Valor econômico (Andima) Gestão de Recursos: Bradesco mira estrangeiros e cria dois fundos offshore



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VALOR ECONÔMICO




(Andima) Gestão de Recursos: Bradesco mira estrangeiros e cria dois fundos offshore

Angelo Pavini, de São Paulo


A Bradesco Asset Management (Bram) está lançando seus dois primeiros fundos offshore - carteiras sediadas no exterior e voltadas para investidores internacionais. Os dois fundos - um de renda fixa e outro de ações - serão registrados em Luxemburgo e receberão aplicações tanto de varejo quanto de grandes investidores. O banco fechou acordo de distribuição com o BEST, braço eletrônico do português Banco Espírito Santo, para o varejo europeu.

Há uma grande demanda de investidores estrangeiros por ativos brasileiros, diz Luiz Osório Leão Filho, gerente de Projetos Internacionais da Bram. "Vimos que nosso conhecimento do mercado seria um grande valor agregado na hora de oferecer um fundo lá fora." A Bram criou uma estrutura chamada de Sociedade de Investimento de Capital Variável, que permitirá a criação de outros fundos além destes dois iniciais, explica Osório. A estrutura foi batizada de Bradesco Global Funds.

O fundo de renda fixa, chamado de Brazilian Fixed Income, vai comprar títulos do Tesouro Nacional e de empresas privadas no Brasil. Seu referencial será o índice IRF-M da Andima, que acompanha a rentabilidade dos papéis privados do governo (LTN e NTN-F). "Nosso objetivo será superar o IRF-M", explica Osório.

Já o fundo de ações será o Bradesco Global Funds Brazilian Equities, que aplicará quase todos os recursos em ações no Brasil e alguma coisa em ADR. O referencial do fundo será, porém, um índice internacional, o MSCI Brasil 1040, mais usado na Europa do que o MSCI Brasil.

Tanto o fundo de renda fixa quanto o de ações terão três classes de cotas, duas em dólar - atacado e varejo - e uma em euros, de varejo. No caso do fundo de renda fixa, a aplicação mínima de varejo em dólar será de US$ 50 mil e a taxa de administração de 1,2% ao ano. Já a cota em euros será de € 1 mil.

Segundo Osório, o índice MSCI Brasil 1040 leva em conta os principais papéis do mercado, mas com as limitações da legislação de Luxemburgo, que estabelece que um fundo de ações não pode ter mais de 10% concentrados em um único papel. Além disso, os papéis cuja participação na carteira superam 5%, se somados, não podem passar de 40% - por isso o 10/40.

No fundo de ações, a aplicação de varejo em dólar será também de US$ 50 mil, e taxa de administração de 2% ao ano. A cota de atacado, de US$ 1 milhão, terá taxa de administração de 0,8%. E a cota em euros será de € 1 mil, com taxa de administração de 2%.

A ideia é oferecer os fundos por meio dos canais internacionais do Bradesco, que incluem a Bradesco Securities em Nova York e Londres, a subsidiária do banco em Luxemburgo e a agência em Cayman. Além disso, o banco vai buscar acordos de distribuição com instituições internacionais, da Europa, Ásia ou EUA.

Segundo Osório, os dois fundos offshore são um passo adiante no processo de internacionalização da área de gestão de recursos do Bradesco. "Temos um fundo de renda fixa no Japão em parceria com o Banco de Tóquio Mitsubishi e no Chile, com o Banchile, mas são acordos específicos", explica Osório. Com o fundo global, o Bradesco poderá atender vários distribuidores simultaneamente com os mesmos fundos.
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Praticamente metade dos R$ 41 bilhões levantados em ofertas de ações

neste ano vai para aquisições, expansão da capacidade e novos projetos.


(Anbid) Caixa para investimento

Por Silvia Fregoni, de São Paulo


As empresas brasileiras começam a retornar ao mercado de ações para financiar investimentos. Praticamente metade dos recursos levantados nas ofertas de ações neste ano será destinada a esse fim. As operações anunciadas até o momento somam cerca de R$ 41 bilhões - incluindo as emissões iniciais e as de empresas já listadas -, sendo que perto de R$ 21 bilhões, ou 51% do total, vão para aquisições, expansão da capacidade das companhias e desenvolvimento de novos projetos.

