Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos



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VI SIMPÓSIO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES (ABHR)


VI SIMPÓSIO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES (ABHR)

HISTÓRIA DAS RELIGIÕES: DESAFIOS, PROBLEMAS E AVANÇOS TEÓRICOS, METODOLÓGICOS E HISTORIOGRÁFICOS.

(FHDSS / Unesp - Franca, 01 a 04 de junho de 2004)

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

Reitor: José Carlos Souza Trindade

Vice-reitor: Paulo Cezar Razuk


FACULDADE DE HISTÓRIA, DIREITO E SERVIÇO SOCIAL – CAMPUS DE FRANCA

Diretor: Hélio Borghi

Vice-diretor: Ivan Aparecido Manoel
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

Chefe: Margarida Maria de Carvalho

Vice-chefe: Jean Marcel Carvalho França
CONSELHO DE CURSO DE GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

Coordenadora: Célia Maria David

Vice-coordenador: Alberto Aggio
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

Coordenadora: Márcia Regina Capelari Naxara


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES (ABHR)

Presidente: Paulo D. Siepierski

Secretária-geral: Mabel Salgado

Tesoureiro: Lyndon de Araújo Santos

Secretário de Divulgação: Benedito M. Gil
COMITÊ CIENTÍFICO DA VI ABHR

Prof.   Dr. Ivan Ap. Manoel -Unesp/FHDSS-Franca (Presidente)

Prof.ª Dr.ª. Teresa Maria Malatian -Unesp/FHDSS-Franca

Prof.   Dr. Ubaldo Silveira -Unesp/FHDSS-Franca

Prof.  Dr. Ivan Esperança Rocha -Unesp/FCL-Assis

Prof.  Dr. Benedito Miguel Gil -Unesp/FCL-Assis

Prof.   Dr. Eduardo Bastos Albuquerque Unesp/FCL-Assis
COMITÊ ORGANIZADOR

Alexandre Budaibes

André Magalhães Medeiros

César Agenor Fernandes da Silva

Daniel Marques Vilela

Diogo da Silva Roiz

Elza Silva Cardoso

Fábio Pires Gavião

Felipe F. Dias Leite

Igor Marlor Sales

Júlio Zacarin Neto

Lâmia Jorge Saad

Leandro José de Andrade Cruz

Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa

Lucas Ap. Costa

Lucas Miranda Pinheiro

Nainora Maria Barbosa de Freitas

Marcelo dos Reis Tavares

Alunos do PET – História

Augusto Melara Faria, Camila da Silva Côndilo, Gabriel Terra Pereira, Gilson Mariano Nery, Joseane da Silva Prado, Juliano Alves Dias, Leonardo Teixeira Gomes, Maicon Vinicius da Silva Carrijo, Marina Novaes de Senne, Moisés Antiqueira, Paulo Roberto de Oliveira, Rafael José dos Anjos Silva, Rafael Lopes Prianti, Rafael da Costa Natera

C.A. de História 

APRESENTAÇÃO

O VI Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) se realizará de 01 a 04 de junho de 2004, na UNESP, Campus Universitário de Franca, SP, em parceria com o Departamento de História.

O tema proposto ao Simpósio é, História das Religiões: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos.

O título é longo, sem dúvidas, porque o tema proposto é necessariamente abrangente.

O que se pretende é a realização de um primeiro “balanço” da produção historiográfica sobre as religiões no Brasil.

É bem verdade que a ABHR realizará apenas o seu VI simpósio, fato que poderia lançar dúvidas sobre a exeqüibilidade de um balanço da produção historiográfica de tão curto período de tempo.

Entretanto, a produção dos historiadores e de outras áreas das ciências humanas e sociais sobre as religiões antecede a própria fundação da ABHR e se dá também fora de seus quadros. É exatamente esse universo que se pretende examinar, ao menos em parte.

Tempos houve em que a história das religiões não gozava de muito prestígio, particularmente nos meios acadêmicos; ela não fazia parte dos “grandes temas” propostos à discussão.

Talvez fosse essa atitude uma herança do século XIX, período histórico em que a crença exacerbada na ciência e o olhar confiante para um pretendido futuro ancorado exclusivamente na racionalidade e na tecnologia fizeram com que se decretasse a morte de Deus, e o desdobramento lógico foi considerar-se as religiões como meras excrescências dos obscurantismos passados, agora iluminados pela Luz da Razão e da Ciência.

Naquele contexto houve até quem dissesse que a própria palavra religião sobrevivia no vocabulário apenas como reminiscência romântica, como o fizera Engels no seu texto, Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã.

As primeiras décadas do século XX não modificaram substancialmente a situação; antes, poder-se-ia dizer que a agravaram. Os constantes avanços científicos e tecnológicos, que propiciaram o desenvolvimento de um nunca antes imaginado poderio bélico, cujo ápice são as atuais armas nucleares e de destruição em massa, e a momentânea vitória de projetos políticos alicerçados no materialismo e no ateísmo ampliaram os quadros daqueles que acreditavam no fim das religiões e daqueles que professavam o agnosticismo.

