aconteceram nas quantidades de professores e alunos do estabelecimento, ou seja, manteve-se o quadro de poucos professores se comparado com a quantidade de alunos da instituição.


Gráfico 1: Nº de Alunos, Funcionários e Professores em 2006 e 2010.

No que diz respeito às informações relacionadas ao desempenho e à assiduidade (falta e atrasos) dos professores existem algumas divergências. É apontado por parte da direção e por alguns alunos como um problema que atinge a qualidade do ensino e que está relacionado a sobrecarga de trabalho dos professores, juntamente com as condições de trabalho. Após a instalação do sistema de segurança, de caderneta e de monitoramento da entrada e saída, melhorou o controle e fiscalização dos horários por parte da direção. Porém, segundo alguns funcionários as faltas e os atrasos não são tão freqüentes.


Gráfico 2: Disciplinas trabalhadas por professores de outra área de formação

Gráfico 3: Formação dos professores remanejados


Além disso, esse sistema tem colaborado com a segurança da escola. Segundo a direção e os docentes a escola tem conseguido diminuir os casos de brigas e conflitos. Um dos motivos além dos projetos já mencionados é o rápido comparecimento da Brigada Militar logo que solicitada. Mas ainda assim, existem problemas como brigas nos arredores da escola promovidos na maioria das vezes por pessoas identificadas como não sendo discentes do Sylvia Mello.

Analisando os dados obtidos através da supervisora - PIBID, constatou-se que 10% (dez por cento) dos professores se encontram em desvio de função. Entre as áreas mais afetadas encontra-se o Ensino Religioso, logo após Filosofia, Sociologia, Física e História. E as áreas de formação dos professores que se encontram em remanejamento são: Letras, Matemática e Direito, como pode ser observado nos gráficos 2 e 3.


3. O ensino de Sociologia

A Sociologia foi inserida no currículo do Ensino Médio no segundo semestre de 2009 por notificação da 5ª Coordenadoria Regional de Educação- 5ª CRE. Atualmente trabalham três professores com a disciplina em vinte e três turmas existentes, conforme pode ser observado na tabela.




Tabela 2: Turmas de Sociologia na Escola Sylvia Mello/ 2010

 

Turno

Turno

Turno

 

 

Séries

Manhã

Tarde

Noite

Total de Turmas

Total de Alunos



8

0

2

10

323



5

0

2

7

198



4

0

2

6

179

Total

17

0

6

23

700

Fonte: Calendário Escolar 2010 (Sylvia Mello)

Como poderá ser identificado na tabela abaixo, a Sociologia tem sido trabalhada por apenas um professor formado na área. Este é concursado pela antiga disciplina de Organização Social e Política Brasileira, que admitia o curso de Ciências Sociais. As outras duas titulares da disciplina são formadas em Letras e foram remanejadas para a Sociologia devido à falta de professores graduados na área. Um dos outros motivos apontados pelos docentes para o remanejamento é a falta de professores para trabalharem a disciplina, assim como a necessidade de preenchimento da carga horária desses no estabelecimento de ensino, para que os mesmos não precisem fazê-lo em outra instituição.




Tabela 3: Professores de Sociologia da escola P. Sylvia Mello/ 2010

Professor

Professor Manhã – A

Professor Manhã - B

Professor Noite – C

Formação

Ciências Sociais/ Direito/ Ms Política Social

Letras

Letras

Estabelecimento

Sylvia Mello5

João XXIII 6

Sylvia Mello

Sylvia Mello

5ª CRE

Vínculo Empregatício

Concursado

Concursado

Concursada

Cedida pela prefeitura

7

Carga Horária

40

20

20

20



Carga Horária Total

60



 -

Disciplinas

Soc./ Int. Dir./ Dir e Leg./ Hist.

Direito

Soc./ E. Relg./ Lit./ L. Port.

Soc/ Filos/ L. Port.


Analisando os dados contidos na tabela acima, percebe-se a sobrecarga dos professores de Sociologia que se dividem em muitas turmas visto que a disciplina tem apenas uma hora aula por semana para completar a sua carga horária. Porém apenas conseguimos melhor analisar o professor - A. Isto se deve pelo professor-B ser recente na escola e no trabalho da disciplina e pelo professor-C lecionar no turno da noite e provavelmente não ter tempo de nos atender no turno da manhã e/ou tarde.

