V semana de letras linguagens e entrechoques culturais



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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA – UEPB – CAMPUS IV

V SEMANA DE LETRAS – LINGUAGENS E ENTRECHOQUES CULTURAIS

LÍNGUA, LITERATURA E CULTURA BRASILEIRA

21 a 23 de setembro de 2010

OS IMPLÍCITOS CONFORME A SEMÂNTICA FORMAL, ARGUMENTATIVA E COGNITIVA: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Aleise Guimarães Carvalho

Universidade Estadual da Paraíba – UEPB


Resumo
A Semântica é uma ciência lingüística que busca compreender o sentido da linguagem por meio de significado. Escolhemos três semânticas como foco para o estudo neste trabalho. É por meio do estudo destas três semânticas escolhidas (semântica formal, semântica argumentativa e semântica cognitiva) que se pode identificar alguns aspectos lingüísticos inseridos em textos de maneira implícitas, são os implícitos pressupostos e subentendidos. O professor de Língua Portuguesa por sua vez, pode inserir estes estudos em suas aulas ao passo que estes possibilitam maior entendimento dos sentidos os textos e desta maneira auxiliam na compreensão da mensagem ocasionando uma leitura proficiente. Este trabalho analisa algumas frases publicadas na coluna Panorama da Revista VEJA e lança uma sugestão para aula de interpretação textual da disciplina de Língua Portuguesa a partir das contribuições das três semântica citadas anteriormente.

Palavras chave: Semânticas; sentidos; ensino.


Introdução

A Semântica é uma ciência lingüística que busca compreender o sentido da linguagem por meio de significado, mas como entender algo tão complexo e tão subjetivo quanto o significado? A busca por este entendimento e a busca para a resposta a essa pergunta, gerou vários estudos. Com o desenvolvimento das conclusões resultantes dos estudos, a Semântica apresentou várias tendências, cada um abordando seu ponto de vista em relação ao significado e o sentido de maneira própria e diferente.

“Há várias semânticas. Cada uma elege a sua noção particular de significado, responde diferentemente à questão da relação linguagem e mundo e constitui, até certo ponto, um modelo fechado, incomunicável com outros.” (OLIVEIRA, 2001, p. 18) O foco do nosso trabalho é tratar de apenas três destas muitas Semânticas: a Formal, a Argumentativa e a Cognitiva. É interessante ressaltar que estas Semânticas surgem seqüencialmente para acrescentar uma à abordagem da outra, e não contradizer ou negar a teoria já existente.

Portanto, é com base no estudo destas três Semânticas que este trabalho tem como objetivo discutir as abordagens de cada uma delas analisando os implícitos conhecidos como pressuposto e subentendido e ainda perceber como o professor de Língua Portuguesa pode inserir este conteúdo em sala de aula.

Para esta análise, utilizaremos como exemplo frases publicadas pela Revista Veja na coluna Panorama. Esta coluna publica as mais comentadas frases ditas por pessoas públicas durante a semana. Selecionamos três falas para utilizarmos como corpus para este trabalho, são elas: fala de Ana Hickmann publicada dia 10 de março de 2010; fala da dançarina Eva Yerbabuena publicada dia 12 de maio de 2010; frase da atriz Adriana Birolli publicada dia 28 de outubro de 2010.


  1. OS IMPLÍCITOS CONFORME AS TRÊS SEMÂNTICAS

A Semântica Formal (SF) estuda o significado a partir das contribuições do estruturalismo, que considera a estrutura da língua o principal foco de seus estudos. Tendo como fundamento essa teoria, a SF considera o sentido como a relação da linguagem o significado com o que a língua faz referência no mundo. Para que a sentença tenha sentido, é necessário que conheçamos a verdade sobre ela, relacionando esta verdade ao mundo real, ou seja, devemos conhecer suas condições de verdade para que entendamos o significado. “A SF, portanto, se apóia no fato de que, se não conhecemos as condições nas quais as sentenças é verdadeira, não conhecemos seu significado.” (MULLER E VIOTTI, 2008, p. 139).

A condição de verdade é convencional, ou seja, é comum a todos os indivíduos usuários de uma determinada língua, ao passo que se admitirmos algo que não é lógico ao mundo real, o significado da sentença estará equivocado, ou seja, o sentido e o significado não serão aplicados a esta determinada sentença. Então, só constatamos que a sentença é verdadeira quando verificamos se esta está em conformidade com os fatores reais no mundo.

