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1.4. Exemplos genuínos de superdotados.

Através do meu convívio e experiência em um projeto com alunos superdotados, trouxe como exemplos diferentes características desenvolvidas por diferentes crianças, para que fique claro, não só por definição teórica, como é cada uma delas. A superdotação em crianças e adolescentes consiste de precocidade ou talento, pensamento divergente (criativo e/ou crítico), e dedicação obstinada a determinadas tarefas.



Precocidade

A precocidade é caracterizada por um desenvolvimento avançado. Ler aos quatro anos, fazer cálculos mentais aos quatro, aprender diferentes formas, tais como bandeiras, aos dois anos, desenhar com realismo aos três ou quatro, são algumas das manifestações de precocidade intelectual. A identificação de crianças precoces tem, por objetivo, estabelecer quais as que possuem necessidade de uma educação diferenciada.

Exemplo:

“Aos três anos, Ary tinha interesse quase obsessivo por planetas e astros. No primeiro encontro do processo diagnóstico, mostrei-lhe, numa tentativa de conquistá-lo, um livro que continha figuras de planetas e astros. Muito sério, Ary perguntou: Tem galáxia elíptica no seu livro?” (GAMA, 2006, pag. 63)



Talento

Talento é o potencial superior. De acordo com as inteligências múltiplas, uma inteligência é uma habilidade ou conjunto de habilidades que permitem a uma pessoa resolver problemas ou criar produtos apropriados para um ou mais contextos culturais.

Exemplo:

“Aluna da 4ª série, e participando de programa para superdotados, Jane tinha especial talento linguístico; durante uma oficina de texto, escreveu a seguinte redação, a partir de uma foto, publicada num jornal, que mostrava uma borboleta e um arame farpado, com folhagem ao fundo:



Estamos ao entardecer. Uma imagem, em meio à primavera, me chama atenção. Os dois lados da moeda numa só paisagem. Como se fosse uma luta. Uma luta difícil de se perceber. Mas que não passou longe de meus olhos. Eles não me deixam descansar.

A vez dela. A borboleta. Que tenta vencê-lo. O arame. Um animal tão frágil, mas ainda mais forte que eu. Vejo que eu não iria ajudar ali. Vou embora.

Já é noite. Ao lembrar a cena que vi, me sinto fraca. Mais uma vez desisti. Já que aquela batalha significava a vida contra a violência, fracassei. Me sentia impotente, mas os dias continuam. Como eu.

A essa hora a borboleta que vi deve ter desistido também. E eu sei por quê. Ela entendeu que uma batalha não se ganha sozinha.” (GAMA, 2006, pag.68)
Pensamento Divergente

O pensamento divergente, visto como a capacidade de pensar novas respostas, de dar soluções diferentes para problemas abertos, opõe-se ao pensamento convergente, aquele no qual busca-se a resposta certa.

Exemplo:

“Sua imensa memória, sobretudo visual, que permitiu que Joana aprendesse a reconhecer 150 bandeiras em muito pouco tempo, antes que completasse dois anos, é uma das características do pensamento crítico. Um dia, durante o processo de avaliação, Joana, que naquele momento tinha dois anos e meio, percebeu que havia um mapa da América do Sul preso na parede. Leu o nome de alguns países – Uruguai, Paraguai, Colômbia, Brasil... interrompeu a leitura e perguntou: Não tem Nova Zelândia no seu mapa? A rapidez do processo de pensamento empregado é incrível: isso é um mapa, tem vários países, eu conheço vários países e gosto da Nova Zelândia... onde está a Nova Zelândia? Percebe-se também a sua capacidade para coletar informações e determinar as que estão faltando. (GAMA, 2006, pag.77)

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Dedicação obstinada à tarefa

A dedicação obstinada à tarefa está ligada aos assuntos que interessam à criança, ao qual ela se dedica de corpo e alma, e reluta em interromper qualquer atividade de aprendizado ou de produção relacionada com o assunto alvo.

