Use of fairy tales with children in case of literacy



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A UTILIZAÇÃO DOS CONTOS DE FADAS COM CRIANÇAS EM PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

USE OF FAIRY TALES WITH CHILDREN IN CASE OF LITERACY

Daiane Cristina Cavalcante –dacrisca@ig.combr

Licencianda em Pedagogia – UNISALESIANO

Milena Rochet da Silva Solfa – milenarochet@hotmail.com

Licencianda em Pedagogia - UNISALESIANO

Profª Ma Fátima Eliana Frigatto Bozzo – UNISALESIANO - elianaboz@terra.com.br





RESUMO
As crianças da era cibernética se encantam com os contos de fadas, pelo poder de simbolizar e “resolver” os conflitos psíquicos inconscientes que ainda dizem respeito às crianças de hoje. O presente trabalho tem como objetivo: demonstrar a importância pedagógica dos contos de fadas na vida de crianças no processo de alfabetização. A metodologia utilizada na pesquisa foi bibliográfica, com pesquisa de campo e seus dados mediante análise qualitativa. Constatou – se por base teórica que os contos de fadas são atividades indispensáveis para o desenvolvimento da criança em diferentes áreas, sendo necessário que o educador tenha objetivos definidos ao planejar suas aulas. Os resultados obtidos foram que alguns educadores reconhecem parcialmente a importância da contação de história para o desenvolvimento integral da criança em processo de alfabetização, não tendo qualidade na mediação do ato de ler. Espera – se que com esta pesquisa possa contribuir com reflexões aos educadores que estão trabalhando com a contação de histórias com crianças em processo de alfabetização.
Palavras-chave: Contos de Fada. Prática Pedagógica. Alfabetização.
ABSTRACT
Children of the cyber age delight in fairy tales, by the power of symbolizing and "solve" the unconscious psychic conflicts that still relate to today's children. The present study aims: to demonstrate the pedagogical importance of fairy tales in the lives of children in the literacy process. The methodology used in the research literature was, with field research and data through qualitative analysis. Verified - is based on the theory that fairy tales are essential activities for development of children in different areas, requiring that the educator has defined objectives when planning their lessons. The results were that some educators recognize the importance of partially storytelling for the integral development of children in the literacy process, having no quality in mediating the act of reading. Wait - is that this research can contribute to reflections with educators who are working with the storytelling with children in the literacy process
Keywords: Fairy Tales. Pedagogical Practice. Literacy

INTRODUÇÃO
Desde que o ser humano adquiriu a fala, a literatura infantil existe, porém se consolidou no século 17, com a descoberta da prensa. Ao longo dos tempos, os contos de fadas foram adaptados para ajudar na educação das crianças, como escreve: Corso e Corso (2006, p.16), que “os contos de fadas, que continuam encantando crianças das gerações dos computadores, consiste em seu poder de simbolizar e “resolver” os conflitos psíquicos inconscientes que ainda dizem respeito às crianças de hoje”.

Segundo Bonaventure (2008), ler um conto ou contá-lo para uma criança não é um passatempo, ou fuga da pura realidade, com objetivo de ficarem com princesas e príncipes, fadas que transformam a dura realidade em algo maravilhoso, mas os contos de fadas nos falam sobre a realidade do ser humano, de sua busca, de seus traumas e dificuldades.

No mundo escolar, há muitos anos, a contação de histórias ocorre e colabora para que os docentes percebam o quanto as histórias ajudam em sua missão de educadores.

A partir dessa questão, busca - se identificar a contribuição da contação de histórias no desenvolvimento infantil, o aprimoramento das habilidades no momento de audição de histórias, dentro do espaço escolar, como também nas relações sociais.

A contação de histórias é uma prática que deve ocorrer em casa com a família, propiciando momento de lazer e despertando o interesse da criança pela literatura.

