Universidade federal de pernambuco



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS

CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

DISCIPLINA: PROCESSO DECISÓRIO TURMA MANHÃ

ANÁLISE DO FILME 12 HOMENS E UMA SENTENÇA SOBRE A ÓTICA DO PROCESSO DECISÓRIO


ALUNO(A)s:César Augusto do Nascimento Delmas

Daniel de Andrade Penaforte

Guilherme Gonçalves Carvalho

Hector Paulo de Lima Oliveira




  1. INTRODUÇÃO

Doze homens compõem o júri responsável por dar a sentença de um jovem rapaz acusado de matar o pai. Como eram muitas e fortes as evidências contra o acusado, para a promotoria, este seria um caso cujo resultado deve ser definido rapidamente. Quando chega o momento de decidir o destino do rapaz, as diversas personalidades dos jurados começam a se manifestar. Todos os detalhes são cuidadosamente revisados. Um único jurado entre os doze se recusa a declarar o réu culpado e, assim, faz do veredicto uma discussão, tentando mostrar aos outros onze que as tais evidências poderiam não ser tão irrefutáveis quanto pareceram de início. Enquanto o jurado 8 tenta convencer os demais jurados, o filme vai revelando a característica de  cada um – o  estilo e a história de vida,  as atividades, as motivações e a influência no grupo – mostrando o que os levou a tentar considerar o garoto como culpado e a desnudar os seus próprios (pre)conceitos.


Ao mudar o seu voto, cada um terá evidentemente que rever conceitos e vai querer que sua decisão seja respeitada. Nesse processo, é inevitável que  as características da personalidade de cada um  comecem  a  aflorar, surgindo então os conflitos e as emoções que exercem influência no comportamento das pessoas, bem como as  variáveis que normalmente permeiam as relações dentro de um grupo altamente diferenciado.
O filme mostra a fragilidade estrutural e a complexidade de um grupo constituído de pessoas comuns. Mostra também os fatores críticos envolvidos no processo decisório, evidenciando como as pessoas trazem para o grupo e para a tomada de decisão seus padrões, condicionamentos e história de vida; evidencia as diferenças individuais que levam as pessoas a, na análise de um mesmo fato, visualizarem ângulos e verdades diferentes; e analisa a capacidade e características do processo de negociação. 


  1. ANÁLISE SOBRE A ÓTICA DO PROCESSO DECISÓRIO


    1. PRINCIPAIS GATILHOS




  1. A demonstração da manipulação do canivete pelo jurado 5;

  2. A encenação do jurado 8 sobre a possibilidade de a testemunha ter ouvido a briga entre o réu e o seu pai e da janela ver o réu saindo;

  3. A discussão sobre o fato de o advogado não estar motivado com o caso;

  4. A discussão sobre a força de expressão do ato de falar que vai matar alguém;

  5. A investigação do jurado 8 levando o jurado 4 a refletir sobre a possibilidade de o réu poder não lembrar o nome do filme por estar sob tensão emocional;

  6. O diálogo sobre a possibilidade da faca encontrada não pertencer ao réu;

  7. A análise sobre a possibilidade de as testemunhas estarem enganadas;

  8. A tese de que a testemunha pode ter se convencido de testemunhar o fato pela necessidade de ser reconhecida;

  9. A discussão sobre o testemunho do psiquiatra;



    1. PROBLEMA CENTRAL

12 homens são convocados para formar o júri de um caso de assassinato, onde um jovem é acusado de apunhalar fatalmente o próprio pai. O problema central está em tomar uma decisão de determinar se o réu é culpado ou inocente respeitando a jurisdição americana indica que só deve-se votar pela culpa do réu caso não haja nenhuma dúvida de sua acusação.


Nesse sentido a idéia de responsabilidade – não se desligar antes de a equipe ter tomado uma decisão que todos os seus membros possam apoiar, não importando o quanto seja penoso o processo de chegar até lá – e o principio de "uma pessoa, um voto", onde a opinião de cada membro da equipe tem o mesmo peso na tomada de decisão se mostram presentes.


    1. OS PRESSUPOSTOS DOS ENVOLVIDOS ANTES E DEPOIS DA TOMADA DE DECISAO




JURADO

Decisão

Pressupostos antes

pressupostos depois

jurado 1

- Votar culpado








jurado 2

- Votar culpado

- Acusar o réu de ter esfaqueado o pai.