“Gui entrou para o programa de atendimento a alunos superdotados de baixa renda, sobretudo por sua capacidade de inteligência lógica, no início da 1ª série. Naquela época, sua leitura ainda era caracterizada pela decodificação, isto é, lia lentamente e pouco compreendia do conteúdo lido. Quatro meses depois, em junho, encontrei-o jogando xadrez com um adolescente, também do programa, que costumava desafiar outras crianças e jovens do programa. Gui ganhou a partida. Chamei-o e perguntei como tinha aprendido a jogar. Respondeu-me: Você não sabe que não tem um livro na biblioteca que ensina a jogar xadrez? Eu queria muito jogar, então aprendi com o livro. Os dois jogaram muitas vezes, e Gui sempre ganhou. Seu talento na inteligência espacial era excepcional e sua dedicação ao que lhe interessava, intensa. Toda vez em que os dois jogaram, ao final da partida, o adolescente dizia: Da próxima, eu ganho!” (GAMA, 2006, pag.82)


    1. A Legislação e orientação para pra o atendimento à criança com superdotação/altas habilidades.

Segundo Delou (2007,pág 27)

“No que concerne à temática especificamente abordada no presente artigo, altas habilidades/ superdotação, este parece ser um assunto ainda periférico na agenda educacional brasileira. Isto porque são raros os programas voltados exclusivamente para este público, embora seja inegável o ganho real alcançado com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) quanto ao reconhecimento das necessidades educacionais especiais, atendimento educacional especializado e a aceleração dos estudos para concluir em menor tempo os cursos realizados no âmbito da Educação Básica e Superior.”
Entretanto, para que o atendimento especializado aos superdotados ou habilidosos aconteça, é preciso que as escolas assegurem aos alunos com necessidades educacionais especiais, currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organizações específicos, a fim de atendê-los em suas reais necessidades. No artigo 59 é preconizado que

Artigo 59 - Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:



I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;”
Para Delou (2007), ao contrário do que se possa imaginar, alunos com altas habilidades/superdotação podem ser reconhecidos pelo alto desempenho escolar, mas não são incluídos nas práticas pedagógicas escolares de alto nível. Eles, também, não têm “acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo as capacidades de cada um”, como previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil, 1996, Título III, Art.4º, V).

Historicamente, a maior parte desses alunos não é identificada. Eles sempre foram matriculados nas escolas regulares. Sempre foram classificados conforme suas idades cronológicas e colocados em turmas que, regra geral, estão longe de atender ao nível de desenvolvimento real que apresentam ou teriam condições de acompanhar. Raros são os alunos identificados, alguns podem ser indicados para as salas de recursos especializadas, contudo, a matrícula escolar não garante a inclusão educacional. Estar matriculado garante o acesso ao ensino, mas para que alunos com altas habilidades/ superdotação sejam incluídos é preciso mais. É preciso professores especializados para as salas de aulas regulares e para o atendimento educacional em salas de recursos ou em programas de enriquecimento ou de aprofundamento.

Enfim, podemos ousar dizer que, se os alunos com altas habilidades/ superdotação brasileiros, têm hoje uma legislação que garante direitos educacionais avançados e que reconhece suas singularidades escolares, isto se deve à visão progressista dos legisladores que se adiantaram à maioria dos educadores brasileiros, que ainda resistem a compreender a diversidade do seu alunado.

Em relação ao trabalho e atendimento que deve ser feito com as crianças de altas habilidades/ superdotadas, destaco a importância antes de qualquer coisa, na orientação aos professores. Esse assunto deve ser tratado desde a formação de professores, para que eles sejam orientados e saber identificar uma criança superdotada.

É fundamental que nas escolas tenham espaços com recursos e grupos que desenvolvam esse trabalho em especial para as crianças talentosas. Oficinas de acordo com o interesse do aluno, ou sua área de conhecimento e talento. Uma vez que identificado, além de ser um direito dele, vai estimulá-lo a desenvolver sua capacidade.