Coelho define história e seu principal objetivo:

Histórias são narrações de acontecimentos ou situações significativas para o conhecimento da evolução dos tempos, culturas, civilizações, nações etc. Não é mera exposição de fatos, mas resulta de uma indagação inteligente e critica dos fenômenos que tem por fim o conhecimento da verdade. (COELHO, 2002, p. 85).
Bettelheim traz considerações relevantes sobre aspectos essências que devem ser priorizados e utilizados nas contações de histórias.

Para que uma história realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida deve estimular-lhe a imaginação: ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções: estar harmonizadas com suas ansiedades e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. Resumindo, deve de uma só vez relacionar-se com todos os aspectos de sua personalidade-e isso sem nunca menosprezar a criança, buscando dar inteiro crédito a seus predicamentos e, simultaneamente, promovendo a confiança nela mesma e no seu futuro. (BETTELHEIM, 2008, p, 20).


O autor Bruno Bettelheim aborda aspectos relevantes para a compreensão do importante papel dos contos de fadas no desenvolvimento e aprendizagem da criança.

Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança. (BETTELHEIM, 2008, p. 20).


Diante das afirmações apresentadas por Bettelheim é plausível fazer uma reflexão sobre a importância dos contos de fadas e as suas grandes contribuições na etapa da alfabetização das crianças, porque eles não são apenas instrumentos de diversão, mas contribuem para o desenvolvimento de suas habilidades em todos os momentos quer forem utilizados.

No trabalho aqui apresentado, enfocou-se de maneira específica a criança em período de alfabetização abordando a origem dos contos de fadas, e como as crianças interagem, bem como a sua modificação ao longo dos séculos, bem como os grandes autores da literatura como, por exemplo, Jean de La Fontaine, os irmãos Grimm, Charles Perault, e Hans Cristian Andersen. Verificou - se como os contos de fadas contribuem significativamente na formação das crianças em período de alfabetização e como eles estão presentes desde cedo, tratando de alguns aspetos relevantes para a formação da criança em período de alfabetização, no que tange a contação de histórias e como auxilia de forma bastante complementar no processo de ensino-aprendizagem. Também teve como foco principal a prática pedagógica em sala de aula, em que foram feitas algumas considerações acerca de como e quais histórias contar em sala de aula e sobre a importância do acesso a biblioteca para que a criança possa desenvolver o gosto pela leitura.

Foi feita uma análise do questionário realizado com os professores do segundo ano do Ensino Fundamental, que caminha por questões sobre o uso dos contos de fadas como instrumento no processo de ensino – aprendizagem, o conhecimento dos professores, enfim questões que fazem refletir sobre a realidade do cotidiano escolar e os diversos olhares da prática pedagógica.

O principal objetivo do trabalho é que ele possa contribuir na prática pedagógica dos professores alfabetizadores e que se possa utilizá-lo como reflexão e aprimoramento sobre os benefícios dos contos de fada, algo que faz parte da humanidade e especialmente da cultura humana.



1 ITENS DO DESENVOLVIMENTO
À medida em que a linguagem passou a ser valorizada, os contos de fadas tornaram referência mais culta. Há milhares de anos os contos de fadas existem, sendo importante instrumento para aprendizagem das crianças.

O ato de ouvir contribui significativamente no processo de desenvolvimento humano. Com objetivo de formar bons leitores e ouvintes, abrindo caminho para descoberta e compreensão do mundo.

Contribuíram de forma bastante significativa para a recriação dos contos de fadas da literatura infantil. São eles: Charles Perrault, Irmãos Grimm – Jacob & Wilhelm, Hans Christian Andersen.

Bettelheim (2008) afirma que a vida intelectual de uma criança, tirando as experiências vividas dentro da família depende das histórias míticas e religiosas e dos contos de fadas.

