UtilizaçÃo da ultra-sonografia no manejo reprodutivo de rebanhos bovinos



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UTILIZAÇÃO DA ULTRA-SONOGRAFIA NO MANEJO REPRODUTIVO DE REBANHOS BOVINOS
A ultra-sonografia, também denominada ecografia, é atualmente um método de diagnóstico largamente utilizado na medicina veterinária em todas as espécies, com vários objetivos. O uso desta técnica nos animais de produção iniciou-se nos anos 80 com a espécie eqüina, expandindo depois para outras áreas.

A onda sonora e a produção do ultra-som

O ultra-som ou ecógrafo é um aparelho eletrônico que envia ondas de alta freqüência e de baixa intensidade (ondas ultrasônicas) por meio de um dispositivo acoplado denominado “probe” ou sonda. Estas ondas são emitidas através de cristais piezoelétricos situados no próprio “probe”.

A onda sonora é um fenômeno vibratório que possui, como a onda luminosa, 3 características: a velocidade de propagação, a freqüência da vibração e a intensidade. A velocidade de propagação da onda é proporcional à densidade do meio atravessado por ela. Por exemplo, no tecido ósseo a velocidade de propagação é 3.360 m/segundo, enquanto na água é de 1497 m/segundo. A propriedade dos tecidos em propagar as ondas ultrasônicas é denominada de impedância, que é o produto da velocidade pela densidade do meio. Portanto, a impedância do tecido ósseo é superior à da água.
A freqüência de vibração representa o numero de oscilações/segundo e é expressa em Hertz (Hz). Em medicina veterinária, a gama de freqüências empregadas é de 3,5 a 10,0 MHz. A intensidade das ondas ultra-sonoras emitidas pelo aparelho é fraca e situa-se entre 0,001 e 0,1 Watt/cm2 sendo, portanto, sem perigo para o animal examinado. Tendo em conta estas intensidades e o tipo de tecido explorado, a distância de penetração dos ultra-sons varia de 4 cm para uma freqüência de 10 MHz a 30 cm para uma freqüência de 1 MHz. Os ultra-sons de alta freqüência têm, portanto, uma menor penetração que os de baixa freqüência. Quanto maior a freqüência, melhor será a resolução e a qualidade da imagem obtida.

Princípio básico da ultra-sonografia

As ondas penetram nos tecidos sendo devolvidas como ecos, os quais são captados pelo mesmo cristal e transformados no aparelho em pontos brilhosos que aparecem no monitor. Quanto maior a reflexão por parte do tecido, mais brilhantes são os pontos formados. Cada tecido tem diferentes graus de econgenicidade (geração de eco) e, segundo a quantidade de ecos que refletem dependendo da impedância do tecido, podem ser denominados de hiper ou hipo ecogênicos ou ainda, anecogênicos (sem ecogenicidade). A imagem anecóica formada apresenta uma escala de coloração que varia do cinza ao preto, esta última característica dos líquidos límpidos. A imagem hiperecóica apresenta um branco intenso como no caso dos ossos compactos, os quais refletem todos os ecos e podem também dar imagem espelhada e artefatos (imagens não reais).


Vários são os tipos de sondas: transabdominal, endocavitária e transretal com freqüência de 3,5 a 10 MHz. Na fêmea bovina, empregam-se sondas transretais com freqüência de 5.0, 6.0 e 8.0 MHz, sendo estas selecionadas em função do tipo de exame a ser realizado (diagnóstico de prenhez ou monitoramento da atividade ovariana).

Importância da ultra-sonografia para o manejo reprodutivo

A utilização do ultra-som tem possibilitado um melhor controle do manejo reprodutivo do rebanho através de exames clínicos como diagnóstico precoce e acompanhamento da gestação; avaliação do desenvolvimento folicular e corpo lúteo e patologias do trato reprodutivo feminino e masculino (sexagem do feto; ocorrência de gestações múltiplas, etc.).