Os implícitos são trabalhados por esta Semântica da seguinte maneira: quando em uma sentença existir alguma informação além daquela que está exposta na sua estrutura, podemos entender que existe outro significado, este outro significado consideramos os implícitos.

A pressuposição é um tipo de implícito e apenas vai ser considerada pela SF se este conhecimento for partilhado pelo falante e pelo ouvinte. A pressuposição será aceita quando a primeira idéia tratar da verdade e a segunda não seja controversa, portanto a SF “considera que há pressuposição quando tanto a verdade quanto a falsidade da sentença dependem da verdade da sentença pressuposta.” (OLIVEIRA, 2001, p. 26).

Com relação ao subentendido, a SF não faz nenhuma referência. Os estudos com relação aos sentidos que estão como “pano-de-fundo”, vão evoluindo e serão abordados em teorias posteriores como é o caso do subentendido que será muito bem trabalhado pela Semântica da Enunciação, ou Semântica Argumentativa. É o que trataremos a seguir.

A Semântica Argumentativa (SA) considera a linguagem de acordo com o contexto que ela é exposta, podendo ser extraído sentido a partir da circunstância de ocorrência. Diferente da SF, a SA considera não apenas a veracidade dos fatos expressos em um determinado enunciado, mas também a intenção do falante, a situação em que este enunciado é formado, o ouvinte, o contexto, o tempo histórico. Portanto,

a linguagem, afirma Ducrot, é um jogo de argumentação enredado em si mesmo; não falamos sobre o mundo, falamos para construir um mundo e a partir dele tentar convencer nosso interlocutor da nossa verdade, verdade criada pelas e nas nossas interlocuções. (OLIVEIRA, 2001, p. 28)


A SA aborda dois tipos de implícitos, o subentendido e o pressuposto. Os implícitos são significados que estão “por trás” do que está posto no enunciado, ou seja, “há algo que está significado no que se diz que não está diretamente dito.” (GUIMARÃES, 2006, p. 135).

O pressuposto é identificado como um significado que está inerente ao texto, pertence ao sentido literal. É um implícito que não se pode duvidar da sua existência e da veracidade do sentido entendido através do enunciado. Para Ducrot, em um enunciado podemos extrair o ‘conteúdo posto’ que é o entendimento real, o verdadeiro, a afirmação que está dita na frase; o pressuposto que é a conclusão extraída a partir do posto; e o subentendido, que são os significados concluídos por meio dos aspectos extra-textos, conclusões formadas por cada leitor.

Todos os pressupostos que aparecem no sentido do enunciado estão já previstos na própria significação da frase […]. Ou seja, o pressuposto se transmite sempre da significação para o sentido. Já o subentendido se caracteriza pelo fato de não estar marcado na frase e ser fruto de um processo interpretativo. (GOMES, 2003, p. 132, grifos nossos)

Diferente das duas teorias da Semântica abordadas anteriormente, a Semântica Cognitiva (SC) nem trata da ‘condição de verdade’ e nem aborda o contexto da enunciação como argumentos para seu desenvolvimento, ela afirma que a linguagem surge de dentro para fora do indivíduo e não de fora para dentro como afirma as anteriores, ou seja, a SC não aceita que a linguagem é a referência que fazemos com o mundo, e nem que é a intenção da enunciação em um dado contexto ou o jogo de argumentação, mas “a significação lingüística emerge de nossas significações corpóreas, dos movimentos de nossos corpos em interação com o meio que nos circunda.” (OLIVEIRA, 2001, p. 34)

É com esta abordagem que a SC desenvolve o seu estudo sobre o significado afirmando ainda que este deriva de esquemas sensórios-motores e por serem corpóreos não são lingüísticos. O significado é construído mentalmente (‘esquemas imagéticos’) através da interação física do indivíduo com o meio ambiente.
Esses esquemas, organizações cinestésicas diretamente apreendidas, carregam uma memória de movimentação ou de experiência. É essa memória que ampara nosso falar e pensar. Por isso, o significado é uma questão da cognição em geral, e não um fenômeno pura ou propriamente lingüístico. (OLIVEIRA, 2001, p. 35)
Os implícitos também são estudados por esta Semântica. A formação da interpretação nasce a partir dos espaços mentais, que são “estruturas conceituais que descrevem como os falantes atribuem e manipulam a referência, dentre elas as descrições definidas.” (OLIVEIRA, 2001, p. 41) No instante da interpretação, o indivíduo constrói dois espaços mentais, cada espaço formado pela a associação de elementos de determinado conjunto imagéticos, esta atividade possibilita o entendimento e a informação implicitada nas frases, ou seja, a interpretação.