Essa literatura tradicional alimentava a imaginação da criança e lhe estimulava a fantasia. Simultaneamente, já que essas histórias respondiam às suas questões mais importantes, eram um dos principais agentes de sua socialização. Os mitos e as lendas religiosas a eles intimamente relacionadas ofereciam material a partir do qual as crianças formavam seus conceitos de origem e propósito de mundo, e dos ideais sociais que lhe poderiam servir de modelo. (BETTELHEIM, 2008, p.35)
Para as crianças os contos de fadas vão além da representação das formas corretas de como se comportar. Os personagens e situações personificam os conflitos íntimos, sugerindo sutilmente como estes podem ser solucionados.

Ler não é o mesmo que ouvir histórias, pois quando se lê sozinha a criança pensa em um mundo estranho, mas quando o adulto conta, ela tem certeza de que este aprova a retaliação feita em fantasia.

Ler historia é suscitar o imaginário, descobrir um mundo de conflitos.

É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo que as narrativas provocam em quem as ouve – com toda amplitude, significância e verdade que cada uma delas fez (ou não brotar... Pois é ouvir, sentir e enxergar com os olhos do imaginário! (ABRAMOVICH, 1991, p.17)


Outro aspecto relevante para desenvolver as habilidades da criança é a relação social que ela possui fora dos muros da escola, principalmente em casa, onde deve ter o habito de contar histórias, fazendo com que a criança conviva com a linguagem escrita.

O sucesso escolar é largamente construído pela maneira de viver em casa, dois fatores são aqui preponderantes: o meio no qual a criança evolui com os conteúdos de impregnação que ela recebe, e a rede de relação positiva e negativa que tecem sua vida afetiva. Em particular, a maneira através da qual a “coisa escrita” é recebida em casa, determinado em grande parte, o modo pela qual a criança vai recebê-la.

A relação afetiva que une os pais e a coisa escrita é um elemento importante para o aprendizado da criança, mas não é suficiente. A escrita precisa ser objeto e local de prazer.

Especialistas afirmam que as crianças precisam ter contatos com os livros desde cedo, momentos de relação privilegiada. O sucesso escolar das crianças não depende apenas da instituição, mas é trabalho da sociedade e dos pais, é necessário que haja uma linguagem comum.

A maior herança que a escola pode deixar a um aluno é a capacidade de ler e o gosto da leitura. Se o aluno passar pela escola e aprender pouco, mas for um bom leitor, ele terá nos livros e revistas uma prolongação da escola e poderá se desenvolver muito além do que a escola esperaria de um aluno ideal. (ZILBERMAN, 1985, p.67)
A leitura e a escrita precisam ter uma função específica na vida das crianças, caso contrário de nada valerá. Ouvindo histórias as crianças familiarizam com a linguagem escrita, com as estratégias de interpretação de leitura, facilitando a tarefa da alfabetização.

Bons leitores é muito mais que ter a capacidade de ler, gostar e ter compromisso pela leitura, a escola precisa mobilizar internamente, pois aprender a ler requer reforço, precisa demonstrar que ela é interessante e desafiador. Algo que conquista plenamente dará autonomia, independência. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente.

A motivação para a leitura e seus interesses difere não só dos grupos de idade, mas também com os tipos individuais do leitor.

Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos (ZILBERMAN, 1985, p.12)


O trabalho com a leitura forma leitores competentes e possibilita que estes produzam textos eficazes. A leitura nos fornece a matéria prima para escrita.

A linguagem dos contos de fadas é encantadora e fala do interior infantil, ensina as crianças a trabalharem seus conflitos e desenvolva sua identidade, fator primordial para o desenvolvimento infantil.

Os contos de fadas, a produção literária infantil, assim como as criações do grupo são ótimos materiais para o desenvolvimento dessa atividade que poderá utilizar-se de sons vocais, corporais, produzidos por objetos do ambiente, brinquedos sonoros e instrumentos musicais. (BRASIL, 1998, p.62)
As histórias não envelheceram, uma parcela teve que se adaptar as exigências do mundo moderno.

