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Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Informática

Departamento de Sistemas de Computação


Graduação em Ciência da Computação



O Toyota Way para Desenvolvimento de Software

Ricardo de Oliveira Cavalcanti

pROPOSTA DE Trabalho de Graduação

Orientador: Prof. Dr. Alexandre Marcos Lins de Vasconcelos


Capítulo 1
Contexto


Na década de 1980, as empresas automobilísticas japonesas surpreenderam o mundo ao começarem a produzir veículos mais duráveis e robustos que os americanos. Nos anos 90, a Toyota, em especial, chamou a atenção com sua maneira peculiar de desenvolver e produzir carros. Ela fabricava automóveis de forma mais rápida e tinha maior credibilidade no mercado que seus concorrentes. Apesar de pagar os salários relativamente altos dos trabalhadores nipônicos, mantinha preços competitivos [LI03]. [LI03]. Atualmente, a Toyota é a segunda maior indústria automobilística do mundo, atrás apenas da General Motors, com mais de seis milhões de vendas por ano em 170 países do mundo [TI04].

O impressionante desempenho da Toyota é resultado direto da excelência operacional, a qual é baseada em ferramentas e métodos bastante conhecidos na indústria como, por exemplo, flow, kaisen, jidoka e heijunka. Apenas técnicas e ferramentas, no entanto, não são capazes de transformar empresas. O sistema de produção fundado por Taiichi Ohno, é complementado por algo de único na Toyota: os princípios que regem o gerenciamento na empresa. Enfim, o sucesso da Toyota está intimamente ligado à sua habilidade de cultivar lideranças, times e uma cultura organizacional, de planejar estratégias, de construir relações com fornecedores e, principalmente, de manter uma organização capaz de aprender, como fazia o próprio Ohno em seus passeios na fábrica [LI03].

Este conjunto de princípios é descrito por Jeffrey K. Liker em [LI03]. Segundo o autor, os princípios de gerenciamento do Toyota Way podem ser aplicados a qualquer organização e qualquer processo de negócio, seja no ramo de serviços ou industrial.

A indústria de software, por sua vez, procura, desde o fim da década de 1960, tornar o seu desenvolvimento mais previsível e eficiente [NA68]. Na tentativa de organizar as atividades de desenvolvimento de software, surgiram as primeiras metodologias. Estas metodologias impunham processos detalhados e prescritivos, baseados fortemente em planejamento e documentação extensivos, como em outras engenharias. Entretanto, elas não se mostraram bem sucedidas, uma vez que os problemas de estouro de prazo e orçamento nos projetos continuaram a ocorrer [SG01].

Em resposta ao insucesso das primeiras metodologias de desenvolvimento de software, surgiram, na década de 1990, diversas metodologias denominadas, posteriormente “metodologias ágeis”. Com ênfase em colaboração entre o time de programação e os especialistas de negócios, comunicação face a face (sendo mais eficiente do que documentação escrita), times enxutos e auto-organizados entre outras características [AA05], elas propõem um meio termo entre “nenhum processo” e “processo demais”, de forma que o desenvolvimento do software não seja obstaculizado pela metodologia. A primeira impressão, no entanto, de que as metodologias ágeis de desenvolvimento simplesmente se opõem àquela burocracia, porque geram menos documentos, sendo considerada, portanto “leve”, não toca o cerne dos métodos ágeis. Duas das principais idéias por trás dos métodos ágeis, as quais os diferenciam das demais metodologias são[FO05]:


  1. Métodos ágeis são mais adaptativos do que preditivos. Métodos tradicionais procuram planejar em detalhe longos períodos, desta forma é da sua natureza a resistência à mudança uma vez que o planejamento esteja estabelecido. Métodos ágeis, por sua vez, acolhem a mudança a qualquer momento, ao ponto de adaptar a própria metodologia para serem bem sucedidos.

  2. Métodos ágeis baseiam-se mais nas pessoas do que nos processos. Enquanto os métodos tradicionais procuram definir processos que vão funcionar com qualquer um que os execute, os métodos ágeis asseguram que nenhum processo pode superar as habilidades de um time. Desta forma, o papel do processo é dar suporte à equipe de desenvolvimento em seu trabalho.

Capítulo 2
Objetivos


As práticas aplicadas num domínio específico não irão necessariamente ser aplicáveis em outros domínios. Os Princípios, no entanto, podem ser aplicados desde que sejam traduzidos em práticas específicas para cada domínio [PO03]. O desenvolvimento de software é uma disciplina bastante abrangente e pode ser utilizada em diferentes domínios – de criar portais de e-commerce a pilotar robôs remotamente.

A proposta inicial deste trabalho é examinar os 14 princípios do Toyota Way e verificar se, e como, seria possível aplicá-los em projetos de desenvolvimento de software. A importância de examiná-los está no fato de que somos todos gerentes – mesmo que em alguns processos, sejamos gerentes de nossas próprias ações. Cabe, portanto, a comparação entre as metodologias ágeis de desenvolvimento de software e os princípios descritos por Liker, como forma de demonstrar a aplicabilidade dos citados princípios no desenvolvimento de software.



Capítulo 3
Cronograma


A seguir, um cronograma com os marcos das atividades chaves desse trabalho, durante as semanas dos meses de maio até agosto de 2006.


Mês

Atividades



Maio

Junho

Julho

Agosto

Definição do escopo do trabalho de graduação























































Estudar o Toyota Way























































Estudar metodologias ágeis























































Estabelecer aplicabilidade das práticas ágeis sob os princípios do Toyota Way























































Escrita e apresentação do trabalho
























































Referências


[AA05] Agile Aliance. What Is Agile Software Development?. Última modificação em setembro de 2005. Disponível em http://www.agilealliance.org/intro . Acesso em 15 de maio de 2006.

[FO05] Fowler, Martin. The New Methodology. Disponível em: http://martinfowler.com/articles/newMethodology.html . Versão de 13 de dezembro de 2005. Acesso em 09 de maio de 2006.

[LI03] Liker, Jeffrey. The Toyota Way: 14 Management Principles from the World's Greatest Manufacturer, First edition, McGraw-Hill. 2003.

[NA68] P. Naur and Randell B., editors. Proceedings of the NATO Conference on Software Engineering, Garmish, Germany, October 1968. NATO Science Committee.

[PO03] Poppendieck, Mary; Poppendieck Tom. Lean Software Development: An Agile Toolkit. Addison-Wesley. 2003.

[SG01] Standish Group International, Inc., The. 2001. Extreme Chaos. www.standishgroup.com/sample_research/PDFpages/extreme_chaos.pdf . Acessado em outubro/2005.

[TI04] Tierney, Christine. Toyota, Honda predict gain. The Detroit News. 2004. Disponível em: http://www.automotivedigest.com/research/research_results.asp?sigstats_id=777 . Acessado em 10 de Maio de 2006.

Data e Assinaturas


Recife, 9 de June de 2006


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Alexandre Marcos Lins de Vasconcelos (Orientador)

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Ricardo de Oliveira Cavalcanti (Proponente)





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