Vida e sexo emmanuel, feb, 1971, 2a edição



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VIDA E SEXO
Emmanuel, FEB, 1971, 2a edição.
Vida e Sexo

1. As proposições ao redor do sexo, apaixonadamente focalizadas na atualidade da Terra, foram objeto de criteriosas anotações do Mundo Espiritual, no século passado, na previsão dos choques de opinião, que a Humanidade de agora enfrenta. (PÁGS. 7 e 8)

2. Em torno do sexo, podemos sintetizar todas as digressões nas normas seguintes:

* Não proibição, mas educação.

* Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito a si mesmo e aos outros.

* Não indisciplina, mas controle.

* Não impulso livre, mas responsabilidade. (PÁG. 8)

3. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. (PÁG. 8)

4. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. (PÁG. 8)
Em torno do sexo

5. Diz “O Livro dos Espíritos”, item 201, que “são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres”. (PÁG. 9)

6. Atendendo à soma das qualidades adquiridas nas múltiplas encarnações, o Espírito revela-se, no Plano Físico, pelas tendências que registra nos recessos do ser, tipificando-se na condição de homem ou de mulher, conforme as tarefas que lhe cabe realizar. (PÁG. 9)

7. O sexo se define, assim, por atributo não apenas respeitável, mas profundamente santo da Natureza, exigindo educação e controle. Através dele dimanam forças criativas, a que devemos, na Terra, o instituto da reencarnação, o templo do lar, as bênçãos da família, as alegrias revitalizadoras do afeto e o tesouro inapreciável dos estímulos espirituais. (PÁG. 10)

8. É um despropósito subtrair as manifestações do sexo aos seres humanos, a pretexto de elevação compulsória, porque as sugestões da erótica se entranham na estrutura da alma. De igual modo, seria absurdo deslocá-lo de sua posição venerável, a fim de arremessá-lo às aventuras menos dignas, com a desculpa de garantir-lhe a libertação. (PÁG. 10)

9. Sexo é espírito e vida, a serviço da felicidade e da harmonia do Universo. Por isso, reclama responsabilidade e discernimento, onde e quando se expresse. (PÁG. 10)

10. Todos os compromissos na vida sexual estão subordinados à Lei de Causa e Efeito, e, segundo esse princípio, de tudo o que dermos a outrem, no mundo afetivo, assim nos será dado. (PÁG. 11)
Família

11. Ensina Kardec que há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. As primeiras são duráveis e se perpetuam no mundo espiritual. As outras, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na corrente existência. (PÁG. 13)

12. Nenhuma associação existente na Terra (excetuando evidentemente a Humanidade) é mais importante em sua função educadora e regenerativa do que a família. (PÁG. 13)

13. Por intermédio da paternidade e da maternidade, o homem e a mulher adquirem mais amplos créditos da Vida Superior. Daí, as fontes de alegria que se lhes rebentam do ser com as tarefas da procriação, visto que os filhos são liames de amor que lhes granjeiam proteção mais extensa do Mundo Maior. (PÁG. 14)

14. Arraigada nas vidas passadas de todos os que a compõem, a família terrestre é formada de agentes diversos, porquanto nela se reencontram, comumente, afetos e desafetos, amigos e inimigos, para os ajustes e reajustes indispensáveis, ante as leis do destino. (PÁG. 14)

15. Temos, pois, no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor. (PÁG. 15)


Namoro

16. Esclarece “O Livro dos Espíritos”, item 291, que os Espíritos votam-se afeições particulares recíprocas, tal como se dá entre os homens, sendo, porém, mais forte o laço que prende os Espíritos uns aos outros, uma vez desembaraçados do corpo material, porque então esse laço não se acha exposto às vicissitudes das paixões. (PÁG. 17)

17. A integração de duas criaturas para a comunhão sexual começa habitualmente pelo período de namoro que se traduz por suave encantamento. Dois seres descobrem, um no outro, motivos e apelos para a entrega recíproca e daí se desenvolve o processo de atração. (PÁG. 17)

18. Compartilham na Terra, diariamente, as emoções de semelhantes encontros:

* Inteligências que traçaram entre si a realização de empresas afetivas ainda no Mundo Espiritual.

* Criaturas que já partilharam experiências no campo sexual em estâncias passadas.