A ficção infantil ou adulta supre os indivíduos de algo quer não se encontra facilmente em outros lugares: todos precisamos de fantasia, não é possível viver sem escape. Para suportar o fardo da vida comum é preciso sonhar. Para suportar o fardo da vida comum, é preciso sonhar. Mas, não devemos confundir a oferta de fantasia através da ficção, que fornece tramas capazes de alimentar devaneios e brincadeiras, com uma educação alienante, que confunde infância com puerilidade, desmerece a curiosidade das crianças e pinta o mundo em tons de pastéis, (CORSO, 2006 p. 304)


Parte integrante da literatura infantil, os contos de fadas possibilitam que o ouvinte ganhe interesse pela leitura. Realizar a leitura visando desenvolver a criatividade e expressividade é de suma importância.

O momento da leitura de histórias faz com que a criança possa conhecer a forma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não o seu e consequentemente pode estabelecer relações com a sua forma de pensar e o modo de ser do grupo social ao qual pertence.

As escolas podem resgatar o repertório de histórias que as crianças ouvem em casa e nos ambientes que frequentam, uma vez que essas histórias se constituem em rica fonte de informação sobre as diversas formas culturais de lidar com as emoções e com as questões éticas, contribuindo na construção da subjetividade e da sensibilidade das crianças.

Ter acesso à boa literatura é dispor de uma informação cultural que alimenta a imaginação e desperta o prazer pela leitura. A intenção de fazer com que as crianças, desde cedo, apreciem o momento de sentar para ouvir histórias exige que o professor, como leitor, preocupe-se em lê-la com interesse, criando um ambiente agradável e convidativo à escuta atenta, mobilizando a expectativa das crianças, permitindo que elas olhem o texto e as ilustrações enquanto a história é lida. (BRASIL, 1998, p.144)


No desenvolvimento da criança a literatura é parte integrante, porém precisam-se entender como ela ocorre em sala de aula, a formação dos professores e como estes entendem as histórias no processo de aprendizagem.

O professor exerce função vital, porém muitos não descobriram que os contos de fadas podem contribuir no papel de educadores. A criança ao adquirir o gosto pela leitura ela passa a redigir melhor, pois terá um amplo repertório de informações.

A literatura infantil enriquece a formação da criança desde primeiros contatos com as histórias infantis.

Dessa forma o educador tem papel essencial dentro do contexto, às histórias infantis despertam a criatividade, a autonomia, a criticidade dos alunos. Ao contar histórias ajuda a desenvolver em sua postura investigativa, construindo conhecimento de mundo.

Ao vivenciar o faz de conta, a magia, o encantamento, a ludicidade, a criança tem o momento lúdico, desenvolvendo habilidades por meio de observação.

Diante da importância da literatura no âmbito escolar, ela é pouca utilizada, muitas vezes ela é tida como passatempo, sendo um importante instrumento de integração da criança no contexto social.

O educador precisa levar em consideração que a literatura em sala de aula não é apenas ferramenta para o aluno aprender a ler e a escrever, mas colabora na aquisição de habilidades.




Atualmente as concepções de alfabetização se vinculam as duas fortes tendências: aprendizagem da língua escrita e seus usos sociais. O primeiro destaca especificidades da alfabetização ligadas ao domínio da tecnologia da escrita; o segundo diz respeito ao letramento, ou seja, aos usos sociais da escrita e da leitura.


Na opinião de Soares (1998) a segunda tendência é aquela que fornece melhores respostas quando se busca compreender as apropriações da literatura por crianças que consolidam seu processo de alfabetização.

Parte-se, assim, do pressuposto de que a experiência com textos literários pode anteceder a alfabetização, fazendo valer o que ensina Magda Soares (1998): “é possível participar de práticas de letramento mesmo sem ter o domínio do sistema da escrita”.

Além das condições descritas são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores.

