Uso da internet por usuários de bibliotecas acadêmicas angela Maria Belloni Cuenca



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USO DA INTERNET POR USUÁRIOS DE BIBLIOTECAS ACADÊMICAS
Angela Maria Belloni Cuenca (abcuenca@usp.br), Cecília Moraes (rebeca@edu.usp.br), Cybelle de Assumpção Fontes (cybelle.fontes@fob.usp.br), Daisy Pires Noronha (daysinor@usp.br), Márcia Elisa Garcia de Grandi (megrandi@usp.br), Maria Cristina Olaio Villela (mvillela@epbib.usp.br, Maria Imaculada Cardoso Sampaio (isampaio@usp.br), Roberto Barsotti (barsotti@usp.br)
Grupo de Estudos Usuários da Informação do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência: Universidade de São Paulo

Instituto de Psicologia -

Serviço de Biblioteca e Documentação

Av. Prof. Mello Moraes, 1721


05508-900- São Paulo - SP
Resumo
As bibliotecas constituem-se em importante suporte para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa nas universidades. Com os avanços tecnológicos no acesso à informação vem se observando alterações no comportamento dos usuários nas bibliotecas universitárias quanto às suas necessidades de informação. Ao mesmo tempo em que essas bibliotecas tentam acompanhar tais mudanças, torna-se um grande desafio propiciar meios e serviços adequados para que seus usuários consigam a informação pertinente de maneira rápida e eficaz. Um dos caminhos para se enfrentar o desafio é conhecer o que a biblioteca pode e deve disponibilizar à sua comunidade, em termos de acesso à informação por meios eletrônicos. A proposta desse estudo é a definição de critérios sistêmicos para o uso da Internet nas bibliotecas da Universidade de São Paulo, a partir da análise de como a Rede está sendo utilizada pelos usuários do Sistema. Com esse objetivo, está sendo desenvolvido um estudo exploratório em que, mediante a identificação das características das bibliotecas do Sistema, quanto à categoria de usuários, área, recursos e acervos disponíveis, será feito um levantamento do uso da Internet, segundo a opinião dos bibliotecários e do próprio usuário. A pesquisa conta com a assessoria do Centro de Estatística Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, para o suporte na definição da amostra e na análise e interpretação dos dados.

Eixo Temático: Usuários da Biblioteca Universitária

1 Introdução

As mudanças que a Internet vem provocando nas atividades de ensino e pesquisa influenciaram definitivamente o comportamento do usuário da informação e, cada vez mais, as pessoas adotam o instrumento em seus ambientes de estudo e trabalho. À medida que aumenta a demanda pelos modernos recursos, novos caminhos para a disponibilização de informação na rede são descobertos e, imediatamente, colocados em operação, agregando valores incalculáveis ao maior e mais importante veículo de comunicação e transmissão de informação de todos os tempos.

A pesquisa acadêmica, por envolver diretamente o processo de criação e transmissão do conhecimento, aparece como a atividade que maiores benefícios pode retirar dessa tecnologia emergente. Como bem diz Gonzaga,

A Universidade, como fonte geradora de conhecimento, pode e deve empregar sempre os principais recursos disponíveis para uma melhor difusão do conhecimento e democratização da informação, podendo colaborar de maneira eficaz na preparação de profissionais para uma melhor competição num mercado mundial, (1999, p.69).


Sem dúvida, espera-se da Universidade uma postura de vanguarda na utilização e disponibilização dos recursos da tecnologia da informação, garantindo as condições para que alunos, professores e pesquisadores adquiram informações atualizadas e com rapidez, pois é a informação o insumo básico na geração do novo conhecimento.

Enquanto suporte essencial às atividades de ensino e pesquisa, espera-se das bibliotecas a mesma postura pró-ativa diante das inovações tecnológicas, uma vez que, pela natureza do objeto de seu trabalho, é a biblioteca que se encontra nesse epicentro tecnológico.

Diversas características tornam a Internet fonte única e complexa, trazendo novas possibilidades e implicações decorrentes do seu uso. Dentre as várias características da rede, destacam-se a sua abrangência mundial e rapidez na disseminação de dados, que possibilitam, por exemplo, o envio quase instantâneo de mensagens a qualquer parte do mundo.

Outras fatores, também importantes, influenciam na questão do uso da Internet, como por exemplo: 1) grande variedade de recursos e informação disponíveis; 2) ausência de controle e organização das informações; 3) segurança e privacidade.