  1. ANALISANDO OS TEXTOS

Vejamos o exemplo da fala de Ana Hickmann (ver ANEXO 1). A modelo e apresentadora enunciou a seguinte sentença: “Eu me gosto muito mais hoje. E estou bem mais gostosa.”

Analisando estas frases, percebemos que existe um implícito, o de que antes ela não se gostava tanto quanto hoje. Para que constatemos a verdade desta pressuposição, devemos entender, conforme a SF, se esta idéia está relacionada à realidade, se esta informação está convencionada, ou seja, se é fato que antes Ana Hickmann não estava satisfeita consigo mesma tanto quanto atualmente.

O mesmo constatamos na fala da dançarina Eva Yerbabuena (ver ANEXO 2), a fala é a seguinte: “O que mais gosto no Brasil é a amabilidade das pessoas. E adoro picanha e feijoada.” Existe um implícito na primeira frase da fala da dançarina que é o de que ela gosta não só da amabilidade das pessoas, mas também de outras “coisas”. Logo após ela ter enunciado esta frase, Eva contesta a veracidade da pressuposição ao afirmar que adora feijoada e picanha, pratos da culinária brasileira. Para a SF, a pressuposição deste enunciado foi comprovada, pois a condição de verdade se comprovou na frase seguinte.

A fala da atriz Adriana Birolli (ver ANEXO 3), é a seguinte: “Acho que não nasci no lugar certo. Amo calor, praia. Nunca mais me mudo do Rio.” O implícito na fala da atriz é o de que ela na gosta do lugar onde nasceu porque lá não faz calor e não tem praia. Este pressuposto só será comprovado, segundo a SF, se realmente a veracidade da pressuposição for comprovada, ou seja, se realmente a atriz afirmar que não gosta de onde nasceu por causa destas características.

Levando em consideração que a SA não considera a ocorrência do enunciado se este não estiver em um contexto, passemos agora para a análise das mesmas falas segundo a SA.

Por meio do entendimento da teoria da SA, podemos concluir que existe uma marca lingüística na fala da modelo Ana Hickmann (ver ANEXO 1) que deixa nítido o entendimento do implícito pressuposto. A marca lingüística é a palavra “mais”, que nas duas frases possibilita o pressuposto de que antes a Ana Hickmann não se gostava tanto quanto hoje, entendimento este extraído do posto de que hoje ela se gosta. Este entendimento também é intensificado pelo advérbio “muito” na primeira frase e pelo advérbio “bem” na segunda frase. Estas palavras somadas com a palavra “mais” formam duas locuções adverbiais que exprimem a idéia pressuposta.

Podemos entender como subentendido deste enunciado, o de que Ana Hickmann não se achava tão atraente; não era satisfeita com o corpo; não se achava tão sensual; ela se achava feia, etc. Todos estes subentendidos são suposições que identificamos através do processo interpretativo, pode ser verdade ou não. Não precisamos entender a condição de verdade para poder extrair interpretações a partir de enunciados, mas o contexto, a situação e a intenção do enunciador é que irá comprovar a verdade ou a falsidade das interpretações.

Ao ler a parte inferior à fala da modelo e apresentadora (comentário da revista), constatamos que Ana Hickmann se posicionou desta maneira porque agora está com o corpo que obedece aos padrões impostos pela sociedade com relação ao corpo feminino. Esta constatação também é intensificada pela imagem da modelo que está localizada ao lado de sua fala (ver Anexo 1). Diante deste entendimento, podemos eliminar algumas das sentenças dos subentendidos, tais como a de que a modelo se achava feia, que não era satisfeita com o corpo, etc. Mas a comprovação da veracidade destes enunciados somente pode ser estabelecida por Ana Hickmann.

Segundo a SA, na primeira frase da fala da dançarina Eva Yerbabuena (ver ANEXO 2) existe um pressuposto de que ela gosta de outras “coisas” do Brasil, além da amabilidade das pessoas. Esta pressuposição se comprova pela palavra “mais”, visto que esta expressa uma idéia de intensidade, mas que não anula a pressuposição de que ela também gosta de outras “coisas” no Brasil. Encontramos apenas um único subentendido na fala da dançarina que é o seguinte: ela acha que nos outros países as pessoas não são tão amáveis quanto às pessoas do Brasil.

Já na fala da atriz Adriana Birolli (ver ANEXO 3), de acordo com a SA, interpretamos a sentença e constatamos que o pressuposto é o de que ela não gosta de morar no lugar em que nasceu. Este implícito só pode ser entendido como pressuposto por causa da expressão “não nasci no lugar certo”, pois a partir desta sentença podemos interpretar a pressuposição pela qual inferimos.