Uma premissa básica deve ser seguida, ou seja, o professor tem que ser antes de tudo um leitor. Um professor que não leia, jamais trabalhará bem com a leitura. Ele precisa ler muito, gostar de ler. O professor precisa ter preparo teórico e metodológico e saber que a escola é o lugar natural da leitura.

A criança ao entra no mundo escrito, ela tem acesso a outros caminhos, que anteriormente só eram acessíveis com a mediação do outro. Na infância, bem como em outras fases de formação do leitor, ler é atividade partilhada, na qual se confirmam sentidos e funções da leitura, construídos pela curiosidade de quem descobre que a letra diz o mundo.

Para trabalhar qualquer história em sala de aula se faz necessário saber como se faz, pois as crianças descobrem vocábulos novos, tem contato com a sonoridade das frases, dos nomes, capta a cadência e o ritmo dos contos.

Dessa forma quando se faz a leitura o professor tenha capacidade de passar a emoção verdadeira.

Claro que se pode contar qualquer história à criança: comprida, curta de muito antigamente ou de dias de hoje, contos de fadas, de fantasmas, realistas, lendas, histórias em forma de poesias ou de prosas... Qualquer uma desde que ela seja conhecida pelo contador... O critério de seleção é do narrador e o que pode suceder depois depende do quando ele conhece suas crianças, o momento que estão vivendo, os referenciais de que necessitam e do quanto saiba aproveitar o texto (ABRAMOVICH, 1991, p. 20).


A história não vem pronta para serem contadas, por mais acessível que seja a linguagem ela precisa ser adaptada para que se torne dinâmica e comunicativa. A escolha da história a ser contada é de extrema importância para que o professor possa desenvolver interesse e ter êxito nas suas atividades

Coelho (2002) afirma que contar é um processo moroso, se faz necessário cuidados, leva-se tempo pesquisando livros até encontrar algo que se enquadre no perfil dos ouvintes.

Após o primeiro e segundo anos, a criança gosta de histórias mais elaboradas, pois a imaginação invade suas mentes, isso não significada que as crianças menores não gostem de histórias realçadas.

A escola seja pública ou particular tem como principal preocupação formar um adulto útil esquece que ela já vive em sociedade. As crianças por meio dos contos de fadas podem viver uma infância plena tornando adultos harmoniosos.

A literatura é uma arte que já foi incorporada á escola e na verdade deveria ser algo que todas as crianças deveriam ter acesso de forma espontânea e não como noção de dever, de tarefa a ser cumprida, mas sim de prazer, de deleite, de descoberta, de encantamento. (ABRAMOVICH, 1991, p. 140).
A função da escola é desenvolver aspectos cognitivos, perceptivos, sociais e culturais, os momentos vividos em sala de aula contribuem para construção da sociabilidade e inteligência. À medida que as crianças crescem se confrontam com situações do mundo, e organizam idéias e formulam respostas, construindo gradativamente a forma de conceber a cultura.

Por meio dos contos de fadas, os educadores contribuem para o desenvolvimento dos alunos de forma lúdica, fácil, e subliminar, por que ela atua sobre seus pequenos leitores, levando-os a perceber e a interrogar a si mesmos e ao mundo que os rodeia, orientando seus interesses, suas aspirações, sua necessidade de autoafirmação, ao lhe propor objetivos, ideais ou formas possíveis (ou desejáveis) de participação no mundo que os rodeia.

No ambiente escolar a palavra Biblioteca lembra dever, tarefa a ser cumprida.

A literatura já está incorporada na escola e deveria ser acessível, com o propósito de prazer, deleite, descoberta. Na maioria das vezes, o ato de contar história está vinculado à obrigatoriedade, com prazo, entrega de resumo e não de acordo com o tempo de cada criança.

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998) propõe aos professores diferentes situações para trabalhar a contação de histórias, sendo elas: atividades sequenciadas, atividades permanentes e projetos.