O incremento da produtividade dos rebanhos leiteiros é função não somente da produção obtida/vaca mas também de um adequado desempenho reprodutivo. O aumento na capacidade de produzir leite dos animais, obtida através de aprimoramento nas técnicas de manejo e seleção, deve ser acompanhada por melhorias significativas dos índices reprodutivos e esta premissa é tão mais evidente quanto maiores as médias de produção atingidas pelas matrizes. No início da lactação, a evolução da produção de leite geralmente não é acompanhada por aumentos no consumo de matéria seca, resultando em um balanço energético negativo, redução da atividade ovariana e, consequentemente, das taxas de concepção. Portanto, a integração entre os aspectos relacionados à produção de leite e reprodução deve ser conhecida quando são desenvolvidas estratégias que visam melhorar a produtividade dos rebanhos.

Após o parto, portanto, a atividade dos ovários e o processo de regressão uterina devem ser monitorados a fim de avaliar as relações entre o manejo nutricional, condição corpórea e reprodução. A ultra-sonografia permite ainda determinar a idade do feto, assim como o sexo. Em vacas, a presença do embrião e identificação dos batimentos cardíacos podem ser determinados 30 dias após a cobertura ou inseminação com 100% de acurácia. A sexagem do embrião é também realizada entre 60 e 75 dias após o serviço, com aproximadamente 95% de eficiência.


O diagnóstico precoce da gestação em vacas leiteiras objetiva principalmente identificar as fêmeas prenhes pós-inseminação, separando-as das não prenhes o quanto antes. Matrizes que não conceberam no primeiro serviço ou que apresentaram, no pós-parto, distúrbios reprodutivos (cistos ovarianos, corpo lúteo persistente, endometrites, etc.) são detectadas com maior precisão, o que contribui para o estudo das potenciais causas destes problemas. A avaliação do escore corporal, nível nutricional, produção de leite e atividade dos ovários, associada ao histórico do animal, são importantes ferramentas para se definir as estratégias de manejo reprodutivo. Portanto, o diagnóstico da função reprodutiva e utilização do ultra-som, associado a um sistema informatizado de controle zootécnico, possibilita um acompanhamento mais eficiente dos eventos reprodutivos e melhoria das taxas de concepção.
Prof. Airton Alencar de Araújo, Departamento de Zootecnia (UFC); Faculdade de Medicina Veterinária (UECE)

Prof. Arlindo de Alencar Araripe Moura, Departamento de Zootecnia (UFC)

Diferentes idades gestacionais em fêmeas bovinas da raça Parda Suíça, criadas na Fazenda Experimental Vale do Curu
Departamento de Zootecnia – UFC – CCA





26 dias de gestação

26 dias de gestação

50 dias de gestação




50 dias de gestação

120 dias de gestação

120 dias de gestação


Sites - Ultrasonografia
http://www.exnet.iastate.edu/Pages/ansci/ultrasound/
http://www.piemedical.com/vet_edu.html
http://edis.ifas.ufl.edu/AN113
http://www.fass.org/fass01/pdfs/Fricke.pdf

Bibliografia indicada
1. BOYD, J.S., OMRAN, S.N., AYLIFFE, T.R. Use of a high frequency transducer with real time B-mode ultrasound scanning to identify early pregnancy in cows. Vet. Rec. 1988, 121:8 11.
2. BOYD, J.S., OMRAN, S.N., AYLIFFE, T.R. Evaluation of real time B mode ultrasound scaning for detecting early pregnancy in cows. Vet. Rec. 1990, 127:350 352.
4. FISSORE, R.A. et al. The use of ultrasonography for the study of the bovine reproductive tract. II. Non pregnant, pregnant and pathological conditions of the uterus. Anim. Reprod. Sci. 1986, 12: 167-177.
5. REEVES, J.J. et al. Transrectal real-time ultrasound scanning of the cow reproductive tract. Theriogenology, 1984, 21:485-494.
6. PIETERSE, M.C. et al. Early pregnancy diagnosis in cattle by means of linear array real-time ultrasound scanning of the uterus and a qualitative and quantitative milk progesterone test. Theriogenology. 1990 , 30 : 697-707.
7. PIERSON, R.A. and GINTHER, O.J. Ultrasonography for detection of pregnancy and study of embrionic developement in heifers. Theriogenology. 1984, 22 : 225-233.
8. PIERSON, R.A., K.ASELIC, J. And GINTHER, O.J. Basic principles and techniques for transrectal ultrasonography in cattle and horses. Theriogenology. 1988 , 29 : 3-19.


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