A partir do momento em que essa criança é identificada supertodata, é necessário que haja uma resposta, e ele seja reconhecido. Adiantá-lo de série, conversas com professores, trabalhos diferenciados, e o estímulo ao seu desenvolvimento moral e ético. É de responsabilidade da Educação dar possibilidades de trabalhos diferenciados. Fundamental também que isso seja reconhecido pelos professores, porque além de ser um direito da criança, desenvolver seu talento dentro da sua área específica na escola, é algo que está seno feito também em prol da humanidade, é uma riqueza nacional e um grande investimento para Educação do país.

“Fundamental nos programas de atendimento a alunos superdotados é permitir sua auto-realização, através de educação individualizada. Igualmente importante é possibilitar que esses alunos cheguem a idade adulta capazes de desempenhar o papel, na sociedade, escolhido por eles, com autonomia cognitiva e moral.” (GAMA, 2006, pág. 89)
2. Mitos e Realidades

Vários estudos têm destacado algumas ideias equivocadas que perpassam o tema dos superdotados, influenciando diretamente na educação dos indivíduos talentosos. Assim, o objetivo deste capítulo é realizar uma investigação a respeito dos mitos que ainda perpassam o tema das altas habilidades / superdotação na atualidade.


2.1. Nove mitos sobre altas habilidades/ Superdotação.

Segundo Winner (1998), existem noves principais mitos e mal-entendimentos sobre supertodação:

Mito 1: Superdotação Global

O rótulo superdotado é mais frequentemente reservado para crianças com habilidades acadêmicas, ou seja, com aptidões em linguagem (oral e escrita) e matemática, as duas grandes áreas valorizadas nas escolas. E os psicólogos e educadores mediram superdotação acadêmica com um teste de QI que produz uma pontuação global. A suposição subjacente aqui é que as crianças superdotadas possuem um poder intelectual geral que lhes permite ser superdotadas em tudo. Entretanto, a autora chama isso de o mito da capacitação global. A criança com uma combinação de pontos fortes e fracos acadêmicos vem a ser a regra, não a exceção. As crianças podem até mesmo ser superdotadas em uma área acadêmica e apresentar distúrbio de aprendizagem em outra. Crianças altamente superdotadas de dois ou três anos, mostram claras habilidades específicas de domínio. A especificidade de suas habilidades é um forte indício de que estas crianças estão predispostas em direção a domínios específicos. Elas não são indivíduos geralmente superdotados que por acaso escolheram focalizar em matemática ou linguagem.

Mito 2: Talentosas, mas não superdotadas.

Embora as crianças precoces nestes tipos de habilidades escolásticas avaliadas por um teste de QI sejam chamadas de superdotadas, as crianças que demonstram habilidade excepcional em uma forma de arte como artes visuais, música ou dança ou em uma área atlética como patinação, tênis ou mergulho são chamadas de talentosas. Dois rótulos diferentes sugerem duas classes diferentes de crianças. Mas não há justificativa para tal distinção. As crianças artísticas ou atleticamente superdotadas não são tão diferentes das crianças academicamente superdotadas.

Mito 3: QI Excepcional

QI alto não é considerado o único ingrediente. Há poucas evidências de que superdotação em áreas não-acadêmicas, como artes ou músicas, requeiram um QI excepcional.

Mitos 4 e 5: Biologia X Ambiente

De onde vem a superdotação? O mito do senso comum é de que a superdotação é inteiramente inata. Este mito folclórico ignora a poderosa influência sobre o desenvolvimento de aptidões.

Diametralmente oposto a esta visão, está o mito mantido por alguns psicólogos de que superdotação é simplesmente uma questão de treinamento intensivo por parte de pais e professores, iniciado a pouca idade.

Mito 6: O pai condutor

Algumas pessoas afirmam que as crianças superdotadas são “fabricadas” por pais que zelam muito por eles. Os pais são avisados a não empurrar seus filhos, a deixá-los ter infâncias “normais”. De outro modo, lhes é dito que seus filhos os ressentirão e perderão todo o interesse em realizações posteriores.

