Universidade Federal do Maranhão Centro de Ciências Fisiológicas e da Saúde



Baixar 78.4 Kb.
Encontro28.07.2016
Tamanho78.4 Kb.
Universidade Federal do Maranhão

Centro de Ciências Fisiológicas e da Saúde

Departamento de Saúde Pública

Medicina do Trabalho – 8º Período




De Leon Moreira Nunes

Débora Rosana Oliveira de Farias

Michelle Amaral Neves

Tiago Barbosa Carvalho

Wellington Reis


São Luís, 17 de outubro de 2004.

“O amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte.”


Saint Exupéry

1.Introdução
Os metais apresentam uma longa e remota intimidade com a história da humanidade. Não fossem eles, seja por uma beleza encantadora, seja por características imediatamente úteis em cada momento próprio, não teríamos chegado até aqui, pelo menos na forma como nos conhecemos.

Presentes nas ferramentas que permitiram grandes saltos evolutivos, presentes em processos de magia, e nas artes também, e depois nas ciências, eles são parceiros na grande escalada humana.

A pergunta que então se explicita é se podem eles, além de suas vantagens muitas já bem conhecidas e dominadas, trazer quantidades de perigo e de ameaça. A resposta é sim. A pergunta automática fica sendo: e como tirar cada proveito de seu uso impedindo simultaneamente qualquer possibilidade ameaçadora?

A resposta é uma só: CONHECIMENTO, que precisa ser constantemente buscado e atualizado.




2.Histórico
O chumbo é o metal pesado mais abundante na crosta terrestre. Sua utilização data de épocas pré-históricas tendo sido amplamente mobilizado desde então.

Há uma longa história sobre a intoxicação pelo chumbo nos alimentos e bebidas. No Império Romano era comum devido ao fato de serem os canos feitos de chumbo, assim como os vasos onde se guardavam os vinhos e alimentos.

A intoxicação ocupacional foi primeiramente pronunciada em 370 a.C. Foi comum entre os trabalhadores do século XIX e início do século XX (como pintores, encanadores e outros). Em 1883 foi feita, na Inglaterra, a primeira legislação com relação à proteção de trabalhadores expostos, devido à morte de diversos empregados de empresas de chumbo em 1882.

Atualmente, a intoxicação aguda pelo chumbo em países desenvolvidos tem sido controlada devido à melhoria das condições de trabalho. Entretanto, tem-se questionado os males causados pela exposição a doses baixas de chumbo durante um longo período, especialmente em crianças. Em 1943, um estudo nos EUA, com crianças expostas, levou a resultados comprovadores de alterações neuropsicológicas na exposição crônica a doses leves e após exposição aguda a doses altas.

Muitas pesquisas foram feitas nos últimos 30 anos avaliando as concentrações de chumbo no sangue e seus efeitos. Assim, têm-se descoberto distúrbios com concentrações cada vez menores.

Atualmente, o público mais afetado está localizado nos países mais pobres, representando minorias populacionais desfavorecidas.


3.Conhecendo Melhor o Chumbo
O chumbo é um metal cinza-azulado de peso atômico 207.19, ponto de fusão 327.502ºC e ponto de ebulição 1740ºC (IPCS, 1995). O chumbo é suficientemente mole para ser cortado com uma faca, porém impurezas como o antimônio, arsênio, cobre ou zinco tornam-no muito duro.

O chumbo é resistente à oxidação atmosférica e ao ataque dos ácidos clorídrico ou sulfúricos diluídos, mas é rápidamente dissolvido pelo ácido nítrico. O ácido acético tem ação solvente sobre o chumbo metálico não sendo indicado o seu uso para fins culinários em recipientes que contenham chumbo, pois os alimentos podem contaminados com os compostos do metal.

Este metal era conhecido pelos antigos egípcios, que devido ao seu baixo ponto de fusão, durabilidade e facilidade em formar ligas metálicas era utilizado na fabricação de armas, adornos e utensílios. Os antigos romanos usavam o chumbo para fabricar manilhas, e alguns compostos do metal já eram usados na fabricação de cosméticos e de tintas.
4.Onde está o Chumbo no Meio Ambiente?