De acordo com Gomes (1998), vários recursos encontram-se disponíveis na rede, tais como: a) recursos informacionais: bases de dados e catálogos de bibliotecas, conjugados com serviços de comutação para solicitação de texto completo; textos completos (periódicos, anais, livros, teses), catálogos de livrarias, calendário de eventos; b) recursos de Interação entre pesquisadores: salas de conversação (chat), correio eletrônico (e-mail), listas de discussão e fóruns eletrônicos (news). Pode-se acrescentar à relação da autora o acesso a sistemas de hipertexto e hipermídia, via WWW, acesso remoto a outros computadores (telnet), transferência de arquivos (FTP) e os ambientes virtuais (MUD e MOO).

À medida que o uso da Internet se expande para todos os setores da sociedade, incluindo-se as Universidades e suas bibliotecas, surgem dois pontos principais de análise: como se dá a utilização da Internet e para que a rede é utilizada. É nesse sentido que os estudos sobre o estabelecimento de políticas e formas de utilização da Internet e seus recursos ganham relevância.



2 Políticas de Uso da Internet

O uso da Internet vem sendo norteado por políticas que buscam, também, resguardar as instituições ou empresas de questões legais, ou mesmo, controlar o uso de recursos e do tempo dos funcionários; em algumas a questão da privacidade dos usuários é considerada. Essas políticas estão presentes tanto em ambientes empresariais como no meio acadêmico, chegando então, às bibliotecas.

Assim como em ambientes empresariais, as implicações do uso da Internet podem ser aplicadas para os demais ambientes. Foresti (1999) comenta que o uso do correio eletrônico é uma “ferramenta de produtividade”. No entanto, aponta que, segundo o Gartner Group, “o número de mensagens irá dobrar a cada ano, até 2002, e que esse aumento irá diminuir a produtividade de mais de 60% dos usuários”.

Buscando políticas de uso no ambiente de trabalho, Wulffson (1999a) apresenta algumas questões sobre o uso de computadores, do correio eletrônico e da Internet, voltando seu enfoque para o uso inadequado dessas tecnologias e as conseqüências para a instituição empregadora. Ao citar os pontos mínimos para políticas de uso desses recursos, o autor aponta a dificuldade em se estabelecer critérios e vigilância de uso dos mesmos, sem ferir as questões da privacidade do empregado. Algumas políticas já são adotadas em muitas empresas e o uso impróprio da rede já tem sido utilizado como justificativa para a demissão de funcionários, como é o caso da Xerox (EDUPAGE, 1999b).

Em ambientes acadêmicos, a principal tônica gira em torno dos objetivos estabelecidos para a utilização da rede, que estão diretamente ligados ao ensino, pesquisa a extensão universitária. Nessas circunstâncias, o acesso à Internet é oferecido (geralmente) de forma gratuita, e em alguns casos com acesso dedicado, 24horas por dia.

A pesquisa sobre a adoção de políticas de uso da Internet em ambientes acadêmicos realizada por Fleck Jr. e McQueen (1999), da Columbus State University (CSU), identificou experiências no controle e uso da Internet junto a diretores de centros de computação de instituições públicas e particulares de ensino superior. O autores notaram que quanto às políticas de uso da Internet e de computadores, praticamente metade das instituições desenvolveu alguma forma de limite ou controle, enquanto a outra parcela evita monitorar o uso. Esse controle, quando existente, é realizado, em sua maioria, através do pessoal da própria instituição.



2.1 Políticas de Uso da Internet em Bibliotecas

A questão de regulamentação do uso da Internet nas bibliotecas também tem sido tema de ampla discussão, principalmente nos Estados Unidos, onde a preocupação maior concentra-se no acesso a material considerado “obsceno” para crianças; logo, o estabelecimento de políticas de uso e a adoção de filtros na rede recaem, especialmente, sobre as bibliotecas públicas daquele país.

Kessler (1999a) oferece bibliografia sobre o assunto, relacionando também as políticas adotadas nas bibliotecas de diferentes Estados (Kessler, 1999b), que variam desde a restrição ao uso dos computadores para correio eletrônico e bate-papo até à utlização de processadores de texto ou manutenção de páginas na Internet; outras políticas proíbem o acesso a material “obsceno” ou “pornográfico” e adotam o uso de programas de filtros ou bloqueio a esses sites. A maioria, no entanto, esclarece a natureza da Internet e delega aos usuários a responsabilidade pelo material acessado, comunicando ainda, que a biblioteca não restringirá o acesso a nenhum tipo de material, a pedido de grupos ou pessoas.

