Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos



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O CONSERVADORISMO CATÓLICO E A QUESTÃO SOCIAL : UMA ANÁLISE A PARTIR DO LIVRO REFORMA AGRÁRIA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA. Alfredo Moreira da Silva Júnior- Orientador Prof. Dr. Eduardo Basto de Albuquerque - Programa de Pós-Graduação em História UNESP – Assis.

A presente pesquisa visa buscar uma breve análise do conteúdo do livro Reforma Agrária Questão de Consciência, a obra foi publicada num período de grande efervescência política no país, quando acalorados debates chamavam a atenção das pessoas para a questão social e a questão agrária, a necessidade de se buscar alternativas e mudanças nas estruturas político-sociais , ou de resistir a qualquer tentativa neste sentido. O livro teve como autores Plínio Correia de Oliveira, ex-professor da PUC-SP e fundador da TFP : Tradição, Família e Propriedade, Os Bispos de Campos RJ, D. Antônio de Castro Mayer e de Jacarezinho PR, D. Geraldo de Proença Sigaud, além do economista Luiz Mendonça de Freitas. Devido à amplitude dos argumentos utilizados na obra em questão 387 páginas, buscou-se como recorte a Parte I , Seção II , intitulada Opiniões socializantes que preparam o ambiente para a “Reforma Agrária” : Exposição e análise. Tal recorte justifica-se pelo fato de melhor demonstrar as bases teóricas do pensamento conservador católico e sua transformação em discurso capaz de chamar os católicos brasileiros a uma “cruzada contra o comunismo” , publicado em 1961, o livro difundiu-se rapidamente por todo o país, sendo publicadas quatro edições em português e uma em espanhol num total de 39.000 exemplares, segundos dados da própria TFP, tais elementos embora desprezados pela historiografia sobre o período que se baseia em sua maior parte apenas nos aspectos econômicos e políticos, são essenciais para se entender o papel do conservadorismo religioso nos acontecimentos que ajudaram a justificar o Golpe Militar de 1964, como exemplos temos a Marcha da família com Deus pela liberdade, e o apoio, num primeiro momento, da própria CNBB ao Golpe.


ALONSO FERREIRA DE CARVALHO: PADRE E CAPITALISTA. Valdir Geraldo Ferreira, Pedro Geraldo Tosi – Mestrado em História – Departamento de História.

O presente trabalho tem como escopo realizar um estudo acerca de um sacerdote brasileiro, radicado em Franca, cidade do interior paulista, cuja ação foge ao comum do comportamento dos clérigos. Trata-se do Padre Alonso Ferreira de Carvalho, nascido em Araxá, MG, em 1844. Estudou no Colégio Lazarista São Vicente de Paula, em Campo Belo, MG, ordenando-se padre pelo Seminário da cidade Goiás Velho, em 1874. Chegou a Franca em 1880. Nesta cidade exerceu as funções de coadjutor e fabriqueiro. Dada a inexistência de informações precisas sobre ele e sua estreita ligação com o incremento da atividade curtumeira e sua vinculação com o crédito na cidade fomos motivamos a empreender o estudo. Compulsamos os seguintes documentos: inventário dos bens deixados pelo padre Alonso, jornais, almanaques etc. entre 1880 a 1929, ano de seu falecimento. Infelizmente não encontramos trabalhos sobre a instituição Fábrica da Igreja, o que poderia trazer-nos esclarecimentos. Sabemos apenas tratar-se dos rendimentos da Igreja com aforamentos de terrenos, doações, etc., sendo o Fabriqueiro o responsável pela administração do patrimônio eclesiástico. Com o exame da documentação chegamos a algumas conclusões, entre elas, a de que o referido sacerdote ao realizar empréstimos e estar ligado a fundação do primeiro curtume em Franca, em 1886, contribuiu para o desenvolvimento econômico da cidade. O comportamento do sacerdote abre um viés de discussão bastante rico e instigante, como explicar o fato do padre ter sido capitalista? Sobretudo se levarmos em consideração o debate acerca da religião e o surgimento do capitalismo. Sabemos, ser a Igreja Católica, pelos durante a Idade Média, contrária a usura. Dentre os autores que abordaram este aspecto temos Tawney, Max Weber, etc. Michael Lowy, em seu artigo Ética Católica e o espírito do capitalismo, nos diz que de maneira geral a Igreja nunca pensou ser possível aboli-lo. Contudo, na cultura católica, predomina uma aversão ética ao capitalismo.

Religiões Afro-brasileiras, Kardecismo e Religiões Orientais

REFLEXÕES SOBRE A FILOSOFIA DA HISTÓRIA DO ESPIRITISMO. Nadia Rodrigues Alves Marcondes Luz Lima, Ivan Aparecido Manoel — História — Departamento de História.