No Brasil, nas três ou quatros primeiras décadas do século XX, proliferaram associações que se autodenominavam “Livre Pensadores”, por exemplo, cujo propósito era confessadamente o de acelerar o processo de aniquilação de qualquer manifestação religiosa – ser moderno, se acreditava na época, era ser ateu e inimigo das religiões.

O desdobramento dessa atitude se manifestou na própria historiografia brasileira. As religiões institucionalizadas muito pouco foram objeto de pesquisa acadêmica; mais ainda, muitos foram os historiadores que escreveram sobre momentos decisivos da história brasileira sem se referirem ao papel fundamental da instituição católica naqueles episódios.

Um dos exemplos mais significativos é a falta de referências, em muitos textos historiográficos sobre a Constituição de 1891, ao fato de a Carta republicana ter sido negociada entre D. Antônio de Macedo Costa, Bispo do Pará e líder do episcopado brasileiro, e Rui Barbosa, para garantir à Igreja a propriedade dos bens imóveis eclesiásticos e a vida das instituições e do clero católico, afastando qualquer possibilidade de perseguição anticlerical.

Aquela negociação confirma os limites e as peculiaridades da ilustração e do liberalismo brasileiro, conforme demonstra a discussão de muito autores sobre o tema. Mas, demonstra também o poder exercido pela Igreja Católica na sociedade brasileira, poder que não pode ser ignorado ou menosprezado por nenhum historiador.

No entanto, apesar dos vaticínios e da crença de muitos, as religiões não desapareceram, a fé não morreu...Ao contrário, sobreviveram, se fortaleceram e se multiplicaram, mesmo naqueles países em que se encontravam na ilegalidade e sofriam perseguições brutais.

Ao mesmo tempo, muitos foram os cientistas de reconhecimento público mundial que declararam sua crença, crença que muitos cientistas declaram abertamente na atualidade, não obstante todos os avanços científicos em todas as áreas.

No campo do catolicismo, membros do clero se engajaram na pesquisa científica e acabaram por aceitar, ainda de que modo limitado e “cristianizado” , as teorias evolucionistas e a teoria do Big Bang, processo que teve seu momento mais notório com o documento Un Ora, dirigido por Pio XII à Academia de Ciências do Vaticano, em 1951, aceitando a teoria da explosão inicial como origem do universo e mostrando como ela, segundo a leitura católica, não negava mas confirmava a existência de Deus.

O contexto dos avanços científicos ensejou a realização de um novo aggiornamento da Igreja Católica, produzido pelo Pe. Pierre Teilhard de Chardin, particularmente no seu livro, O Fenômeno humano. No século XIII, na Súmula Teológica, Stº Tomás de Aquino atualizara a doutrina católica por meio da releitura da filosofia aristotélica. A síntese tomista foi o fundamento da doutrina católica até o século XX. Teilhard de Chardin releu a doutrina católica à luz das descobertas científicas, e essa síntese é um tema a merecer uma análise mais sólida no que diz respeito às suas influências entre os intelectuais e o clero brasileiro.

No vasto campo do cristianismo, as diversas denominações “protestantes” históricas desenvolveram estudos aprofundados sobre as origens e desenvolvimento da doutrina cristã, revelando dados fundamentais ao entendimento das relações estabelecidas entre ela e as demais instâncias da sociedade. Ao mesmo tempo, portanto, em que essas relações eram desvendadas, constituiu-se um amplo acervo documental e historiográfico em museus, arquivos e bibliotecas que, juntamente com os arquivos do Vaticano, oferecem ao historiador farto material de pesquisa nessa área.

No plano internacional, a permanência, tanto de religiões milenares, angariando cada mais adeptos, mesmo no mundo ocidental, quanto a permanência de conflitos inter e intra-religiões (sunitas e xiitas ou judeus e islâmicos, por exemplo), bem como a predominância de grupos fundamentalistas sobre a sociedade civil, particularmente no Oriente Médio (taleban, por exemplo) são mais fatos históricos a negarem, pela práxis, o discurso ideológico dos que ainda, numa espécie de iluminismo tardio, anunciam o fim das religiões e o advento de uma era absolutamente racional e secular, no sentido que indica Giacomo Marramao nos seus livros, Céu e terra e Poder e secularização.

Mesmo com todas essas mudanças históricas, houve quem, desejando obliterar os fatos historicamente comprováveis, tentasse reduzir as manifestações religiosas e as igrejas à condição de simples “aparelhos ideológicos do Estado”, como é o caso de Louis Althusser em um livro exatamente denominado, Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado, como se a fé e as religiões que lhe dão suporte não tivessem suas especificidades e peculiaridades, seu modo específico de se constituírem e, como manifestações superestruturais, não tivessem sua relativa autonomia.

É certo que o poder do Estado, sempre que pode, se aproxima das instituições religiosas pretendendo transformá-las em instrumento , e é certo também que as instituições religiosas muitas vezes aceitam e colaboram com o poder do Estado visando, por sua vez, transforma-lo em instrumento de suas pretensões. No Brasil, após a separação entre a Igreja Católica e o Estado, com a Proclamação da República, verificou-se essa aproximação entre ambos durante o período varguista, em que ambos se utilizaram mutuamente em benefício próprio.