Grande parte dessas bibliotecas busca seguir as diretrizes da American Library Association (ALA). Em 1996, essa associação baseou-se em sua “Declaração dos Direitos das Bibliotecas” - Library Bill of Rights - para estabelecer a política de “Acesso a Informações Eletrônicas, Serviços e Redes” - Access to Electronic, Information, Services, and Networks (ALA 1999a,b). Dentre outros itens, ficaram explícitos os direitos de acesso à informação ou fontes de informação e à privacidade a todos os usuários, delegando (especialmente aos pais e responsáveis por crianças) a responsabilidade pela orientação quanto ao acesso à informação.

Extensos trabalhos foram escritos por Bastian (1997) e Minow (1997) sobre o uso de filtros nas bibliotecas públicas dos Estados Unidos. Novamente, a própria ALA, em 1997, publicou uma Resolução e Declaração, onde o uso de filtros é considerado como uma violação à Declaração dos Direitos das Bibliotecas (ALA, 1997a,b). Além da própria ALA, outras organizações e grupos lutam contra a existência de filtros nas bibliotecas1. O maior argumento é que esses programas, muitas vezes, também bloqueiam sites úteis. No entanto, continuam as pressões para que as bibliotecas adotem alguma forma de controle (EDUPAGE, 1999a).

O conteúdo das informações não é o maior problema enfrentado, Weessies e Wales (1999) apontam que os terminais nas áreas de referência das bibliotecas têm sido usados para outras atividades, além da pesquisa, tais como: jogos, “bate-papos”, envio de mensagens e outros. Após levantamento realizado em bibliotecas acadêmicas de médio porte dos Estados Unidos, as autoras verificaram que cerca de metade dessas bibliotecas tem políticas escritas sobre o uso da Internet, restringindo, em sua maioria, o uso de correio eletrônico, bate-papo e jogos; metade restringiu a visão de “pornografia” na área da referência.

O Brasil ainda é carente de trabalhos dessa natureza. Por tratar-se de evento recente e como as bibliotecas universitárias são, no país, aquelas que mais se desenvolveram na automação de serviços e uso da Internet, tornam-se o ambiente ideal para o levantantamento dessa importante questão.

2.2 A Utilização da Internet no Meio Acadêmico

Diferentes abordagens vêm sendo utilizadas para analisar o uso de redes eletrônicas, incluindo-se a Internet e seus recursos. Desde os anos 70, essas pesquisas encontram-se dispersas "em vários campos, como estudos de informação e comunicação, ciência da computação” (Savolainen, 1998, p.332), havendo ainda o interesse por parte de "educadores, cientistas da informação, profissionais de informática, administradores e antropólogos" (Castellani, 1998, p.6).

Voltando-se para o uso da Internet na área universitária, inúmeros trabalhos buscam, junto aos pesquisadores, docentes e administradores, verificar as vantagens da utilização da Internet em suas atividades acadêmicas, analisando-se o uso da rede como ferramenta de informação e comunicação, e a correlação entre diferentes áreas do conhecimento, produtividade dos docentes, escola ou departamento. Restringindo-se aos trabalhos brasileiros pode-se citar Stumpf (1997), que verificou o uso da Internet entre os pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, enquanto Gonçalves e Marcondes (1998) analisaram os pesquisadores do Instituto de Física, da Universidade Federal Fluminense. Dentre as pesquisas realizadas na Universidade de São Paulo, estão as de Ferreira (1995), de Castellani (1998) e de Silva (1997).

De modo geral, esses trabalhos demonstram que a Internet vem sendo utilizada para a comunicação entre os pesquisadores, especialmente através do correio eletrônico; entretanto, encontram-se diferenças quanto ao uso e importância atribuída a esse novo recurso entre grupos do mesmo departamento e entre áreas de conhecimento, geralmente relacionando-se pela natureza da atividade desenvolvida pelos pesquisadores e pelo contexto e cultura organizacional do trabalho.


2.3 Uso da Internet em Bibliotecas


O uso da Internet nas bibliotecas tem sido analisado sob vários aspectos. O primeiro relaciona-se às vantagens oferecidas pela gama de informação e fontes disponíveis. Esse fato é realmente inegável e, enquanto local disseminador da informação, as bibliotecas tendem a incluir o acesso à Internet como mais um recurso dentre os serviços oferecidos.

