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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UNIRIO


MARIA CLARA LIGIERO CHEHIN

Matrícula: 20092351161


Alunos com Altas habilidades / Superdotação:

importância da identificação precoce

Julho 2014



UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UNIRIO




MARIA CLARA LIGIERO CHEHIN

Matrícula: 20092351161




Alunos com Altas habilidades / Superdotação:

importância da identificação precoce

Monografia apresentada ao curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obtenção de grau de Licenciado Pleno em Pedagogia.

Professora Orientadora: Vera Regina Loureiro.

Julho 2014

Maria Clara Ligiero Chehin

20092351161


Alunos com Altas habilidades / Superdotação:

Importância da identificação precoce
Monografia apresentada ao curso de Pedagogia, Escola de Educação, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), como pré-requisito parcial para aquisição do grau de Licenciado em Pedagogia.
Aprovada em / /
Banca Examinadora
Vera Regina Loureiro Silva – Orientadora

________________________________________________________

Claudia Miranda

_______________________________________________________

DEDICATÓRIA

À toda minha família.

Agradeço aos meus pais, irmã minha e a toda minha família que, com muito carinho e apoio, não mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa de minha vida.

A toda equipe do meu trabalho que sempre esteve presente e me ajudou quando necessário. À professora Vera Loureiro, pela paciência na orientação e incentivo que tornaram possível a conclusão desta monografia. E as amigas, pelo incentivo e pelo apoio constantes.

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo discutir a importância do diagnóstico de crianças superdotadas que, embora tenham garantidos seus direitos educacionais, e reconhecidas suas singularidades escolares, são invisíveis aos olhos da Educação Brasileira. Apresenta um projeto desenvolvido com crianças superdotadas na cidade do Rio de Janeiro, suas decorrências e resultados. Procura discutir, também, os mitos que envolvem o imaginário popular acerca das crianças superdotadas, provocando reflexões sobre os benefícios do trabalho com estas crianças e seu consequente desenvolvimento em prol da humanidade.


Palavras-chave: superdotação, altas habilidades, mitos

Sumário


Introdução........................................................................................................................08

  1. Definindo altas habilidades/ superdotação............................................................09

    1. Diferentes conceitos para diferentes casos (altas habilidades).....................11

    2. Características cognitivas e afetivas.............................................................12

    3. Formas de identificação................................................................................14

    4. Exemplos genuínos de superdotados............................................................16

1.5 Legislação e orientação para pra o atendimento à criança com superdotação/altas habilidades.................................................................................18



  1. Mitos e Realidades..................................................................................................21

2.1. Nove mitos sobre altas habilidades/ Superdotação......................................21

2.2 . A importância de estudar superdotados......................................................23

2.3 . O que acontece com as crianças superdotadas quando elas crescem.........24

3. Programa Estrela Dalva/ Instituto Lecca..................................................................25

3.1. O programa..................................................................................................26

3.2. Missão do programa....................................................................................27

3.3. Resultados obtidos pelo programa..............................................................27

3.4. Metodologia de trabalho do programa........................................................28

3.5. Reflexões sobre a minha atuação no programa..........................................30

4. Considerações finais.................................................................................................33

5. Referências Bibliográficas........................................................................................34


Introdução
O presente trabalho tem por objetivo apresentar formas para identificação de crianças com altas habilidades, tendo em vista a importância dessa questão para alguns desafios presentes na área da Educação, juntamente com outras áreas de conhecimento ligadas a esta, como a Psicologia e a Psicopedagogia.

O artigo também tem como objetivo apresentar a proposta e experiências de um programa para crianças superdotadas de baixa renda, no qual trabalho há quatro anos, e que é desenvolvido em um ambiente educacional.

Minha motivação em tratar deste tema deve-se ao fato de trabalhar desde o primeiro período da faculdade neste projeto e, portanto, ter interesse em aprofundar meus conhecimentos nessa área. Analisar assunto tão importante, e ainda tão pouco debatido no Brasil, é de extrema importância, tendo em vista a dificuldade das escolas reconhecerem e diagnosticarem uma criança superdotada.

