Versus amor verdadeiro



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S EMANA JOVEM - ESCOLHAS


A SÍNDROME DE SIQUÉM

VERSUS AMOR VERDADEIRO

TEXTO-CHAVE: Gênesis 34:1-5

TEMA GERAL: Relacionamentos

TESE: O verdadeiro amor é dom de Deus e difere totalmente da paixão egoísta.

OBJETIVO: Apresentar aos jovens a grande diferença entre o que o mundo chama de amor e o verdadeiro amor conforme ensinado na Bíblia.

INTRODUÇÃO

  1. Algumas palavras de nosso vocabulário são tão passageiras quanto quase tudo no nos­so mundo. Elas vêm, fazem parte de nossa vida e, com o tempo, vão cedendo lugar a outras. Há quanto tempo você não ouve a palavra “genuflexão“ (ato de ajoelhar), por exemplo? É uma, dentre muitas, que estão em extinção. A palavra amor, porém, está presente em quase toda canção, discurso, website, grafite, poesia, e aparece em todo lugar.

  2. Mas, embora seja a expressão de um sentimento sublime e universal, talvez seja a mais mal compreendida e desvirtuada pela humanidade. A história de Siquém e Diná é uma amostra clara de que o amor tem sido mal interpretado desde tempos remotos.

  3. Através dessa história, veremos em que consiste a síndrome de Siquém e alguns fatores que influenciam os jovens da sociedade pós-moderna a tornarem-se escravos desse pseudo-amor.


I. ENTENDER A SÍNDROME DE SIQUÉM É O MESMO QUE ENTENDER O QUE NÃO É AMOR

  1. Veja o texto bíblico: Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó...” (Gênesis 34:1). a. Este texto fala de uma moça de provavelmente uns 15 anos. Embora essa histó­ria seja basicamente de quatro personagens, Diná e Siquém são seus personagens principais. Antes, porém, de falarmos sobre esses nomes, é muito importante saber o que eles significam.

  2. Para nós, Diná significa simplesmente Diná. Como Roberto é Roberto, Carolina é Carolina. O nome dos personagens da Bíblia, porém, tinha muito a ver com o que eles eram.

Jacó, por exemplo, significa enganador: um pouco mentiroso e um pouco la­drão, que fez algumas coisas que não deveria ter feito.

Diná: com juízo.

Siquém: aquele que coloca o ombro, que ajuda.

E o outro é Hamor. Nunca colocaria esse nome em meu filho, pois ele significa jumento. Talvez ele não fosse muito esperto.

A história continua assim: “Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra. Viu-a Siquém, filho do heveu Hamor, que era príncipe daquela terra, e, tomando-a, a possuiu e assim a humilhou” (Gn 34:1,2). a. Jacó e seus filhos levaram em Canaã uns sete a oito anos. Isso leva a crer que Diná foi ver as amigas, e não simplesmente as filhas da terra, as siquemitas. Alguns auto­res dizem que ela foi a uma festa. Quem sabe um sábado à noite. Seria uma balada, uma rave? Provavelmente.

Nisto, Siquém a viu”. Embora fosse filho de um chefão da comarca, não podemos esperar muito dele, pois ele era o filho do “jumento”, lembra? Como príncipe da­quela terra, tinha tudo: roupas, dinheiro, fama, etc. Todo mundo o conhecia. Mas ele fez uma coisa que não deveria: deitou-se com Diná e a desonrou.



3. O verso 3 diz: E ele a achou tão atraente, que se apaixonou por ela e procurou fazer com que ela o amasse”(Gn 34:3, NTLH). O que você acha? Será que o que Siquém sentia era amor? Ou era somente uma vontade (teimosia)? O texto sugere algo repentino: ele gostou dela, parecia atrativa, e logo queria casar-se com ela.

4. A Bíblia mostra tratar-se de uma moça bem nova. Nossas traduções dizem jovem, mas no original diz: menina. De fato, a única vez que esta palavra aparece assim. Siquém, embriagado por sua beleza, disse ao pai: “Peça esta moça em casamento para mim” (v. 4 NTLH). Em outras palavras: “deixe-me satisfazer meu sentimento. Tenho tudo o que quero (roupas, moto, carro, casas). Agora quero esta menina”. Como se fosse um objeto a mais a ser conquistado, um troféu a mais em sua coleção.

5. Estranho é que “Jacó ficou sabendo que Siquém havia desonrado a sua filha Diná, porém, como os seus filhos estavam no campo com o gado, não disse nada até que eles voltaram para casa” (v. 5). Jacó se calou. Estranha reação, não acha? Talvez tivesse medo porque o rapaz era um príncipe; era gente importante. O fato de Jacó não ter agido como um pai normalmente faria demonstra que Siquém também teve uma maneira estranha de conquistar, usando a força da fama, do seu status social, em vez de a força do amor. Eis aí a sua síndrome.

