Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos



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A “ESQUERDIZAÇÃO” DO CATOLICISMO BRASILEIRO: O JORNAL BRASIL URGENTE. Lucas Aparecido Costa, Ivan Aparecido Manoel – Programa de Pós-Graduação em História – Unesp

A evolução do pensamento católico brasileiro,manifestou uma ruptura a partir de 1950, tanto na sua estrutura interna quanto externa, que deu origem a uma segunda vertente: um clero que aos poucos se distanciou da outra parte da Igreja, totalmente conservadora. Esse processo de cisão se intensifica na década de 1960. Dentro dessa dinâmica, considerada por muitos clérigos do período, como “esquerdização” do catolicismo, encontra-se o Jornal Brasil Urgente, fundado pelo dominicano frei Carlos Josaphat, que é nosso objeto de estudo. No período da “esquerdização”, conta muito a prática que se lançaram os cristãos de “esquerda” na busca de um cristianismo mais vivo, consciente da práxis histórica. Sob essa ótica, que se percebe a importância do estudo do periódico citado, que de início – apesar de ter sobrevivido apenas um ano (março de 1963 a abril de 1964) – colocou em evidência o perfil do novo cristianismo e por fim condensou o pensamento não somente da parte interna da Igreja, como também da parte externa. Destarte a partir da hipótese trabalhada em nível de Iniciação Científica – da influência dos representantes da esquerda católica, Lebret, Maritain e Mourrier no processo de ruptura do pensamento católico, objetivamos estender essa afirmativa para o jornal. Quanto à metodologia utilizada, destacam-se: a linha teórica da autocompreensão que analisa a Igreja em sua vertente institucional; a leitura de uma vasta bibliografia que elucida o contexto histórico da fundação do jornal; a pesquisa documental que privilegia a leitura de encíclicas papais do período, e o principal - a exploração do periódico -, como também a futura entrevista com o frei Josaphat fundador e animador do jornal “Brasil Urgente”. Posto assim, vale ressaltar que os resultados que pretendemos demonstrar é a importância do estudo do referido documento que, além de seu forte matiz evangélico-libertador, trouxe questões um tanto contraditórias à Igreja Conservadora da época, como cristianismo e revolução, evangelho e libertação social, cristianismo e revolução, evangelho e libertação social, cristianismo e comunismo -.


A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE DEUS A PARTIR DO LUGAR HERMENÊUTICO DO MILITANTE CATÓLICO. Wellington Teodoro da Silva – Departamento de Filosofia e Teologia da PUC Minas.

Apresentamos nesta comunicação um trabalho de pesquisa que julgamos ser um caminho razoável para pensar a escrita da história da religião no seu permeio com a política. Investigamos uma tradição religiosa militante dentro do catolicismo, iniciada com a Ação Católica. Buscamos, através de entrevistas e análise de documentos escritos, colocar em relevo a visão que os militantes tinham de Deus. Acreditamos que tal pertinência legitima-se no dado de que este Sujeito é o produtor de sentido e impulsionador da atividade militante. E, se a religião não é um objeto mas uma relação, pensamos que numa referência religiosa teísta devemos descobrir qual a identidade existencial da referência de divindade que ocupa o seu núcleo denso. Uma vez que esta é uma relação fundamental da construção da própria identidade dos sujeitos militantes. Pensamos que esta é uma metodologia pela qual o historiador pode perceber a densidade dos significados e avançar para uma história que ultrapasse as institucionalizações das experiências religiosas. Ao pensar na historiografia brasileira, observamos que a religião e a sua relação com a política, quando tomados como objeto, o resultado que nos chega aos olhos tem sido de uma história política da religião. Acreditamos que, para estudar as religiões os historiadores têm utilizado os instrumentais teóricos próprios da esfera epistemológica do político usados para pensar o Estado, os partidos políticos e os sindicatos, por exemplo. Por isso, temos tantos trabalhos na historiografia brasileira que se ocuparam em estudar relações como Estado e Igreja, positivismo republicano e catolicismo, Igreja e democracia, Igreja e revolução e Igreja e modernidade.


A ATUALIZAÇÃO DO DISCURSO POLÍTICO CATÓLICO NO BRASIL DA DÉCADA DE 1940. Alexandre José Gonçalves Costa, Izabel Andrade Marson – Doutorado/História – Departamento de História/Unicamp.

No presente trabalho abordamos os pilares sobre os quais se sustentou o programa de adaptação realizado pelo discurso dos católicos maritaineanos do Centro Dom Vital à democracia. Depois de duas décadas – 1920 e 1930 – de defesa contundente dos regimes de força, o órgão do Centro, a revista “A Ordem”, adere à pluralidade da cidade e ao valor da liberdade. A identificação do que é recorrente no discurso, de elementos que são continuamente retomados na justificativa e no embasamento da nova atitude político-social, move-nos à proposição da existência de um mecanismo – ou de uma técnica – de atualização. Seu ponto de partida é dado pelos “sinais dos tempos”, por uma determinada leitura da situação vivida, que identifica nesta algo de novo. É essa leitura do dado real e de sua novidade, que faz surgir uma “razão de oportunidade” para a adaptação. No entanto, a conveniência pode ser entendida como mero oportunismo. Insere-se, então, ao lado da “razão de oportunidade”, uma “razão de princípio”. Observa-se um esforço hermenêutico em que a Escritura, a Tradição, as Encíclicas, são relidas e atualizadas. Entramos aqui no cerne do mecanismo da atualização. A mensagem evangélica plantou sementes de verdade no mundo, que agem misteriosamente na história, inclusive nas palavras e instituições dos incréus. Mas, ao lado delas, agem germes da destruição, pois todas as coisas, todas as palavras estão embebidas na ambivalência inerente ao mundo. Instaura-se, então, a ambigüidade generalizada dos termos, deshistoricizando-se todos os valores, idéias que se pretende apropriar. Ocorre uma reviravolta dos significados das palavras concomitantemente à fixação de seu “verdadeiro sentido”. Isto é possível porque, segundo a Tradição, tudo que há de verdadeiro e de bem pertence ao cristianismo, e porque todos os sistemas adversários carregam partes da verdade. A técnica da apropriação, e portanto da atualização, está toda embasada em um conceito: o da “catolicidade ontológica”. Todo ser carrega impresso em sua natureza o sinete do criador. Ser humano é o mesmo que ser cristão.





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