Universidade federal do estado do rio de janeiro unirio maria clara ligiero chehin



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3.3. Resultados obtidos pelo programa

Entre os anos de 2007 e 2012, os seguintes objetivos foram alcançados:

• 17.992 alunos de escolas da rede municipal foram testados

• 144 alunos foram selecionados para o Programa

• 108 alunos participaram dos concursos para escolas públicas de excelência

Ao longo desses anos, foram avaliados pelo Programa alunos de escolas localizadas nas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª CRE’s. Foram testados alunos de 56 escolas municipais.

O processo de avaliação e seleção consta de três fases:

• Teste psicométrico de raciocínio lógico

• Avaliação de desempenho acadêmico

• Entrevistas com os alunos e seus responsáveis


Cada etapa da do processo é eliminatória. Ao final da 3ª etapa, poucos são os alunos que apresentam os critérios exigidos para a entrada no Programa. O total de alunos aprovados ao longo desses anos representa 80% daqueles que realizaram as provas de concurso para as escolas de excelência. Embora os alunos do Programa sejam incentivados a participarem do processo de seleção das três escolas federais ( Colégio Pedro II, CAp UERJ e Colégio Militar), são poucos os que participam das três seleções. Por outro lado, embora não sejam todos os alunos que realizem todas as provas, o desempenho dos alunos nas avaliações que realizam é bastante bom. Comumente as primeiras colocações nos processos seletivos dessas escolas são de crianças que participaram do Programa Estrela Dalva.
3.4. Metodologia de trabalho do programa

Um dos objetivos está inserido dentro da metodologia do programa, o desenvolvimento da autonomia cognitiva e autonomia moral dos alunos através de atividades extracurriculares no dia-a-dia.

O desenvolvimento da autonomia cognitiva dos alunos na fase inicial do programa tem como foco a expansão dos conhecimentos acadêmicos e da cultura geral dos alunos, bem como o desenvolvimento dos pensamentos criativo e crítico.

No primeiro ano, parte do período em que estão no espaço do Programa é dedicada às aulas com foco em Português, Redação e Matemática, nas quais são introduzidas noções de História, Geografia e Ciências. A outra parte do tempo é destinada a jogos de raciocínio (quebra-cabeças, xadrez, Lego, jogos de conhecimentos gerais, jogos de palavras, etc.), leituras de livros (leitura brasileira e universal), análise e estudo de diferentes tipos de mapas e gráficos, discussão de temas relevantes da atualidade, visitas a exposições artísticas temporárias, museus, casa de ciência e pontos turísticos da cidade, filmes, concertos de música clássica, etc.

Estas atividades têm como objetivo proporcionar o enriquecimento cultural e a ampliação de conhecimentos gerais dos alunos. Muitos deles nunca tiveram a oportunidade de ir a um concerto, assistir uma peça de teatro ou mesmo de conhecer algum museu da cidade. A partir do momento que passam a ter contato com esse novo mundo, ganham um novo leque de vivências e despertam ainda mais o desejo pelo saber e por diferentes formas de conhecimento.

O programa possui biblioteca com mais de dois mil livros. Os alunos são estimulados à leitura e a manter uma média de leitura de dois a três livros por mês. Eventualmente, visitam feiras ou atividades literárias, onde conhecem autores e ilustradores.

No segundo ano, o foco é o desenvolvimento acadêmico com vistas à realização de concursos para o ingresso em escolas públicas de excelência. Embora sejam reduzidas, continuam participando de passeios e atividades culturais.

Os grupos também têm crescido no seu desenvolvimento moral, ao longo dos anos, de acordo com a taxionomia de desenvolvimento moral de Kolberg. (Gama, 2006). Esse modelo apresenta três níveis de raciocínio moral, são eles: 1- nível pré-convencional, caracterizado pela orientação das pessoas em função das consequências imediatas de seus atos (evitar castigos e defesa dos próprios interesses; as regras e expectativas sociais são totalmente externas a elas); 2- nível convencional, em que a pessoa se orienta em função das expectativas dos demais e da manutenção do sistema social como um todo; 3- nível pós-convencional, é caracterizado pelo reconhecimento das pessoas sobre os valores, princípios e direitos universais, além do entendimento de que a conservação desses direitos constitui também deveres universais (Ligiéro e Rivera, 2006).