Em relação ao que é a Sociologia, no geral 25,86% não souberam responder ou não responderam a pergunta. No 1º ano a situação se agrava mais e ao dos anos melhora.


  • No 1º ano 72,22% dos alunos não conseguiram fazer qualquer ralação da disciplina estudada com o significado da palavra sociologia.

  • No 2º ano 12,5% relacionou a disciplina com a orientação comportamental e 6,5% não conseguiram fazer qualquer relação da disciplina com o seu significado ou não responderam.

  • No 3º ano 16,65% não conseguiram relacionar o ensino da sociologia com o seu significado e 4,16% ligaram a Sociologia aos “assuntos” que parecem ser resultado da fragmentação e descontinuidade do conteúdo e das aulas temáticas.

  • 50% dos alunos não acham a disciplina necessária ou importante e 33,33% estudam por ser obrigatória e 5,55% acham necessária a disciplina para melhor se relacionar.

Então buscamos saber em que a sociologia interfere na vida do educando, no 1° ano não obtivemos respostas, a não ser a resposta “em nada” que totalizou 77,78%. E 22,22% não responderam ou não souberam responder. Já no 2º ano estes índices caem para 43,75% que responderam “em nada” e 25% não responderam ou não souberam responder. Para 6,25% ajuda no modo de pensar e agir e para outros 25% ajuda no caráter.

No 3º ano o índice de que a sociologia nada interfere cai para 20,83%, mas somando com os 8,33% que disseram que se aprende com a vida e não com a sociologia, chegamos a um total de 29,18%, que mesmo assim é menor do que as das duas turmas anteriores, 20,83% não responderam ou não souberam responder, 12,5% disseram que pode ajudar a se tornar alguém melhor e 33,33% diz novamente que a sociologia ajuda no modo de pensar.



3.1 Metodologia
Segundo o professor - A, a metodologia de ensino desenvolvida em Sociologia trabalha com uma abordagem temática a partir de aulas expositivas dialogadas utilizando-se de recurso como: matérias de jornais de circulação na cidade e da revista Mundo Jovem, e de livros didáticos8. A avaliação é realizada através de trabalhos de pesquisa individuais e em grupos. Em relação à importância da disciplina, afirma que a Sociologia é importante para desnaturalizar os problemas sociais voltando-se a uma perspectiva de formação do aluno como um cidadão crítico e reflexivo. Porém evita o debate porque segundo ele, podem exaltar o ânimo da turma provocando conflitos posteriores.

Em relação à percepção dos alunos a respeito da disciplina foram detectados como pontos positivos da disciplina:



  • Para o 1º ano, a aula vaga, a calma do professor e a falta de matéria. E para 27,78% esses pontos não existem.

  • No 2º ano 18,75% também não acharam pontos positivos, mas encontramos respostas que contrariam as anteriores como: a aula ser produtiva, a aprendizagem dos conceitos de sociologia, a discussão sobre atualidade e 18,75% insiste que a Sociologia ensina a viver em uma melhor sociedade.

  • No 3º ano 50% não responderam ou não souberam responder. Para 4,16% não existe ponto positivo. Outras respostas foram identificadas como: ajudar na formação do cidadão, fácil de ser aprovado, matéria boa, faz conhecer as atitudes na sociedade e 16,67% ajuda a refletir sobre a sociedade.

Os pontos positivos vistos pelos alunos, assim como os negativos que apresentaremos a seguir apontam uma discordância a respeito da eficiência da metodologia utilizada pelo professor.

No 1º ano a maioria dos alunos respondeu como pontos negativos na matéria de sociologia como a falta de matéria e de explicação, a obrigatoriedade de ter que assistir as aulas e as faltas do professor. Sugeriram o comparecimento e ética do mesmo, que este passasse a matéria e até mesmo a troca do professor titular.


Gráfico 4: Percepção dos Alunos sobre as Avaliações

O 2º ano avaliou o professor anterior, pois o novo professor assumiu recentemente. Queixaram-se das aulas chatas e pouco produtivas, do excesso de trabalho e da falta de interesse que a matéria desperta e sugeriram aulas mais elaboradas e interativas.

Os pontos negativos para o 3º ano é o conteúdo extenso e a falta de acesso a matéria, além da falta de utilidade e interesse. 58% não responderam a essa questão e as sugestões foram aprofundar a matéria e melhorar os meios de ensino.