O chumbo proveniente do petróleo é o maior contribuinte para a exposição corpórea e a maior forma de distribuição do metal no meio ambiente. Daí contamina-se o solo, ar e água, através de processos industriais, tintas, soldas em enlatados, canos de água, solo, água e alimentos. É um grande problema ambiental que somente recentemente tem sido valorizado pelos países em desenvolvimento.

Os minérios de chumbo mais importantes são a galena (PbS), a anglesite (PbSO4) e a cerussite (PbCO3), respectivamente com 86%, 68% e 77% de chumbo. Outros minerais que contêm chumbo são a linarite, a piromorfite, a mimetite, a vanadinite, a crocosoite e a wulfenite.

Os principais depósitos de minérios de chumbo estão localizados nos EUA, Perú, Argentina, Bolívia, Austrália, Zâmbia, África do Sul, Alemanha, Espanha, Suécia, Itália e Sérvia.



5.Exposição Ambiental
A exposição ambiental ao chumbo aumentou bastante após o processo de industrialização e o aumento da mineração. É uma exposição maior que de outros elementos da natureza. Globalmente, calcula-se que cerca de 300 milhões de toneladas de chumbo já foram expostas no meio ambiente durante os últimos cinco milênios, especialmente nos últimos 500 anos. Após o advento do automobilismo, no início do século XX, aumentou-se bastante a exposição de chumbo devido ao seu uso junto com o petróleo.

O consumo de chumbo aumentou significativamente nos países em desenvolvimento entre 1979 e 1990. Atualmente, a contaminação de chumbo nas águas, solo e ar continua significativa. Calcula-se que a concentração de chumbo no sangue era até 500 vezes menor nos seres humanos da era pré-industrial.

Algumas profissões têm um risco muito maior: montagem de veículos, montagem e recuperação de baterias, soldagem, mineração, manufaturação de plásticos, vidros, cerâmicas e indústrias de tintas, oficinas de artesanato. Há várias situações em que o local de trabalho é a própria casa o que leva a exposição às crianças e vizinhança. Legislações rigorosas têm sido seguidas nos países ricos há algum tempo, o que não ocorre nos países do terceiro mundo, onde várias regiões podem estar sendo expostas devido a fábricas sem uso de proteção ambiental.

Na América Latina, a exposição é pequena através de tintas, mas é grande através de cerâmicas. A exposição por diversas fontes parece ser até mais importante do que pelo petróleo, especialmente na população pobre – mineração, fábricas de baterias, artesanato, fundições.


Países como Jamaica e Albânia tiveram suas populações expostas (residentes de áreas perto de fábricas) estudadas tendo sido demonstrado uma concentração sangüínea duas vezes maior do que as pessoas não expostas. A China também contribui com dados parecidos, sendo que houve grande número de crianças com taxas sangüíneas altas mesmo morando longe de fábricas, o que sugere ser devido à exposição ao petróleo (combustíveis) que tem grande quantidade de chumbo naquele país. No México, o risco de exposição ao chumbo esteve relacionado com o tipo de cerâmica utilizada para o preparo da alimentação, concentração de chumbo do ar devido à emissão por veículos e na sujeira e poeira com as quais as crianças têm contato. A África tem um petróleo com as maiores concentrações de chumbo do planeta. O nível de chumbo no solo também é grande. Na Tailândia, após a retirada do chumbo dos combustíveis, houve uma melhora importante nas concentrações atmosféricas locais.
6.Plumbismo
Existem duas classes de compostos de chumbo: os inorgânicos, que são os formados por sais e óxidos de chumbo, e os orgânicos que são os chumbo tetraetila e o chumbo tetrametila. Uma vez absorvidos, todos os compostos inorgânicos atuam no organismo da mesma forma.