6. Veja que situação comprometedora: apenas uma saidinha à noite para ver as suas amigas, e tudo termina com um grande drama (v. 6, 7-11). Às vezes, o jovem não percebe que no momento em que está vivendo, pequenas decisões têm grandes repercussões. De­vemos pensar antes de agir. Era aparentemente inocente apenas sair para dar uma volta por aí. Depois deu no que deu: uma verdadeira bagunça familiar. Quiseram misturar as famílias, mas no fim foi uma tragédia. É bom pensar antes, porque as más companhias corrompem os bons costumes. “Diz-me com que andas [...]”, diz o velho ditado.

7. Estava Siquém verdadeiramente amando a jovem Diná, ou estava equivocado? Às vezes, sentimos alguma coisa que parece ser amor, mas não é.

a. Uma adolescente que se derrete pelo seu ator favorito de novela ou cinema (Brad Pitt, Tom Cruise), tem pôsteres no quarto, sonha que vai casar-se com ele, viver numa casa linda com flores, piscina. Parece lindo; parece amor, mas não é.

b. O adolescente que fica louco pelos olhos de uma mulher (Ana Paula Arósio) ou a textura de seus lábios (Angelina Jolie). Outros pela sinuosidade das curvas femininas; outros que ficam encantados pela voz melodiosa e suave, passam o tempo todo pen­sando nisso. Algumas vezes pode ser amor, mas a maioria das vezes não é.

c. Outro jovem passa o dia pensando no toque da pele. Ele pensa: “que tremenda sen­sação. Toquei a mão dela”. Ele pensa que é amor, mas não é. Todos podem estar sendo vítimas desse sentimento enganoso: a síndrome de Siquém.
II. CINCO FATORES QUE INFLUENCIAM O JOVEM A VIVER A SÍN­DROME DE SIQUÉM

  1. Medo da Solidão

a. Algumas jovens se entregam por medo de ficar sozinhas. Submetem-se a uma re­lação desestruturada, desequilibrada. Como Diná, vivem situações humilhantes, talvez por não querer perder alguém de status superior. Imagine uma adolescente, em seus quinze anos, sendo cortejada por um príncipe. Parece não haver mais ninguém no mundo.

b. Um jovem, pelo mesmo motivo, pode entregar-se a uma relação que sabe ser pe­rigosa. Pensar em amor assim, porém, não é correto. Porque o amor dignifica, nos faz crescer, nos faz mais generosos. Siquém não tinha amor por Diná. Estava obce­cado, mas não tinha amor. Estava apaixonado, mas não tinha amor.

  1. A amplificação do amor verdadeiro: você já deve ter assistido àqueles filmes sobre o amor verdadeiro, onde este é amplificado de tal maneira que é impossível que exista em nosso mundo real. Sua mensagem é clara: como a felicidade absoluta não existe, querem nos levar a crer que o amor perfeito não existe. Portanto, temos que viver de aventuras amo­rosas, fruto de um sentimento não amadurecido, como aquele de Siquém, aproveitando ao máximo e o mais rápido possível, nem que seja da maneira mais egoísta.

a. Muitos jovens cedem a tais apelos, acreditando que viver em amor é viver aquele êxtase constante, e o confundem com aquela paixão momentânea. Vão, aos pou­cos, substituindo o conceito daquele amor que se constrói dia a dia, de momentos bons e outros não tão bons, do contato diário, por aquele amor platônico como é demonstrado nos filmes, vivendo a perigosa aventura da imitação da arte.

b. Prefiro a vida real. Quando vejo dois velhinhos de mãos dadas, com tantos anos juntos que até se parecem, que enfrentaram problemas e dificuldades, mas estão juntos. Isso, para mim, é amor, amor verdadeiro. Isso se constrói dia a dia.

  1. Pseudoamor próprio. Vivemos numa sociedade que nos fala muito do amor próprio, da autoestima forte. “O importante é você”. O restante, se tem a ver com seus interesses, então vale. E de repente tudo o que nos rodeia são coisas, e não pessoas.

a. Já percebeu que falamos cada vez mais em ter do que em ser? Falamos mais em ter amigos do que em ser amigos? Mais está bom, do que é bom? Está gostoso mais do que é gostoso?

b. Essa é a relação entre o estável e duradouro e o instável, vulnerável e efêmero.

c. A síndrome de Siquém é justamente essa inversão de valores. Por trás da máscara do “amor próprio”, está o império do ego nos colocando em evidência em detri­mento do outro. E sem percebermos vamos transformando as pessoas em trampo­lins. Fazendo delas degraus para nossa satisfação pessoal, objetos de nossos desejos.

d. É o caso dos amoricos. Hoje em dia, fala-se de ficar em vez de namorar. “Va­mos experimentar. Se não der certo, trocamos”. Esse tipo de tratamento desgasta o verdadeiro amor próprio e fere o coração alheio com sentimentos que não são leais. Não significa que ninguém possa, nas suas buscas, passar por várias experi­ências. Mas a Bíblia nos fala de estabilidade e equilíbrio. Devemos cultivar o amor próprio, mas sem esquecer que o mundo não gira ao nosso redor. Somos nós que fazemos o mundo girar.
4. Coisificação

a. Das duas uma: ou somos as coisas que temos ou somos as pessoas com as quais convivemos.