Conforme o gráfico 4 é possível observar as respostas apresentadas pelos alunos a respeito das avaliações da disciplina de Sociologia.

As avaliações foram consideradas aproximadamente no total de amostragem como muito boas ou boas para a metade da turma, porém o que chama a atenção é que no total de 18,95% considerarem essas inexistentes ou péssimas/ ruim.
3.2. Plano de Ensino

Ao analisar o plano de ensino verificamos alguns problemas metodológicos como a abrangência dos conteúdos para serem desenvolvidos em cinqüenta minutos por semana em um trimestre.

Quanto à seqüência lógica, entre os conteúdos planejados entre o primeiro, o segundo e o terceiro ano do Ensino Médio, ela não é clara. Isto porque, em vários momentos há conteúdos que se repetem através de conceitos semelhantes.

Utilizando-se dos PCNs como comparativo para análise, percebe-se a falta de um eixo norteador assim como um objetivo claro a ser desenvolvido pelos alunos na disciplina (competências e habilidades). O plano de ensino fica mais próximo de uma perspectiva “conteudista” tradicional em que o aluno precisa adquirir os conhecimentos gerais de Sociologia deixando para um segundo plano as problematizações. Os conceitos e teorias aparentemente se sobrepõem aos problemas do cotidiano dos alunos, e ao desenvolvimento de um “olhar sociológico”, e a sua contribuição para compreensão dos mesmos.



4. Considerações Finais

Verificamos que as dificuldades passadas para a coleta de dados são reflexos diretos da condição de ensino, dado: o excesso de carga horária, a desvalorização do profissional, a falta de espaço para trocas de experiências e discussão de novas metodologias, além do remanejamento de alguns professores. Esses fatores somados a falta de recursos humanos para um melhor aproveitamento do espaço físico (biblioteca, laboratório, auditório e teatro), e para o cuidado com a limpeza, principalmente dos banheiros, dificultam a qualidade de ensino.

Diante da busca por essa qualidade, a escola suprime algumas ausências com projetos que aproximam a comunidade com o meio escolar, o que a torna peculiar e bem vista pelos alunos. Se considerarmos que: “a escola empenha-se para formar um aluno pensante, crítico e responsável, apto para o mercado de trabalho e comprometido com a realidade onde está inserido exercendo sua cidadania de forma solidária, humana e ética” (PPP, 2006)

Nesse sentido, podemos pensar que a finalidade de ensino encontrada no PPP segue por outros caminhos dentro da escola, ao menos no que se refere ao ensino da Sociologia. A qual boa parte dos alunos não consegue fazer relação da mesma com os objetivos da escola, o de colaborar com a formação de um cidadão crítico, reflexivo e também na sua formação para a inserção no mercado de trabalho.

Os obstáculos identificados para o ensino da Sociologia vão dos aspectos estruturais aos metodológicos, pois a disciplina ainda sofre com a pouca carga horária resultado de uma má distribuição causada pela hierarquia das disciplinas. Entretanto, se considerarmos as demais disciplinas com maior carga horária, estas também aparentemente não conseguem realizar satisfatoriamente o seu trabalho mesmo tendo um conteúdo menor em proporção tempo/ conteúdo.

Outra questão a ser considerada é o atual método de ensino utilizado que se refere às aulas expositivas dialogadas. Este método pode causar apatia e desinteresse já que não se consegue estabelecer um diálogo, uma troca entre professor e aluno. Não há um objetivo, um interesse em comum a ser pensado e/ou negociado. Nestas circunstâncias o professor não consegue aprimorar o ensino/ aprendizado.

Considerando todos esses aspectos devemos repensar as metodologias de ensino para que estas consigam suprir as defasagens da atual estrutura do sistema educacional. Diante disso, o PIBID vem colaborar para não somente preparar os futuros docentes, mas também para estreitar os laços entre universidade e escola visando incentivar uma maior discussão sobre as metodologias atuais de ensino com intuito de desenvolver novas metodologias mais adequadas e eficazes.