Os compostos orgânicos são lipossolúveis e podem ser absorvidos pela pele sã e por via respiratória. Por serem lipossolúveis haverá um predomínio dos transtornos nervosos. A absorção do chumbo pelo corpo humano é lenta e depende não só da dose como também de fatores tais como a idade do indivíduo, condições fisiológicas e nutricionais e possivelmente fatores genéticos.

Este metal pode ser introduzido no organismo através da inalação (ar atmosférico), ingestão (água, alimentos e solo contaminados) e por via dérmica. Os compostos de chumbo lipossolúveis e projéteis de chumbo quando alojados na pele e nos músculos permitem a absorção do metal.

A deposição, retenção e absorção de partículas de chumbo no trato respiratório dependem de fatores tais como: tamanho da partícula inalada, densidade, forma química, solubilidade, ritmo respiratório e duração da exposição.

Pela via digestiva, através do trato gastrointestinal, teremos a maioria das intoxicações domésticas. Sua absorção dá-se no intestino delgado e depende dos níveis de cálcio, magnésio, ferro, fósforo e vitamina D na dieta humana. Sabe-se que dietas pobres em cálcio, ferro e fósforo podem aumentar a absorção do chumbo pelo trato intestinal, bem como aumentar a deposição deste metal nos ossos.

Através da via cutânea dá-se a absorção de compostos orgânicos de chumbo, uma vez que são lipossolúveis. Os compostos inorgânicos de chumbo e o chumbo metálico são pouco absorvidos pela pele sã. Entretanto esta via de absorção assume importância nas exposições ocupacionais.

Após absorvido, o chumbo não é distribuído de forma homogênea no organismo. No sangue o chumbo circulante está quase sempre associado aos eritrócitos, sendo em seguida distribuído aos tecidos moles (maiores concentrações no fígado e rins) e aos minerais (ossos e dentes). O osso é o principal compartimento onde armazena-se o metal, cerca de 90% do chumbo encontrado no organismo está depositado nos ossos sob a forma de trifosfato.

O chumbo absorvido e armazenado tem uma meia-vida de pelo menos 25 anos no osso cortical denso. No sangue a meia-vida do chumbo é de aproximadamente 36 dias e medidas de concentração do metal são importantes nos diagnósticos de intoxicações agudas, para o controle não só de indivíduos expostos ocupacionalmente, mas também para o controle da população em geral. A meia-vida do metal em tecidos moles é de aproximadamente 40 dias.

Através do sangue, o chumbo pode ser rapidamente transferido da mãe para o feto. Em consequência o nível de Pb no sangue fetal passa a ser similar ao do sangue materno.

Cerca de 90% do chumbo que foi ingerido, e que não se absorve, é excretado pelas fezes, em função de seu trânsito no trato gastrintestinal sob a forma de sulfetos insolúveis. Aproximadamente 75% é eliminado através da urina. Apesar do nível de chumbo na urina ter sido um indicador de exposição ao metal, é importante ressaltar que esta concentração não representa com fidelidade o grau de absorção, já que os rins excretam quantidades elevadas de chumbo somente quando a concentração do metal no sangue for alta. Para pequenas concentrações do metal, a determinação da concentração de chumbo na urina será útil quando acompanhada de outros parâmetros.

Em pequenas quantidades o chumbo pode ser também eliminado pelo suor, saliva, unhas e cabelo. O chumbo pode ser encontrado no leite materno em pequenas quantidades.

Há poucos sintomas claros de envenenamento por chumbo. Os níveis muito altos podem levar a uma encefalopatia aguda. Supostamente, mesmo em baixos níveis, o chumbo afeta o desenvolvimento mental e está também implicado no decréscimo do QI e do funcionamento mental. Entretanto, as evidências concretas disso ainda são questionáveis. É muito comum a ocorrência de uma anemia causada pela intoxicação por chumbo.

Os sintomas característicos são imprecisos, com exceção da hiperirritabilidade, da diminuição do apetite e da energia, e perda das destrezas recentemente desenvolvidas. Outros sintomas, como cólicas abdominais, podem estar presentes.