Segundo Gama, (2006), quando o talento se manifesta em crianças e jovens de baixa renda e não é reconhecido pelo sistema educacional, ele se transforma em risco pessoal e risco social e, por isso, minha preocupação com o diagnóstico. O jovem superdotado é frequentemente expulso do sistema educacional pelo tédio ou por opor-se aos professores. Ao sair do sistema, por ter capacidade muito acima de seus pares, ele é facilmente seduzido pelo desafio da vida da marginalidade.

“Os mais capazes são frequentemente cooptados pelo crime organizado: além da sedução da vida de aventura, há a possibilidade de ganhar somas inatingíveis de dinheiro pelos caminhos da conformidade social e, com isso, contribuir para o sustento e para o status próprio e da família”.(GAMA, 2006, pag.13 )

Sobretudo, quando um aluno não é diagnosticado, seja ele de baixa renda ou não, perdemos crianças capazes de aprender conteúdos curriculares e extracurriculares em menos tempo, que podem permitir a ele envolvimento aprofundado com questões de interesse não só de seu dia-a-dia, mas também com questões universais. Se não for estimulado, será levado a uma diminuição de sua capacidade intelectual.

A incidência de superdotação está distribuída por toda a população, independentemente do nível socioeconômico. A diferença no desempenho individual decorre dos estímulos educacionais e culturais recebidos. Na ausência de uma educação centrada no encorajamento das potencialidades apresentadas pelas crianças superdotadas, elas perdem a capacidade de atuar de forma superior e, assim, se sobressaírem nas suas respectivas áreas de interesse ou habilidades. Nenhuma sociedade pode se dar ao luxo de ignorar seus membros mais superdotados, e todas devem refletir seriamente como melhor nutrir e educar o talento.


  1. Definindo altas habilidades/ superdotação

Por definição, um indivíduo superdotado é aquele que se situa acima da média dos demais no que tange alguma habilidade relevante. Curiosidade, criatividade e facilidade de aprendizagem são algumas das suas características. Eles costumam surpreender pais e educadores com um vocabulário rebuscado (em relação à sua idade e aos demais colegas) e com complexos raciocínios. Um raciocínio esquemático poderia levar a concluir, a partir disso, que a referida facilidade de aprendizagem das pessoas com altas habilidades traduz-se sempre e diretamente em vantagem social. Mas isso não procede. Ironicamente, são muitas das vezes, vítimas da sua inteligência, sendo alvo das brincadeiras nocivas dos seus colegas e da incompreensão da escola e dos educadores.

Não é fácil identificar um superdotado, uma vez que a facilidade na aprendizagem, o vocabulário rebuscado e a evidência de alguma habilidade extraordinária na criança, não se constituem, por si mesmas, em superdotação. Sua identificação, portanto, requer um profissional especializado, afirmando ainda as limitações dos testes de Q.I para tal tarefa (por mensurarem apenas algumas dimensões específicas da inteligência).

O que distingue um superdotado não é a realização de algo extraordinário. O que torna extraordinário um feito (nesse sentido) é a sua realização antes da idade ou tempo previsto normalmente para tal; eis o superdotado. Ninguém pode ser considerado superdotado simplesmente por saber ler (não que neguemos toda a complexidade desse ato); mas se aprende a ler aos quatro anos, sim.

Não se deve confundir superdotação com hiperatividade, pois enquanto esta configura-se como um problema de comportamento caracterizado pela mobilidade excessiva, aquela assemelha-se a uma forma singular de potencial intelectual.

Existe uma infinidade de definições de inteligência provenientes dos estudos de vários autores – filósofos, psicólogos, educadores. Do mesmo modo, a definição de superdotação não poderia ser diferente. Por conta disso, procuraremos focar aqui a contribuição que Howard Gardner nos traz, tendo em vista seu consistente estudo demonstrado, entre outras coisas, através de sua Teoria das Inteligências Múltiplas datada de 1985. Trataremos brevemente dessa teoria.