APÊNDICE

1. Roteiro Investigação: Coordenação Pedagógica e Direção

1. Processo de formulação do PPP e da metodologia. (A reunião, os envolvidos e a escolha dos conteúdos pedagógicos);

2. Histórico do PPP. (Data em que foi criado);

3. Relação dos PCNs e o PPP. (Plano de ensino de sociologia);

4. Conselhos dos pais, conselho dos professores. (Temas, participação dos alunos e a questão da representação);

5. Percepção da direção a respeito da sociologia. (Sua importância e como ela pode colaborar com a formação dos alunos);

6. Inserção da sociologia no currículo do ensino médio na escola. (Histórico);

7. Número de turmas das séries e de alunos na escola;

8. Carga horária semanal de sociologia. (Período em minutos);

9. Formação específica dos professores e carga horária desempenhada por eles na disciplina de Sociologia;

10. Trajetória das disciplinas trabalhadas pelos professores;

11. Estado empregatício do professor (contrato e/ ou concurso) e estabelecimento(s) trabalhados pelos professores;

12. Se não são formados em Sociologia, “como se dá o processo de escolha dos que irão trabalhar a disciplina”;

13. Número de alunos, de professores e de funcionários na escola;

14. Professores da escola. (Questões de assiduidade e da relação professor e aluno);

15. Bem feitorias. (Como e quais recursos conquistados nos últimos anos - exemplo o laboratório, a quadra esportiva, e o teatro);

16. Atividades de integração com a comunidade. (Quais eventos e projetos existentes e como se dá a participação dos alunos);

17. Evasão escolar. (Principais causas);

18. Diversidade étnica e econômica dos alunos. (Processo de investigação da escola, e como ela faz esse diagnóstico);


2. Roteiro de Investigação: Professor de Sociologia

1. Percepção do professor da direção e dos alunos a respeito da importância da sociologia e da sua contribuição na formação dos alunos;

2. Questão: inserção da sociologia no currículo do ensino médio na escola (histórico);

3. Processo de formulação do PPP e da sua metodologia. (A reunião, os envolvidos, a escolha dos conteúdos pedagógicos);

4. Formação específica dos professores e carga horária desempenhada por eles na disciplina. (Turmas e séries de sociologia);

5. Estado empregatício do professor (contrato e/ ou concurso) e estabelecimento(s) trabalhados pelos professores;

6. Trajetória das disciplinas trabalhadas pelos professores;

7. Os conteúdos, a metodologia, os diferentes tipos de materiais de apoio utilizados, tipos de avaliação. (Planos de aula, recursos, livros didáticos);

8. Trabalha com a disciplina desde quando? Utiliza-se dos PCNs e/ou das lições do Rio Grande?

9. Conselhos dos pais, conselho dos professores. (Temas e participação dos alunos- representação);

10. Projetos da Escola- Participação e percepção do professor;

3. Roteiro de Investigação: Questionário alunos


  1. Idade;

  2. Ano;

  3. Turma;

  4. O que é Sociologia?

  5. Porque estudar Sociologia?

  6. Quais pontos positivos e negativos? Sugestões de Mudança da disciplina

  7. Em que a Sociologia interfere na sua vida?

  8. O que acham da avaliação?

  9. Como é a relação com o professor?

  10. Porque estudar no Sylvia Mello?

  11. O que trás você a escola?

  12. Pontos positivos e negativos da escola? Sugestões de mudança.

  13. Qual o meio de comunicação mais utilizado? Preferências.

  14. O que pretende fazer depois de terminar o Ensino Médio?

  15. O que sabiam sobre o PIBID?

Sugestões e observações sobre o questionário.



ANEXOS


ANEXO A- Imagem Aérea da Escola Sylvia Mello.

Legenda:

Escola Sylvia Mello

Colégio militar





1 A cidade de Pelotas não possui bairros sendo dividida em áreas administrativas. Fonte: IBGE Pelotas.

2 Site da secretaria da Educação do Rio Grande do Sul.

3 Site do Mec.

4 BOTTOMORE, T. Introdução à Sociologia.*

LEUMANN, Laurício. Realidade Brasileira. São Paulo: Vozes, 1987.

SANTOS, B. P. Uma saída para o desemprego.*

*Não foram localizados novamente para poder pegar a referência.




5 Escola Técnica Estadual Professora Sylvia Mello

6 Escola Técnica Estadual João XIII.

7 Dados não obtidos.

8 PERSIO, S. O. CHAUÍ, M. Sociologia e Filosofia. São Paulo: Ática, 2007.




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