Vi simpósio da associaçÃo brasileira de história das religiões (abhr) história das religiõES: desafios, problemas e avanços teóricos, metodológicos e historiográficos


BOLSA : CAPES Judaísmo e Patrística



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BOLSA : CAPES




Judaísmo e Patrística



COMO ENTENDER A ATUAÇÃO PROFÉTICA DO PRIMEIRO ISAÍAS? UMA APLICAÇÃO DA NOÇÃO DE HABITUS DE BOURDIEU. Fernando Candido da Silva, Ivan Esperança Rocha – História – Departamento de História.

Esta comunicação objetiva analisar a pregação do profeta Isaías em Jerusalém no século VIII a.C. Sabe-se que, para compreender esta atuação, é necessário utilizar como documentação os textos que podem ser atribuídos ao profeta. Estes se encontram hoje entre os capítulos 1-39 do livro que leva seu nome na Bíblia Hebraica. Na realidade, o material isaiano propriamente dito, se encontra entre os capítulos 1-12 e 28-35: este é o cerne da documentação para se compreender seu ministério. Ao analisar os discursos de Isaías, os oráculos proferidos em diversos momentos de sua “carreira”, pode-se entender sua posição dentro do espaço social do período. Este é o verdadeiro objetivo da comunicação: verificar, primeiramente, sua posição social e depois, entender como esta afeta sua atuação, sua visão de mundo. Daí, recorrer-se a noção de habitus formulada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu que, entendida como um sistema de disposições duráveis, como principio gerador e estruturador das práticas e das representações, pode auxiliar na compreensão da relação entre convenção social e ação individual (objetividade da sociedade versus subjetividade do indivíduo) e ainda no que é intencionado e o que não é intencionado nas conseqüências das ações humanas. Com isso, deseja-se demonstrar como os discursos de Isaías refletem sua posição no mundo social, sem com isso querer demonstrar uma relação de causalidade mecânica, mas sim, uma espécie de cumplicidade ontológica, em que, apropriado pela história, se apropria também das coisas habitadas por essa história.



ANGÚSTIAS, ESPERANÇAS E LIDERANÇAS: OS MOVIMENTOS MESSIÂNICOS NA PALESTINA DE 6 A.C A 135 D.C. Leandro José de Andrade Cruz, Maria Celeste Fachin – História – Departamento de História.

Na região da palestina, durante o período que vai de 6a.C a 135 d.C, assistimos ao gradativo aumento da presença Romana. Alguns movimentos de resistência de características religiosas e militares eclodem sistematicamente. Esses são fundamentados nas profecias que davam conta da vinda de um líder que libertaria Israel. Esse escolhido era chamado de Messias (Ungido), pois a unção era o ritual usado para sagrar os antigos reis de Israel.

Analisaremos (como será explicado mais detalhadamente no tópico que trata dos objetivos do trabalho) os líderes e os movimentos messiânicos surgidos no período, mas antes faremos uma análise da conjuntura política, social e religiosa da época, para entender quais eram os problemas para os quais o povo esperava as soluções vindas do Messias. Através de quantificação de citações dos textos antigos nos textos da época veremos se é possível identificar as profecias mais populares da época e como essas promessas divinas eram vistas pelos hebreus, para dessa maneira tentar entender como seria esse libertador, se um rei universal, se um grande vingador ou o servo aniquilado como o mostrado por Isaías. Essa relação entre angústias, esperanças e lideranças é fundamental para compreender os fenômenos pesquisados, e é a grande peculiaridade da presente proposta.

O projeto em andamento começa a demonstrar que os principais fatores que levavam os Israelitas à revolta eram de ordem religiosa, a ofensa pela profanação das coisas santas. E é importante notar que naquela situação o povo não exigia dos “Messias” tanta coerência com as escrituras, exemplo disso é Simão Magno, que não tendo a descendência de Davi, mas ao contrário, escravo.


MESSIANISMO(S), MILENARISMO(S) E APOCALIPSISMO: ALGUMAS REFLEXÕES. Vanderlei Marinho Costa – História - História

Neste trabalho, procuro expor de forma geral algumas idéias a respeito de messianismo, milenarismo e apocalipsismo, bem como a respeito dos movimentos que lhes são correlatos. Por outro lado, tento estabelecer um diálogo com autores que de algum modo abordaram os fenômenos em foco.

Procuro, na medida do possível, abordar algumas questões como a da natureza do messianismo e do milenarismo – seriam fenômenos eminentemente sociais, predominantemente religiosos ou constituem-se dialeticamente nos espaços social e religioso? – considerando-se ainda a questão da determinação de suas funções sócio-políticas de acordo com a orientação assumida pelos movimentos. Surge ainda a questão dos chamados messianismos e milenarismos secularizados – este conceito deve ser tomado ao pé-da-letra ou existem algumas questões que o inviabilizam? Quanto aos movimentos (milenaristas e messiânicos) levanto algumas questões, dentre as quais surge a da aplicação do conceito de pré-político para o estudo dos mesmos.