Outra parte expressiva dos recursos, aproximadamente R$ 14 bilhões, ficará com os sócios vendedores das ações (no caso de ofertas secundárias). Há ainda uma parcela de cerca de R$ 6 bilhões que vai para a reestruturação de dívida das empresas. O levantamento, feito pelo Valor, considera as operações já registradas e as que estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou na Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Há ainda uma série de empresas que já manifestaram a intenção de captar recursos para investimentos, mas que ainda não divulgaram valores e não estão no cálculo.

Com a recuperação da economia após o auge da crise mundial e com as perspectivas agora positivas para o crescimento do país, é natural que as companhias comecem a tirar os projetos da gaveta e a procurar formas de financiamento, destaca a analista-chefe do Banif Investment Bank, Catarina Pedrosa. Embora tenha se acelerado nas últimas semanas, até em função da alta expressiva da bolsa, a busca por recursos para investimentos ainda está concentrada em poucas empresas.

O banco Santander Brasil deve ser responsável sozinho por captação de até R$ 15,6 bilhões, considerando o teto da faixa de preço sugerida para a operação que está em andamento e a colocação dos lotes extras. A oferta do banco deve ser a maior realizada no mundo neste ano e a maior da história do mercado de ações brasileiro.

A instituição de origem espanhola quer ampliar os negócios no Brasil. Segundo o prospecto da oferta, 70% dos recursos captados, ou R$ 8,5 bilhões depois das comissões, serão usados na expansão da estrutura física do banco, com a abertura de agências e a instalação de caixas automáticos, e para incrementar as operações de crédito.

Entre as outras empresas que buscam dinheiro novo para investir estão as de construção. "Esse foi o setor que mais sofreu na crise, por causa da paralisação da economia, escassez de crédito, má gestão e grande dependência de captação de recursos, até para capital de giro", avalia Rodrigo Pasin, sócio da consultoria V2Finance.

A necessidade de capital é um dos motivos que levam as construtoras à bolsa agora. E um estímulo a esse movimento é o programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida", voltado à construção de residências para a população de baixa renda, que reativou os negócios do setor.

Na lista de 20 empresas que concluíram ou preparam ofertas, 6 são construtoras. As operações de três delas, cujos valores já foram divulgados, somam R$ 2,4 bilhões.

Nesse número não estão as empresas de shopping center, também consideradas por alguns analistas como integrantes do mercado imobiliário. As ofertas de BR Malls, Multiplan e Iguatemi juntas devem girar mais de R$ 2 bilhões, volume também quase que exclusivamente para investimentos.

Outros setores, porém, também começam a despontar. O frigorífico Marfrig anunciou na semana passada que fará uma oferta primária para pagar as recentes aquisições, como a da Seara, por US$ 900 milhões. Embora ainda não tenha informado o valor da captação, a companhia aprovou um aumento de capital com a emissão de até 232 milhões de ações, que abre espaço para uma oferta de até R$ 4 bilhões.

A Hypermarcas, empresa de bens de consumo e dona de marcas como Monange, Risqué, Benegrip, Doril e Assolan, vem realizando diversas aquisições. Os R$ 563,5 milhões captados na bolsa serão usados para essa estratégia.

O advogado José Eduardo Carneiro Queiroz , do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. & Quiroga Associados, lembra que as ofertas primárias (com a emissão de novas ações) servem praticamente para financiar investimentos e melhorar o perfil da dívida das empresas. "Como os investimentos geralmente têm retorno de longo prazo, a oferta de ações é um bom instrumento para financiá-lo."

A BRF-Brasil Foods e a Gol usarão os recursos da oferta para melhorar o perfil da dívida. A empresa de alimentos, formada pela união entre Perdigão e Sadia, herdou a pesada dívida da Sadia decorrente das perdas com derivativos cambiais. A companhia aérea se complicou financeiramente em 2008 por conta da elevação do preço do petróleo no primeiro semestre. Também teve despesa de pagamento antecipado para o recebimento de aeronaves, além de sofrer o impacto da crise sobre a economia e o setor.

Apesar das intenções de investimento anunciadas, o professor Hélio França, do Ibmec-RJ, destaca que o nível de compras de máquinas e equipamentos pelas empresas brasileiras em geral, assim como o de expansão das atividades, ainda não se recuperou. "Talvez os investimentos voltem com mais força no país no fim deste ano ou no início do próximo."


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