Vassiliki conta que cerca de 40 mil descendentes e imigrantes vivem no país, a maior parte em São Paulo



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Encontro28.07.2016
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Durante 13 anos, a jornalista Vassiliki Thomas Constantinidou se engajou num projeto que somente historiadores ambiciosos ousariam desenvolver: contar a experiência de imigrantes gregos residentes no Brasil e recuperar, para o país, uma parte da história da imigração européia que ficou oculta da história oficial. Obter os 70 depoimentos descritos no livro, executar a pesquisa histórica e reproduzir centenas de imagens foi tarefa de mais de uma década. Mapear com exatidão os descendentes e imigrantes que vivem em território nacional é algo ainda mais trabalhoso.






Vassiliki conta que cerca de 40 mil descendentes e imigrantes vivem no país, a maior parte em São Paulo. A pesquisa da grega, que mora no país desde os 3 anos de idade, se encontra no livro bilíngue (português e grego) Os guardiões das lembranças: memória e histórias dos imigrantes gregos no Brasil.

“Dificilmente você vai ter um número exato, existem gregos aqui desde o século 19. Entraram muitos com passaportes otomanos, romenos, enfim, você não tem uma única origem. Eles vieram espalhados. O Estado se formou no século 19, é uma construção recente”, revela a escritora, sobre a dificuldade de localizar com precisão os descendentes e imigrantes que vivem no país.

Ela considera que ir atrás das origens dá significado à vida e proporciona uma experiência profunda de autoconhecimento. “Acabei descobrindo não só a memória da própria imigração grega, mas um pouco de como é importante as pessoas recuperarem a sua história, para que haja um reforço da identidade, que a pessoa consiga se sentir mais inteira. Nesse trabalho, fiz uma viagem interior em busca de mim e acabei topando com a história”, comenta a ateniense.

Vassiliki entrevistou mais de 200 pessoas, mas selecionou menos da metade, 70, para a edição final. Os imigrantes contaram aspectos de um cotidiano que hoje inexiste e forneceram à pesquisadora relatos preciosos da época da imigração, nos anos 1950. “Na história oral você tem que deixar o entrevistado reorganizar a sua história”, explica. Metade grega, metade brasileira, a filha de imigrantes verifica que os dois povos têm muito em comum. “São muito hospitaleiros, muito festeiros. O brasileiro é muito caloroso, o grego também”, constata.

"Em 1854 chega ao Rio de Janeiro, vindo de Atenas, Othon Leonardos, com apenas 20 anos de idade. A essa época, a capital do Império pagava um alto preço pelo seu crescimento desordenado, infestada pela febre amarela, cólera, varíola e a peste bubônica. As belezas naturais contrastavam com a miséria e a sujeira. Nos meses de verão, as pessoas de posse saíam da cidade e atravessavam para Niterói ou iam para Petrópolis, o elegante reduto da corte de Dom Pedro II, situado em uma região de fazendas. O saneamento e a modernização da cidade vieram com a posse do Presidente Rodrigues Alves (1902-1906). Quatro anos depois, o Rio de Janeiro é uma nova cidade. "Da cidade malsã transforma-se em maravilhosa."

"Meu bisavô Othon Leonardos nasceu em Náfplio, a 18 de janeiro de 1834 e faleceu em 18 de fevereiro de 1915, em Niterói. Sua família era originária de Ambelákia. Chegou ao Brasil na condição de Representante do English Bank. Em 1865 casou-se no Rio com Henrietta Alice Reeves, a Baronesa de Bela Vista, com quem teve oito filhos. Foi Cônsul Geral da Grécia no Rio de Janeiro por 45 anos. A tradição da representatividade consular da Grécia foi seguida por seus filhos Othon Leonardos (nascido em 12-8-1866), Thomas Francis Leonardos (15-6-1869), Thomas Othon Leonardos (1906), e Henry Leonardos (meu avô, que nasceu em 9/4/1871.

Conceituado negociante, meu bisavô, foi acionista fundador e primeiro Diretor Presidente da Companhia de Navegação a Vapor, posteriormente transformada no Loyd Brasileiro, trabalhando muito ligado à Bolsa do Café.

Em 1883 por iniciativa própria e às suas custas, fez uma exposição de produtos brasileiros em Atenas. Este serviço fez com que fosse condecorado por D. Pedro II com a comenda da Imperial Ordem da Rosa e nomeado Grande Cavaleiro da Ordem Real do Salvador, pelo Rei Georges I da Grécia. Georges Leonardos, Brasília 2008."



Os guardiões das lembranças: memória e histórias dos imigrantes gregos no Brasil
De Vassiliki Thomas Constantinidou. Editora Gráfica Vida & Consciência, 300 páginas. 

contato com a autora: vassiliki@uol.com.br


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