Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos


A TERRITORIALIDADE DA IGREJA CATÓLICA NO BRASIL – 1800 E 1930. Zeny Rosendahl – UERJ



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A TERRITORIALIDADE DA IGREJA CATÓLICA NO BRASIL – 1800 E 1930. Zeny Rosendahl – UERJ


A presente pesquisa procura descrever e interpretar a territorialidade da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, considerando os anos de 1800 e 1930. Intenta-se contribuir para tornar inteligível a dimensão espacial de uma prática simultaneamente política e cultural, que resultou em amplos territórios vazios ou superficialmente administrados por profissionais da religião. No Brasil a fé cristã foi introduzida oficialmente pelos portugueses, não só através da intervenção do Estado, mas também das ordens religiosas e pela ação dos colonos. A vinda dos missionários, por exemplo, ocorreu por ordem da Coroa Portuguesa (HOONAERT, 1983) que, através de Bulas papais passaram a ter a tarefa de impor a fé. Representação religiosa e política se aglutinavam na conquista e ocupação do territórios (AZZI, 1987). Como conseqüência, criaram-se as condições para práticas religiosas portadoras de novos significados, os quais originaram a religião popular, comum mais próxima e da maioria do povo. Este reelabora a religião oficial onde esta não conseguiu se impor plenamente. O catolicismo popular é uma variante do catolicismo oficial, com rituais e símbolos mais acentuados do que os conteúdos doutrinários. (PARKER, 1995).

Na presente pesquisa foram selecionados os anos de 1800 e 1930 em virtude de ambos representarem dois momentos significativos da história e geografia do Brasil. O ano de 1800 anuncia o final do período colonial, com a transferência provisória da Corte portuguesa em 1808 e a independência do país em 1822. O ano de 1930 marca o fim da denominada “República Velha” e o início das transformações sociais, econômicas e políticas, acompanhadas pela continuidade do processo de ocupação do território brasileiro, o que levaria a Igreja Católica a repensar as suas estratégias territoriais.

Este trabalho, por outro lado, é parte de amplo projeto que analisa diversos aspectos da territorialidade da Igreja Católica no Brasil desde o início do século XVI ao ano de 2000. Tem como base de informações o Anuário da Igreja Católica relativo ao ano de 2000, publicado pelo CERIS – Centro de Estatística Religiosa e de Investigação Social –, associado à Igreja Católica. O anuário contém informações sobre as paróquias e dioceses brasileiras, sendo extremamente útil para os fins a que este estudo se propõe.
DA CRISTANDADE Á IGREJA DOS POBRES: TRAJETóRIA HISTÓrICA. Daniela Cristina de Oliveira Prandini, Humberto Perinelli – História – Centro Universitário Barão de Mauá.

Nosso intuito com este trabalho foi realizar uma leitura histórica do longo trajeto da Igreja Católica Apostólica Romana, desde sua chegada no Brasil – inserida no projeto colonizador, até a realização da III Conferência Episcopal Latino-Americana (Puebla), em 1979. A trajetória histórica da Igreja Católica no Brasil, desde os primórdios da colonização até o presente, pode ser pensada em termos de localização e de identificação do papel social exercido por ela, em cada época. Inicialmente, constitui-se o modelo de Cristandade Colonial, e a Igreja se vê unida ao Estado Português, tendo como missão legitimar e fazer efetivo o projeto “mercantil-salvacionista”. Com a Independência, em 1822, temos o início de um processo de mudança marcado por tensões com o poder político, concomitante à progressiva adesão às determinações da Santa Sé, caminhando para uma romanização do catolicismo brasileiro, bastante evidente no início do século XX, que acentua um caráter privado da vivência de fé. Buscando um novo espaço para sua hegemonia, a Igreja incentiva o apostolado dos leigos que passam a atuar no âmbito social, descobrindo novos fundamentos para a vivência religiosa e os desafios da realidade social do país. Estimulados pelos novos ares conciliares, o laicato acaba por redirecionar sua atuação não mais para a hegemonia católica, mas para a transformação social, tendo as Comunidades Eclesiais de Base, papel destacado nesta evolução, representando o nascimento de uma “Igreja dos Pobres”. Neste trabalho, por meio da pesquisa bibliográfica, procuramos nos situar na ótica de uma elaboração que considerasse, ao mesmo tempo, a prática social da Instituição eclesiástica e dos cristãos católicos, procurando compreender suas motivações e seus pensamentos. Além disso, tivemos a preocupação constante de captar as relações entre o desenvolvimento do cristianismo católico no Brasil e o cenário social e político do país.


PASTORAL DA CRIANÇA: UMA LEITURA LONGITUDINAL DOS 15 ANOS DE HISTÓRIA DA PASTORAL SOCIAL EM MARIANA. Diego Omar da Silveira, Professor Doutor Ivan Antonio de Almeida; Colaboradores: Professora Lígia Garcia Diniz e Padre Paulo Barbosa – História – Departamento de História.

Nosso trabalho tem buscado refletir os 15 anos de atuação da Pastoral da Criança em Mariana – MG, como um movimento articulado da sociedade civil; como ação que se quer transformadora da realidade das populações nela engajadas. Baseamos nossa análise nos historiadores sociais E. P. Thompson, Eric Hobsbawn e Michelle Perrot; no filósofo Antonio Gramsci e em sociólogos brasileiros como Florestan Fernandes e Francisco Weffort, além do francês Pierre Bourdieu, que teceram importantes considerações sobre categorias sociológicas indissociáveis de nosso objeto.

Nossas fontes são os jornais O Arquidiocesano (Arquivo da Cúria de Mariana) e O Lutador (Hemeroteca do Estado – Belo Horizonte) ambos circulantes em Mariana nos fins da década de 1980 e início da década de 1990; atas, informativos, os programas da Pastoral e a relação dos resultados por ela obtidos nos seus 15 anos de ação; Pesquisas da Assessoria Pública à Prefeitura de Mariana realizadas pelo NEASPOC (Núcleo de Estudos Aplicados Sócio - Políticos Comparados) entre os anos 1999 e 2003; e os Censos Demográficos de 1991, 1996 e 2000 (IBGE). Porém adotamos como fonte central e indispensável, as evidências orais recolhidas nas entrevistas com os agentes pastorais e leigos não engajados. É sobre estas fontes que centramos o aparato metodológico (História Oral), e são as entrevistas que nos desvelam a riqueza das demais fontes, propiciando estudar este ‘movimento’ mesclando uma visão dos agentes históricos envolvidos no processo de transformação social com a visão externa dos cientistas sociais e das fontes escritas.

Resultados preliminares elucidam-nos que, só há 15 anos atrás, quando Mariana conhece uma nova concepção pastoral, ou seja, uma nova concepção do papel da Igreja num mundo laicizado é que a Igreja Católica nesta localidade passa a inserir-se nas massas, exercendo sobre elas um papel de liderança motivadora da ação e da transformação social.





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