Abordando diretamente o uso da Internet pelos bibliotecários, encontram-se vários trabalhos publicados, tanto no exterior como no Brasil. Esses trabalhos buscam identificar a freqüência de uso de diferentes recursos na Internet (Dumans, 1993; Torres M., 1996) ou de ferramentas específicas - listas de discussão (Terra, 1998) ou vídeo conferência (Pagell, 1996). Tem-se, ainda, pesquisas que buscam identificar o uso da rede entre grupos específicos de bibliotecários – os de bibliotecas especializadas (Ladner e Tillman, 1992), da área biomédica (Schilling e Wessel, 1996), e universitária (Bertholino e Oliveira, 1998) ou entre redes de informação (Landini, 1998).


Verificando-se o uso da Internet por usuários, diversos trabalhos citam a oportunidade e a ação dos bibliotecários no treinamento da comunidade (Schilling e Wessel, 1996; Torres M., 1996; Bell, 1997). Quanto à análise específica de usuários de bibliotecas, são poucos os trabalhos publicados e o contexto brasileiro carece de pesquisas dessa natureza. Um desses trabalhos é o de Bao (1998), que analisou a satisfação dos usuários com relação aos serviços de informação através da Internet.

3 Justificativa e Proposição


Na Universidade de São Paulo (USP), o acesso à Internet está disponível desde 1991, via USPNet – Rede de Serviços da USP - (USP.USPNet, 1999a,b). Buscando regulamentar o uso de seus computadores e de sua rede, a USP, em 1995, através do Centro de Computação Eletrônica (CCE), estabeleceu as “Normas para Usuários do CCE/USP” (USP.CCE, 1995). Essas normas advertem sobre a necessidade de se observar o copyright das informações da rede e a proibição da divulgação de material considerado ofensivo e abusivo. Em 1997, a USP (1997) publicou os "Princípios Éticos para o Uso de Computadores na USP", estabelecendo como "direitos básicos" a "privacidade" e o "acesso adequado aos recursos computacionais compartilhados". Além de determinar o uso de recursos e equipamentos, a portaria aponta algumas questões de uso da rede, como a identificação do remetente nas mensagens enviadas (inciso III) e o caráter confidencial de todo o tráfego na rede (inciso IV), determinando ainda o uso desses recursos em atividades de ensino, pesquisa e extensão (inciso X).

Em consonância com os objetivos da universidade, o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP), consciente de seu papel decisivo nesse cenário, instituiu, em outubro de 1997, a Rede de Serviços do SIBi/USP (SIBiNet), tornando possível o acesso através da Internet ao Banco de Dados Bibliográficos da USP – DEDALUS e outros serviços de informação para as bibliotecas e comunidade acadêmica da USP, bem como para os demais pesquisadores e instituições do país e exterior, via Internet. Ao mesmo tempo, através de projetos financiados pela Fundação de Amparo de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), as bibliotecas da USP equiparam-se em parque tecnológico e estrutura de rede. Impulsionado pela facilidade da fibra ótica, o acesso à rede tornou-se possível durante todo o período de funcionamento das bibliotecas.

Com a crescente utilização, a partir da transferência completa de seu banco de dados bibliográfico (DEDALUS) para a Internet e a virtualização dos serviços oferecidos pelo Sistema, as bibliotecas passaram a se preocupar com a definição de critérios sistêmicos para nortear o uso da Internet pela comunidade.

Os critérios estabelecidos para o uso de computadores na Universidade (USP.CCE, 1995; USP, 1997), em sua maioria, referem-se ao uso desses equipamentos em ambientes como salas de aula ou salas de computação, onde o acesso é restrito ao pessoal da Universidade. No entanto, nas bibliotecas, muitos computadores são de uso público e com acesso à Internet; as bibliotecas e sua direção necessitam precaver-se contra o uso inadequado desses recursos, por exemplo, o envio de mensagens abusivas a partir de se seus terminais.

Nesse sentido, o Grupo de Estudos Usuários da Informação do SIBi/USP, equipe composta por bibliotecários de diversas Unidades, cuja missão é a de oferecer apoio às atividades do Sistema ligadas diretamente aos usuários, sugeriu o presente estudo, que a partir dos dados levantados pretende conhecer os critérios locais e propor critérios sistêmicos para o uso da rede nas bibliotecas do Sistema.

4 Objetivo

O presente estudo em andamento, de caráter exploratório, visa definir critérios para o uso da Internet nas bibliotecas da Universidade de São Paulo, a partir da identificação do perfil das bibliotecas do Sistema, do conhecimento dos critérios adotados pelas bibliotecas quanto à utilização da Internet pelos seus usuários, e da opinião do usuário sobre sua necessidade de Internet na biblioteca.