O subentendido que podemos interpretar a partir destas sentenças proferidas pela atriz Adriana é o de que ela não estava satisfeita quando morava no seu lugar natal; o lugar onde ela nasceu é muito frio; hoje ela se sente bem porque mora em um lugar quente e com praia.

A análise dos implícitos pela SC é bem mais complexa do que das demais, pois eles sempre serão tratados de maneira não muito concreta, mas mental. Contrapartida a análise dos textos que estamos utilizando como corpus, apenas um carrega algumas marcas que são bem trabalhadas por esta Semântica, como é o caso da metáfora, fator essencial para o nosso entendimento com relação aos implícitos. Por causa disto, para a análise com base na SC, apenas utilizaremos a sentença pronunciada pela apresentadora Ana Hickmann. Passemos para análise:

Na fala da modelo e apresentadora Ana Hickmann (ver ANEXO 1), notamos uma metáfora explicitada pela palavra ‘gostosa’. Essa palavra no seu sentido denotativo é um adjetivo que qualifica algo que sentimos através do sentido paladar, mas este conceito não está empregado na fala da modelo. A associação mental que fazemos por meio desta palavra nesta frase é a de beleza, formosura, corpo bonito de mulher.

Esta associação mapeada de um conceito para outro é o que a SC define como metáfora. Para Oliveira (2001, p. 35-36) a metáfora se define por ser o mapa entre um domínio da experiência e outro domínio, no caso do nosso exemplo, o domínio da experiência são os sentidos figurados para a palavra ‘gostosa’ e outro domínio é o sentido literal da palavra (adjetivo qualificador de algo sentido pelo paladar). Portanto, “a metáfora, para a Semântica Cognitiva, é um processo cognitivo que permite mapearmos esquemas, aprendidos diretamente pelo nosso corpo, em domínios mais abstratos, cuja experimentação é indireta.” (OLIVEIRA, 2001, p. 36)

Diante do entendimento da metáfora para a SC, será mais fácil entender o implícito ainda por meio dessa Semântica. Vejamos:

Eu me gosto muito mais hoje. E estou bem mais gostosa.”

Essas sentenças refletem a presença de dois esquemas imagéticos. O primeiro esquema é o conjunto ANA HICKMANN, e o segundo é o conjunto GOTOSA (levando em consideração a abordagem metafórica da SC).

Conjunto 1: Conjunto 2:

ANA HICKMANN ‘GOSTOSA’

Estes dois espaços mentais constituídos nos conjuntos acima ilustrados, relacionados com as sentenças da fala de Ana Hickmann, remetem à outra associação a de que antes a modelo não se gostava e não se achava tão atraente tanto quanto hoje. Esta associação é o que esta Semântica classifica como pressuposição. Entendemos que ocorreu a associação de dois espaços mentais: um que está a pressuposição de que antes Ana Hickmann não se gostava e não se achava tão atraente tanto quanto hoje; outro de que hoje ela é mais bonita.





  1. UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Diante de toda esta abordagem desenvolvida nos tópicos acima, percebemos que cada uma das Semânticas trabalha um aspecto próprio. A Semântica Formal trabalha bem as condições de verdades dos enunciados, a Semântica Argumentativa trabalha mais com o contexto que circunda o texto e a Semântica Cognitiva trabalha bem a metáfora.

Obviamente todos estes estudos são ferramentas para aperfeiçoamento do docente, não que estes estudos estejam desta maneira postos em aulas do ensino fundamental e/ou médio, mas através destes estudos o docente pode, de maneira adaptada, inseri-los em sala de aula.

Em todo o momento, ao analisar as sentenças da coluna Panorama da Revista Veja, utilizamos o processo de interpretação, ou seja, a todo instante atribuímos sentidos aos textos a fim de perceber os sentidos ocultos em cada enunciado. Este mesmo processo realizado em sala de aula pode se transformar em aula de leitura e interpretação, ou seja, ensino da língua. Azeredo (2007, p. 37) debatendo sobre o ensino da língua afirma que

todo o processo de ensino / aprendizagem da língua consiste, necessariamente, em ensinar / aprender a lidar com textos, produzindo-os, atribuindo-lhes sentido, observando como estão construídos e refletindo sobre esta construção.