O presente trabalho pretende servir como mais um desafio a ser vencido pelos pesquisadores que se dedicam à História das Religiões, ao propor refletir sobre a possibilidade de se elaborar uma Filosofia da História do Espiritismo. A metodologia usada fora dedutiva, ora indutiva, priorizando o método comparativo, ocasião em que torna-se imprescindível a citação da obra O Pêndulo da História: a Filosofia da História do Catolicismo Conservador, de Ivan A. Manoel. Afirma a Teologia da História do Catolicismo conservador que Adão, após haver cometido o pecado original, caiu no eterno e entrou no tempo, surgindo desde então o homem histórico, ou seja, o homem que nasce, vive e morre em determinado tempo, necessitando tornar-se um homem de bem durante o intervalo de tempo entre o nascimento e a morte, tempo de vida, para obter a redenção. À tradição judaica atribui-se parte da responsabilidade pela consolidação da teoria linear e evolutiva do processo histórico, segundo a qual cada um de nós haveria de ter apenas uma única oportunidade para obter a redenção, uma vez que o nascimento seria oportunidade única. Teoria diversa nos aponta a Filosofia da História sob o enfoque espírita, ao propor a diversidade de possibilidades reencarnatórias de cada indivíduo. Entre o nascer, morrer e o renascer, a criatura adentraria e sairia da temporalidade em múltiplas ocasiões, e não apenas em uma, consolidando, desta forma, não a linearidade como forma gráfica do existir, mas a espiral do ser em evolução entre o existir e o interexistir. Os conceitos de imortalidade, de reencarnação, da possibilidade de comunicabilidade com os espíritos e da pluralidade dos mundos habitados caracterizam problemáticas diversas, as quais, por si só, merecem que nos lancemos aos desafios, à busca de avanços teóricos, metodológicos e historiográficos para uma História Cultural do Brasil, de modo a permitir que avancemos rumo a novos horizontes de pesquisa acadêmica para a História das Religiões.


O ESTUDO DO KARDECISMO NO BRASIL: REFLEXÕES E PERSPECTIVAS HISTORIOGRÁFICAS. Raquel Marta da Silva – Doutoranda do Departamento de Pós-Graduação de História, na linha de pesquisa de Jogos de linguagem, cultura e poder, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Este resumo visa realizar uma discussão, apresentando um pequeno balanço referente ao estudo do kardecismo brasileiro. Através de um levantamento bibliográfico, percebemos que, embora os trabalhos que tratam dessa religião forneçam instigantes subsídios para pesquisa, dentre as religiões, esta vem sendo uma das menos investigadas. Na verdade, essa observação foi realizada nos anos 80 por Carlos Brandão. Na década seguinte, esse destaque também foi apontado por Emerson Giumbelli e Sandra Stoll, ambos chamando a atenção para que, se de um lado as estatísticas revelavam um crescimento de adeptos para a religião kardecista, por outro, o número de pesquisas que procuravam compreender essa adesão, não acompanhou este crescimento na mesma proporção. Ao realizarmos nossa análise historiográfica, também endossamos esta observação, visto que detectamos um número relativamente pequeno, embora extremamente significativo, de trabalhos, sobretudo de pós-graduação, pesquisando a historicidade do kardecismo, sua inserção pelas mais diversas regiões brasileiras e as relações de poder nas quais esteve envolvido; ainda, observamos alguns poucos trabalhos tratando das questões ligadas ao seu sistema de crença e ao seu ritual. Enfim, apesar da existência desses trabalhos, concluímos que no Brasil, ainda são incipientes as pesquisas que têm investigando as práticas e as vivências da religião kardecista pelo país afora.


A HOSPITALIDADE COMO ESTRUTURA DE PLAUSIBILIDADE NA ONG BUDISTA ASSOCIAÇÃO BRASIL SOKA GAKKAI INTERNACIONAL. Rinaldo Zaina Junior, Marielys Siqueira Bueno – Hospitalidade - Programa de Mestrado em Hospitalidade.