O presente trabalho utilizou como metodologia a pesquisa bibliográfica e questionário de sondagem entregue a 05 (cinco) professores alfabetizadores de uma escola municipal de Ensino Fundamental. O questionário foi preparado com 12 (doze) questões dissertativas referentes às concepções teóricas dos contos de fadas que norteiam a prática-pedagógica dos professores.

Participaram dessa pesquisa apenas profissional do sexo feminino, entre 35 (trinta e cinco) e 51(cinquenta e um) anos, sendo que das 05 (cinco) professoras que responderam ao questionário, 03 (três) possuem Licenciatura em Pedagogia, 01(uma) possui Licenciatura em Educação Física e Magistério e 01 (uma) Licenciatura em Letras e Magistério. O tempo de atuação profissional na área entre as participantes da pesquisa varia de 13 (treze) a 23 (vinte e três) anos.

A primeira pergunta do questionário foi: “Quantas vezes por semana você reserva no seu planejamento para a contação de história?”, obteve-se como respostas: todos os dias; três vezes por semana e quatro vezes por semana.

Para definir escolhas pautadas com foco na aprendizagem e no currículo, o tempo é um fator essencial no planejamento. As escolhas do educador fundamentam-se em princípios, nas legislações curriculares, nos parâmetros educacionais nacionais, nas teorias de aprendizagem e desenvolvimento, desde que ocorra articulação entre teoria e prática.

De uma maneira geral, na pesquisa realizada, a contação de histórias é contemplada nos planejamentos de todos os professores.

Quando perguntado aos professores que tipos de histórias que eles percebem que as crianças mais gostam, obteve – se respostas como: contos de fadas, fábulas, lendas e literatura infantil.

O professor ao ler para os alunos precisa preparar o momento, prestar atenção e cuidado durante as atividades que envolvem contação de histórias, ouvindo a fala da criança, para saber o seu interesse, proporcionando situações de desafios e descobertas às crianças. Verificar se a história contada está adequada ao nível de compreensão de cada uma e que as mesmas possam atribuir prazer e significado por meio dessa interação.

Vale salientar que o mediador preparado tenha um repertório de histórias que garantam o enriquecimento dessas aprendizagens contribuindo para o desenvolvimento das crianças.

No entanto, a pesquisa demonstrou que alguns educadores não valorizam esse momento e quando praticam visam cumprir o currículo.

Quando perguntado aos professores se a contação de histórias deve fazer parte do currículo do Ensino Fundamental, as respostas foram positivas.

Cagliari (2007) afirma que a atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos alunos é a leitura.

Colocar a leitura dos contos de fadas no currículo escolar não quer dizer nada, pode - se formar pessoas com ojeriza permante pela leitura, se os textos e livros utilizados sejam ruins e as atividades atreladas a algum trabalho solicitado.

Percebe-se por meio do questionário que os professores acreditam na importância da leitura para criança, mas ao mesmo tempo percebe que esse professor não tem conhecimento profundo em relação aos benefícios que a leitura traz para as crianças. Observa-se ausência de embasamento teórico.

A grande maioria dos problemas que os alunos encontram ao longo dos anos de estudo, é decorrente de problemas de leitura.

Ao questionar a opinião dos educadores sobre a contribuição dos contos de fadas para as crianças em fase de alfabetização, obteve – se respostas como: possibilita o contato com a escrita, trabalha o imaginário, estimula o hábito da leitura, desenvolve o cognitivo, a criatividade, a criaticidade e a capacidade de interpretar.

De uma maneira geral, os educadores apontam aquilo que Cagliari (2007) diz sobre a leitura, trata-se de uma atividade extremamente complexa e envolve problemas semânticos, culturais, ideológicos, filosóficos e fonéticos. Tudo que se ensina na escola está diretamente ligado à leitura e depende dela para manter e desenvolver.

Quando perguntado se os contos de fadas desenvolvem o imaginário das crianças, os professores responderam: com certeza, pois os alunos se colcoam no lugar dos personagens, viajam em “outros” mundos e utilizam do imaginário para correlacionar com a vida.

