Veronica Melander Gênero e ministério na Igreja Sueca



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Veronica Melander

Gênero e ministério na Igreja Sueca




Introdução

A ordenação de mulheres geralmente é um assunto menos complicado nas igrejas históricas protestantes do que na Igreja Católica e nas igrejas ortodoxas por causa das diferentes maneiras de relacionar a Bíblia com a Tradição.


Na Igreja Sueca, foram permitidas pastoras em 1958. As primeiras ordenações aconteceram em 1960 e agora 25 % dos pastores são mulheres. A igreja no momento tem duas bispas. A primeira delas foi ordenada em 1997. Embora já tenham passado mais de quarenta anos, o assunto do ministério feminino persiste como uma das grandes áreas de conflito dentro da Igreja Sueca. A razão é que apesar de ter uma grande maioria a favor, existe uma minoria, muito militante e bem organizada, contra a ordenação de mulheres. Ser contra o ministério feminino se tornou um símbolo para a corrente mais conservadora.
A Igreja Sueca é a Igreja Luterana na Suécia. Uma igreja que nasceu com a Reforma e era a igreja estatal até o ano 2000. Tem como membros 85 % do povo sueco. Para entender a questão do ministério feminino, e outras questões de gênero dentro desta Igreja, é preciso levar em conta a sua história. A Igreja Luterana na Suécia tem grandes semelhanças com as igrejas anglicanas. Ao contrário das igrejas luteranas no Brasil, a sueca tem uma estrutura episcopal. Esta característica, junto ao fato de ter sido estatal, tem marcado a história da igreja e também as discussões sobre gênero e ministério.
Porém, antes de continuar temos uma dificuldade de linguagem: a diferença do uso do gênero gramatical em português e em sueco. Como falar em português sobre uma situação que se passa na Suécia, e sobre discussões que acontecem na língua sueca?
Em português todos os substantivos têm gênero. Em sueco não (quer dizer que tem um tipo de gênero gramatical, mas isso não tem nada que ver com masculino e feminino). Hoje em dia só algumas poucas palavras tem gênero. Palavras como pastor, sacerdote, apóstolo, bispo, presbítero são neutras. São usadas igualmente quando se trata de homens ou mulheres. Não seria possível chamar as nossas “bispas” assim, porque “bispa”, em sueco, seria a esposa do bispo. Nossas “bispas” são “bispos”, nossas “pastoras” são “pastores”. Não fazemos distinção de gênero nestas palavras.
Outra coisa é o seguinte: Como a Igreja Sueca é uma igreja episcopal nós normalmente não usamos a palavra “pastor”, mas outra que seria mais próximo de “sacerdote”. Usamos a mesma palavra como a igreja católica usa em sueco; “präst” (é derivado de presbítero). Por isso me sinto um pouco incomodada falando sobre estes assuntos em português. Qual palavra usar em português sobre o ministério na Igreja Sueca e sobre o ministério feminino em especial? O dicionário sueco-português sugere “mulher padre”, uma expressão que não me parece muito apropriada. Para não criar confusão vou usar os termos “pastora” e “pastor”, dado que isso é mais comum entre os protestantes no Brasil.


Alguns dados da história da Igreja Sueca

Como muitas outras igrejas protestantes históricas o nascimento da Igreja Sueca está ligado às lutas político-teológicas na Europa no século XVI. A fundação da Igreja Sueca está relacionada ao combate contra a hegemonia dinamarquesa e a formação da Suécia como um estado nacional. Gustav Vasa liderou uma rebelião contra o rei da Dinamarca e conquistou o trono em 1523.