O presente trabalho apresenta a pesquisa, em andamento, sobre a hospitalidade na experiência religiosa, que emerge no contexto secularizado da sociedade contemporânea, aqui entendido como uma fase de transformação na direção de equivalentes laicizados do sagrado e da crença religiosa, partindo do processo de privatização dos valores a que estas esferas se referem. Nesse contexto pluralista, a organização laica budista Associação Brasil SGI, filiada a Soka Gakkai Internacional, organização não-governamental filiada às Nações Unidas com mais de 12 milhões de membros em 187 países e territórios, surge como objeto de pesquisa adequado devido à complexa rede de comunicação, eventos culturais, além de esforços humanitários para o bem-estar social que compõem sua estrutura de plausibilidade. Nesta pesquisa, entende-se a hospitalidade como um conhecimento normativo e estrutural, para estabelecer a equidade interna do grupo. A hipótese proposta é que a hospitalidade está presente na SGI nas dimensões sagrada e profana. A dimensão profana da hospitalidade é composta pela práxis das atitudes utilitárias imanentes. Na dimensão sagrada, a utilidade se subverte, e surgem as relações de ordem transcendental com a alteridade para uma ordem ideal, que moraliza o profano utilitário do qual se originou. Para esta abordagem funcionalista da ONG propõe-se uma análise dialógica entre a compreensão etológica da solidariedade e a teoria teleológica da obrigação moral da hospitalidade pela humanização, dentro de uma perspectiva materialista do budismo. A análise de conteúdo dos textos publicados nos periódicos da ONG desde 2003: jornal Brasil Seikyo e revista Terceira Civilização, permitiu a construção de duas categorias que operacionalizam as variáveis sagrada e profana da hospitalidade respectivamente: a prática do bodhisattva e o espírito de doação generosa. Como resultado, pretende-se compreender as dimensões da hospitalidade no processo de mobilização engajada dos membros leigos, o qual legitima o ideal budista da paz pelo voluntariado em atividades dentro do ambiente familiar doméstico como condição fundamental da religiosidade desta organização.



Bolsa: CAPES

MAGIA E FEITIÇARIA AFRICANAS NO SERTÃO DA BAHIA NO SÉC. XVIII. Vanicléia Silva Santos, Marina de Mello e Souza – Doutorado em História Social – FFLCH/USP


Este estudo pretende compreender a forma como as populações africanas que habitaram o sertão da Bahia deram continuidade as suas tradições e devoções trazidas do outro lado do Atlântico e as re-significaram quando necessárias. O objeto da pesquisa são, a princípio quatro mandingueiros, um forro angolano, e três escravos crioulos, na vasta região das Jacobinas, perseguidos pelo Tribunal da Santa Inquisição em meados do séc. XVIII. Pensar em que medida esse universo de crenças resulta de uma transplantação cultural ou demanda efetivamente processos de reinvenção é o que orienta as minhas investigações. As fontes buscadas para compreender o universo devocional são os inventários post mortem, cartas eclesiásticas, os Livros de Visitação e Denúncias Cadernos do Promotor (ANTT-Lisboa). Nessas, tentarei entender as práticas de feitiçaria para além dos registros de repressão e conforme estas permitam, rastrear a procedência africana delas e as adaptações ao cristianismo.

Romanização e Reforma Católica


ENTRE A CRUZ E O ESQUADRO: OS DEBATES ENTRE A IGREJA E A MAÇONARIA NA IMPRENSA FRANCANA (1882 – 1903). Marcelo dos Reis Tavares, Ivan Aparecido Manoel – Mestrado em História – Departamento de História

A partir do lançamento da Bula Syllabus, em 1864, pelo papa Pio IX, a Igreja reafirmou as suas críticas com relação ao liberalismo e, por conseqüência, às sociedades defensoras do ideário liberal, especialmente a maçonaria. Essas críticas tiveram repercussão em todo o mundo católico e no Brasil, culminou com o distanciamento entre o Estado e a Igreja na chamada “Questão Religiosa”. O presente trabalho terá por objetivo demonstrar e analisar os debates entre a Igreja Católica e a maçonaria na imprensa de Franca, entre 1882 e 1903. O período estudado inicia-se em 1882 com a fundação do jornal liberal O Nono Districto, o primeiro jornal regular da cidade, pelos maçons portugueses César Augusto Ribeiro e Gaspar Silva, e termina em 1903, com a morte de Monsenhor Cândido Martins da Silveira Rosa, pároco de Franca conhecido por suas posições conservadoras e principal opositor da instituição. As fontes escolhidas foram os jornais O Nono Districto e A Tribuna da Franca, por serem palco desse debate, por sua circulação pública e pelo seu alcance e importância na cidade. Buscaremos nos jornais trechos onde os debates entre clérigos e maçons são explicitados. Os resultados obtidos serão analisados á luz de uma bibliografia selecionada e de acordo com os objetivos propostos. Considerando-se o fato de que a pesquisa está em andamento, conclui-se provisoriamente que os debates entre a Igreja Católica e a Maçonaria na imprensa francana são o reflexo de um fenômeno mais amplo ocorrido no Brasil do século XIX: o embate entre forças conservadoras e liberais no delineamento de um projeto de sociedade e nação para o país.



