Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos



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A TRAJETÓRIA DA INICIATIVA DAS RELIGIÕES UNIDAS NO BRASIL. Nestor Reinoldo Müller - Curso de Filosofia do Centro Universitário Claretiano de Batatais

Eventos cruciais do diálogo inter-religioso mundial, como o Parlamento Mundial das Religiões em Chicago, 1893, foram promovidos pela sociedade civil. A Iniciativa das Religiões Unidas inscreve-se no conjunto das principais entidades internacionais que reúnem líderes religiosos pessoalmente comprometidos com o fomento do diálogo entre as diferentes tradições religiosas. A presente comunicação visa relatar como essa entidade nasceu em 1996 e se disseminou em cerca de 200 núcleos, espalhados em 65 países dos cinco continentes. Será priorizada sua história no Brasil, onde existem três núcleos responsáveis por uma série de importantes encontros, documentos e cerimônias inter-religiosas. A partir da participação do autor na coordenação do Círculo de Cooperação da Iniciativa das Religiões Unidas em São Paulo, serão analisados documentos nacionais e internacionais da entidade. Seguindo uma linha do tempo, três pontos serão enfatizados na comunicação: 1) o Encontro Nacional de Itatiaia, em 1999, quando 130 líderes religiosos do Brasil e alguns observadores de outros países, representando 35 diferentes tradições religiosas e espirituais, reuniram-se durante um fim de semana para trocar suas experiências e suas visões sobre o futuro do dialogo em nosso país; 2) o modelo de organização e o conceito de diálogo da entidade, que privilegia a autonomia dos seus núcleos e os empreendimentos locais, capazes de incentivar programas estáveis de interação multireligiosa; 3) as realizações atuais da entidade no Brasil, sua articulação no âmbito internacional e seus contatos com diversos outros movimentos como o Parlamento Mundial das Religiões e o setor de Diálogo inter-religioso da UNESCO.

Devoções Populares
BRINCADEIRAS DE RODA ENTRE CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS. UM ESPAÇO SAGRADO? Mônica Amaral Melo Poyares, Silas Guerriero – Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião / PUC – SP.
FESTAS RELIGIOSAS NO PERÍODO D. CARLOS D’AMOUR. Sibele de Moraes, Maria Adenir Peraro – História – UFMT
A PRÁTICA RELIGIOSA NA FESTA DE NOSSA SENHORA DA ABADIA EM UBERABA: UM MISTO DO SAGRADO E DO PROFANO. Alexandre A. Cardoso, Cristian V. Rodrigues, Paulo R. de Souza, William O. Resende, Sandra Mara Dantas (Orient.) - História - Instituto de Formação de Educadores.

O trabalho em questão têm por objetivo analisar o imaginário engendrado em torno da devoção à figura de Nossa Senhora da Abadia em Uberaba, Minas Gerais. A maior expressão dessa devoção se dá no mês de agosto de todo ano, através da Festa do mesmo nome que reúne milhares de "devotos". Partido desse objeto de pesquisa levantamos junto ao arquivo público de Uberaba e a Igreja promotora do evento, documentos, boletins informativos, matérias publicados em jornais que referendassem o mesmo. As imagens e símbolos contidos em torno do evento, ao longo dos anos vêm sofrendo algumas transformações, com vistas a acompanhar as mudanças da própria sociedade. Na linguagem simbólica, a devoção aos santos representa uma homenagem do homem a Deus, seu "criador". Na festa de Nossa Senhora da Abadia podemos perceber bem essa relação, na qual a figura da "santa" seria a "intermediária" dos devotos com Deus. Em alguns momentos, percebe-se uma verdadeira reação de fé, expressada a partir de cantorias e mesmo de lágrimas. O apego das pessoas aos santos, como a expressada na festividade de Nossa Senhora da Abadia, revela em muitos casos, a necessidade do indivíduo de se apegar a algo. Para este, a devoção, o apego, funciona como uma válvula de escape para as suas dificuldades cotidianas. A sacralização da imagem de Nossa Senhora d'Abadia se desenvolveu no transcorrer de toda a segunda metade do século XX, sendo que ao longo de sua trajetória novos elementos e novos sentidos foram sendo agregados a esta em decorrência das transformações da sociedade. Percebemos que esses novos elementos ora reiteram a mensagem de fé, ora as transformações processadas em torno do "ritual", como a mercantilização de sua prática, que agiria como uma forma de assegurar a presença do fiel nas festividades a partir da inserção de novos valores em torno do culto.



Gianna Beretta Molla, testemunho de fé a favor da vida. Pe. Devair Araújo da Fonseca

O ser humano não é uma realidade monolítica, como que possuidor de uma única dimensão, mas ao contrário, traz em si diversas dimensões que estão necessariamente devem estar articuladas entre si. A dimensão religiosa é uma delas. Trata-se de uma dimensão que marcou e marca profundamente a vida e a história de tantos homens e mulheres, in diferentes realidade. Nossa comunicação trata de um fato particular que envolve duas pessoas separadas pelo tempo mas unidas pela mesma experiência religiosa, a história da senhora Gianna Beretta Molla (1922-1962), atualmente beata da Igreja Católica e da senhora Elizabete Comparini Arcolino.