Esse ano marcou o início do processo da Reforma que se completou em 1593, quando finalmente ficou decidido que a confissão luterana seria a única fé na Suécia. A característica de Lutero e o luteranismo era a centralidade da questão da salvação. A resposta desta questão era a boa nova sobre a graça de Deus para todos os pecadores. O papel da Igreja portanto era preservar e explicar este evangelho numa maneira “pura” e não distorcida. Alí a Bíblia era a norma absoluta por ser fonte do evangelho sobre a justificação humana frente a Deus. A centralidade da Bíblia, entre outras coisas, se mostra no fato de que o Novo Testamento foi publicado em sueco já em 1526.
Ao contrário das igrejas reformadas, os luteranos não consideram que é preciso jogar fora tudo que não tenha base na Bíblia. O princípio era o contrário: somente suprimir o que obscurece o evangelho. Tudo que não seja contrário ao evangelho da salvação pode ficar na igreja. Por isso a Igreja Sueca manteve grandes partes da herança da época católica. A estrutura eclesiástica medieval foi mantida, com dioceses, arcebispo, bispos, paróquias territoriais com pastores, como também a estrutura administrativa. A única diferença era que o rei era a autoridade máxima em vez do Papa. A liturgia foi reformada, sendo luterana na língua sueca, mas grandes partes da liturgia católica foram mantidas. A Igreja Sueca nunca fez processos de canonização de santos - santos não fazem parte da teologia. Mas os santos do tempo católico são lembrados como modelos para a vida cristã, como Santa Birgitta, do século XIV, recentemente nomeada padroeira da Europa pelo Papa.
A Igreja Sueca tem somente dois sacramentos; batismo e eucaristia. Quer dizer que o ministério eclesiástico não é sacramento, porque não é considerado como tendo fundamenção bíblica. O Novo Testamento não é muito claro no assunto do ministério e a Igreja Sueca, como outras igrejas protestantes, também não aceita a postura católica sobre a centralidade de São Pedro. Segundo a Igreja Sueca é a comunidade cristã que tem o poder da chave e a idéia do sacerdócio universal é forte. É a comunidade cristã que chama o/a pastor/a, embora a ordenação dos bispos seja feita com sucessão apostólica. O papel do/a pastor/a é administrar a palavra e os sacramentos. A Tradição faz parte da Igreja Sueca, mas é menos importante do que na Igreja Católica. A Tradição pode ser corrigida a partir da Bíblia. Não existe autoridade maior do que a Bíblia.
Portanto, na Igreja Sueca cabem diferentes correntes e diversas opiniões sobre a relação entre a Bíblia e a Tradição. Existe uma corrente “High Church”, que enfatiza fortemente a continuidade com a igreja antiga e a unidade com a igreja no nível mundial. Sublinha o ministério eclesiástico, a sucessão apostólica, a liturgia e os sacramentos. Embora seja um movimento minoritário teve importantes influências dentro de toda a igreja.
Esta corrente surgiu no início do século XX e resultou, entre outras coisas, em reformas litúrgicas incluindo as roupas dos pastores, como também a fundação de mosteiros e comunidades religiosas. Por isso a Igreja Sueca hoje tem mais semelhanças com a Igreja Católica do que há 100 anos. A corrente “High Church” tem certas ligações com o surgimento do movimento ecumênico, dado os contatos internacionais com católicos e anglicanos. Embora somente uma pequena minoria se identifique com “High Church”, quase ninguém questiona que as mudanças que esta corrente trouxe para a igreja foram muito enriquecedoras.
Como o nome está indicando, a Igreja Sueca, tendo o rei como autoridade máxima, mais e mais tornou-se uma igreja estatal. As instituições do Estado também se tornaram instituições da igreja. Considerava-se que a unidade do estado era baseada na unidade religiosa. Todos os cidadãos eram forçados a confessar a fé luterana.
Esta unidade Igreja-Estado começou a quebrar-se no século XIX quando foi iniciada a separação entre assuntos religiosos e outros, no nível político e na administração pública. Mas a Igreja Sueca permaneceu igreja estatal até o ano 2000, quando o divórcio entre a Igreja e o Estado finalmente se consumou. Neste tempo a Suécia já era uma sociedade multirreligiosa e multicultural, razão principal da separação.
Sendo uma igreja estatal, a democratização do país a afetou profundamente. A chamada “dupla linha de responsabilidade” significa que a Igreja tem uma linha episcopal e outra linha democrática. Desde o século XIX existe uma Assembléia Geral, principalmente constituída por leigas/os. Pastoras/es e bispos também participam, mas não tem poder de veto. Cada paróquia tem um “parlamento”. Para estas instâncias democráticas há voto público de todos os membros. Estas eleições têm semelhanças com as eleições políticas. Diferentes partidos fazem campanhas apresentando suas propostas para o trabalho da Igreja. Até agora os mesmos partidos políticos que têm representação no parlamento do Estado são os mais fortes também nas eleições eclesiásticas.
Cabe lembrar que a Suécia atual é considerada um dos países mais secularizados do mundo e poucas pessoas votam nas eleições eclesiásticas. A grande maioria dos que são batizados na Igreja Sueca sentem pouca identificação com a Igreja e não se autodefinem como cristãos. Na maioria dos casos se definem como agnósticos ou crentes numa “força superior” não especificada. O fato é que, apesar de ser cobrada a taxa de membresia, muito poucas destas pessoas deixam de ser membros da Igreja. Se não for por outra coisa, pelo menos querem ser enterradas na Igreja.