* Corações que se acumpliciaram em delinqüência passional, noutras eras.

* Almas inesperadamente harmonizadas na complementação magnética. (PÁG. 18)

19. Positivada a simpatia mútua, é chegado o momento do raciocínio. Acontece, porém, que é ainda diminuta, no Planeta, a percentagem de pessoas habilitadas a pensar em termos de auto-análise, quando o instinto sexual se lhes derrama do ser. (PÁG. 18)

20. Imperioso anotar, em muitos lances da caminhada evolutiva do Espírito, a influência exercida pelas inteligências desencarnadas no jogo afetivo. Referimo-nos aos parceiros das existências passadas, ou, mais claramente, aos Espíritos que se corporificarão no futuro lar e cuja atuação, em muitos casos, pesa no ânimo dos namorados, inclinando afeições pacificamente raciocinadas para casamentos súbitos ou compromissos na paternidade e na maternidade. (PÁGS. 18 e 19)

21. Esses namorados matriculam-se, então, na escola de laboriosas responsabilidades, porque a doação de si mesmos à comunhão sexual, em regime de prazer sem ponderação, não os exonera dos vínculos cármicos para com os seres que trazem à luz do mundo, em cuja floração, se é verdade que recolherão trabalho e sacrifício, obterão também valiosa colheita de experiência e ensinamento para o futuro, se compreenderem que a vida paga em amor a todos aqueles que lhe recebem com amor as justas exigências para a execução dos seus objetivos essenciais. (PÁG. 19)
Ambiente doméstico

22. Refere “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. V, item 11, que freqüentemente o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. “Se reconhecesse nelas as a quem odiara – registra a referida obra –, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo.” (PÁG. 21) –

23. No lar encontramos a escola viva da alma. O Espírito, quando retorna ao Plano Físico, vê nos pais as primeiras imagens de Deus e da Vida. Na tépida estrutura do ninho doméstico, germinam-lhe no ser os primeiros pensamentos e as primeiras esperanças. (PÁG. 22)

24. Não lhe será, porém, tão fácil seguir adiante com os ideais da meninice, de vez que, habitualmente, a equipe familiar se aglutina segundo os desastres sentimentais das existências passadas, debitando-se aos seus componentes os distúrbios da afeição possessiva, a se traduzirem por ternura descontrolada e ódio manifesto, ou simpatia e aversão simultâneas. (PÁG. 22)

25. Pais imaturos, do ponto de vista espiritual, comumente se infantilizam, no tempo exato do trabalho mais grave que lhes compete, no setor educativo, e, ao invés de guiarem os pequeninos com segurança para o êxito em seu novo desenvolvimento no estágio da reencarnação, embaraçam-lhes os problemas, ora tratando as crianças como se fossem adultos, ora tratando os filhos adultos como se fossem crianças. (PÁG. 22)

26. Estabelecido o desequilíbrio no lar, irrompem os conflitos de ciúme e rebeldia, narcisismo e crueldade, que asfixiam as plantas da compreensão e da alegria na gleba caseira, transformando-a em espinheiral magnético de vibrações contraditórias, no qual os enigmas emocionais, trazidos do passado, adquirem feição quase insolúvel. (PÁGS. 22 e 23)

27. Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da família, para que o lar não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis. (PÁG. 23)
Energia sexual

28. A energia sexual, como recurso da lei de atração, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste. (PÁG. 25)

29. Nos seres primitivos, e em todas as criaturas que se demoram voluntariamente no nível dos brutos, a descarga de semelhante energia opera-se inconsideradamente, fato que lhes custa resultados angustiosos a lhes lastrearem longo tempo de fixação em existências menos felizes, para que todos aprendamos que ninguém abusa de alguém sem carrear prejuízo a si mesmo. (PÁGS. 25 e 26)

30. À medida que o indivíduo evolui, passa a compreender que a energia sexual envolve o impositivo do discernimento e da responsabilidade em sua aplicação, e que, por isso mesmo, deve estar controlada por valores morais que garantam o seu emprego digno, seja na procriação, asseguradora da família, ou na criação de obras beneméritas da sensibilidade e da cultura, com vistas à evolução e ao burilamento da vida no Planeta. (PÁG. 26)