É verdade que os pais de crianças superdotadas são altamente envolvidos na nutrição dos filhos. Mas este grau incomum de investimento e envolvimento não é uma força destrutiva. É uma força necessária para que o dom de uma criança seja desenvolvido.

Mito 7: Esbanjando saúde psicológica

As crianças superdotadas frequentemente enfrentam ridicularização. A maioria das crianças capta facilmente os solitários, não-atléticos, estranhos, ou exibicionistas com interesses estranhos, fora de contato com os dos seus pares. Os psicólogos opuseram a esta visão um quadro idealizado das crianças com QI alto como populares, bem ajustadas, excepcionalmente morais e esbanjando saúde física e psicológica.

Entretanto, os preconceitos das crianças podem se aproximar da verdade. Nós parecemos ter uma necessidade de negar ou idealizar a criança superdotada. As crianças superdotadas são, com frequência, socialmente isoladas e infelizes, a menos que sejam afortunadas o suficiente para encontrar outras como elas. A visão das crianças superdotadas bem ajustadas aplica-se apenas à criança moderadamente superdotada e deixa fora os extremos.

Mito 8: Todas as crianças são superdotadas?

Muitos diretores e professores afirmam que todas as crianças são superdotadas. Às vezes, isso significa que todas as crianças têm algumas áreas nas quais elas têm pontos fortes; outras vezes, significa que todas as crianças têm um potencial igual para aprender. Esta suposição não é feita apenas sobre habilidades acadêmicas.

“Nós precisamos repensar a educação para os superdotadas. Primeiro, deveríamos elevar marcadamente os padrões acadêmicos para todas as crianças. Nós deveríamos, então, focalizar todos os nossos recursos para as crianças com superdotação nos extremamente superdotados. Estas crianças têm necessidades especiais, não menores do que as crianças com retardo ou distúrbio de aprendizagem. Além disso, elas são o nosso capital humano, uma promessa para o nosso futuro.” (WINNER, 1998, p.17).

Mito 9: As crianças superdotadas se tornam adultos eminentes

As crianças superdotadas são tipicamente vistas não apenas como crianças criativas, mas também como futuros adultos criativos e eminentes. Porém, muitas crianças superdotadas, frustram-se, enquanto outras acabam por se dedicar a outras áreas de interesse. Não se pode supor uma conexão entre superdotação precoce, não importa o quão extremo, e elevação adulta.


2.2. A importância de estudar os superdotados.

De acordo com Gama (2006), ao valorizar e incentivar pessoas ou crianças brilhantes e esteticamente talentosas permite-se um enorme desenvolvimento de talentos específicos que levaram ao sucesso ou resultados em prol e para o bem da humanidade. Bons exemplos de desenvolvimento de talentos são Michaelangelo, da Vinci, Bernini, Dante, e tantos outros. E bons exemplos de países que valorizam a educação para superdotados são a China e o Japão, que em consequência disso desenvolvem grandes invenções. O Japão, mais do que qualquer outra nação, depende da educação para construir indústrias, modernizar sua cultura e facilitar o caráter moral de suas crianças. Lá existem escolas específicas para crianças superdotadas, e considera-se importante estudá-los e reconhecê-los. Esses são alguns exemplos que mostram a importância dos estudos sobre superdotação.

Para Winner (1998), o estudo dos superdotados nos conta muitas coisas importantes sobre como a mente em geral deve operar, e ela também apresenta exemplos de outros países que, por sua vez, valorizam a educação para superdotados.