Através da revisitação aos trabalhos de autores como Eric J. Hobsbawn e Maria Isaura Pereira de Queiroz (esta ocupa espaço central neste trabalho), tento reavivar – dentro das minhas limitações – o debate em torno de assuntos que importam sobremaneira ao estudo de imaginários sócio-religiosos no Brasil, bem como ao estudo mesmo de momentos históricos que foram fundantes para a constituição da nacionalidade brasileira.


SALOMÃO IBN GABIROL : A VONTADE DE DEUS COMO BASE DE UM MODELO NEOPLATÔNICO. Cecilia Cintra Cavaleiro de Macedo - Mestre em Filosofia, Doutoranda em Ciências da Religião - PUC-SP

Entre o modelo neoplatônico das emanações e a visão criacionista das religiões monoteístas existe uma distância teórica representada fundamentalmente pela intencionalidade da criação em contraposição às sucessivas emanações. Muitos autores tentaram compatibilizar estes modelos nas três religiões abrahâmicas, com maior ou menor sucesso. A incorporação judaica do neoplatonismo é realizada muito cedo, principalmente, através de Filon de Alexandria. Após um intervalo de oito séculos, a influência prossegue na expressão medieval de Isaac Israeli, e a seguir, desenvolve-se na obra filosófica fundamental de Salomão Ibn Gabirol. Essa orientação neoplatônica será uma das causas de sua popularidade durante o século XII e também da marginalização da obra filosófica deste autor no âmbito do pensamento judaico a partir do século treze. Ignorado pelos filósofos aristotélicos posteriores, e combatido pelo pensamento rabínico que adota uma postura antifilosófica após a expulsão da Península Ibérica, somente sua poesia mística permanece viva na tradição judaica. É através da apropriação histórica pelo cristianismo que o autor chega a nossos dias como filósofo, enquanto que sua poesia religiosa imortalizou-se no seio do judaísmo. Se podemos classificar o pensamento filosófico de Ibn Gabirol como neoplatônico em virtude do hilemorfismo universal, por outro lado, sua cosmologia torna-se profundamente hebraica, no momento em que sua estrutura de emanações depende de um princípio supremo denominado Vontade. Nesse sentido, ele desenvolve sua filosofia, nos moldes monoteístas, em torno do modelo criacionista judaico, sem recorrer a citações bíblicas, mas frisando a centralidade da Vontade de Deus.


A INQUISIÇÃO NO BRASIL E AS MULHERES JUDAIZANTES: RESISTÊNCIA CRIPTOJUDAICA E RABINATO FEMININO NO NORDESTE COLONIAL – SÉCS. XVI – XVII. Angelo Adriano Faria de Assis – História – Departamento de História [UFF].

Esta comunicação trata das religiosidades existentes e suas práticas durante o período colonial na América Portuguesa, mais especificamente, o Nordeste açucareiro, visitado entre 1591 e 1595 pelo Santo Ofício da Inquisição. Através da documentação desta visita inquisitorial ao Brasil (confissões, denúncias e processos daí decorrentes), procuro analisar a importância das mulheres para a sobrevivência judaica no mundo luso-brasílico, apesar das proibições ao judaísmo livre em Portugal, implantadas durante o período manuelino (1496-97).

As transformações necessárias para a manutenção e transmissão da herança judaica, assim como a nova adequação da figura da mulher (colocando como a principal responsável pela transmissão dos costumes, tradições e ritos mosaicos aos descendentes) para a sobrevivência judaica, embora limitada, dissimulada e adaptada à realidade proibitiva, fazem parte desta análise. 
KAHAL KADOSH ZUR ISRAEL E AS ASKAMOTS: A NORMATIZAÇÃO DA PRIMEIRA COMUNIDADE JUDAICA DAS AMÉRICAS. Frank dos Santos Ramos, Ronaldo Vainfas – Mestrando em História Social – Universidade Federal Fluminense