Assim, ao reduzirem as religiões à condição de “aparelhos ideológicos”, essas vertentes relegaram a dialética entre o todo e as partes, e se afastaram de um vasto campo de trabalho que bem investigado oferece chaves inestimáveis para a interpretação e intelecção do conjunto da história humana, e da brasileira no nosso caso específico.

No Brasil, o quadro do catolicismo se complicou ainda mais, dos meados da década de 1950 em diante, com a inflexão à esquerda de parte do clero e de instituições católicas, como a JUC, por exemplo.

A JUC (Juventude Universitária Católica), instituição destinada a congregar os estudantes universitários, foi criada por D. Sebastião Leme, Arcebispo do Rio de Janeiro, dentro do projeto da Ação Católica, no período que atravessa os tempos de Vargas e alcança a década de 1960.

Criada para ser um instrumento de conservação dos universitários nos marcos da ordem estabelecida, adotou como fundamentos autores franceses, dos quais se destacam Emmanuel Mounier, católico de tendências abertamente de esquerda e de Jacques Maritain. Sob a orientação do Pe. Almeri Bezerra, a JUC converteu as teses dos autores franceses em um projeto político de esquerda e passou a se contrapor ao Estado brasileiro, em especial após o golpe de 1964.

Dela se desdobrou a AP (Ação Popular), de caráter absolutamente de esquerda, congregando estudantes ligados à UNE (União Nacional dos Estudantes) e aos partidos de esquerda, passando a agir na ilegalidade e na clandestinidade.

Ao mesmo tempo, um segmento significativo do clero brasileiro se aproximou das teses e propostas da Teologia da Libertação, produzindo um farto acervo bibliográfico e documental que se constitui em uma riquíssima fonte de pesquisas diversas na área da história da Igreja Católica no Brasil.

Um desdobramento importante da consolidação das teses e das práticas da Teologia da Libertação para os estudos da história das religiões e das igrejas foi a criação da CEHILA (Comissão para o Estudo da História da Igreja Latino Americana). Essa comissão, dentro do espírito ecumênico da Teologia da Libertação, se constitui em um centro privilegiado de pesquisa histórica, não só da Igreja Católica, mas de outras igrejas cristãs e não cristãs.

Além da questão imediata da pesquisa bibliográfica e documental, a partir de então se propuseram também as questões de método. A proposta de investigação da história das religiões, atribuindo-lhe uma tarefa de conscientização e libertação, exigia uma redefinição metodológica para estabelecer o lugar dessa mesma investigação no conjunto da história. A escrita da história com vistas à libertação e conscientização, como se propunha, exigia, de fato, uma redefinição do próprio significado da história, considerada como processo histórico, como da historiografia; exigia-se, portanto, uma redefinição metodológica.

Desse momento em diante, a aproximação com a academia era imprescindível, e a academia aceitou a aproximação, embora nem todos os acadêmicos que passaram a se dedicar a essa área de pesquisa tivessem os mesmo propósitos ou seguissem a mesma metodologia adotada pela Teologia da Libertação e da CEHILA.

Entretanto, a diversidade metodológica, que implica em diversidade de interpretação, não significou empobrecimento, mas o enriquecimento da área, seja pela múltipla definição de objetos, seja pelo próprio debate metodológico - tanto o marxismo, quanto o estruturalismo weberiano têm dado sua contribuição e o aprofundamento do debate entre ambos e certamente outras tendências se anunciarão nos horizontes dos estudos da história das igrejas e das religiões.

Nesse contexto, outras religiões, sejam de origem africana, sejam de origem oriental, foram perdendo a condição que se lhes imputaram de “religiões exóticas” ou mesmo “fora da lei”, tanto pelo crescimento de seus quadros de praticantes, quanto pelo fato de se constituírem em objeto de pesquisas acadêmicas.

A academia enfim admitira, seguindo o alerta de Sérgio Buarque de Holanda, de 1963, que o estudo da história de nossas religiões era imprescindível para o entendimento de multifacetada tessitura de nossa história, em que as tolerâncias e intolerâncias se entrecruzam e se amalgamam no sincretismo cultural, político e religioso que tanto nos caracteriza.

Nos últimos 25 anos, a história das religiões se firmou na academia brasileira, em nível de graduação e pós-graduação, do que tem resultado a redação de monografias, dissertações, teses, livros e artigos e inúmeras participações em congressos nacionais e internacionais, bem como a própria criação da ABHR.

Os temas abordados por essa produção abrangem um espectro muito grande, incluindo as discussões sobre as religiosidades populares e as institucionalizadas, os problemas sociais e políticos ao redor das religiões, as questões teológicas e filosóficas, o cotidiano e o institucional, a longa e a curta duração...

Esse é o universo que se propõe à discussão no VI Simpósio Nacional da ABHR.

Prof. Dr. Ivan Aparecido Manoel (Presidente do VI Simpósio da ABHR)


  1. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES




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