A VIDA POLÍTICA DE PADRE ALBERTO JOSÉ GONÇALVES NO PARANÁ (1892 – 1895). Marco Antonio Baldin. Ivan Aparecido Manoel – História – Departamento de História

Este texto sucinto procura retratar um pouco da trajetória da vida política de Pe. Alberto José Gonçalves, na condição de deputado estadual do Paraná, no final do século XIX. Formado nos meios daquilo que seria o baluarte da reforma romanizadora, o Seminário de São Paulo, Pe. Alberto ascendeu rapidamente ao posto de Vigário Geral Forense, cargo que lhe rendeu a liderança do clero paranaense, mediante a qual o projetou na carreira política. A Proclamação da Republica, desde logo, se revelou a inversão da possibilidade de um Estado totalmente laico e provedor do bem público. Ao contrário, assiste-se a uma agressiva depredação do Estado, especificamente no Paraná, do qual também se serviu a Igreja, através dos mergulhos de privilégios arrematados por Pe. Alberto. O clero ultramontano e, em especial, Pe. Alberto, encaravam a Igreja como tendo o papel da primazia do espiritual sobre as demais instâncias da sociedade, o que reduzia os conflitos entre o público e o privado a uma caso secundário.


OS FAMILIARES DO SANTO OFÍCIO E A SOCIEDADE DO TERMO DE MARIANA DURANTE O SÉCULO XVIII. Aldair Carlos Rodrigues (Pós-graduando), Laura de Mello e Souza (Orientadora) – Departamento de História – FFLCH – USP.

Esta Comunicação é parte resultante do trabalho que estamos desenvolvendo acerca dos Familiares do Santo Ofício, presentes e atuantes no Termo de Mariana no século XVIII. O objetivo dessa pesquisa é estudar a relação estabelecida entre a Inquisição portuguesa e a sociedade colonial da região citada a partir do estudo da rede de agentes inquisitoriais aí instalada. Após o levantamento dos agentes e seu perfil, analisamos a inserção social, econômica e política destes com base em uma diversificada documentação: inventários post mortem, testamentos, ações cíveis, requerimentos e acórdãos e atas da Câmara Municipal de Mariana. Investigamos também os possíveis interesses dos colonos mineiros em se habilitar a tal cargo

Os Familiares do Santo Ofício da Inquisição moderna portuguesa pertenciam à categoria dos oficiais leigos e, nessa categoria, assumiram um papel de destaque na ação inquisitorial, ajudando os Comissários do Santo Ofício nas diligências; denunciando os suspeitos de heresias; seqüestrando os bens dos réus, nas heresias que implicassem confisco; vigiando as penas dos condenados pelo Santo Ofício para que as cumprissem e guardassem o segredo do processo exigido pelo mesmo e apadrinhando os réus nos autos-de-fé. Eles se ostentavam, assim, como pessoas de confiança do Santo Ofício e foram de fundamental importância nos projetos da Santa Inquisição portuguesa para atingir os territórios da América portuguesa, principalmente durante o século XVIII, período em que as Visitações do Santo Ofício entram em declínio.
ALGUNS PONTOS DE REFLEXÃO ACERCA DA ECLESIOLOGIA FRANCISCANA DO SÉCULO XIII. ENTRE CARISMA E INSTITUIÇÃO. André Luis Pereira – História – Departamento de História.

Tendo nascida nos primeiros anos do século XIII, a Ordem dos Frades Menores inseriu-se em meio aos grandes problemas eclesiais de seu tempo. Com a aprovação do papa Inocêncio III em 1209/10 a ordem franciscana tornou-se útil ferramenta nas mãos do papado, ansioso por contornar e controlar a onda de rebeldia institucional entre vários movimentos leigos que, ao procurarem reviver a “ecclesiae primitivae forma” prescindiam da intermediação hierárquica clerical. De fato, desde a chamada Reforma Gregoriana iniciada no século XI, o papado desejava impor-se no cenário espiritual e político da cristandade ocidental, diminuindo a autonomia sinodal diocesana, aprofundando o discurso acerca da “plenitudo potestatis” e efetivando uma centralização, ao mesmo tempo, dominadora e intransigente, onde a “Ecclesia Romana” tornou-se o único sinônimo de “Ecclesia Catholica.” O objetivo desta comunicação é apresentar algumas pistas de reflexão que podem esclarecer a afamada questão da fidelidade franciscana à Igreja institucional que divide a opinião dos historiadores. Assim sendo a chave do problema encontrar-se-ia no confronto entre duas eclesiologias diferentes, mas não contrárias, a do papado e a do franciscanismo. Os resultados basearam-se na leitura comparativa dos documentos primitivos da ordem, das bulas papais a ela destinadas, das determinações conciliares de Latrão IV e na análise terminológica de ambos os discursos. A ordem franciscana partilhava em grande parte da eclesiologia oficial. Para ela a Igreja Romana era a única imanência da Igreja Católica; seu clero, investido do ministério apostólico ordenado exercia, “in persona Christi”, a ligação entre Deus e os homens por meio da instrução e dos sacramentos. Mas, diferente da concepção oficial, o franciscanismo não admitia uma efetiva dominação clerical sobre a sociedade a ponto de confundir “Igreja” com “clero” (Igreja = clero), afastando, preterindo e diminuindo o laicato de suas responsabilidades na economia da salvação.