O professor, ao optar pela análise Semântica em aulas de leitura e interpretação, opta também pela reflexão voltada para a produção de sentidos e para a compreensão dos usos das palavras. “A leitura / compreensão é produção de sentidos que implica uma resposta do leitor ao que lê; que se dá como ato interlocutivo num tempo e num espaço sociais.” (JURADO; ROJO, 2006, p. 39). É por meio deste trabalho que o aluno adquire a competência lingüística, de forma que este ao ler um texto, não lerá apenas decodificando-o, mas saberá interagir com o texto de maneira tal a conseguir inferir reflexões e até posicionamentos argumentativos.

Jurado e Rojo (Ibidem) tratando sobre o trabalho de leitura e produção afirmam que:

No contato com os textos, isto se traduz em ser capaz de refletir sobre as possibilidades de usos da língua, analisando os elementos que determinam esses usos e as formas de dizer: o contexto, os interlocutores, os gêneros discursivos, os recursos utilizados pelos interlocutores para dizer o dito e o não-dito.
O aluno só perceberá estes aspectos apontados por Jurado e Rojo, a partir do instante em que o professor decide trabalhar desta maneira, ou seja, a partir do momento em que o professor leva em consideração em suas análises textuais o entendimento do contexto discursivo, os interlocutores, os gêneros, os recursos utilizados pelos interlocutores. As Semânticas abordam todos estes aspectos que ajudará no desenvolvimento de aulas produtivas de leitura e interpretação.

UMA BREVE CONCLUSÃO

Com base nas contribuições dos estudos das três Semânticas (Formal, Argumentativa e Cognitiva) analisamos os implícitos (pressuposição e subentendido), cumprindo com a intenção objetivada na introdução. E foi por meio desta análise que constatamos que a SF privilegia a relação dos elementos do mundo com as sentenças, mostrando alguns dos espaços vazios que serão preenchidos pela SA, visto que esta aponta como fator principal a intenção do falante, relacionado com o entendimento do ouvinte, levando em consideração o contexto enunciado e os argumentos.

Poderíamos dizer que a abordagem da SA é mais completa, pois não só o que está na estrutura é analisado, mas também tudo o que envolve, ou seja, o que faz referência está associado e o que dele pode ser extraído como argumento e informação. Desta maneira, para se trabalhar em sala de aula, o professor pode se apropriar das contribuições dos estudos desta Semântica, somar com a contribuição da SC com relação à metáfora e as condições de verdade da SF e assim desenvolver um excelente trabalho de leitura e interpretação textual.

É diante de todo este estudo que entendemos o quanto é difícil construir um conceito para a palavra significado. Todas estas conclusões possibilitadas por três teorias distintas, mas que ao mesmo tempo se completam, não conseguem fechar em um conceito único, por isto concluímos que o estudo do significado e do sentido não é, e dificilmente será, um assunto de fácil abordagem e entendimento.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEREDO, José Carlos de. A quem cabe ensinar a leitura e a escrita? In: PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino; GAVAZZI, Sigrid (orgs). Da língua ao discurso: reflexões para o ensino. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. P. 31-42.

GOMES, Claudete Pereira. A Semântica Argumentativa. In: Tendências da semântica lingüística. Ijuí: Unijuí, 2003, p. 125-134.

GUIMARÃES, Eduardo. Semântica e Pragmática. In: GUIMARÃES, Eduardo; FONTANA, Mônica Zoppi (orgs). Introdução às ciências da linguagem: a palavra e a frase. Pontes Editores: Campinas, Sp, 2006, p. 113-146.

JURADO, Shirley; ROJO, Roxane. A leitura no ensino médio: o que dizem os documentos oficiais e o que se faz? In: BUNZEN, Clécio; MENDONÇA, Márcia (orgs). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola Editorial, 2006, p. 37-53.

MULLER, Ana Lúcia de Paula; VIOTTI, Evani de Carvalho. Semântica Formal. In: FIORIN, José Luiz (org). Introdução à lingüística: II Princípios de análise. 4.ed. São Paulo: Contexto, 2008. P. 137-159.

OLIVEIRA, Roberta Pires de. Semântica. In: MASSALIN, Fernanda; BENTES, Anna Christina (orgs). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 17-46.

VEJA. São Paulo: Editora Abril, 10 de março de 2010.

­______. São Paulo: Editora Abril, 12 de maio de 2010.

______. São Paulo: Editora Abril, 16 de junho de 2010.


ANEXO 1 Revista Veja, coluna Panorama, 10 de março de 2010.



ANEXO 2: Revista Veja, coluna Panorama, 12 de março de 2010.



ANEXO 3:Revista Veja, coluna Panorama, 28 de outubro de 2010.




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