- Se há uma testemunha do crime, então o réu é culpado.

- “É meio difícil apunhalar de cima para baixo alguém 15 cm mais alto do que você”



- Quem esfaqueou o velho não poderia ter usado aquele canivete pois o seu uso só é feito, por quem tem habilidades, de baixo para cima.

jurado 3

- Votar culpado


- Aquele homem é um matador perigoso.

- Os fatos enunciados no tribunal estão claros e apontam o réu como culpado.

- Os jovens de hoje em dia não respeitam mais seus pais.

- O júri não pode ser tão preciso em suas analises.

- As testemunhas não têm motivos para mentir em um tribunal

- A testemunha ouviu a briga entre o réu e o seu pai e da janela viu o réu saindo.

- Quem fala que vai matar alguém de fato via matar


- As vezes você fala por força de expressão.

jurado 4

- Votar culpado

- Parar de discutir sobre o porquê do réu mataria.


- Mudar de opinião quanto a presença do réu no cinema


- As histórias do garoto são esfarrapadas.

- Se você faz uma coisa e momentos depois não lembra então você não fez.

- Cortiços são viveiros de criminosos.

- Discussão sobre o porquê é irrelevante.

- No estado de pânico que o réu se encontrava no momento do crime ele pode não ter ouvido o grito da vizinha chamando a policia.

- O réu não lembrava do nome do filme porque não esteve no cinema.



- O réu pode não lembrar o nome do filme por estar sob tensão emocional.

jurado 5

- Votar culpado







jurado 6

- Votar culpado


- O caso é óbvio.

- Se não tem um motivo, não existe um caso. A pessoa precisa de um motivo para matar alguém





jurado 7

- Votar culpado


- Não há o que conversar. Se a maioria concorda, é verdade.

- O histórico de ação do réu o condena.





jurado 8

- Votar inocente sobre a culpabilidade do réu, para que a decisão não fosse tomada precipitadamente.

- Articular idéias e informações, facilitando a compreensão dos fatos por todos.


- Incerteza da culpa

- É dever do júri conversar e analisar o caso.

- “Não acho que dois tapas na cara (o garoto) o levariam a matar”.

- “Para mim a violência é um motivo fraco, o garoto já apanhou tanto que a violência já é normal para ele”.

- As pessoas (testemunhas) podem se enganar.

- “O advogado do garoto não trabalhou direito, ele deixou muitos detalhes escaparem”.

- O advogado não acreditava no caso. “Ele teria que acreditar muito no cliente para fazer um bom trabalho”.


- A discussão sobre pressupostos é essencial.

- O velho ouviu a briga do garoto com o pai mais cedo, e horas depois, na cama, ouviu um corpo cair no chão e a mulher gritar do outro lado da rua. Portanto ele presumiu que foi o garoto.


jurado 9

- Mudar de opinião


- O cara é culpado.

- A testemunha pode ter se convencido de testemunhar o fato pela necessidade de ser reconhecida.



- Provavelmente o cara é culpado.
- É dever do júri conversar e analisar o caso.

jurado 10

- Votar culpado


- Se a pessoa convive num ambiente de pobreza não da pra confiar nesse tipo de gente. São mentirosos de nascença.

- Pelo testemunho do psiquiatra o réu matou.





jurado 11

- Mudar de opinião


- Se o garoto fosse realmente culpado ele não teria voltado após o crime para pegar a faca.

- Dizer que alguém é capaz de matar não significa dizer que o faça. Opinião sobre o testemunho do psiquiatra





jurado 12











    1. AS HABILIDADES DOS ENVOLVIDOS NA TOMADA DE DECISAO




JURADO

HABILIDADE

jurado 1

- Condução de grupo: quando estimula o trabalho conjunto negociando papéis e distribuindo tarefas. Por exemplo, quando pede que os jurados respeitem a ordem de fala.



jurado 2

jurado 3

- Autonomia e autenticidade: Em todas as suas ações orienta-se por padrões internos de excelência. Enfrenta situações com plena assunção de seus pressupostos e com grande franqueza.




- Auto-consciência: Demonstra um pouco de humildade no momento em que reconhece seu erro de julgar o jurado 5 erroneamente.

jurado 4

- Mediação: quando age como intermediário em situações de conflito e de choques de interesse, estimulando as partes de modo não impositivo.




