Universidade federal de sergipe



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Os índios em Sergipe
A conquista de Sergipe não foi diferente do resto do Brasil, suas terras também foram ocupadas pelos colonos e os índios enfrentaram vários e graves problemas. Diniz (1991) faz um panorama da situação do índio em Sergipe na época colonial e discute uma questão pontual nessa história, que se refere ao reconhecimento do índio como tal (status de grupo) depois que esse grupo foi disperso pela violência dos colonizadores. Conforme a autora, grande parte dos índios foram expulsos de suas terras e outra parte, embora permanecesse, era tida como o “intruso”, uma vez que os colonizadores se intitulavam donos das terras. Desprovidos de terras sob seu controle, os índios viviam numa situação em que até a sobrevivência se tornara difícil. Ainda segundo Diniz (1991), por esse motivo, reis portugueses, em diferentes momentos, reconheceram aos índios o direito de posse a terra.

Em meados do século XIX acontece no Brasil um movimento de regulamentação da propriedade das terras e, ao mesmo tempo, um movimento de negação da existência de índios em Sergipe, sob a asserção de que não existia uma população indígena e sim, um grupo de habitantes que eram misturados e mestiços. Índios misturados deixam de ser índios, não sendo índios perdem o direito à terra. Apesar da pressão dos proprietários rurais, segundo Diniz, até a década de 40, as autoridades provinciais reconheciam o índio como tal. Como coloca a mesma autora:

“Tentando educá-los, removê-los ou dispersá-los, reconhecia-se contudo a existência de índios e reconhecendo-a, por coerência, deviam as autoridades garantir-lhes os direitos assegurados por lei, inclusive o direito à propriedade coletiva das terras das aldeias.” pág. 49
Entretanto, a partir da década de 50, as autoridades passam a compartilhar das idéias dos fazendeiros e insistem que as aldeias devam ser extintas e, portanto, suas terras anexadas aos bens da nação. Esse processo torna-se interessante ser referenciado porque retrata uma situação de contradição típica da sociedade brasileira, na qual nos parece claro que o não reconhecimento do índio como tal parece estar muito mais ligado a interesses econômicos, do que à existência ou não de uma identificação grupal.

A história nos conta que os índios em Sergipe não foram passivos e utilizaram-se de diversos meios para resistir à exploração e opressão dos colonizadores.

Em Sergipe, temos os índios xocós que habitam o município de Porto da Folha na aldeia de São Pedro e representam um grupo que conseguiu recuperar suas terras. Os xocós guardam uma história ativa, de luta e reivindicação pelas terras que lhes pertenciam e foram tomadas por fazendeiros. A história narra episódios em que representantes desse grupo foram diretamente às autoridades maiores fazer suas queixas.

Chamam-nos atenção o fato de um povo que sofreu constantemente em sua história perseguição, violência, expulsão de suas terras e consequente dispersão de seu povo, conseguir recuperar a coesão de seu grupo, organizar-se em diferentes momentos e ter representatividade para reivindicar seus direitos.

Pesquisa realizada com os índios xocós em Porto da Folha mostra uma identidade fortalecida e estável. De fato, os xocós demonstram um sentimento de pertença ao grupo indígena, grupo este que não é definido em termos biológicos ( traços fenotípicos) mas que é visto e entendido como grupo social que se constitui pela sua história, tradição, laços e cultura. De forma semelhante, posiciona-se Cunha,1986 (apud. Diniz, 1991, p.56):

“Os Xocó como muitos grupos indígenas do Brasil e particularmente do Nordeste, apesar do alto nível de mistura racial com a população envolvente e modificação de sua cultura original, identificam-se como índios e têm o sentimento de pertencerem a um grupo de referência muito definido: a comunidade indígena.”


As imagens sociais que construímos sobre as pessoas ou grupos são longamente estudadas por Moscovici e Jodelet, abaixo apresentamos teorias que nos ajudarão a entender a construção das imagens que foram sendo feitas pelos portugueses sobre os índios.
Representações Sociais
No nosso presente trabalho sobre as representações sociais dos índios em Sergipe, utilizamos este conceito de representações sociais para analisar as imagens que os sergipanos possuem dos índios, e através dela, tentamos entender a sua origem, sua formação, e sua atualidade. Nos dados apresentados alcançamos uma série destas representações.