Gardner partiu de sua discordância em relação ao teste de QI para estudar os aspectos que estariam relacionados à inteligência. Dito isso, podemos perceber que houve uma quebra em relação ao paradigma que vinha sendo tratado a respeito da inteligência como algo inato, geral e único. Sua teoria traz, então, a idéia de que todos nós temos certa habilidade em qualquer área de atuação, o que irá diferir é a nossa performance, que poderá ser mais eficaz ou não. Ele leva em conta, então, os aspectos biológicos e culturais do desenvolvimento humano. Desse modo, sugere oito tipos de inteligências presentes nos seres humanos: Inteligência linguística (compreensão dos significados das palavras, habilidade para convencer, transmitir idéias, estimular), Inteligência musical (discriminação de sons, sensibilidade para ritmos, habilidade para produzir músicas), Inteligência lógico-matemática (habilidades para lidar com problemas que envolvam raciocínio; para lidar com padrões, sistematização, ordem), Inteligência espacial (percepção do mundo visual de maneira precisa, capacidade para compor ambientes criando equilíbrio, manipular formas mentalmente), Inteligência cinestésica (possibilidade de resolver problemas através do uso de parte ou de todo o corpo), Inteligência interpessoal (sensibilidade para entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas), Inteligência intrapessoal (habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para analisá-los e abrir mão deles na solução de problemas pessoais).

Gardner (1994) propõe que crianças superdotadas são aquelas que apresentam certa precocidade para desenvolver certas habilidades ou capacidades de uma das inteligências identificadas por ele. Se estimuladas a desenvolver essa habilidade, o estudioso acredita que muito provavelmente essa criança será excepcional no que faz. Segundo ele, todos nós temos potencial para desenvolver algumas dessas oito inteligências, mas o que vai definir um superdotado é como as experiências cristalizadoras terão impacto sobre o mesmo.

Experiência cristalizadora diz respeito ao primeiro contato que uma pessoa talentosa terá ao se deparar com o campo no qual o seu talento poderá se manifestar. Gardner acredita que somente aqueles que possuem um verdadeiro talento em determinada área, obterão um efeito (desse encontro) efetivamente duradouro.

Essas experiências cristalizadoras, no entanto, dependem da área em questão. No âmbito das artes plásticas, por exemplo, é provável que o desenvolvimento nesse campo se dê a longo prazo, diferente da matemática e da música. A idade também é uma variável significativa, por exemplo, para aprender matemática é necessário muito tempo de estudo, e a referida experiência cristalizadora tende a acontecer cedo na vida da criança.
1.1. Diferentes conceitos para diferentes casos (altas habilidades)

Para começarmos a discussão acerca do tema “Superdotação”, é necessário esclarecer os diferentes termos que por vezes atribuímos, erroneamente, à mesma pessoa, são esses: precoce, prodígio e gênio. É notório considerar que estes possuem características distintas e, portanto, não podem ser considerados da mesma forma. Uma questão que abordaremos mais adiante nesse trabalho é justamente a consequência decorrente da falta de informação acerca do que é a superdotação, assim, nada mais justo do que começar esclarecendo as suas especificidades.

Podemos identificar como crianças precoces aquelas que possuem alguma habilidade específica em qualquer área do conhecimento, habilidade esta que é apresentada espontaneamente pelas mesmas. Uma criança precoce não é exatamente uma criança superdotada, só é possível saber isso depois de um acompanhamento para observar o seu desenvolvimento. Outro aspecto importante a ser analisado é que o fato de uma criança ser identificada como precoce não garante o seu sucesso na fase adulta. Ainda que alguns autores afirmem que crianças superdotadas são, de maneira geral, precoces (Winner , 1998), outros estudos demonstram que essa característica na infância não é fundamental (nem determinante) como precedente para este sucesso posterior (Freeman e Guenther APUD Sodré, 2006).

A criança prodígio é uma criança precoce que apresenta um alto desempenho em uma área do conhecimento em nível de um adulto profissional. Ela possui uma habilidade extremamente especializada que só é expressa sob condições bastante específicas do ambiente sócio-cultural. Já o superdotado com alto QI possui habilidades generalizadas que permitem que sejam expressas em diferentes ambientes. Para clarificar essa comparação, podemos citar Mozart e Leonardo Da Vinci: o primeiro pode ser considerado um exemplo de uma personalidade prodígio, tendo em vista que aos três anos de idade começou a tocar cravo, aos quatro anos já aprendia peças com rapidez e aos sete já compunha regularmente, ou seja, era um especialista na área musical; o segundo exemplifica o que chamamos de superdotado, caracterizado com um perfil generalista, pois, curioso, Leonardo da Vinci foi uma mente brilhante que contribuiu significativamente em uma variedade de diferentes domínios, já que além de pintor excepcional, o mesmo desenvolveu trabalhos como anatomista, escultor, arquiteto, inventor, etc.