Abramovich (1991) afirma que a história suscita o imaginário, a curiosidade respondida em relação, à curiosidade respondida em relação a diversas questões. É a possibilidade de descobrir o mundo imenso de conflitos, de impasses e soluções que vivemos e atravessamos, estes problemas enfrentados (ou não) pelas personagens de cada história é uma forma da criança identificar o momento em que está vivendo. Por meio das histórias as crianças pódem descobrir outros lugares, outros tempos e outros jeitos de agir.

Quando perguntado quais os conhecimentos que o professor tem para trabalhar os contos de fadas, obteve-se como respostas: gostar de ler, conhecimento prévio do conto, entusiamo, entonação, domínio e hábito da leitura.

Para contar uma história é necessário saber como se faz. Contar histórias é uma arte.

O questionário demonstrou que as dificuldades encontradas pelo professor para trabalhar a literatura em sala de aula é a falta de livros, a preocupação em dar conteúdo programático e a falta de bibliotecas.

Abramovich (1991) afirma que a preocupação básica, é formar leitores inquietos, críticos e capaz de receber tudo de bom que a leitura traz, pois literaura é prazer.

Ao questionar se os pais e/ou responsáveis leem para os filhos, obteve – se como resultado que apenas a minoria possui essa prática.

Fundamental para a formação de qualquer criança, ouvir muitas histórias, escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor. Ser leitor é ter um caminho de descoberta e compreensão do mundo.

O primeiro contato da criança com o texto é feito oralmente por meio da mãe, do pai e dos avós, contando contos de fadas, trechos da bíblia ou histórias inventadas. Observa-se que as crianças na maioria das vezes não possuem esse privilégio de ouvir histórias em casa. Portanto chegam ao ambiente escolar com maior dificuldade do que as que possuem essa prática de leitura em casa, tendo maior dificuldade no processo de alfabetização.

Ao perguntar se há biblioteca na escola onde os professores entrevistados atuam, a resposta foi unanimamente negativa, constatou – se que a falta de um ambiente próprio para desenvolvimento de atividades de leitura.

Há escolas pelo país com essa preocupação, onde encontra – se fartura de livros, mas a maioria, no entanto, não dispõe de nada próximo.

Muitas vezes nas bibliotecas existentes os livros são guardados como se fossem pedras preciosas, trancados. Assim o objetivo se perde, pois para que serve uma biblioteca na escola, se os alunos tem tantas dificuldades em usar os livros.


CONCLUSÃO
Por meio do presente trabalho investigou-se e concluiu-se que a contação de história é extremamente importante para alfabetização das crianças, pois a atividade principal desenvolvida pela escola para formação dos alunos é a leitura.

Cagliari (2007) afirma que é muito mais importante saber ler do que escrever. A leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido por meio da leitura.

Tudo que se ensina na escola está diretamente ligado à leitura e depende dela para manter e desenvolver.

A leitura é a realização do objetivo da escrita. Quem escreve, escreve para ser lido. O objetivo da escrita, como já disse inúmeras vezes, é a leitura. O mundo da escrita já é complicado e caótico no aspecto gráfico, quanto mais juntarmos a isso o mundo dos significados carregados pela escrita. A leitura vai operar justamente nesse universo. Ás vezes, ler é um processo da descoberta, como busca do saber científico. Outras vezes requer um trabalho paciente, perseverante, desafiador, semelhante à pesquisa laboratoria. A leitura pode também ser superficial, sem grandes pretensões, uma atividade lúdica, como um jogo de bola em que os participantes jamais se preocupam com a lei da gravidade, a cinética e a balística, mas nem por isso deixam de jogar bola com gosto e perfeição. (CAGLIARI, 2007, P.149).


A leitura é uma atividade profundamente individual e dificilmente duas pessoas fazem uma mesma leitura de um texto.