O conceito de representações sociais se insere na psicologia social como uma manifestação do pensamento, em que formamos idéias, conceitos e imagens do mundo que nos rodeia. É através da ordem cognitiva das representações, que nos orientamos no mundo em relação a valores, preconceitos, e percepções de realidades fragmentadas, ou seja, o que percebemos dela. Jodelet (1989 apud. Strey, 1998, p 36) refere-se às representações sociais como “uma forma de conhecimento socialmente elaborada e partilhada, tendo uma visão prática e concorrendo para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”.

Em nosso estudo coletamos muitas das representações que os sergipanos possuem dos índios. Mas antes adentraremos numa explanação sobre as funções das representações sociais, e sua importância na maneira como percebemos o mundo.

Como afirma Moscovici (2003), as representações sociais possuem a função de convencionalizar objetos, pessoas ou acontecimentos.

Elas dão uma forma definida ao ambiente social e cultural, os inserindo em categorias. Um sinal de trânsito, a categoria vermelha, o verde e o amarelo, são convenções que foram estabelecidas e são partilhadas por um grupo de pessoas. Fazemos a todo o momento representações da realidade, forçamos também acontecimentos e objetos a entrar em determinadas categorias, fragmentamos o mundo em representações que foram socialmente formuladas. Quando perguntamos como você descreveria um índio, encontramos uma série de entendimentos sobre o que seria um índio na visão da comunidade sergipana. Assim a convencionalização dos objetos, pessoas e acontecimentos nos permitem entender, a realidade que nos cerca. Assim, como afirma Moscovici, ordenamos o mundo segundo tais representações, tal como os sinais de trânsito, orienta nossa maneira de nos comportarmos, a parar no sinal vermelho, a ter atenção no amarelo ou seguir adiante no verde, estas categorias de pensamento do que seja um índio são convenções socialmente partilhadas, culturalmente construídas, da mesma maneira a visão que temos dos negros, são representações que em geral obedecem a convenções historicamente construídas.

A comunidade social constrói e partilha de um conjunto de percepções, opiniões e noções de mundo. Um dos objetivos do nosso trabalho é tentar alcançar esta série de representações da comunidade sergipana sobre os índios.

Também pensamos que nenhuma mente está livre dos efeitos de condicionamento anteriores que lhe são impostos por representações, linguagem ou cultura. Nós pensamos através da linguagem e cultura, que inscrevem convenções a respeito do mundo e experiências nele contidas. Assim, como veremos, quando perguntamos, “Quando você pensa nos acontecimentos do Brasil, o que lembra em relação aos índios”, as respostas estão relacionadas a acontecimentos culturais da história dos índios.

Não podemos nos libertar de todas as convenções, nem podemos eliminar todos os preceitos, mas através da análise da maneira como foram sendo construídas as representações sociais que construímos dos índios, almejamos, escapar de muitas de nossas percepções preconceituosas, que muitas das vezes não estão de acordo com o índio hoje, ou mesmo no passado. Pois, muitas das representações que formam nossas concepções do que sejam índios, podem ter sido "importadas" de um passado remoto e mesmo, com preceitos inverídicos sobre os indígenas brasileiros, tal qual a percepção dos índios como preguiçosos, selvagens, inocentes etc.

Uma outra característica das representações é que elas são prescritivas, ou seja, elas se impõem sobre nós como uma força irresistível. Assim, encontramos uma resposta já pronta, uma representação que é partilhada por tantos, nos penetra e influencia, e é a partir destas representações que construímos nossa visão de mundo.

Muitas da representações que possuímos hoje sobre os índios, são representações de um passado remoto de nossa história. As representações que temos refletem um conhecimento anterior e quebra as amarras de informação presente.

Pensamos muitas vezes com ajuda de representações coletivas, sentido durkheimiano do termo. Após 500 anos, muitas das representações sociais sobre os índios continuam as mesmas, mesmo após tantas mudanças das comunidades indígenas atuais, que possuem geladeira, cama, eletricidade, e comercializam, ou mesmo trabalham na cidade. As representações permanecem quase como entidades autônomas.