Gênero e ministério
Em 1958, a Assembléia Geral da Igreja Sueca (nesse tempo ainda era constituída em grande parte por homens) decidiu por grande maioria abrir o ministério para as mulheres. O assunto estava ligado à luta das mulheres na sociedade sueca em geral. A questão tinha sido levantada inicialmente quando as mulheres conseguiram o direito de votar em eleições políticas, em 1919. Em 1923 o Parlamento tinha decidido que as mulheres podiam obter qualquer cargo público com exceção de alguns poucos, entre eles o ministério eclesiástico. Como a Igreja Sueca era estatal, ser bispo ou pastor também era considerado cargo público estatal. Porém, em 1945 todos os cargos públicos, com a única exceção do ministério eclesiástico, foram abertos para mulheres. A partir disso o debate sobre o ministério feminino foi reforçado, seguindo a seguinte linha:
Historicamente as mulheres foram discriminadas. Eram proibidas de ter quase qualquer cargo. Mas agora havia um processo em desenvolvimento e significava que um após outro, os cargos se abriram para as mulheres. Porque não também o ministério eclesiástico?
Quando a Assembléia Geral teve que decidir sobre o assunto, a lógica foi mais ou menos a seguinte: a partir da perspectiva humana, se deve permitir as mulheres se tornarem pastoras. O contrário seria discriminação. Mas a pergunta mais importante era: será esta também a vontade de Cristo? Existem argumentos bíblicos contra a ordenação de mulheres? Nesta situação os teólogos acadêmicos e os bispos tiveram um papel importante, argumentando a favor ou contra para convencer a Assembléia Geral.
Porém, os teólogos e os bispos estavam divididos em suas opiniões. O arcebispo e alguns bispos estavam a favor. Outros bispos estavam contra. Muitos deles também não tinha pensado o suficiente sobre o assunto. Apesar das diferentes opiniões, participantes disseram depois que o debate na assembléia foi surpreendentemente calmo. Em 1958 ainda não havia candidatas para a ordenação. A partir de 1960, quando as três primeiras pastoras foram ordenadas, o debate se tornou muito emocional e conflitivo. Especialmente para a corrente “High Church” ser contra a ordenação feminina se tornou um símbolo para o movimento. Porém, é importante notar que nem todos que se identificam com esta corrente estão contra o ministério feminino.
Em 1958, o argumento a favor da ordenação de mulheres tinha certo privilégio quando comparado com a opinião contrária. Estava apelando ao bom senso, a sentimentos humanistas contra qualquer discriminação e sofrimento humano, ao conteúdo geral do Novo Testamento contra do uso de versículos particulares e isolados, que parecem favorecer a discriminação e a violência.
Cabe notar que forças dentro da Igreja Sueca tinham resistido a muitas das conquistas sociais feitas pela Democracia Social na Suécia. Argumentos bíblicos frequentemente foram mobilizados tanto contra o movimento trabalhador quanto a emancipação feminina. Argumentos bíblicos contrários ao ministério feminino, por conseguinte, eram vistos facilmente como mais uma maneira de discriminar as mulheres.
Os que estavam contra a ordenação de mulheres enfatizavam certos textos do Novo Testamento como I Co 14,34-38 e I Tm 2,12. Ao contrário da Igreja Católica o argumento da Tradição não teve grande peso. A questão era entender a vontade de Cristo, expressa no Novo Testamento. Neste tempo a submissão feminina, que de vez em quando aparece nas cartas paulinas, não causou grandes problemas para os conservadores dentro da Igreja Sueca. Apesar das grandes mudanças na sociedade sueca, a submissão feminina, pelo menos na família, ainda era uma opinião comum entre militantes cristãos. Ainda mais habituais eram as idéias patriarcais sobre a divisão dos sexos no trabalho. Quer dizer que o papel principal da mulher era ser esposa, mãe e responsável pelos cuidados da casa.