b. Você já viu que há pessoas que são a roupa que têm, o carro, a casa ou a moto que têm? Às vezes, pergunto para os jovens: Por que você gosta dela? Ao que alguns respondem: É que ela se veste tão bem. Então por que você não se casa com a costureira dela?

c. Está cada vez mais fácil ver pessoas querendo estar ao lado de coisas mais do que ao lado de pessoas. Parece que a síndrome de Siquém transformou-se numa epi­demia universal. O pior é que as diferenças entre coisas e pessoas são tão óbvias que dá para se pensar que o ser humano está apegado às coisas por seus valores inerentes, e não por não compreender suas diferenças. Que tal darmos uma olhada nessas diferenças?

4.1. Uma coisa tem preço, uma pessoa não. Podemos comprar qualquer coisa, mas uma pessoa jamais.

4.2. Uma coisa muda de valor, uma pessoa não. As coisas mudam de valor tanto mo­netário quanto emocional. Quando queremos comprar um objeto, economizamos, pensamos nisso e compramos. Nem era para tanto. Dez minutos depois já estamos pensando em comprar outra coisa. Às vezes, fazemos isso com as pessoas. Valoriza­mos tal pessoa, tal amigo, e depois o trocamos por outro. Temos que ter cuidado com essas ideias.

4.3. Uma coisa sempre ocupa o mesmo espaço, uma pessoa não. Mas há pessoas que querem ter as outras sempre no mesmo lugar.

4.4. Uma coisa não tem memória, uma pessoa sim.

4.5. Uma coisa não sente, uma pessoa sim. Tratamos as pessoas como coisas quando ignoramos seus sentimentos. Um dia elas podem estar alegres; outro dia, tristes. Têm namorados, por exemplo, que terminam o namoro por telefone. Uma mensagem por celular, e pronto, acabou. Parecia, mas não era amor.30

4.6. Uma coisa não precisa de afeto, uma pessoa sim. Ou você faz carícias em seu mp4? Não acontece nada se tratamos mal a uma coisa. Com as pessoas é diferente.
Percebeu o quanto são claras as diferenças? Mas mesmo assim a coisificação é um dos mais fortes agentes da síndrome de Siquém. Estamos personificando as coisas e “coisificando” as pessoas. Mas ainda quero considerar um último fator:


  1. A banalização do amor

a. O uso tão corrente da expressão “Pelo amor de Deus” mostra o nível dessa banalidade. Essa frase é dita como qualquer coisa utilizando o amor de Deus fora de lugar. Sabe o que é o amor de Deus? É a expressão mais sublime de sua essência.

b. Outra expressão que retrata esta banalidade é “fazer amor”. Muito confundida com o sexo, tornou-se uma expressão comum na nossa sociedade atual. O sexo é, sem dúvida, a maior dádiva dada por Deus ao matrimônio. No entanto, não se pode esquecer que este é a celebração do amor que é a razão desta união. Ninguém faz amor; apenas o expressa através da relação conjugal no casamento. O amor é, portanto, muito superior, muito mais sublime. O amor é paciente. Espera seu tempo de ser celebrado. Mas a sociedade atual nos vende assim o produto: “Amor = Sexo”; pregando a mensagem de que amar é fazer sexo e levando, assim, a socie­dade atual a emaranhar-se nas malhas da síndrome de Siquém.

CONCLUSÃO

  1. Como falamos no início, conhecer a síndrome de Siquém é conhecer aquilo que não é amor. Portanto, tudo aquilo que parece amor, mas não o é, faz parte dessa síndrome perigosa. Não se julgue tão valente e imune, suficiente para envolver-se com ela e sair ileso. É preciso cuidado: ela levou uma jovem, cujo nome significava “com juízo”, à desonra; levou um pai, “um enganador”, a ser enganado; e levou Siquém, “aquele que coloca o ombro, que ajuda” a desestruturar toda uma família.

  2. É normal ter medo da solidão, mas não precisamos cair na malha fina do falso amor. A mídia vai continuar amplificando o significado do amor verdadeiro, para que ele pareça um alvo inatingível, querendo levar-nos a viver de momentos de prazer. Mas é preciso acreditar: o verdadeiro amor existe e é tão real quanto Deus o é.

  3. Cuidado com o pseudoamor próprio. Ele pode ser uma máscara do nosso egoísmo nos levando a correr atrás de nossos prazeres pessoais sem importar-nos com os prejuízos alheios. O mesmo em relação à coisificação. Valorize as pessoas como tais, levando em conta seus sentimentos e necessidades emocionais, e tome cuidado com a banalização do amor que tende a levar-nos ao sexo livre, dissociado do verdadeiro amor e de qualquer compromisso. Fuja da síndrome de Siquém e estabeleça o verdadeiro amor divino como base de seus relacionamentos.


Pr. Carlos Humberto Campitelli

Ministério Jovem – UNe





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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho


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