O peso da história está na construção destas representações e muitas vezes sua permanência, elas são social e historicamente construídas. A tarefa que propomos é repensar e compreender as representações atuais dos índios e sua relação com a história.


Representações sociais dos índios na história do Brasil
As representações sociais surgem a partir da interação entre grupos ou do grupo com as normas sociais. Todas as interações humanas, sejam elas entre duas pessoas ou entre dois grupos, pressupõem representações. Segundo Asch, é isso que caracteriza todas as relações, é que elas são acontecimentos que estão psicologicamente representados em cada um dos participantes (MOSCOVICI, 2000). Na realidade, interagimos mais com as imagens que temos do outro do que com o outro em si.

Tendo em vista esses conceitos, pressupomos que as representações sociais sobre os índios têm início com a chegada ao Brasil dos portugueses. Através da interação entre índios e Brancos surge grande parte das representações que até hoje muitos de nós conservamos sobre os índios.

Essas imagens foram sendo construídas ao longo da história de contato que se inicia com o descobrimento do Brasil e se estende com a colonização a que eles foram submetidos. Um processo marcado por relações de poder, assimilação cultural forçada (catequese), por violência, desapropriação das terras indígenas, expulsão dos índios e genocídios.

Podemos recorrer à Carta de Pero Vaz de Caminha - primeiro relato do contato entre os índios e brancos no Brasil, documento em que Vaz de Caminha dá notícia a el-rei D. Manuel do achamento da terra do Brasil - para observar algumas e primeiras imagens que o estrangeiro constrói a respeito dos índios.

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam nenhuma coisa cobrir ou mostrar suas vergonhas. E estão a cerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. Traziam ambos os beiços de baixo furados e, metidos por eles cada um seus ossos de osso, brancos(...)” (p. 357).
Muitas das representações que foram surgindo dos índios nascem neste contexto de estranhamento e desconhecimento dos portugueses sobre os índios e tornam-se tão fortes que se mantêm até a atualidade. Assim, foram sendo descobertos pelos portugueses esses novos “gentios”, pardos, cabelos corridos, inocentes por não cobrirem suas vergonhas, e tantas outras características que foram sendo incluídas na percepção dos portugueses, tanto físicas, como de vestuário, e costumes.

Conforme colocamos, essas imagens dos índios, junto com outras que remetem ao período colonial tornaram-se representação social desse grupo. É o que poderemos verificar nos dados que serão apresentados mais à frente.



MÉTODO
Sujeitos Participantes
Nosso estudo foi constituído a partir de um roteiro de entrevista estruturado aplicado com 378 moradores de 6 cidades (Aracaju 129 entrevistados; Estância 58; Itabaiana 34; Lagarto 53; Pão de Açúcar 54 e Porto da Folha 50 entrevistados), destas 6 cidades uma é a capital de Sergipe, quatro são do interior sergipano e uma fica no estado de Alagoas, porém na divisa com uma comunidade indígena do sertão sergipano, a saber, a tribo Xokó da Ilha de São Pedro em Porto da Folha/SE. Os entrevistados são em sua maioria mulheres (52,3%) e têm idades variando de 16 a 83 anos (Média = 34,6 anos, Desvio Padrão = 15), com renda familiar mensal que variou de menos de 1 salário mínimo (9,8%) até mais de 9 salários (12%), sendo a faixa de renda mais freqüente a compreendida entre 1 e 2 salários com 42,3% das respostas. A escolaridade dos entrevistados variou de analfabeto (3,2%) até nível superior completo (16,6%); sendo que a maioria dos entrevistados (31,9%) possui ensino médio completo. Dos 378 entrevistados 85 disseram ter parentes indígenas e 281 disseram não ter ou não saberem se tinham, sendo que 12 pessoas não responderam a esse questionamento.
Procedimentos e Instrumentos

As entrevistas foram individuais e na casa das pessoas. Participaram os pesquisadores do NSEPR. Depois de ler Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os entrevistados (ver termo de consentimento no Anexo A), apresentávamos nosso roteiro de entrevista (ver anexo B) e explicávamos os objetivos da pesquisa e as instruções de resposta. Basicamente as instruções diziam respeito ao caráter da entrevista e que eles deviam responder as perguntas com as suas opiniões sobre os questionamentos.