5 Método


Para o conhecimento dos possíveis critérios adotados pelas bibliotecas, quanto à utilização da Internet pelos usuários, o universo da pesquisa foi constituído pelo conjunto das bibliotecas que compõem o SIBi/USP e por usuários do Sistema. As bibliotecas foram categorizadas dentro das três grandes áreas do conhecimento, adotando-se os princípios estabelecidos pela USP, sendo 18 da área de Ciências Biológicas, 11 da área de Ciências Exatas e 10 da área de Ciências Humanas, distribuídas nos campi das cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Bauru, Piracicaba e Pirassununga. Vale ressaltar que a biblioteca do Centro de Biologia Marinha encontra-se em processo de reorganização, não possuindo bibliotecário responsável.

A definição da amostra dos usuários será estabelecida a partir do perfil das bibliotecas, contando-se, para tanto, com a assessoria do Centro de Estatística Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística da USP.



6 Perfil das Bibliotecas do SIBi/USP

Embora operando de forma sistêmica, as bibliotecas da USP apresentam características muito diferenciadas, variando de acordo com a política interna de cada unidade e especificidades da área. Tais particularidades vêm cedendo espaço para ações mais coordenadas; pois com a instalação da SIBiNet/Biblioteca Virtual o ambiente informacional das bibliotecas foi unificado, e a recuperação e acesso à informação passaram a ser efetuados nas bibliotecas a partir do acesso a redes locais e remotas.

Na tentativa de se conhecer o processo que envolve esse acesso, considera-se essencial para este estudo a definição do perfil das bibliotecas do Sistema, através da análise de semelhanças e diferenças entre as mesmas, contribuindo, assim, para o estabelecimento de critérios sistêmicos. Dessa forma, para a definição desse perfil foram levantados dados quanto ao acervo ( tipo de acesso e volume), área destinada aos usuários, número de horas reservadas para o atendimento, usuários inscritos e computadores disponíveis para o público.

Os dados referentes ao número de horas reservadas para o atendimento, volume do acervo e número de usuários inscritos foram obtidos diretamente do Anuário USP (1999) e os de acesso ao acervo, área destinada aos usuários e número de computadores disponíveis, os dados foram fornecidos pelas bibliotecas. A análise refinada dos dados obtidos será efetuada com a assessoria de especialista do Instituto de Matemática e Estatística da USP e permitirá a definição da amostra ideal de usuários que fundamentarão a conclusão deste trabalho. Além disso, propiciará a obtenção de parâmetros que poderão auxiliar no estabelecimento de critérios a serem adotados pelas bibliotecas em relação ao uso da Internet. Para tanto há a necessidade de se considerar, também, o número de computadores e horas reservados para o acesso à Internet, relacionando-o com o número de usuários desses computadores.


7 Resultados Preliminares


Para se conhecer os possíveis critérios estabelecidos para nortear o uso da rede pela comunidade foi encaminhado questionário aos Diretores de 38 bibliotecas do SIBi/USP, que procurou levantar dados a respeito dos procedimentos já adotados em relação ao uso da Internet, assim como as sugestões para implementação de ações e critérios sistêmicos.

Primeiramente, procurou-se verificar os critérios estabelecidos quanto à utilização da Internet pelas diferentes categorias de usuários.

Do total de 31 bibliotecas que responderam ao questionário, setenta e um por cento das bibliotecas da área de ciências biológicas declaram possuir alguma forma de controle, na área de exatas 80% das respostas foram afirmativas, enquanto 50% das bibliotecas da área de humanas possuem critérios já estabelecidos.

Os resultados obtidos serão objetos de estudo na próxima etapa deste trabalho quando se enfatizará a relação entre as três áreas do conhecimento, apresentando-se graficamente os escores identificados.

Com um breve resumo das respostas fornecidas pelos bibliotecários pode-se identificar e salientar alguns pontos como o acesso ao DEDALUS, que deve ser assegurado para todas as categorias de usuários das bibliotecas, da USP e de outras instituições.

O acesso a catálogos de outras instituições também foi considerado um fator de relevância a ser ponderado nas diversas categorias estudadas, enquanto o acesso às bases de dados bibliográficos é apontado sem restrições por 100% das bibliotecas analisadas, ficando as restrições limitadas à comunidade externa à USP.