Apesar da decisão tomada, o debate sobre o ministério feminino continuou. O partido contra estava tão convencido que a decisão fora errada, que começou uma luta para tentar anulá-la. Este combate incluía tanto argumentar contra a ordenação de mulheres, quanto tornar a vida das pastoras o mais difícil possível.
Com o tempo os argumentos nos dois lados se tornaram mais profundos e sofisticados. As/os teólogas/os puderam aproveitar-se de todos os avanços da exegese moderna e da teologia feminista para argumentar a favor do ministério feminino. Os contra, por outro lado, começaram a fazer distinção entre o “mundo”, onde a igualdade dos sexos é necessaria, e a igreja, onde são consideradas válidas normas divinas de não igualdade.
Hoje é mais e mais comum ouvir que a longa tradição cristã de somente ordenar homens seria o argumento contra da ordenação de mulheres. Também se escuta que a Bíblia deve ser interpretada a partir da tradição, não somente a partir da perspectiva histórica. Esta é uma novidade dentro da Igreja Sueca. Na falta de argumentos bíblicos, os que estão contra a ordenação de mulheres tomam por empréstimo a teologia da Igreja Católica. Também argumentam que pastoras atrapalham o ecumenismo, dado que a Igreja Católica e as igrejas ortodoxas não tem ordenação feminina.
Porém, no nível oficial da Igreja Sueca esta debate é um capítulo fechado. A postura oficial é muito clara e hoje todos os bispos são favoráveis à ordenação feminina. Porém, a partir da decisão de 1958 era preciso que a Igreja tivesse uma política de como tratar o grupo que estava contra. Para resolver possíveis conflitos dentro da igreja foi agregada uma claúsula de consciência à decisão de 1958. O conteúdo dessa era que nenhum bispo seria forçado a ordenar mulheres e nenhum pastor seria forçado a fazer alguma coisa contra a sua consciência, por exemplo, celebrar eucaristia com pastoras ou cooperar de outras maneiras.
Na prática isto significou que as pastoras não foram permitidas em toda a Igreja, mas somente nas dioceses onde o bispo estava a favor. As pastoras também não podiam solicitar emprego nas paróquias onde o pároco era contra elas. Um pastor tinha o direito de negar-se a trabalhar junto a uma pastora na mesma paróquia. É possível que isso tenha sido o único acordo viável nesse tempo. Mas na realidade, às vezes, significou uma discriminação tremenda contra as pastoras e as/os leigas/os. As pastoras não podiam realizar as suas tarefas pastorais nas mesmas condições que os pastores.
Em 1982, foi cancelada a claúsula de consciência por causa de uma mudança da lei. A partir deste momento a legislação trabalhista sobre igualdade entre mulheres e homens foi aplicada também à Igreja Sueca. Por isso não era possível mais a existência de uma claúsula de consciência. A igualdade de homens e mulheres era obrigatória pela lei geral. Na teoria isto significou que ninguém podia negar às pastoras de fazerem qualquer tarefa ligada ao seu ministério. Porém, na prática a questão às vezes ficou mais complicada. Alguns pastores, especialmente em algumas áreas do país com tradições mais conservadoras, continuaram a recusar-se a trabalhar junto às pastoras e, especialmente, a celebrar a eucaristia junto a elas. Apesar disso parece que a grande maioria das pastoras tem experiências positivas da convivência com pastores e leigas/os. Para a grande maioria das/dos leigas/os e os pastores a presença das pastoras enriquece a Igreja.
É óbvio que a ordenação feminina na Igreja Sueca está ligada a um processo de democratização da igreja. O papel do pastor/a tem mudado, tornando-se menos autoritário. As pastoras têm levantado assuntos relacionados a experiências particulares das mulheres, assuntos nas quais os pastores nunca prestaram muita atenção. Como é claro em qualquer lugar, também na Igreja as equipes pastorais funcionam melhor quando integram os dois sexos com poderes divididos. A meta oficial é que todas as paróquias da igreja venham a ter pastoras/es de ambos sexos.