Existe também um apoio acadêmico para os alunos que ingressaram nas escolas públicas de excelência que participaram da segunda fase do Programa Estrela Dalva, o que significa que:

1. Utilizam a biblioteca e o laboratório de informática para tarefas escolares;

2. Retiram livros de leitura brasileira e universal da biblioteca para seu lazer;

3. Têm aulas de apoio no Programa sempre que sentirem necessidade.

4. Apresentam seus boletins escolares, assim como resultados de participação em olimpíadas, concursos literários, concursos de desenho, etc.

5. São convidados a participar de oficinas, que são desenvolvidas com ajuda de voluntários.

6. São contemplados com uma bolsa integral no curso de inglês da Cultura Inglesa.
3.5. Reflexões sobre a minha atuação no programa

Ao longo de quatro anos e meio, desde o segundo semestre de 2009, pude me inserir dentro do campo da superdotação, o único estágio do qual participei no decorrer da faculdade e a única área que pude conviver através de experiências na prática. Tive experiências em escolas através de estágios obrigatórios vinculados ao curso de Pedagogia, porém a minha atuação foi com crianças superdotadas de baixa renda, dentro do Instituo Lecca, programa apresentado acima.

Lá, participei de diversas atividades, incluindo aulas de apoio, aulas substituindo professoras quando necessário, jogos, informática, reuniões, passeios, filmes, trabalhos, dentre outros. A minha função sempre foi estar disponível para qualquer criança, acompanhando-os nos dois anos que eles permanecem no projeto, e até mesmo crianças que já passaram pelo Instituto, e que retornam para fazer trabalhos escolares, ou ter aulas de apoio.

Todo final de ano, participo das testagens para resgatar esses alunos superdotados. Aplico a segunda fase que envolve conteúdo acadêmico, somente para aqueles que passaram da primeira fase. Vou até as escolas do munícipio que tiveram crianças com resultados acima do esperado no primeiro teste, aplico a prova, e colaboro também com as correções.

Nos meus primeiros três anos dentro do projeto, estive junto a outra estagiária Júlia Tavares, e juntas fizemos trabalhos relacionados a conhecimentos gerais e conteúdos acadêmicos de História, matéria que não é inserida na carga horária do programa. Esses trabalhos são mais aprofundados a partir de um certo tema.

Porém, durante um ano com dois grupos de primeiro ano, fizemos um trabalho sobre descobrimento do Brasil, que envolvia pesquisas e aprofundamento no assunto diferente do que eles estavam acostumados a ouvir nas salas de aula. Fomos por um outro lado, uma outra visão, uma forma diferente de estudar o conteúdo, envolvendo filmes, trabalhos em grupos e debates. Foi bem interessante e eles se empenharam bastante.

Juntas, também participamos apresentando o Instituto Lecca no Congresso em Lavras-MG, no IX Encontro Internacional de Educadores do CEDET- ASPAT, que é um encontro de educadores de superdotados e talentosos que acontece uma vez por ano em diferentes estados do país. Participamos dos quatros dias de congresso em 2013, dos dias 20 a 22 de setembro assistindo palestras, e apresentando também o nosso trabalho. Foi uma experiência incrível e bastante enriquecedora. (ano???)