Winner diz que nos Estados Unidos, apesar do mostrar importância e oferecer condições para os superdotados, nós em realidade prestamos bem pouca atenção ao problema de como identificar e criar crianças com altas habilidades, e diz o quanto perdemos com isso. Os recursos públicos que nós de fato dispendemos para educar os superdotados são principalmente reservados para as crianças com talento acadêmico moderado, em vez de para as extremamente talentosas em matérias escolares ou em outras áreas. Outras culturas fizeram muito mais para alimentar e identificar seus mais superdotados. A Hungria, por exemplo, produziu e investiu em matemáticos e cientistas, e grande parte do trabalho criativo nos Estados Unidos no séc. XX foi feito pelos refugiados da Europa. Hoje, com essa preocupação legítima com a desigualdade social e econômica, há pouca importância com a superdotação ou com modos de fortalecer o sutil caminho dos talentos excepcionais da infância para conquistas e criatividade adulta.

Além disso, a superdotação merece atenção dentro da pesquisa científica básica. As teorias psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento precisam ser capazes de abranger tanto a criança com uma dificuldade quanto a criança superdotada.

No entanto, estes achados, nos ajudam a desenvolver um quadro completo da mente humana. E nosso entendimento dos superdotados acarreta implicações ainda mais amplas. Certamente, serão encontrados neste grupo quaisquer indivíduos que virão a resolver o vasto conjunto de problemas que ameaçam a sobrevivência humana.


2.3. O que acontece com as crianças superdotadas quando elas crescem.

Segundo Winner (1998), nós tendemos a ouvir mais sobre os Picassos, Midoris e Yo-Yo. Sobretudo, podemos chegar à conclusão nítida de que crianças com prodígio se mantêm em seus domínios escolhidos e seguem adiante fazendo contribuições importantes.

O mito de que os prodígios têm futuros brilhantes é fortalecido pelo fato de muitas pessoas eminentes e criativas, ao longo da história, mostraram habilidades excepcionais na infância. Esquecemos sobretudo, que isso não implica no inverso, que crianças excepcionais se tornem adultos criadores. A maioria dos superdotados jamais se desenvolve plenamente, na concepção de Winner. Uma grande dificuldade em sondar a conexão entre superdotação na infância e na criatividade adulta é que nós raramente dispomos de algum registro de muitas crianças superdotadas que pararam de desenvolver suas habilidades.

“Nenhum fator jamais foi verificado ser necessário ou suficiente na previsão da criatividade adulta. Além disso, tantos estão envolvidos, que é impossível prever a trajetória futura de qualquer criança superdotada individual, assim como é impossível prever com certeza os interesses futuros de qualquer criança e sua escolha de trabalho.” (WINER, 1998, p. 224)

Quando criança, os prodígios fascinam por sua precocidade. Mas todo prodígio acaba se tornando um ex-prodígio. Se precocidade e habilidade técnica são tudo o que eles têm, como adultos eles não são mais especiais, os que florescem tardiamente os alcançaram.

Todavia, já que as habilidades e hobbies da infância em domínios específicos são mais previsíveis em escolhas ocupacionais adultas que o QI geral, segundo Winner (1998), poderíamos esperar prever a trajetória futura dos prodígios. Crianças que parecem ter nascido em um domínio e que são superdotadas que desempenham em um nível adulto. É tentador supor que os prodígios se limitarão aos seus domínios na fase adulta e se tornarão criadores importantes.

Então, se partirmos dos criadores adultos e perguntarmos se eles foram prodígios em seus domínios na infância, a resposta é mista, alguns foram, muitos não. Alguns continuam a dominar com excelência suas habilidades quando adultos, enquanto outros não desenvolvem estas habilidades após um certo período.
3. Programa Estrela Dalva/ Instituto Lecca.

Neste capítulo descreverei o Programa Estrela Dalva, criado em 2006 pelo Instituto Lecca, e do qual participo desde 2009. Este tem por objetivo atender crianças superdotadas de baixa renda, resgatar essas crianças, e levá-las a um espaço em que elas possam desenvolver suas habilidades e encaminhá-las para escolas públicas de excelência. Assim, o presente capítulo tem como objetivo mostrar esse programa, e apresentar seus resultados.