O roteiro de entrevista era composto de perguntas abertas e fechadas, onde pedimos para que os entrevistados tentassem dizer quais as opiniões sobre acontecimentos históricos. Pedíamos ainda, que dessem suas opiniões acerca da existência de violência no Brasil, sobre o que lembravam a este respeito, e o porque desta violência. Por fim analisamos as representações que os Sergipanos possuem dos índios, através da amostra de 378 moradores de Sergipe.

Para análise das respostas às perguntas fizemos análise de conteúdo seguindo Bardin (1977) e Bauer (2004). Em seguida os s dados foram tabulados e analisados no SPSS.



7. Resultados e Discussão
Para investigarmos o que as pessoas lembram ou o que está no imaginário das pessoas em relação aos índios e acontecimentos do Brasil, perguntamos aos participantes da pesquisa “Quando você pensa nos acontecimentos do Brasil, o que lembra em relação aos índios?” (ver tabela 1).

Alguns dos entrevistados não respondem à pergunta acima citada, 46 delas em relação a um primeiro acontecimento na historia do Brasil e 308 em relação a um segundo. Seja porque não sabe ou não lembra a respeito.

Aparece como dado relevante nesta discussão a visão que os índios possuem uma história de sofrimento e exclusão – totalizando 27,9% das respostas; a lembrança do índio relacionado a acontecimentos históricos antigos é de 15,9 %, sendo maior que a acontecimentos recentes 11,1%, e a acontecimentos recentes regionais ainda menor com 0,3%. Indicando a lembrança sobre os índios a um passado remoto. Para confirmar este dado somadas as categorias [acontecimentos antigos (15,9%) + origem (12,9%) + conflito/invasão(5,4%)] encontramos 34,2%, percentual de respostas muito maior em comparação a acontecimentos recentes [acontecimentos recentes(11,1%) + acontecimentos recentes regionais(0,3%)= 11,4%].

Logo, Sofrimento dos índios e exclusão, com 27,9% das respostas mais conflito/invasão com 5,4% que totalizam 33,3 por cento do total, já se percebe que os índios são vistos como um povo vitimizado na história do Brasil. Outro dado relevante é que 11,4 por cento das respostas foram acontecimentos recentes relacionados aos índios, o que demonstra que os índios não estão totalmente esquecidos no imaginário popular. Isso marca que até hoje os índios são lembrados no seu presente, seja relacionado as suas comunidades, ou aos acontecimentos de luta e posse de terra em que estão os fazendeiros pleiteando a terra.



Tabela 1
“Quando você pensa nos acontecimentos do Brasil, o que lembra em relação aos índios?” (primeira resposta)


Categoria de respostas

Freqüência

Percentagem

sofrimento dos índios

54

16,2

acontecimentos históricos antigos

53

15,9

origem

43

12,9

Exclusão

39

11,7

acontecimentos históricos recentes

37

11,1

não responde/não categorizável

32

9,6

aculturação

25

7,5

respostas evasivas

23

6,9

conflito/ invasão

18

5,4

tradições culturais

7

2,1

acontecimentos históricos recentes regionais

1

0,3

Total

332

100

Outro dado interessante é que apenas 70 dos 378 entrevistados (tabela 2) que responderam a pergunta “quando você pensa nos acontecimentos do Brasil, o que você lembra em relação aos índios?” lembraram mais de 1 aspecto histórico referente aos índios, isso indica uma certa invisibilidade do índio na história. Já que quando perguntados sobre como descreveriam os índios, 203 dos 378 entrevistados responderam mais de um aspecto da descrição indígena.


Tabela 2

“Quando você pensa nos acontecimentos do Brasil, o que lembra em relação aos índios?” (Segunda resposta)



Categoria

Freqüência

Percentagem

sofrimento dos índios

12

17,1

acontecimentos históricos antigos

9

12,8

Origem

1

1,4

Exclusão

3

4,2

acontecimentos históricos recentes

1

1,4

não responde/não categorizável

1

1,4

Aculturação

20

28,5

respostas evasivas

10

14,2

conflito/ invasão

2

2,8

tradições culturais

4

5,7

acontecimentos históricos recentes regionais

7

10,0

Total

70

100


Tabela 3
Tabela 3: Respostas à pergunta: “Vou então ler algumas frases e preciso que indique se concorda ou discorda. Na sua opinião, na história do Brasil houve violência contra os índios?”