- Organização: Identificação e sistematização das informações dos fatos, buscando reduzir incertezas através do registro das informações. Por exemplo, quando fala sobre o relato da faca que foi comprada pelo garoto e a faca utilizada para matar o pai do mesmo.




- Pensamento sistêmico: Analisa as relações entre as partes de um problema ou situação, relacionando os fatos para dar sentido a sua opinião. Por exemplo, quando reúne diversas variáveis para concluir que a faca utilizada para o crime foi a mesma comprada pelo garoto.




- Persuasão: Usa argumentos lógicos, apela para a razão, usa dados e exemplos concretos para tentar convencer os outros jurados.




- Construção teórica: Constrói teorias no formato se..então que expliquem os fatos. Por exemplo, quando ele evidencia que o grito que o réu escutou após o ato do crime pode não ter sido associado com o do crime.




- Autoconsciência: Ao receber o feedback dos outros sobre sua falha, reage com o mínimo de defensividade aceitando o seu erro. Por exemplo, quando o jurado 4 após ser questionado pelo jurado 8 sobre o nome do filme e dos atores que tinha visto a dois dias atrás ele não soube responder, mesmo não estando sob tensão emocional.

jurado 5

- Perícia Técnica: responde as perguntas com segurança e adiciona conhecimento extra sobre a manipulação do canivete.




- Reconhecimento de Padrões: quando identifica e reconhece padrões de comportamento a partir de um conjunto de informações. Por exemplo, quando reconhece que para manipular o canivete necessitaria ter algumas habilidades.




- Persuasão: Utiliza de seu conhecimento técnico para influenciar as pessoas.

jurado 6

- Preocupação com outros: Estimula um tipo de conduta considerando as limitações dos outros para facilitar o trabalho. Por exemplo, quando pede ao jurado 10 que seja mais gentil com o jurado 9 por este ser idoso.

jurado 7

- Construção teórica: Elabora hipóteses sobre o fato e constrói teorias no formato "se... então" que expliquem o comportamento do réu.

jurado 8

- Comunicação oral

- Autonomia

- Condução de grupo

- Persuasão

- Raciocínio analítico

- Assertividade

- Comprometimento

- Empatia

- Desenvolvimento do outro

- Pensamento Sistêmico

- Construção teórica

- Perícia Técnica

jurado 9

- Empatia: Escuta com interesse os argumentos dos jurados, em especial o jurado 8, considerando pontos de vista diferentes.

- Reconhecimento de padrões: identifica e reconhece padrões a partir de um conjunto de informações. Por exemplo, quando ele assume que a testemunha possa ter acreditado que testemunhou o fato pelas suas condições de isolamento e necessidade de reconhecimento.

jurado 10

- Autonomia e autenticidade: Se expressa com plena assunção de seus pressupostos e com franqueza. Por exemplo, quando ele fala da situação de quem convive numa situação como do réu é mentiroso.

- Reconhecimento de padrões: Identificação de padrões de comportamento a partir de um conjunto variado de informações. Por exemplo, quando identifica o padrão de ser mentiroso para pessoas que convivem em comunidades pobres.

- Organização: Identificação e sistematização das informações dos fatos, buscando reduzir incertezas através do registro das informações. Por exemplo, quando explica seu entendimento do que a mulher em frente ao apartamento falou.

jurado 11

- Flexibilidade: Considera outros pontos de vista na situação, além dos próprios.




- Autoconsciência: Ajuda os outros a pensarem o que estão fazendo e porque estão fazendo. Por exemplo, quando sugere que o jurado 7 não mude de opinião simplesmente porque está cansado e sim porque está convicto de sua opinião.

jurado 12

- Condução de grupo: quando leva as pessoas a trabalhar colaborativamente para alcançar os objetivos, estimulando o trabalho conjunto negociando papéis e distribuindo tarefas. Por exemplo, quando sugere que cada jurado exponha sua opinião sobre o caso.




  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Fonte: http://www.siamar.com.br/pastavideos/dozehomens.htm

Fonte: http://www.geocities.com/ctbacineclube/filmes/12homens.htm



Fonte: http://www.ilhabrasil.net/dicas.php?id=55

HAMMOND, J. Como Tomar Decisões Inteligentes. In: Decisões Inteligentes. Editora Campus: 2004. Cap. 1, p.17-29.


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