Por isso, a escola que não lê muito para os seus alunos e não lhes dá a chance de ler muito está fadada ao insucesso, não sabendo aproveitar o melhor que tem aos educandos.

Escrever e ler são duas atividades de alfabetização que se conduz paralelamente. Ler, nos primeiros anos da escola é uma atividade tão para oferecer importante quanto a produção espontânea de textos.

No mundo atual é muito mais importante ler do que escrever. A criança começa ouvindo histórias, aprendendo a decifrar sons das letras em diversos contextos, e se põe a ler textos pequenos cujo conteúdo já tem conhecimento. Ao intensificar esse tipo de atividade, a criança passa a ter outro contato com a escrita, diferente de ser simplesmente montar e desmontar sílabas e palavras. Tendo vantagem de adquirir uma visão mais real do que a escrita é e de como funciona.

Faz-se necessário repensar os procedimentos em relação à escrita e à leitura na escola, dando lugar de maior prestígio à leitura desde início do processo de alfabetização.

Além de ter um valor técnico para alfabetização, a leitura é ainda uma forma de prazer, de satisfação pessoal, de conquista, de realização, que serve de grande estímulo e motivação para que a criança goste da escola e de estudar. Mas, se frustrar as crianças não lhe dando essa chance, ou pior ainda se substituir essa leitura por textos mal escritos, poderá acarretar problemas sérios.

Portanto é papel dos adultos mediadores do conhecimento valorizar a leitura como processo rico e cheio de aprendizagens, suporte de sociabilidade entre os pares, pois essa interação faz com que a criança aos pouco expresse suas descobertas e emoções, recriando sua forma de entender o mundo, ampliando o conhecimento de si própria e da realidade local.

Na pesquisa realizada constatou-se que os professores nem sempre estão afinados quanto às possibilidades que a leitura proporciona, apesar de garantir um espaço no planejamento. Isso muito mais vezes ocorre por que o professor se sente pressionado a trabalhar, mas não acredita nos benefícios que ela traz para os educandos.

A escola, em especial o período de alfabetização das crianças precisam ser regadas de leitura, esta precisa ser privilegiada como peça importante dentro do seu ambiente escolar, valorizando em todos os aspectos desde o tempo destinado, os espaços, ou seja, tudo que envolve a criança, para que ela possa sentir parte do processo.

Ao ler e escutar as histórias, com especial atenção os contos de fadas, as crianças percebem que os responsáveis por elas se respeitam como um ser que é, capaz de demonstrar emoções, sentimentos, ou seja, ter a liberdade de expressão.

O educador ao organizar o seu planejamento, precisa preocupar – se que a rotina propicie iniciativa, autonomia e interação entre todos, e que o espaço e os livros estejam ao alcance de todos os alunos.

Vale salientar a importância de que os professores estejam em constante formação, atualizando-se, para garantir uma educação de qualidade, respeito e seriedade à formação do ser humano, ou seja, a criança. Cabe ressaltar também o apoio da comunidade escolar e do gestor, além dos pais e/ou responsáveis para que a leitura aconteça na escola e respectivamente em casa, algo que verificou não ter ocorrido plenamente.



O trabalho realizado constatou-se que tem que valorizar o aluno e ser coerentes e responsáveis com o trabalho pedagógico no que diz respeito a alfabetização das crianças por meio das histórias infantis, pois tudo de bom que a escola pode oferecer é a leitura.

REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobiches. 2º. ed. São Paulo: Scipione, 1991.
BETTELEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
BONAVENTURE, J. O que conta um conto?. 5. ed. São Paulo:Paulus, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 1998.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & Linguística. 6ª ed. São Paulo: Scipione, 2007.
COELHO, Betty. Contar Histórias Uma Arte Sem Idade. São Paulo. Ática, 2002.
CORSO, D.L; CORSO, M. Fadas no divã. Porto Alegre: Artmed, 2006.
SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1985.


Universitári@ - Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 3., n.7, jul/dez de 2012



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