Gênios são aqueles que dão contribuição importante (originais) e de grande valor para a humanidade. Parece-nos que seus conhecimentos e capacidades são sem limites. Pelé, Gandhi, Heitor Villa-Lobos, Stephen Hawkins são considerados grandes gênios da humanidade em seus campos específicos.

Os termos superdotados e altas habilidades são mais apropriados para designar aqueles que possuem uma habilidade superior aos seus pares. Não há necessidade de ser uma habilidade excepcional para que este aluno seja identificado. Por isso muitos pesquisadores preferem o termo “talento” ou “altas habilidades”.

É importante reconhecer essas pessoas, pois dessa maneira os educadores poderão oferecer experiências educacionais apropriadas e diferenciadas para eles, a fim de desenvolver de forma adequada e igualitária suas habilidades e necessidades especiais. Se não for esse o objetivo, não há sentido em simplesmente rotular essas crianças.
1.2. Características cognitivas e afetivas do superdotado

Muitos autores diferem na forma como abordam o tema altas habilidades/ superdotação, no entanto, algumas características são comuns a todos eles.

Renzulli (2004) faz distinção entre duas amplas e distintas categorias de altas habilidades superiores: a superdotação escolar e a superdotação criativo-produtiva.

A superdotação escolar pode ser facilmente identificada nos testes de QI. Os alunos que possuem alto QI tiram boas notas na escola, justamente porque as medidas exigidas nesses testes são as mesmas daquelas exigidas na escola. Essa categoria enfatiza os processos de aprendizagem dedutiva, treinamento estruturado nos processos de pensamento e aquisição, estoque e recuperação da informação. Podemos identificar as seguintes características nos superdotados escolares:



  • Tirar boas notas na escola

  • Gostar de fazer perguntas

  • Aprender com rapidez

  • Ter boa memória

  • Apresentar bom vocabulário

  • Necessitar pouca repetição do conteúdo escolar

  • Apresentar longos períodos de concentração

  • Ser perseverante

  • Apresentar excelente raciocínio verbal e/ ou numérico

  • Ler por prazer

  • Gostar de livros técnicos/ profissionais

  • Ser consumidor de conhecimento

  • Tender a agradar aos professores

  • Tender a gostar do ambiente escolar

É importante frizar, no entanto, que a criança com altas habilidades pode apresentar desinteresse pela escola por conta do ambiente pouco desafiador que esta pode proporcionar. Os conteúdos, por vezes, são assimilados com facilidade e acontece desse aluno terminar a tarefa proposta pelo professor antes do restante da turma ou nem sequer fazê-la, por exemplo. A consequência disso é uma possível tumultuação por parte dele em sala de aula, ou ainda uma demonstração de inquietude no mesmo espaço. Por conta disso, é provável que o aluno seja rotulado como desinteressado, com dificuldade de prestar atenção e se concentrar em determinadas tarefas, o que prejudicaria seu rendimento. Essa rotulação provavelmente teria consequência no encaminhamento desse aluno para atendimento/ consulta com um psicopedagogo. Essa atitude não precisaria ser tomada, caso houvesse uma maior atenção.

Por conta disso, também é possível a percepção de características relacionadas com seu lado afetivo-emocional, são estas:


  • Necessidade de saber sempre mais e se dedicar com afinco em aprender tudo o que está relacionado a (s) sua (s) área (s) de interesse;

  • Tem paixão por aprender;

  • Revela intenso perfeccionismo.

Já a superdotação criativo-produtiva refere-se à aplicação das informações que possui juntamente com os processos de pensamento para a criação e resoluções de problemas reais. Essa criança vai trabalhar com questões que dizem respeito aos seus interesses e que ofereçam desafios para ele. As seguintes características podem ser identificadas:



  • Não necessariamente apresenta um QI alto ou superior;

  • É criativo e original;

  • Possui interesses por diversas áreas;

  • Procura novas formas de criar coisas;

  • Não segue uma rotina;

  • Pensa por analogias;

  • Gosta de fantasiar

  • Gosta de humor

  • É detalhista;

  • Encontra ordem no caos.