Na intoxicação grave por chumbo a encefalopatia evolui para um quadro de vômito, andar cambaleante, debilidade motora devido a uma neuropatia periférica, convulsões e coma.

As expectativas variam dependendo da gravidade da intoxicação. Crianças com níveis acima do normal (superior a 30 microgramas/cm³ e inferior a 50) geralmente se recuperam sem problemas. Crianças com níveis séricos altos e médios de chumbo devem ser acompanhadas cuidadosamente e retiradas de locais onde ocorram possíveis fontes de contaminação. Crianças que têm uma encefalopatia aguda possuem um prognóstico mais cuidadoso. Mesmo uma leve intoxicação por chumbo é suspeita de causar um desempenho escolar fraco e perda de QI.

A principal manifestação clínica do efeito da intoxicação no sistema hematopoiético é a anemia que ocorre somente com altos níveis de exposição, o que atualmente não é muito comum.


Bioquímica

O chumbo inibe várias etapas na biosíntese do heme. A inibição das enzimas ácido delta-aminolevulínico desidratase (ALA-D) e da hemessintetase já foram caracterizadas, enquanto estudos in vitro indicam um aumento da atividade para a enzima ácido delta-aminolevulínico sintetase (ALA-S) durante a exposição ao chumbo. A inibição da enzima coproporfirinogênio-descarboxilase por chumbo foi demonstrada pela eliminação excessiva de coproporfirina na urina (COPRO-U).

A ação do chumbo ocorre nos eritroblastos da medula óssea e, sendo assim, somente os eritrócitos recentemente formados contêm excesso de protoporfirina. Devido a inibição da hemessintetase, última enzima na biossíntese do heme, o ferro da molécula de protoporfirina IX é substituído pelo zinco dos reticulócitos e, no lugar de se produzir heme, forma-se a protoporfirina zinco.
Efeitos no Sistema Nervoso Central

Os principais efeitos dos compostos de chumbo no sistema nervoso por exposição crônica são as encefalopatias com irritabilidade, cefaléia, tremor muscular, alucinações, perda da memória e da capacidade de concentração. Esse sintomas podem progredir até o delírio, convulsões, paralisias e coma. Dados experimentais revelam que danos causados pelo chumbo podem afetar funções da memória e do aprendizado em todos os ciclos da vida.

As principais manifestações ocorridas no sistema nervoso periférico são a debilidade nos músculos extensores. Também podem ocorrer hiperestesia, analgesia e anestesia da área afetada.
Efeitos no Sistema Renal

Os efeitos renais do chumbo ocorrem como resultado tanto da exposição crônica como da aguda. Em adultos e crianças o chumbo provoca um dano reversível no túbulo proximal e uma lenta e progressiva deficiência renal. Com contínua exposição ao chumbo ou quando trabalhadores são expostos a níveis de Pb-H superiores a 60 g/dl), a nefropatia aguda pode evoluir para uma nefrite crônica.


Efeitos no Sistema Gastrointestinal

Os efeitos tóxicos do chumbo a nível hepático são mais evidentes nas intoxicações severas podendo ocasionar constipação, diarréia e gastrite.

Em estudos feitos com animais de laboratório, a ingestão do chumbo tetraetila provocou alterações nos sistemas enzimáticos responsáveis pelos processos de biotransformação.


Efeitos no Osso

Existe um especial interesse no estudo da absorção do chumbo pelo osso, sendo os tecidos calcificados aqueles que apresentam maior acúmulo do metal. O osso pode servir como biomarcador de exposições passadas, pois a meia-vida neste compartimento é longa. O chumbo pode afetar o metabolismo do osso no período da menopausa na mulher, contribuindo para o desenvolvimento da osteoporose.


Outros Efeitos

Por razões neurológicas, metabólicas e comportamentais, as crianças são mais vulneráveis que os adultos aos efeitos da ação tóxica do chumbo. Estudos epidemiológicos demonstraram que o chumbo está associado a deficiências neurocomportamentais em crianças.

