Valor econômcio (Debênturte) Bradesco pretende captar recursos com a nova debênture para bancos



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VALOR ECONÔMCIO




(Debênturte) Bradesco pretende captar recursos com a nova debênture para bancos

Fernando Travaglini e Sérgio Bueno, de São Paulo e Porto Alegre


O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse ontem que o banco pretende emitir a nota bancária de crédito, papel de captação para bancos semelhante a uma debênture e que está sendo estudada pelo governo para aumentar as fontes de recursos de longo prazo. "Esse é um instrumento que estará voltado preferencialmente para o alongamento do prazo das captações. O sistema bancário de modo geral tem muitos instrumentos, mas via de regra eles sempre estão no curto prazo", disse.

Perguntado se o banco teria interesse em fazer emissões dessas notas, ele disse que seguramente fará e que há muita demanda por papéis de longo prazo. "Os investidores institucionais estão muito capitalizados. A poupança previdenciária tem crescido muito no Brasil e esses instrumentos de prazo maior são muito positivos".

Conforme informou o Valor ontem, a nota bancária de crédito será criada para oferecer às instituições financeiras uma alternativa de captação com prazo de até cinco anos, já que elas não podem emitir debênture. A preocupação é que o rápido crescimento do crédito nos últimos anos não foi acompanhado por um alongamento dos passivos (as fontes de recursos). Assim, há um descasamento entre as captações com liquidez diária, como os Certificados de Depósito Bancário (CDB), e os créditos longos, como financiamento de veículos.

Os bancos vêm usando as captações externas como alternativa, mas com a crise essa opção se tornou muito cara. Os grandes já retomaram esse essas operações, mas não na mesma velocidade. O próprio Bradesco fechou nesta semana uma captação externa de dívida subordinada de R$ 750 milhões.

Outro ponto que motivaria essas captações, disse Trabuco, é a esperada retomada dos empréstimos bancários com força no próximo ano. O crescimento do segundo trimestre já surpreendeu o Bradesco e levou o banco a rever para cima a expectativa de expansão da sua carteira de empréstimos para os próximos doze meses.

Na divulgação do balanço semestral, a instituição havia reduzido a previsão de expansão de uma faixa entre 13% a 17% para um intervalo entre 8% e 12%. Agora, a expectativa é que até junho de 2010 a expansão fique em 15%. "O crescimento de 1,9% na economia no segundo trimestre sinaliza um crescimento anualizado de 6%. Com essa velocidade, seguramente o crédito pode crescer cerca de 15%."

Outro dado positivo para o banco é que, depois de crescer desde dezembro, o índice de inadimplência observado nas carteiras de crédito do Bradesco estabilizou neste mês em relação a agosto e deve começar a cair a partir de agora, disse o vice-presidente de relações com investidores do banco, Domingos Figueiredo de Abreu. Segundo ele, o movimento vem sendo acompanhado pela aceleração da demanda por novos empréstimos tanto no segmento de pessoa física quanto jurídica.

O executivo, que na quarta-feira à noite fez uma apresentação para a seção gaúcha da Apimec, não vê riscos de superendividamento dos clientes em função da expansão do mercado de crédito e das perspectivas de ações agressivas de bancos como o Santander, que aumentará o poder de fogo a partir de uma oferta de ações no país. "Entre 75% e 80% do crescimento vem de novos tomadores, graças ao desempenho da economia e à elevação da renda da população", explicou.


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Canal Aberto: Para executivo que comanda a gestão de US$ 400 bilhões no

mundo inteiro, país lidou muito bem com a crise e se destacou entre emergentes.


Presidente da HSBC Asset vê maior procura por Brasil

Por Angelo Pavini, de São Paulo


O Brasil lidou muito bem com a crise, originando um otimismo extremo nos investidores internacionais que vai continuar atraindo recursos para o país. A avaliação é de Mark McCombe, presidente mundial da HSBC Global Asset Management, responsável pela gestão de US$ 400 bilhões. Em sua quarta visita ao Brasil, McCombe falou com o Valor sobre as tendências do mercado de gestão e economia mundial.

Para ele, o HSBC deverá crescer na gestão de recursos local aproveitando a presença do banco comercial. "Estou confiante que podemos crescer confortavelmente dois dígitos este ano", diz. Mas McCombe destaca também o interesse internacional pelo país, o que ampliará a oferta de produtos brasileiros no exterior. "De uma perspectiva de quem toma conta de um negócio de gestão global em Londres, você lê, fala com investidores institucionais, e a percepção é de que a forma como o país lidou com a crise foi extraordinariamente positiva."