Em relação às principais características afetivas e emocionais, seguem:




  • Precisam de compreensão para seus ímpetos de frustração, entusiasmo, raiva;

  • Frequentemente questionam regras/ autoridade;

  • Apresentam preocupação moral em idades precoces;

  • Necessitam de orientação para canalizar suas energias de forma mais eficiente para finalizar as tarefas;

  • Demonstram insight;

  • Apresentam senso agudo de justiça;

  • Demonstram sensibilidade/ empatia.

Não é necessário que todas essas características estejam presentes nos superdotados, mas se houver a identificação de algumas delas (com persistência) em alguma criança, a probabilidade que ela apresente altas habilidades é alta.


1.3. Formas de identificação

No Brasil, utilizamos a mesma definição adotada pelo Departamento de Saúde, Educação e Bem-estar dos Estados Unidos para caracterizar os alunos com altas habilidades e, segundo essa definição, vários aspectos são considerados: capacidade intelectual, aptidão acadêmica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança, talentos especiais específicos e capacidade psicomotora .

Além dessa definição, o MEC também apresentou um documento em 1995, “Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial”, que trata dos mecanismos necessários para identificação possível de altas habilidades. Este documento prevê: avaliação realizada por professores, especialistas e supervisores; percepção de resultados escolares superiores aos demais; auto-avaliação; aplicação de testes individuais, coletivos ou combinados e demonstração de habilidades superiores em determinadas áreas.

Os instrumentos de identificação da superdotação mais comuns são:



  • Testes Psicométricos;

  • Escalas de características;

  • Questionários;

  • Observação do comportamento;

  • Entrevistas com família e professores.

É bastante difícil estabelecer um diagnóstico de altas habilidades e, por isso, é necessário que os alunos passem pela avaliação de uma equipe interdisciplinar que deve ser formada por profissionais da área de Educação, de Psicologia e de outras áreas envolvidas, de forma indireta ou direta, com a Educação Especial como, por exemplo, a Psicopedagogia.

Uma outra consequência da complexidade do diagnóstico é a invalidez dos testes de QI, chamados testes padronizados, como única fonte de identificação de um superdotado, isso porque, em geral, esses testes costumam medir apenas uma área do conhecimento do indivíduo (a maioria deles testa a capacidade lógica), e assim, muitos superdotados podem passar desapercebidos por esse exame, se a área do conhecimento em que ele tenha especificidade não estiver contemplada no teste.

Os testes psicométricos tentam medir o nível de criatividade e motivação nos alunos com altas habilidades, e por isso se tornaram instrumentos importantes na identificação deste alunado.

No que diz respeito à identificação de crianças precoces no período da Educação Infantil, esta é feita, sobretudo, através de comparações com seus pares, estes do mesmo ambiente sócio-cultural. Os testes padronizados podem ser umas das formas de identificação quantitativas possíveis de serem utilizadas nesse caso, como é o caso das Matrizes Progressivas RAVEN, que funcionam como indicadores de habilidades superiores relacionadas ao conhecimento lógico.

Os principais instrumentos utilizados para a identificação da criança talentosa referem-se à avaliação do comportamento, do desempenho ou da produção observada de algum domínio ou área. Nesse caso, a avaliação é feita com base na Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, que sugere que os instrumentos sejam justos com a inteligência (habilidade) em questão. Por exemplo, a inteligência musical não deve ser avaliada com perguntas a respeito do conhecimento musical e, sim, através do sistema simbólico próprio da inteligência avaliada (como tocar um instrumento).

A avaliação da criança que apresenta um pensamento divergente parece ser mais complexa e trabalhosa, pois deve levar em consideração diversos aspectos, tais como: memória e bases de conhecimento, rapidez dos processos de pensamento, capacidade de análise, síntese e avaliação, originalidade, elaboração de determinado trabalho, habilidade de lidar com a novidade, dentre outros.

Por fim, a comprovação do aluno que apresenta dedicação obstinada à tarefa deve ser feita basicamente através de relatos de familiares, professores e outros pessoas que estão no entorno do aluno.

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