Escolhas

Freqüência

Percentagem

Sim

352

93,1

Não

19

5

Não sei

7

1,9

Total

378

100

Novamente é de se notar que os índios são vistos como um grupo bastante vitimizado na sua história, de 378 respostas, apenas 19 acharam que não houve violência contra os índios no Brasil, enquanto que 352 dos entrevistados, ou seja, 93 por cento afirmam que os índios sofreram violência.

Essas questões nos levam a pensar sobre a história de descobrimento, colonização, exploração e extermínio a que os índios foram submetidos. De acordo com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira. Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.

Em termos de porcentual da população total, as sociedades indígenas são uma pequena parte da população brasileira, hoje estimada em 188 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desde o descobrimento do Brasil, grande parte da população indígena foi exterminada. As tabelas 3 e 4 que refletem a opinião de que os índios foram vítimas de maus-tratos, exploração e exclusão parecem refletir que as pessoas têm consciência da condição do índio no processo histórico brasileiro.



Em respostas afirmativas à indagação. “Houve violência contra os índios no Brasil”, foi perguntado também o que o entrevistado lembrava a respeito desses acontecimentos de violência.
Tabela 4: Respostas á pergunta: “O que se lembra a esse respeito da violência contra os índios?”


Categoria

Freqüência

Percentagem

maus tratos/exploração/escravidão

133

37,5

conflitos de terra

65

18,3

questões atuais que aparecem na mídia

56

15,8

não responde/não lembra/não categorizável

54

15,2

colonização/descobrimento/não faz referencia direta a violência

17

4,8

foram enganados/perseguidos

7

1,9

acontecimentos particulares


6

1,6

desmatamento

4

1,1

imposição cultural/agressão a cultura

4

1,1

domínio religioso/catequese

3

0,8

discriminação

2

0,5

desigualdade social

1

0,2

não se dão bem com os brancos

1

0,2

os índios não queriam sair de onde estavam

1

0,2

total

354

100

Alguns entrevistados não respondem a pergunta 24 deles no total.

As respostas que mais figuraram entre os entrevistados foram maus tratos, exploração e escravidão 37,5%, conflitos de terra com 18,3. Todas essas respostas que totalizam 55,8 por cento da análise indicam a percepção de que quando lembra-se dos índios, o que mais aparece como representação social é que os índios são vistos como um povo sacrificado e sofredor, o que se confirma na história.

Questões atuais também aparecem quando se lembra a respeito da violência contra os índios com 15,8%, indicando que até hoje, os índios sofrem casos de violência.



Quando perguntamos as causas dessa violência, Tabela 4, as respostas foram: luta pela terra 22 por cento, ambição\ganância com 12 %. Essas respostas, totalizadas em 34 por cento, referem-se a acontecimentos relacionados aos Brancos, e somados com “o branco se acha superior” 6,%, Escravidão/exploração/mão de obra 3,%, os brancos são mais espertos/evoluídos 3,%, . As respostas relacionadas ao abuso do grupo dos brancos somam mais de 43% das respostas, considerando apenas estas respostas mencionadas acima. Isto indica que o desfavorecimento dos índios se dá em relação a representações do branco – mencionados nas entrevistas, a “ambição\ ganância”, “o branco se acha superior”, “escravidão\exploração\mão de obra” – e seus efeitos: preconceito, conflitos pela posse da terra. Assim, grande parte das representações dos “culpados” da violência em relação aos índios são os brancos e os motivos são esses que podemos observar na tabela abaixo:
Tabela 5: Respostas á pergunta:“Porque acha que aconteceu?”