O executivo compara o país com a Rússia "onde os mercados fecharam por 20 dias na crise e onde há questões como corrupção no mercado", diz. Segundo ele, isso mostra a evolução do Brasil e uma maturidade construída nos últimos anos e reforçada pelo grau de investimento. "Sou extremamente otimista que o interesse que temos no Brasil vai continuar a crescer."

Segundo McCombe, o Brasil é um dos três mercados emergentes mais importantes para a asset do HSBC, ao lado de Índia e China. "Consideramos absolutamente críticos esses três países, portanto, o Brasil se coloca no topo em termos de otimismo em relação à perspectiva econômica", diz.

O HSBC faz a gestão de US$ 16,9 bilhões investidos em ações nesses três países, incluindo recursos locais e internacionais. A maior exposição é na Índia, com US$ 6,2 bilhões, seguida pela China, com US$ 5,9 bilhões. O Brasil tem US$ 4,8 bilhões, sendo cerca de US$ 2 bilhões locais e US$ 2,8 bilhões de estrangeiros. "Essa exposição nos dá uma posição única no entendimento desses mercados", diz.

O total de recursos sob gestão nos emergentes chega a US$ 70 bilhões, dos quais metade em recursos domésticos. A renda fixa predomina, com 60%. A América Latina representa 10% do total geral do HSBC, ou US$ 40 bilhões, dos quais o Brasil tem uma fatia de 70%, ou US$ 28 bilhões.

Para McCombe, o conceito de descolamento, ou "decoupling", comum no começo da crise, revelou-se um mito. "Não há dúvida de que China, Índia ou Brasil podem ter peculiaridades domésticas que os tornam mais isolados ou não a determinado tipo de crise", afirma. "Mas quando se olha os preços das commodities, o consumo dos EUA, o sistema financeiro global ou o comércio global, vemos que o efeito é geral", diz. Ele vê o risco de a economia mundial enfrentar um período de baixa atividade econômica. "Isso pode certamente levar a uma baixa atividade também em alguns mercados emergentes, como Brasil", diz o executivo.

Sobre a China, McCombe diz não estar preocupado. "Os chineses estão se tornando mais poderosos regionalmente e, domesticamente, a economia está se fortalecendo, com riqueza real, no comércio e na indústria", diz. Ele admite, porém, que há problemas de curto prazo. "O consumo doméstico chinês está crescendo, mas a disparidade de renda também, e o fato de termos 1,3 bilhão de pessoas com desigualdade maior e grande diversidade cultura pode trazer problemas sociais no futuro", diz. Ele acha também que a bolsa não é o melhor termômetro para avaliar o que realmente está acontecendo na economia chinesa porque há muito dinheiro especulativo no mercado.

Sobre a economia global, McCombe avalia que o mundo está agora entrando em um ambiente de recessão clássica e onde a recuperação não será tão rápida. A desalavancagem ainda está ocorrendo no setor financeiro e os dados de recuperação do setor imobiliário nos EUA podem parecer melhores do que realmente são. "Por isso, eu vejo as pessoas mais cautelosas em aplicar suas economias."

Para McCombe, a crise reduziu a rentabilidade do negócio de gestão. Isso deve levar a uma consolidação, por compras ou associações. Bancos em dificuldades também devem vender suas assets para reforçar o capital. E há também maior cuidado dos investidores. "Tivemos pedidos de clientes de varejo no auge da crise para que mandássemos uma lista completa dos ativos do fundo onde aplicavam", diz McCombe. "Nunca na minha carreira eu vi esse tipo de interesse de uma pessoa física, ainda mais no varejo", diz ele.

Sobre os efeitos do escândalo do fundo pirâmide de Bernard Madoff, McCombe diz que a asset não aplicava nas carteiras. Segundo ele, a área de mercados de capitais do HSBC foi quem montou certificados de recebíveis com cotas do fundo e vendeu no mercado. A lição, porém, é de que é preciso ter mais cuidado com a arquitetura aberta, reforçando as exigências de transparência, liquidez e os controles dos fundos de terceiros. "Nossa responsabilidade é atuar como porteiros, para garantir que o produto que vendemos na internet ou na agência tem alguma proteção e que você entenda o que está comprando."
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