Os efeitos do chumbo na função reprodutora masculina limita-se a morfologia e ao número de espermatozóides.

O chumbo não parece ter efeitos nocivos na pele, nos músculos e nem no sistema imunológico.


7.Carcinogênese e Teratogenicidade
Em animais, estudos demonstram que o chumbo produz tumores malignos e benignos. Em seres humanos, o chumbo pode causar aberrações cromossômicas e uma morfologia anormal no espermatozóide. Porém, não existem evidências da ação cancerígena do chumbo no homem. Existem informações sobre um aumento na taxa de aborto espontâneos como resultado da exposição ao chumbo, mas não existem dados epidemiológicos suficientes que comprovem este fato. Também não existe nenhuma evidência de que o chumbo apresente teratogenicidade para o homem.
8.Medidas Preventivas

Dentre as várias intervenções internacionais que podem diminuir a utilização do chumbo e assim sua exposição estão:

- Remoção do chumbo do petróleo e aditivos, tintas, vasilhas de estocagem de alimentos, cosméticos e medicamentos.

- Diminuição da dissolução de chumbo nos sistemas de tratamento e distribuição de água.

- Melhora do controle nos locais de trabalho, através de fiscalizações mais sérias.

- Melhora da identificação de populações de risco.

- Melhora de procedimentos preventivos através da educação populacional.

- Promoção de programas que visem a diminuição da desnutrição e de outros fatores que agravem a intoxicação ao chumbo.

- Desenvolvimento de monitorização internacional através de programas de controle de qualidade.

Cerca de 100 países, a maioria desenvolvidos, ainda utilizam o chumbo no petróleo. Evidências de pesquisas demonstraram ser a retirada do chumbo presente no petróleo um dos meios mais eficientes para a sua diminuição atmosférica. Muitos países em desenvolvimento já começaram sua luta contra o chumbo: Bangladesh, China, Egito, Haiti, Honduras, Hungria, Índia, Kuwait, Nicarágua, Malásia e Tailândia. O sucesso desse movimento está dependente do compromisso sério dos governos, incentivando políticas favoráveis para que um amplo consenso seja atingido.




9.Exposição ao Chumbo nas Crianças

As crianças são um grupo sensível aos efeitos do chumbo devido a vários fatores:

- consumo por quilo de peso é maior do que nos adultos;

- crianças colocam objetos na boca com freqüência, que levam sujeiras do solo;

- a absorção de chumbo pelo organismo das crianças é maior do que pelo adulto;

- crianças pequenas estão em desenvolvimento rápido e constante, seus sistemas não estão completamente desenvolvidos e assim são mais vulneráveis aos efeitos do chumbo.

Como já dito anteriormente, as crianças mais pobres estão bem mais sujeitas à intoxicação, devido ao local de residência ser perto de indústrias ou de vias de alto tráfego e devido à desnutrição como fator agravante.

É comprovadamente sabido dos danos que a exposição contínua a baixas doses de chumbo leva a crianças pequenas – diminuição importante do desenvolvimento intelectual – efeitos esses geralmente irreversíveis. Percebe-se que para cada 10 microgramas acima da concentração de 25 microgramas no sangue, há uma diminuição no QI de 1 a 3 pontos.




10.Organização Geral do Trabalho

A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho convocada em Genebra pelo Conselho de Administração do Departamento Internacional do Trabalho, e congregada na citada cidade no dia 4 de junho de 1934 na sua décima oitava reunião; após ter decidido adotar diversas propostas relativas à revisão parcial do Convênio adotado pela Conferência na sua sétima reunião sobre a indenização das doenças profissionais, questão que constitui o quinto item da ordem do dia da reunião, e considerando que ditas propostas devem revestir a forma de um convênio internacional, adota, na data de vinte e um de junho de mil novecentos e trinta e quatro, o seguinte Convênio, que poderá ser citado como o Convênio sobre as doenças profissionais (revisado), 1934:



Artigo 1
1. Todo Membro da Organização Internacional do Trabalho que ratificar o presente Convênio fica obrigado a garantir às vítimas de doenças profissionais ou a seus beneficiários uma indenização baseada nos princípios gerais de sua legislação nacional sobre a indenização por acidentes do trabalho.