Categoria

Freqüência

Percentagem

luta pela terra

81

22,8

ambição/ganância

44

12,3

não responde/não categorizável

44

12,3

preconceito e discriminação

28

7,8

o branco se acha superior

24

6,7

o índio é frágil/pobre/minoria

20

5,6

escravidão/exploração/mão de obra

13

3,6

os brancos são mais espertos/evoluídos

13

3,6

maldade/inveja do branco

10

2,8

os "outros" (pessoas,portugueses) vêem o índio como maus

10

2,8

Diferenças

10

2,8

irresponsabilidades/desrespeito

8

2,2

os índios não querem acordo, não eram civilizados

8

2,2

estupidez/falta de conhecimento

8

2,2

os índios não são valorizados

6

1,6

falta de governo/justiça

6

1,6

Desumanidade

5

1,4

os índios procuram o direito deles

4

1,1

Desigualdades

3

0,8

falta de amor próprio

2

0,5

teve muito apoio em vários setores/privilégio

2

0,5

falta de comunicação/não se relacionavam

2

0,5

natural da historia

1

0,2

porque são filhinhos de papai

1

0,2

Drogas

1

0,2

muitos não aceitam que existem índios

1

0,2

Total

355

100

Alguns entrevistados não respondem a pergunta 24 deles no total.

Os entrevistados, quando perguntados sobre, os motivos da violência contra os índios em sua maioria apontam, para questões associadas aos portugueses como luta pela terra com 22,8%, ambição/ganância 12,3%. A partir destes dados já podemos perceber a situação que motivou as várias guerras ao longo dos séculos contra os índios, a luta pela terra, a principal delas e a ambição de posse dos portugueses do novo território encontrado.

Apresentou-se pelos entrevistados sergipanos a percepção do branco como causador de uma violência menos direta preconceito e discriminação 7,8%, o branco se acha superior com 6,7%. Outras respostas responsabilizando os portugueses como causadores de violência aparecem em menor percentual, mas que somados dão um grande número, tais como escravidão/exploração/mão de obra 3,6%, maldade/inveja do branco 2,8%, os "outros" (pessoas, portugueses) vêem o índio como maus 2,8%, irresponsabilidades/desrespeito 2,2%, estupidez/falta de conhecimento 2,2%, os índios não são valorizados 1,6%, que somados equivalem a 16,8%, um número significativo de respostas se comparado as respostas que colocam a culpa nos índios da violência ocorrida na história do Brasil o índio é frágil/pobre/minoria 5,6%, os índios não querem acordo, não eram civilizados 2,2%, somados 7,8% das respostas apenas. É de se notar a relevância do papel dos brancos na história do Brasil, para o extermínio dos índios e as guerras realizadas entres esses povos.


Tabela 6: Respostas à pergunta: “Como você descreveria um índio”?





Categoria

Freqüência

Percentagem

traços físicos

160

43,1

modo de vestir

42

11,3

pessoas comuns

31

8,3

pessoas diferentes

18

4,8

características positivas


16

4,3

não responde, não sabe, não categorizável

16

4,3

Inofensivos

14

3,7

Características negativas

11

2,9

lutam por seus direitos(terra), batalhadores

10

2,6

modos de vida (liberdade, simplicidade,

10

2,6

Modernos

6

1,6

relação com a terra e a natureza (vivem na mata)

6

1,6

necessitados, sofridos

5

1,3

elementos culturais

4

1,0

Cismados

4

1,0

Primitivo

4

1,0

isolados/separados

4

1,0

ignorantes (rude, sem cultura), despreparados, sem instrução

3

0,8

ignoram a gente, não aceitam civilização como agente

3

0,8

diferentes entre si

2

0,5

primeiros habitantes

1

0,2

pessoas com muitos filhos

1

0,2

Total

371

100

Apenas 7 não respondem a pergunta da tabela acima.

Aspectos referentes as características dos índios são em sua maioria com referencia a traços físicos 43,3%, e modos de se vestir esteriotípicos 11,3%. O que parece indicar pouco conhecimento dos índios atuais, que mudaram com a miscigenação, e com a assimilação cultural, não possuindo em sua maioria os traços característicos e nem as vestes da época do descobrimento. Apesar de permanecerem índios, pois persistem partilhando uma mesma identificação, como grupo a parte dos brasileiros, consideram-se pertencentes ao grupo e ainda continuam sendo aceitos como membros de sua comunidade indígena.

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