3.1. O programa.

O Programa Estrela Dalva, foi criado em 2006 pelo Instituto Lecca e sua equipe é composta e formada pelos seguintes profissionais: o presidente da Empresa Lecca Financeira; a superintendente Maria Clara Sodré; as psicólogas e psicopedagogas Mônica Fomm Rivera e Maria Beatriz Santarém Ligiéro; as pedagogas e psicopedagogas Cecília Faria da Rocha Miranda e Paula Teresa Pessoa Cavalcanti; as professoras Júlia Tavares formada em Pedagogia pela – Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e mestranda da UFRJ, Elizabeth Lopes da Silva, Petronilia Pereira e Oneida Hill; e a estagiária Maria Clara Ligiéro Chein (UniRio)

O Projeto tem como objetivo preparar crianças intelectualmente superdotadas de comunidades de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro para ingressar em escolas públicas de excelência. O projeto busca dar aos grupos de crianças atividades extracurriculares para o seu desenvolvimento cognitivo, cultural e socioemocional, que vão além do conteúdo oferecido nas escolas.

No programa, os alunos têm aulas de matemática, português, redação, além de atividades específicas para o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e de pensamento ético. Hoje o Programa Estrela Dalva possui quatro turmas de 12 alunos, totalizando 48 crianças atendidas.

Os alunos selecionados são preparados pelo Programa para os concursos das melhores escolas públicas do Rio de Janeiro, como Colégio Pedro II, Colégio de Aplicação da UERJ e Colégio Militar. Todos os anos, desde que iniciou suas atividades, os alunos têm alcançado índices de aprovação acima de 80%.

O Programa possui autorização da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para avaliar os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental de escolas municipais e selecionar aqueles identificados como superdotados. A seleção é feita a partir de critérios de potencial intelectual, aptidão acadêmica e nível sócio-econômico. Apenas 1% de todos os alunos avaliados apresenta a qualificação necessária para participar das atividades desenvolvidas pelo Instituto.

O Programa Estrela Dalva tem como público alvo crianças academicamente superdotadas oriundas de comunidades economicamente carentes do Município do Rio de Janeiro. Os critérios para a seleção dos alunos são:

• Comprovação da superdotação acadêmica

• Baixo poder aquisitivo da família (até um salário mínimo por membro da família)

• Ser morador do município do Rio de Janeiro.


3.2. Missão do programa
A missão do Programa Estrela Dalva é proporcionar aos alunos, intelectualmente superdotados, e economicamente carentes, uma educação escolar e extracurricular que permita que atinjam os níveis mais altos de especialização, condizentes com seu potencial, e se tornem adultos moral, cognitiva e culturalmente capazes de participar, como verdadeiros cidadãos, de forma produtiva, na vida de suas comunidades.

A visão do Programa é oferecer um trabalho de excelência que não só atenda aos alunos participantes, mas também sirva de referência nacional e internacional em pesquisas e no trabalho com crianças e jovens superdotados acadêmicos provenientes de comunidades de baixa renda.

O Programa recebe patrocínios e doações de pessoas jurídicas e físicas que reconhecem a importância do trabalho com essa população alvo. É com esse apoio que o Instituto Lecca e a Brookfield desenvolvem o Programa Estrela Dalva. Não há nenhum tipo de financiamento por parte de órgãos públicos.

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, assim como as CRE’s (Coordenadorias Regionais de Educação) e as escolas municipais selecionadas são parceiras fundamentais para o funcionamento do Programa Estrela Dalva. Através da autorização da SME-RJ (Secretaria Municipal de Educação) e com o apoio das CRE’s são feitas as avaliações nas escolas parceiras e, então, a seleção de alunos para o programa pode ser concluída.

Dentro de sua missão, o Programa tem, também, como objetivos, continuar com o apoio acadêmico aos alunos, uma vez que entram para as escolas de excelência, indicar os alunos para bolsas de inglês da Cultura Inglesa e apoiá-los no cumprimento de tarefas e metas, envolver a comunidade acadêmica no desenvolvimento dos alunos, e divulgar o trabalho desenvolvido pelo programa na mídia especializada e através de congressos e palestras.

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