Gianna Beretta Molla, médica italiana, decidiu não ser operada do câncer que lhe causou a morte quando estava grávida de sua quarta filha para não afetar o feto. Era particularmente consciente do risco desta opção. Como fiel da Igreja, pertencia à Ação Católica, e dizia: “Como o sacerdote pode tocar a Jesus, assim nós, os médicos, tocamos a Jesus no corpo dos nossos enfermos”.


Em dezembro passado, em presença do Papa João Paulo II, a Congregação para as Causas dos Santos proclamou o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão da heróica mãe, abrindo assim as portas para sua canonização. “Viveu o matrimônio e a maternidade com alegria, generosidade e absoluta fidelidade à sua missão”, afirmou o Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação vaticana, na cerimônia de promulgação do decreto. O milagre atribuído à sua intercessão foi experimentado pela brasileira Elizabete Comparini Arcolino, também ela casada e mãe de quatro filhos.

Em si mesmos, cada um desses fatos pode parecer isolado, uma italiana e uma brasileira, ambas mães, uma já falecida. O ponto de convergência se da então no nível da experiência religiosa, testemunhada e acreditada.




O TRIUNFO EUCARÍSTICO: A APOTEOSE DO CATOLICISMO EM MINAS GERAIS. Genaro A. Fonseca, Marina Massimi – Psicologia – Departamento de Psicologia e Educação. FFCLRP/ USP

O Triunfo Eucarístico foi um evento religioso popular realizado a partir de uma festividade sob forma de procissão em Minas Gerais no ano de 1733. A princípio esta procissão teve como finalidade transladar simbolicamente a Eucaristia da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde estava provisoriamente depositada, para a matriz de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto. Este evento popular do século XVIII teria sido um entre muitos outros realizados na colônia se não fosse sua magnificência e suntuosidade sui generis. A festividade, com duração de uma semana, reuniu centenas de pessoas do vilarejo, de toda a colônia e da metrópole portuguesa em cortejos e desfiles pelas ruas de Vila Rica em carros alegóricos ostentando fantasias e adereços extremamente ricos em significados simbólicos. Esta manifestação popular e ao mesmo tempo religiosa possibilita-nos refletir sobre a mentalidade e o pensamento da época. Nosso estudo parte do relato deste evento descrito minuciosamente, através de um livreto publicado em 1734 em Lisboa por Simão Ferreira Machado, onde todas as fases do acontecimento são narradas detalhadamente. Concomitantemente permite-nos analisar o universo no qual Vila Rica, importante cidade do período da mineração, esteve inserido no contexto da época. Neste vilarejo surgiram expressões humanas, artísticas, literárias inigualáveis próprias de uma intensa religiosidade, unindo ao mesmo tempo, elementos sacros e profanos, próprio do século XVIII. Nas imagens, nos personagens e alegorias apresentadas no cortejo estão expressas simbolicamente o mental e o real da população como formas de entendimento de alguns dos movimentos populares existentes no Brasil.


O “CATOLICISMO RÚSTICO NO BRASIL”: ENTRE A TRADIÇÃO E A MUDANÇA. Rodrigo de Souza Ferreira, Maria Izabel Vieira Botelho – Mestrado em Extensão Rural – Departamento de Economia Rural

Apesar do evidente crescimento de religiões protestantes e não-cristãs no Brasil, as estatísticas ainda confirmam a predominância do catolicismo nessas terras e, mais do que isso, apontam o Brasil como ‘o maior país católico do mundo’. Decerto, esse título deve-se em grande parte ao esforço lusitano em prol da expansão da fé romana, quando do processo de colonização. Nesse sentido, a fé cristã desenvolve-se aqui a partir de condições específicas, condicionadas por aquele processo. Enquanto regiões urbanas ou mais densamente povoadas sofreram maior influência do dogma oficial, através da presença ativa de membros do clero, as regiões interioranas e as classes marginalizadas da população foram menos contempladas pelo mesmo e acabaram por estabelecer formas próprias de contato com o sobrenatural.

Extravasando o conteúdo puramente dogmático, as formas religiosas desenvolvidas nesses meios acabam assumindo funções primordiais na integração do grupo envolvido, sobretudo através da promoção de ocasionais eventos festivos. A festa religiosa é uma das mais significativas expressões de sociabilidade camponesa, pois se constitui justamente a partir da plena interação entre membros de uma comunidade. Essas festas comumente abrem espaço para manifestações folclóricas e teatrais que ajudam a compor a identidade coletiva de grupos sociais.

Seguindo a linha de raciocínio de Maria Isaura Pereira de Queiroz, que define o catolicismo rústico a partir da natureza vicinal e efetivamente participativa do grupo social, mas que passa por mudanças estruturais que ameaçam a continuidade dessa forma de expressão, o trabalho proposto visa, a partir da comparação entre as Festas de Nossa Senhora do Rosário das cidades de Brás Pires/MG e do Serro/MG, apresentar elementos que indiquem esse processo.





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