O acesso aos dados estatísticos apresenta escores bem menos representativos em todas as categorias, da mesma forma que o acesso aos periódicos eletrônicos. Vale destacar que a área de Ciências Biológicas, apresentou o menor índice (14%) de uso desse recurso, sendo os docentes da área os responsáveis por esse índice.

A consulta ao site da própria biblioteca recebeu respostas variadas, de acordo com a categoria e área do conhecimento. O acesso aos sites de outras bibliotecas também apresenta variações nas respostas das bibliotecas.

As maiores restrições feitas por todas as bibliotecas consultadas concentram-se no uso da Internet para participação em grupos de discussão, acesso ao correio eletrônico e conversação (chats). Todas as bibliotecas da área de exatas proíbem, para todas as categorias, o uso dessa última modalidade.

O segundo aspecto a ser considerado no estudo foi o tempo permitido para acesso à Internet pelos usuários das bibliotecas do sistema. A Figura 1 demonstra os resultados obtidos, de acordo com as áreas do conhecimento.

F
igura 1 – Tempo Permitido para Acesso à Internet

Os dados evidenciam que a maioria das bibliotecas nas três áreas do conhecimento não estabelece um controle rigoroso do tempo permitido para uso da Internet. As observações colocadas pelas Diretorias apontam para uma diversificação, determinada por fatores circunstanciais, tais como: demanda de uso, tipo de pesquisa conduzida pelo usuário, número de equipamentos disponíveis. Entre as bibliotecas das áreas de Humanas e Biológicas aparecem os maiores índices de restrição quanto ao tempo de acesso, em contraposição à área de Ciências Exatas, que apresenta maior flexibilização no uso.

A Figura 2 aponta as propostas das bibliotecas em relação ao tempo médio a ser observado pelo usuário no acesso à Internet.

F
igura 2 – Tempo Médio Sugerido para Acesso à Internet


Os resultados revelam uma maior tendência entre as bibliotecas da área de Humanas em manter um período mais restrito de acesso à Internet. Nas áreas de Biológicas e Exatas há um número maior de sugestões para o limite de até uma hora de uso.

As novas tecnologias de recuperação e disseminação da informação, das quais a Internet figura como expoente máximo, exigem a implementação de programas contínuos de capacitação e auxílio aos usuários. Nesse sentido, procurou-se, também, obter dados sobre iniciativas já em andamento nas bibliotecas. O Quadro a seguir fornece um cenário do apoio que vem sendo oferecido pelas bibliotecas do SIBi/USP ao usuário no acesso aos recursos informacionais via Internet.

Quadro – Apoio ao Usuário no Acesso à Internet




Folhetos

Treinamentos

Bibliotecário

Outros

Biológicas

7

11

13

2

Exatas

6

7

9

2

Humanas

4

3

6

2

Considerações finais


Embora em andamento, a pesquisa sobre o uso da Internet entre os usuários das bibliotecas do SIBi/USP já permite observar que as bibliotecas estão definindo seus próprios critérios para o uso da Rede, o que confirma a necessidade de diretrizes sistêmicas para o oferecimento desse importante serviço.

Notam-se diferenças quanto às opiniões dos bibliotecários em relação à restrição do uso da Rede pelos usuários, sendo que o tempo de acesso ainda não está completamente definido em nenhuma das três áreas do conhecimento. O tempo ideal sugerido para o acesso à Rede foi predominante para o intervalo entre 30 a 60 minutos, sendo que as áreas de Biológicas e Humanas priorizaram o limite de uma hora para acesso, em relação à área de Humanas que acusou um grande número de respostas para o item “outro”.

A análise refinada do perfil das bibliotecas, sua comparação com as respostas das bibliotecas e o confronto com a opinião do usuário permitirá um panorama do uso da Internet nas bibliotecas da USP, possibilitando identificar se as necessidades e expectativas dos usuários, em relação à utilização desse recurso informacional, estão sendo atendidas satisfatoriamente pelas bibliotecas do SIBi/USP.

Quanto aos critérios para uso da Internet, sabe-se de antemão sua importância para a continuidade das atividades sistêmicas das bibliotecas e, certamente, a análise dos dados oferecidos pelo estudo facilitarão, em muito, sua definição e aceitação pela comunidade.


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1 Para maiores detalhes, consultar os seguintes sites: Peacefire.org. (Disponível URL: http://peacefire.org); Censorware & Filtering in Libraries (Disponível: Mid-Atlantic Infoshop site. URL: http://burn.ucsd.edu/~mai/library/shitlist.html).





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