Em 1993, todos os bispos da Igreja Sueca decidiram juntos que todo pastor que fosse ser ordenado na Igreja tinha que mostrar-se capaz de celebrar a eucaristia junto a pastoras. Esta decisão foi uma tentativa de acabar com problemas de cooperação no nível local. Um pastor ainda podia declarar-se estar contra a ordenação de mulheres, mas não podia recusar-se a cooperar. Tinham que ser obedientes à ordem da igreja. Em 2000, quando a Igreja se divorciou do Estado, resolveu ser ainda mais forte neste assunto. A partir deste ano cada pastor, para receber um cargo, tem que declarar-se preparado para cooperar com qualquer outra pessoa ordenada, independentemente do sexo.
Cabe mencionar que até os anos noventa a maioria das pastoras não tiveram muito interesse por teorias ou teologias explicitamente feministas. Até então somente uma minoria das mulheres na Suécia se autodefiniram como feministas. O mito da democracia do gênero era tão forte na sociedade sueca como o mito da democracia racial no Brasil. Como considerava que a igualdade do sexo já era realidade na Suécia, as feministas que questionaram as desigualdades eram consideradas extremistas. O feminismo não era considerado necessário na Suécia, dado que já havia sido implantada a igualdade dos sexos. Esta era a opinião da maioria das mulheres e homens suecos até os anos noventa.
Embora tivessem ocupado grande espaço na vida política, as mulheres suecas tinham muitas dificuldades de entrar como pesquisadoras e professoras nas universidades do país. A situação era ainda pior nas faculdades de teologia. Ainda hoje as mulheres têm pouco espaço nas faculdades de teologia mais tradicionais e prestigiosas das universidades de Uppsala e Lund. Estas faculdades tampouco tem cátedras em teologia feminista. Apenas nos finais da década de oitenta foram publicadas as primeiras obras acadêmicas de teologia feminista na Suécia. A resistência ainda é grande para que entrem questões de gênero nos currículos das universidades.
Esta situação significa que as pastoras carecem de instrumentos que poderiam ajudar em análises de gênero e na realização de mudanças mais profundas dentro da Igreja. É possível que a ordenação de mulheres tenha sido mais facilmente aceita pela maioria, dado que as pastoras em geral ficaram dentro dos padrões tradicionais.
Apesar da estrutura democrática que existe na Igreja Sueca, esta Igreja ainda está muito centrada no ministério eclesiástico. Esta situação está produzindo uma passividade entre as/os leigas/os e impede muitas vezes a criatividade no trabalho pastoral. O discurso é bonito, mas existe também uma história e tradição pesadas que não se muda de um dia para outro e nem sequer de uma década para outra. As tarefas e responsabilidades que têm leigas e leigos nas CEBs em alguns lugares no Brasil ainda são impensáveis na Igreja Sueca.
Para finalizar duas observações: A Igreja Sueca tem sido criticada porque a decisão sobre a ordenação de mulheres foi tomada de uma maneira democrática, considerando a maioria na Assembléia Geral. A vontade de Cristo não se decide com maiorias, é o que se diz. É claro que isso é verdade. Mas como é bem sabido, nem todas as decisões importantes na história das Igrejas são feitas representando um consenso absoluto. Outra lembrança importante, a destacar, é que a ordenação de mulheres, apesar de ser um passo muito importante, não resolve todos os problemas de gênero dentro das igrejas.
Publ. em Gênero e teologia. Interpelações e perspectivas. Red. SOTER. Paulinas, Ed. Loyola. São Paulo 2003, pp. 245-254.



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