Esta comunicação pretende remontar alguns dos principais passos da primeira comunidade judaica legal do Ocidente, edificada no Nordeste da colônia brasílica durante a Invasão Holandesa, entre os anos de 1630 e de 1654. A partir de 1648, após a unificação das duas principais comunidades judaicas pernambucanas, Zur Israel e Magen Abrahan, seria redigido um regimento interno desse grupo, as Askamots, responsável pelo regramento de suas vidas, tendo em vista uma finalidade primordial: dar bom termo e contento a unidade do grupo, além da conservação das tradições judaicas trazidas com os judeus instalados em Amsterdam. Disto ainda resultaria o incentivo para o auxílio mútuo, dos sefaraditas e dos cristãos-novos lusitanos, no sentido de ampliação e fortalecimento da comunidade recifense, fator fundamental para o continuísmo das tradições mosaicas presenciadas ainda hoje no Brasil. Para tal, debruçou-se diretamente sobre as Askamots, procurando-se analisar detidamente cada artigo no intuito de levantar vestígios de alguma forma regramento, baseado no conhecimento que se tem do judaísmo praticado na colônia brasílica do século XVII e nas Askamots da comunidade de Amsterdam — estas fonte inspiradora para aquelas. Como resultado desse aprofundamento do conhecimento dessas ordenações judaicas, vislumbrou-se forte controle, todos os níveis — político, econômico e, principalmente, social —, do conselho de anciãos dessa comunidade, o Mahamad, sobre seus próprios membros, os yahidim. A análise conjuntural demonstraria que essa atitude de controle social do Mahamad visava, em boa medida, manter a unidade da comunidade a fim de promover maior proteção de seus membros contra as crescentes ondas de hostilidades que haviam se formado pelo processo de reconquista lusitana sobre o Recife holandês, último reduto de resistência flamenga.


A TEORIA E PRÁTICA DA LEI DO TALIÃO NAS SOCIEDADES ANTIGAS. Ivan Esperança Rocha – História – Departamento de História.

O presente trabalho analisa a interdependência dos códigos legislativos do Antigo Oriente Médio (entre os quais aqueles de Israel), salvaguardando-se a autonomia de cada “nação” de criar lleis peculiares e de reinterpretar, segundo exigências e critérios próprios, determinadas leis comuns a tais códigos.

A lei do Talião -- “olho por olho, dente por dente” -- é uma dessas leis que, aparentemente, pode ser considerada um estímulo legal à violência, mas que, no entanto, ao se analisar o grande número de sanções pecuniárias presentes no Código de Ur-Nammum (2O50 a.C.), considerado o mais antigo código legal do Oriente Antigo, pode-se concluir que essa lei tinha entrado num movimento de humanização onde a punição tinha sido substituída pela recompensa pecuniária.

Se de um lado, o Talião surgiu como combate a excessos possíveis, de outro, desde o início percebe-se uma grande dificuldade na prática do "olho por olho”, dente por dente". Tal prática foi sendo substituída, paulatinamente, pela recompensa material a danos ou crimes cometidos.

Nos procedimentos judiciários em Israel, a igualdade na relação culpa-punição também nem sempre é regulada pelo Talião mas por uma justa e total indenização. Este abrandamento da Lei do Talião, ou seja a presença da indulgência, tem como fonte os sentimentos que envolvem a pessoa do culpado e não as circunstâncias do delito. Antes de tudo porque a punição era considerada uma auto-mutilação: constituía a destruição de um bem que diminuía o patrimônio da “nação”, de uma vida que a enfraquecia (por exemplo, a execução do membro de uma tribo era considerada um enfraquecimento da própria tribo).

O atual reavivamento dos princípios da Lei do Talião tem gerado o aumento da violência sem que indivíduos ou grupos envolvidos sintam-se plenamente justificados pelas perdas infligidas. As sociedades antigas apontam para a possibilidade de se encontrar um caminho para uma justa e total indenização por perdas recebidas, sem se recorrer à violência pura e simples, e sem que inocentes paguem pelos culpados.


O IDEAL ANACORÉTICO: FONTES E MODELOS PARA A VITA SANCTI FRUCTUOSI. Ronaldo Amaral, Ruy de Oliveira Andrade Filho – História – Departamento de História.

A Vita Sancti Fructuosi, hagiografia visigótica escrita no final do século VII, intenta, segundo nosso ponto de vista e, em detrimento de seu valor essencialmente biográfico, se constituir em um texto propagandeador e exaltador de um gênero de vida religiosa tido por ideal: a vida monástica eremítica. Sendo assim, seu autor desconhecido, utilizara-se, conforme objetivamos aqui demonstrar, fontes e modelos corroboradores desta sua causa. Destacam-se entre eles a Bíblia, particularmente o Novo Testamento e, dentro deste, os evangelhos, que oferecem por sua vez a estes primeiros ascetas solitários o modelo por excelência – Jesus Cristo – a que todo cristão comprometido deveria seguir. Destacam-se ainda, como uma segunda categoria de fontes para a vida anacorética, as primeiras hagiografias de celebres solitários, as quais, entretanto, já encerram em suas linhas os ideias e situações correspondentes e apropriados daquela primeira categoria de fontes, os evangelhos. Entre estas hagiografias há que se sublinhar a Vita Antonii de Atanásio de Alexandria e a Vita Paulii de Jerônimo. Precisar assim, as circunstancias e os ideais que moveram Frutuoso de Braga, ou tão somente a ele foram atribuídos por seu hagiógrafo, em direção da vida eremitica, a partir da apropriação destes textos anteriores, constitui-se na razão de ser deste trabalho que vimos apresentando.





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