Bolsa: FAPESP
O TRIUNFO DO CATOLICISMO ROMANIZADO: RESISTÊNCIAS E CONFLITOS NO CASO DE BAURU (1897-1914). Emílio Donizete Primolan, professor da ITE – Bauru.

O propósito deste estudo é revelar os conflitos decorrentes da decisão da hierarquia católica em substituir o catolicismo popular pelo romanizado, na região do oeste paulista. O ponto de partida foi a cidade de Bauru, sede da paróquia. Os conflitos surgiram em função da oposição de interesses políticos e sociais contraditórios entre a hierarquia católica, de um lado, e os grupos locais que se opunham ao que consideravam uma imposição doutrinária, e ainda, por uma autoridade externa à cidade. Até o ano de 1909, predominara naquela paróquia, que abrangia toda região do oeste paulista, o catolicismo popular: leigo e social. A partir da criação da diocese de Botucatu, e, com a posse do seu primeiro bispo, o tipo de catolicismo existente passou por reformas a fim de se introduzir a nova concepção doutrinária, o catolicismo romanizado: clerical e individualista. Utilizou-se para esta pesquisa o conceito de autocompreensão da Igreja e, através da apresentação e análise dos fatos e suas contradições, buscou-se demonstrar a mudança de uma visão de Igreja para outra. Os dados coletados em livros, arquivos paroquiais e diocesanos e fontes da imprensa de Bauru, tem a intenção de comprovar que o processo de transição de uma autocompreensão à outra consolidou-se no período estudado, de forma traumática, tanto para a hierarquia quanto para os católicos da região. O ápice dos conflitos foi atingido com a derrubada da antiga matriz pelo poder público com a anuência da população, na calada da noite, e a publicação do decreto de interdito à cidade de Bauru, pelo bispo diocesano de Botucatu. O estudo concluiu que o projeto de romanização do catolicismo proposto pela hierarquia saiu vitorioso tanto em virtude da determinação por parte do bispo quanto pelas conveniências do poder público e da sociedade local em se submeter à nova orientação doutrinária.


PRÁTICAS RELIGIOSAS: PERMANÊNCIAS E MUDANÇAS NO CATOLICISMO BRASILEIRO, ( 1889-1922 ). Marjone Socorro F. de V. Leite, Sylvana Maria Brandão de Aguiar – Mestrado - Departamento da Pós-Graduação em História da UFPE.

O presente trabalho visa analisar a ação dos bispos reformadores nas práticas religiosas do catolicismo brasileiro, examinado o que permaneceu e o que mudou em virtude do projeto ultramontano, durante o período entre 1889 a 1922. Podemos observar que, durante o processo de romanização no Brasil, foram elaboradas pelo episcopado várias Cartas Pastorais, documentos da Igreja que tem como objetivo a comunicação entre a Igreja Católica, o clero e os fiéis. Sendo assim, visando a efetividade dessas práticas religiosas, realçamos a presença do Cardeal Arcoverde, como autoridade máxima do episcopado brasileiro. A partir da análise da documentação (Cartas Pastorais Coletivas de 1896 e de 1915, Carta Pastoral 1918, sendo esta última elaborada por D. Arcorverde), procuramos, o quanto possível, o confronto entre as fontes eclesiásticas, as cartas pastorais, no que diz respeito as práticas religiosas que existiam e as que foram impostas com a atuação da romanização, a fim de perceber as permanências e as mudanças ocorridas nas praticas religiosas do catolicismo brasileiro. Nossa pesquisa demonstrou que embora o episcopado tentasse subjugar as práticas religiosas, ditas populares, ela mostrou que as mudanças nas práticas religiosas católicas não foram suficientes para alterar substancialmente o conservadorismo.



Bolsa: CNPq.




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