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O Oriente nos Vestibulares do Brasil

O Oriente não está apenas adjacente à Europa; é também onde estão localizadas as maiores, mais ricas e mais antigas colônias européias, a fonte verdadeira das suas civilizações e línguas, seu concorrente cultural e uma das suas mais profundas e recorrentes imagens do Outro... a relação entre Ocidente e Oriente é uma relação de poder e de dominação”. Edward Said

Há muito tempo vínhamos nutrindo o desejo de escrever sobre o Oriente. Isso porque há uma tendência contraditória nos vestibulares do Brasil. Ao mesmo tempo em que as provas de História estão enfocando mais o aspecto cultural do que o político, a noção de diversidade cultural colocada é hierarquizada e excludente. Hierarquizada, pois traz a idéia de que a cultura ocidental é a mais “civilizada”. Excludente, por não colocar perguntas sobre o Oriente com a mesma freqüência com que coloca sobre o Ocidente.

Se atentarmos para observar, em muitos vestibulares do Brasil, como é o caso do da UFAC, a “Antiguidade Oriental” - Antigo Egito, Pérsia, Mesopotâmia, Hebreus e Fenícios – não aparecem mais nos conteúdos programáticos de História. Não é preciso conhecer o passado oriental, “não cai no vestibular”. O importante mesmo é conhecer as Civilizações Clássicas – Grécia e Roma. Vejam que o termo “antiguidade clássica”, já é uma referência a um passado não-clássico, que foi a antiguidade oriental. Portanto, os próprios livros de história nos educam a ter uma visão preconceituosa do Oriente.

Quando analisamos as perguntas das provas de história dos vestibulares sobre a Idade Média, nos vêm outra decepção. A decadente feudalização da Europa tem mais ênfase do que o apogeu Bizantino ou a incrível expansão Islâmica. Talvez isso seja assim, por que muitos historiadores afirmam que a Europa medieval é o berço da civilização ocidental e o importante é isso e não o “aquilo”.

A decepção ainda é maior quando o assunto é História Contemporânea. Parece que o Oriente se reduz ao Oriente Médio e este, ao terrorismo do fundamentalismo islâmico. Assuntos como o “11 de setembro” ainda estão na ordem do dia. Tudo isso dá a entender que o termo Oriental é referência de terrorismo e de atrasado, ou seja, se enquadram na História “não-Clássica” do mundo contemporâneo.

Por que essa hierarquização e exclusão entre o Ocidental e o Oriental? Talvez por que esses termos não são tão somente espaços geográficos postos respectivamente ao oeste e leste do famoso meridiano de Greenwich. Talvez haja duas visões de mundo disputando entre si a hegemonia mundial. Talvez o Brasil esteja aparelhado a uma delas. Talvez o que conhecemos sobre o Oriente não seja o Oriente, mas uma representação criada do Oriente pelo Ocidente. Talvez haja interesses maiores em jogo do que simplesmente questões de vestibular. Talvez alguém esteja ganhando com isso e, conseqüentemente, alguém esteja perdendo. Talvez daqui a uns cinqüenta anos, com a escassez do petróleo, a gente entenda um pouco mais sobre essas trivialidades.



*Eduardo de Araújo Carneiro, é acadêmico do mestrado em Letras da Universidade Federal do Acre. (osemeador12@hotmail.com)


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