Entretanto, após formar-se em Pedagogia, a outra estagiária tornou-se professora do programa, ficando apenas eu como estagiária. Continuo com as mesmas funções. A atividade na qual eu mais participo, por exigir mais cuidado, atenção e tempo, é a correção das redações. Exigimos dos alunos uma escrita diferenciada e avançada, que para a idade deles se torna acima do esperado, tornando a escrita esplêndida e impecável, fazendo eles reescreverem quantas vezes forem necessárias, até que a escrita esteja de acordo com o esperado. Focamos muito na leitura e na escrita, pois sabemos que é uma grande dificuldade e uma área pouco explorada. Pude perceber isso nesses quatro anos de projeto, como os alunos chegam sempre vazios de leitura e com pouca bagagem de vocabulário, ortografia e criatividade. Foi perceptível também através da minha atuação com as testagens nas escolas, o pouco acesso às bibliotecas que eles possuem, muitas vezes, nunca acessaram. Em algumas escolas presenciei bibliotecas trancadas com livros novos e seminovos, e quando utilizávamos esse espaço para aplicar a prova, os alunos ficavam deslumbrados e surpresos ao entrar na biblioteca. No entanto, estou sempre trabalhando no controle de leitura dos alunos, acompanhando-os semanalmente na biblioteca, com leituras semanais feitas por eles. Eles me devolvem me contando a história lida, e imediatamente eu ajudo-os a escolher outro livro para uma nova leitura. Dou aulas aos sábados no fim do ano, quando está mais próximo das provas do concurso do Pedro II e CAP da Uerj, para ajudar reforçando com matérias já vistas por eles.

Enfim, são muitas e diferentes atividades das quais participo e atuo dentro do Instituto Lecca. Pretendo ser uma professora contratada quando me formar e trabalhar dentro dessa área para sempre, pois é um trabalho gratificante o qual admiro e gosto muito.

A partir e ao longo desses quatro anos trabalhando e estudando crianças superdotadas, pude perceber que tudo que li a respeito delas está bem relacionado ao que eu presenciei. Os mitos, as realidades e as definições, foram identificados na prática.

Entretanto, foi perceptível também, que a superdotação não tem mistério. Crianças superdotadas não são “bichos de sete cabeças” nem algo extraordinário. Percebi que durante muitas visitas e entrevistas de jornalistas ou pessoas interessadas pelo assunto que chegavam no programa para fazer uma matéria ou simplesmente conhece-lo, chegavam esperando que fossem ver gênios ou mágicos. E, no entanto, não sei se eles se decepcionavam ou não entendiam o que estavam vendo ou lidando, porque são apenas crianças, só que com raciocínios e facilidades acima de outras.

Todavia, o mais curioso e surpreendente é o que eu levo disso tudo para minha atuação docente. Isto é, tudo que trabalhei, ou fiz de diferente com os meus alunos do programa, eu poderei fazer em sala de aula com meus futuros alunos, e não apenas com superdotados. Sei que crianças com altas habilidades precisam e têm o direito de um atendimento diferenciado, porém, um trabalho mais aprofundado e elaborado, pode ser feito com toda e qualquer criança, mesmo que seja um processo mais lento. Levando em consideração é claro, que me refiro a crianças academicamente superdotadas. Sobretudo, uma criança que não é superdotada em algum talento específico, mas tem interesse em determinado assunto ou algum talento, pode também se desenvolver se partir do interesse dela.

Uma contribuição que pude trazer ao longo desses quatro anos de Projeto e para minha atuação docente, foi o meu desenvolvimento na área da linguagem. Instiguei eles a escreverem melhor. Ajudei eles q se tornarem crianças autônomas, tanto no ponto de vista cognitivo, quanto no ponto de vista moral.

No ponto de vista cognitivo desenvolvi neles a capacidade de escrever, a desenvolver a escrita, dei elementos para determinados temas, e eles sozinhos à partir de um assunto que eles dominassem ou não, pudessem desenvolver sua escrita.

No ponto de vista moral, ajudei eles a se tonarem autônomos em momentos difíceis, momentos em que eles precisassem tomar alguma decisão. Foram estimulados a optarem por uma atitude correta e justa, sem que fosse necessário a interferência de um adulto, principalmente quando havia um desentendimento entre eles.

Nesse contexto, pude levar muitas contribuições e muitos aprendizados para os alunos, e tenho comigo também situações que levarei para minha vida acadêmica.

Em suma, o que tiro de conclusão é que o trabalho pode ser feito com todos igualmente, a diferença da criança que não é superdotada para a que é, é a velocidade com que se vai caminhar nesse trabalho, mas pode sim ser feito com qualquer uma.

E, uma conclusão específica sobre as crianças com altas habilidades, é que elas precisam e devem ter um atendimento diferenciado em um espaço em que possam desenvolver seu talento e aprofundar-se nos conteúdos de aprendizado. Isso com certeza beneficiaria a todos porque, se nesses quatro anos vi crianças mudarem de vida e se transformarem por terem tido a oportunidade desse espaço, imagina se isso foi feito na prática como um todo no nosso país? Porque a lei existe, só falta entrar em prática.


4.Considerações finais
Esse estudo nos permite perceber a importância da identificação da criança superdotada o mais cedo possível para que essa possa ser acompanhada devidamente de acordo com as suas capacidades. Isso se refere ao trabalho dos profissionais que atuam com esse público, como é o caso do professor, do psicólogo e do psicopedagogo, cada um atuando dentro de suas áreas do conhecimento, tecendo um trabalho transdisciplinar.

É importante levarmos em consideração o conhecimento das características do superdotado pelos profissionais que atuam nesse campo, tendo em vista que a ignorância em relação ao assunto pode levar a um “falso diagnóstico” do aluno, o que atrapalha o seu desenvolvimento, com a ausência de um programa específico para suas necessidades. Como muitos profissionais desconhecem as características de um superdotado, muitas vezes seu diagnóstico é tardio, e o aluno deixa de aproveitar muitos momentos em que poderia estar aprendendo, parecendo estar desatento às aulas, que não lhe despertam interesse.

Sobretudo, é importante sabermos e termos conhecimento sobre programas especiais para a criança superdotada, para que a escola ou a família a encaminhe devidamente e reconheça a importância desses projetos, sabendo-se que a escola em si geralmente não possui atividades específicas para esse aluno.

Além do diagnóstico é importante, também, a família ter orientação para saber como lidar com a criança. Além disso, o conhecimento da legislação sobre o superdotado é de suma importância para o conhecimento dos direitos de seus filhos.



Por fim, podemos dizer que após a identificação da superdotação é necessário que haja um trabalho voltado para o desenvolvimento das capacidades, uma prática especializada, posterior a identificação, que é apenas o primeiro passo.


5. Referências Bibliográficas

  • DELOU, Cristina Maria Carvalho. Educação do aluno com Altas Habilidades/ Superdotação: legislação e Políticas Educacionais para a inclusão. In: A construção de práticas educacionais para alunos com Altas Habilidades/ Superdotação. Vol. 1, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2007.

  • FLEITH, Denise de Souza (Org.). A construção de Práticas Educacionais para alunos com altas habilidades/superdotação. Volume 1: Orientação a Professores/ Brasilia, DF, Ministério da Educação, 2007;

  • GAMA, Maria Clara Sodré. Educação de Superdotados: teoria e prática/ São Paulo: E.P.U. Editora Pedagógica e Universitária LTDA, 2006;

  • GARDNER, H. (1994). Estruturas da mente. Porto Alegre: Artes médicas.

  • LIGIÉRO, Maria Beatriz; RIVERA, Mônica Fomm. O desenvolvimento moral de alunos superdotados. In: Educação de Superdotados: teoria e prática/ São Paulo: E.P.U. Editora Pedagógica e Universal LTDA, 2006.

  • RENZULLI,J.S. The enrichmenttriad model: A guide for developing defensible programs for the gifted and talented. Mansfiel Center, CT.

  • VIRGOLIN, Angela M. R. Altas Habilidades/ Superdotação: Encorajando Potenciais/ Brasilia, DF, Ministério da Educação, 2007.

  • WINNER, Ellen. Crianças Superdotadas: mitos e realidades. Porto Alegre. Editora Artes Médicas Sul, 1998.

http://www.homemdemello.com.br/psicologia/intelmult.html




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