2. A porcentagem desta indenização não será inferior à que for estabelecida pela legislação nacional pelo dano resultante dos acidentes do trabalho. Com reserva desta disposição, cada Membro terá a liberdade de adotar as modificações e adaptações que considerar oportunas, ao determinar na sua legislação nacional as condições que devem regulamentar o pagamento da indenização por doenças profissionais e ao aplicar às mesmas a sua legislação sobre a indenização por acidentes do trabalho.



Artigo 2
Todo Membro da Organização Internacional do Trabalho que ratificar o presente Convênio fica obrigado a considerar como doenças profissionais as doenças e as intoxicações produzidas pelas substâncias incluídas no quadro seguinte, quando tais doenças ou intoxicações afetarem os trabalhadores pertencentes às indústrias, profissões ou operações correspondentes no referido quadro e resultem do trabalho em uma empresa sujeita à legislação nacional.

Profissões Correspondentes



Intoxicação produzida pelo chumbo, suas ligas ou seus compostos, com as conseqüências diretas de tal intoxicação.

Tratamento de minerais que contenham chumbo, incluídas as cinzas de chumbo das fábricas onde se obtém o zinco.

Fusão do zinco velho e do chumbo em lingotes curtos.

Fabricação de objetos de chumbo fundido ou de ligas de chumbo.

Indústrias poligráficas.

Fabricação dos compostos de chumbo.

Fabricação e conserto de acumuladores.

Preparação e emprego dos esmaltes que contenham chumbo.

Polimento por meio de limalhas de chumbo ou de pós de chumbo.

Trabalhos de pintura que compreendam a preparação ou a manipulação de produtos destinados a lixar e alisar superfícies, massa de vidraceiro ou tinturas que contenham pigmentos de chumbo.

 
Índices Biológicos de Exposição ao Chumbo

IBE

Valor Normal

LTB

Chumbo no sangue

Até 40  g/dL

60  g/dL

Chumbo na urina

Até 65 g/L

150  g/L

Ácido delta amino-levulínico deshidratase

30-60 U/L

10 U/L

Protoporfirina zinco

Até 75 g/dL

200  g/dL

Protoporfirina livres

Até 60 g/dL

300  g/dL

Ácido delta amino-levulínico na urina

Até 4,5 mg/L

15 mg/L

Coproporfirina urinária

Até 150  g/L

200  g/L

11.Bibliografia

http://www.tierramerica.net/2002/0929/plosabias.shtml

http://www.meioambiente.pro.br/agua/guia/quimica2.htm

http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3859&ReturnCatID=1773

http://nautilus.fis.uc.pt/st2.5/scenes-p/elem/e08200.html

http://www.connectmed.com.br/cgi-bin/view_adam.cgi/encyclopedia/ency/article/001653.htm

http://www.academiadovinho.com.br/biblioteca/chumbo.htm

http://www.mte.gov.br/Empregador/segsau/Legislacao/conteudo/conv042.asp

http://portalteses.cict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=00006602&lng=pt&nrm=iso

http://www.ceramicanorio.com/ecologiaseguranca/toxicologianaceramica/toxicologianaceramica.ht

http://proex.reitoria.unesp.br/informativo/WebHelp/2004/edi__o57/chumbo.htm

Sumário

Introdução

4

Histórico

4

Conhecendo Melhor o Chumbo

4

Onde está o Chumbo no Meio Ambiente?

5

Exposição Ocupacional

5

Plumbismo

6

Carcinogênese e Teratogenicidade

8

Medidas Preventivas

8

Exposição ao chumbo em Crianças

9

Organização Geral do Trabalho

9

Bibliografia

11



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal