Universidade federal fluminense a guerra de Independência de Espanha, a Guerrilha e Goya: o nascimento do Sentimento de Nacionalismo Espanhol e os Retratos da Guerra – 1808-1814. Ana Cristina Zecchinelli Alves e Maurício Cunha Ferreira



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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

A Guerra de Independência de Espanha, a Guerrilha e Goya: O Nascimento do Sentimento de Nacionalismo Espanhol e os Retratos da Guerra – 1808-1814.

Ana Cristina Zecchinelli Alves e

Maurício Cunha Ferreira
Goya (1746-1828), um dos maiores pintores espanhóis, vivenciou as modificações de seu tempo e as retratou em telas e gravuras, fixando para a posteridade a leitura dos fatos e dos atos cometidos pelos homens na história. Personagem importante na corte espanhola, ‘Primeiro Pintor da Câmara do Rei’, viveu entre os poderosos, mas soube entender e retratar seu povo, sua Espanha: alegria e tristeza, paz e guerra, pobreza e riqueza, simplicidade e aristocracia, a beleza e a feiúra, a inocência e a vilania, o cotidiano do povo e os refinos e a podridão da corte. Serviu sob quatro reinados: três reis de Espanha – Carlos III, Carlos IV e Fernando VII, ‘El Deseado’ e José Bonaparte I,O rei imposto por Napoleão.

Goya tinha personalidade forte e gênio arrebatado, mas sabia planejar sua carreira. Sua genialidade decorre tanto de sua capacidade de captar e repassar para as suas obras a realidade do mundo à sua volta, como por transmitir em seus retratos as posturas psicológicas de seus retratados, e ainda pela variedade de técnicas e estilos que executava.

Tendo ficado surdo aos 46 anos, devido a uma doença desconhecida, tornou-se triste e amargurado, passando a ver a vida e refletí-la em suas obras de forma mais amarga e realista. Em seus últimos anos, no isolamento da Quinta Del Sordo e no exílio em Bordeaux, cria as chamadas “pinturas Negras” série de retratos escuros, visões sinistras e imagens grotescas. De pensamento iluminista e a favor de mudanças na Espanha, durante a guerra continua a pintar para a nova corte, jurando lealdade ao novo rei, recebendo honrarias, tendo que se retratar junto a Fernando VII mais tarde por ser considerado um “afrancesado”. Quando do retorno de Fernando VII ao trono, Goya teve que se retratar1, pelo apoio a José I.

Dentre as obras de Goya que fazem referência a esse período foram escolhidas a série “Os Desastres da Guerra” (1810-1814), e as telas 02 de Mayo de 1808 e 03 de Mayo de 1808, pintadas “... para perpetuar por medio del pincel las más notables y heroicas acciones o escenas de nuestra gloriosa insurreición contra el tirano de Europa2,


Espanha 1808: Inicio da Guerra de Independência
O CONTEXTO:
EUROPA:

Napoleão dominava a Europa e havia decretado o Bloqueio Continental. Em 1807, surge o Tratado de Fontainebleau3, entre França e Espanha, pelo qual se decide:

- a divisão de Portugal em três partes, e a nomeação de Godoy - braço direito de Carlos IV e real administrador de Espanha - como príncipe de Algarves;

- a permissão para a passagem e localização dos exércitos napoleônicos pela Espanha e na fronteira portuguesa; e ainda

- o aporte de um corpo do exército espanhol às hostes francesas.
A SITUAÇÃO ESPANHOLA:

Em 1808 a monarquia hispânica era um conglomerado de territórios submetidos ao domínio feudal dos aristocratas, da Igreja e da própria família real, com tradições de reinos diferenciados, e com diversos vice-reinados de extensas possessões de terras na América. Reina Carlos IV e Manuel Godoy é seu braço direito, e deseja fazer as reformas ilustradas, às quais se opõem os absolutistas partidários do Príncipe das Astúrias (futuro Fernando VII). Conspirando contra Calos IV e Godoy, os partidários do príncipe incitam o povo à revolta. Ocorre o “Motin de Aranjuez”, em que Godoy por pouco não perece. Carlos IV abdica em favor do filho, Fernando VII.

Napoleão intervém convocando todos à Bayona, fazendo com que os dois reis abdiquem e colocando no trono seu irmão, José I, lançando o “Estatuto de Bayona”, expressão do liberalismo moderado, aprovado por 91 notáveis espanhóis.

O povo espanhol já cansado da presença francesa em seu território, não conhecendo as condições acertadas entre os reis e Napoleão, sabendo-os exilados e percebendo que os infantes de Espanha estavam sendo levados do palácio real para a França, se levanta num motim popular acompanhado por alguns capitães e homens do exército.

Era o ‘02 de maio de 1808’, imortalizado por Goya - o início da Guerra de Independência Espanhola, o surgir do auto-reconhecimento da nacionalidade espanhola como algo comum a todos os reinos contidos sobre essa coroa, do patriotismo e do nacionalismo de Estado. A partir desse momento as forças conjugadas do povo de certa forma manipuladas, insufladas e instruídas pelos outros segmentos: clero4, aristocratas absolutistas, ilustrados anti-franceses5, imprensa6, etc., iriam lutar até a vitória por cada palmo de chão. Homens, mulheres, crianças, velhos, clero, exército, todos estarão à espreita em cada esquina, em cada canto do país para derrotar o inimigo.

Da Guerra surge no povo espanhol um sentimento de pertencimento a uma Nação, a um Estado, maior que seus pequenos reinos reunidos sobre a mesma coroa7.

Diante da troca dinástica os espanhóis constituíram a partir das Juntas Provinciais a Junta Suprema Central, que governará em nome da Dinastia Bourbón e do povo Espanhol, que organizará a resistência armando o povo e orientando guerra e guerrilhas contra o invasor militarmente mais forte e experiente, recebendo auxílio valioso do clero que de seus púlpitos incitará a população, e da imprensa que lançará panfletos e textos clamando pela resistência despertando o nacionalismo e o sentimento patriótico, criticando duramente todo e qualquer ato do invasor.

As Cortes Gerais e Extraordinárias convocadas pela Junta Central8 em 1810, por sua vez darão origem à Constituição liberal de 18129, muito semelhante ao estatuto de Bayona, embora de teor mais moderado, e desenvolvida pelos deputados nacionais. Somente em 1814 a Espanha com a ajuda dos ingleses se livrará definitivamente dos Franceses, recebendo de volta Fernando VII que, após jurar a Constituição de 1812, dela faz letra morta, retornando ao absolutismo monárquico e eliminando os ‘afrancesados’ – espanhóis liberais que apoiaram José I, pensando numa Espanha mais moderna.

Goya que, aliando-se aos afrancesados, havia servido também na corte de José I, consegue se livrar da acusação e compõe como prova disso os quadros acima citados e a série Os Desastres da Guerra, que mais tarde oferecerá ao Rei Fernando VII, como prova de lealdade, auto exilando-se primeiro em sua Quinta, depois em Bordeaux, na França aonde viria a falecer, em 1828 aos 82 anos.

02 de mayo de 1808 em Madrid ou La Carga de los Mamelucos - Goya-1814 Levante do povo espanhol contra os invasores franceses.

03 de Mayo de 1808 ou Os Fusilamientos de Moncloa Goya-1814 – resposta francesa ao motim do dia anterior.



O contraste entre as telas é firmado através do jogo de luz e cor expressando posições: dia/espanhóis em levante/ luz – noite/espanhóis sendo fuzilados/escuridão, inimigos sem rosto/condenados iluminados.


Algumas gravuras da série Os Desastres da Guerra :












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Documentos e Fontes de época:













Capa da Constituição Espanhola de 1812







Bibliografia
ALAMBERT, Francisco - Texto final da Edição digital sob a nomenclatura: História Geral - Adaptação autorizada, pela Editoria Ática, São Paulo, de História e Civilização, 1995, volume 1 “O Mundo Antigo e Medieval” e o volume 2“O Mundo Moderno e Contemporâneo”, de Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopez.
ALMUIÑA, Celso , Opinión Pública Y Revolución Liberal - Departamento de Historia Contemporânea - Universidad de Valladolid - Cuadernos de Historia Contemporánea - Vol. 24 (2002) 81-103
ANDRADE, José Manuel Pita , Goya Obra, Vida, Sueños,: SILEX, España, 1989
AZNAR, José Camón, Los Sitios De Zaragoza En Los Grabados De Goya -  Artículo publicado en Herado de Aragón el 11 de octubre de 1953. Recopilado por Juan Domínguez Lasierra en Heraldo Domingo el 17 de agosto de 2003
BOZAL, Valeriano Dibujos Grotescos de Goya - Anales de Historia del Arte

2008, Volumen Extraordinario 407-426 - Universidad Complutense de Madrid

BURNS, Edward McNall, História da Civilização Ocidental – Vol I . Ed. Globo Rio de Janeiro/ Porto Alegre /São Paulo. 2ª Edição . Pág 694-696
CEBALLOS, Alfonso Rodríguez G. de, La Procesión de Disciplinantes. de la Academia de Bellas Artes de San Fernando. Goya y la Religiosidad Popular - Real Academia de Bellas Artes de San Fernando Anales de Historia del Arte 2008, Volumen Extraordinario 389-40
DORNAS Danilo Santos, O Entendimento De Ortega Y Gasset Sobre O Pintor Goya* *Resenha apresentada na disciplina Questões éticas no pensamento de Ortega y Gasset, no dia 06/07/2004, na pós graduação em Filosofia Contemporânea – Ética, da Universidade Federal de São João del-Rei.

ESTEBAN LORENTE , Juan Francisco , La Constitución Española de 1812 en Goya - Anales de Historia del Arte 2008, Volumen Extraordinario 365-374 Universidad de Zaragoza


GALÁN ,Juan Eslava, Historia De España Contada Para Escépticos - Editorial Planeta, S. A., 2002 -Barcelona (España) - Editorial Planeta, Archivo Mas,EFE, Gamma e Institut Municipal d'História
GÁLLEGO, Julián, Una Carta Inédita De Goya Sobre La Restauración De Pinturas.- Boletín de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando. Primer semestre de 1993. Número 76

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LÓPEZ-VIDRIERO, M. L., Guerrilleros de papel: mil y más papeles en torno a la Guerra de la Independência - Cuadernos de Historia Moderna Vol. 27 (2002): 199-215

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<http://www.bib.ub.edu/es/>

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<http://www.esnips.com>

(Biblioteca Nacional de España), <Los disparates>



1 1814, em 24/01/ Goya se dirige à regência do reino solicitando auxílio financeiro ao tesouro público para executar obras sobre a guerra, incluindo no projeto um quadro de Fernando VII para a deputação de Navarra. Em novembro, na informação aberta sobre a conduta de Goya durante a guerra, há vários testemunhos a seu favor. (Andrade)

2. Em 1814, Goya propõe ao regente Cardeal Don Luís de Borbón a realização de obras que rememorem os feitos da Guerra da Independência (1808-1812)


3


4 Ver anexo: Doc. 4

5 Ver anexo: Doc. 3

6 Ver : LÓPEZ-VIDRIERO

7“ A guerra da Independência teve outra dimensão Importante: foi uma sangrenta guerra civil que destruiu as bases políticas e ideológicas sobre as quais se baseava o Antigo Regime espanhol e preparou o cenário para a explosão dos conflitos que sacudiram periodicamente a Espanha nos Séc. XIX e XX.” IN: Temário de História de España - HISTORIA DE ESPAÑA - 2º Bachillerato – I.E.S.- ZARAGOZA Livro baixado da Internet em maio/junho de 2009

8 Ver anexos: Doc. 6 e Doc. 6A

9 Para um estudo comparatório observar os anexos : Doc.5 Estatuto de Bayona e Doc. 7 Constituição de 1812.

10 Temário de História de España - HISTORIA DE ESPAÑA - 2º Bachillerato – I.E.S.- ZARAGOZA Livro baixado da Internet em maio/junho de 2009



11 Temário de História de España - HISTORIA DE ESPAÑA - 2º Bachillerato – I.E.S.- ZARAGOZA Livro baixado da Internet em maio/junho de 2009




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