31. Através da poligamia, o Espírito assinala a si próprio longa marcha em existências sucessivas de reparação e aprendizagem, em cujo transcurso adquire a necessária disciplina do seu mundo emotivo. Fatigado de experimentos dolorosos, em que recolhe o fruto amargo da delinqüência ou do desespero que haja estabelecido nos outros, reconhece, enfim, na monogamia o caminho certo de suas manifestações afetivas, identificando na criatura que se lhe afina com os propósitos e aspirações o parceiro ou a parceira ideais para a comunhão sexual, suscetível de lhe granjear o preciso equilíbrio. (PÁG. 26)

32. Em nenhum caso nos será lícito subestimar a importância da energia sexual que, na essência, verte da Criação Divina para a constituição e sustentação de todas as criaturas. Criatura alguma, no plano da razão, se utilizará dela, nas relações com outra criatura, sem conseqüências felizes ou infelizes, construtivas ou destrutivas, conforme a orientação que se lhe dê. (PÁG. 27)


Compromisso afetivo

33. Tal como a guerra, que semeia terror e morticínio entre as nações, a afeição erradamente orientada, através do compromisso escarnecido, cobre o mundo de vítimas. (PÁG. 29)

34. Os conflitos do sexo e os problemas do equilíbrio emotivo, que faceamos hoje na Terra, são na verdade os de todos os tempos, na vida do planeta. As Leis do Universo esperar-nos-ão pelos milênios afora, mas terminarão por se inscreverem, a caracteres de luz, em nossas próprias consciências. (PÁG. 30)

35. Essas Leis determinam amemos aos outros qual nos amamos. Para que não sejamos mutilados psíquicos, urge não mutilar o próximo. (PÁG. 30)

36. Toda vez que determinada pessoa convide outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo nesse sentido, estabelece-se entre ambas um circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias espirituais, em regime de reciprocidade. (PÁG. 30)

37. Quando um dos parceiros foge ao compromisso assumido, sem razão justa, lesa o outro na sustentação do equilíbrio emotivo, seja qual for o campo de circunstâncias em que esse compromisso venha a ser efetuado. Criada a ruptura no sistema de permuta das cargas magnéticas de manutenção, de alma para alma, o parceiro prejudicado, se não dispõe de conhecimentos superiores, entra em pânico, sem que se lhe possa prever o descontrole que, muitas vezes, raia na delinqüência. (PÁGS. 30 e 31)

38. Tais resultados da imprudência e da invigilância repercutem no agressor, que partilhará das conseqüências desencadeadas por ele próprio, debitando-se-lhe ao caminho a sementeira partilhada de conflitos e frustrações que carreará para o futuro. (PÁG. 31)
Casamento

39. Ensina “O Livro dos Espíritos”, item 695, que a união permanente de dois seres não contraria a lei natural, mas, ao contrário, constitui um progresso na marcha da Humanidade. (PÁG. 33)

40. O casamento ou a união permanente de dois seres implica, obviamente, o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração, na criação de valores para a vida. (PÁG. 33)

41. É imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, visto que na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso, não deve haver qualquer desconsideração entre si. (PÁGS. 33 e 34)

42. Quando as obrigações mútuas não são respeitadas no ajuste, a comunhão sexual injuriada ou interrompida costuma gerar dolorosas repercussões na consciência, estabelecendo problemas cármicos de solução por vezes muito difícil, porquanto ninguém fere alguém sem ferir a si mesmo. (PÁG. 34)

43. Nos Planos Superiores, o liame entre dois seres é espontâneo, composto em vínculos de afinidade inelutável. Na Terra do futuro, as ligações afetivas obedecerão a idêntico princípio e, por antecipação, milhares de criaturas já desfrutam no próprio estágio da encarnação dessas uniões ideais, em que se jungem psiquicamente uma à outra, sem necessidade de permuta sexual, mais profundamente considerada, a fim de se apoiarem mutuamente na formação de obras preciosas, na esfera do espírito. (PÁG. 34)

44. Ocorre, porém, que milhões de almas jazem no Planeta, arraigadas a débitos escabrosos perante a lei de causa e efeito e, ainda inclinadas ao desequilíbrio e ao abuso, exigem severos estatutos humanos para a regulação das trocas sexuais que lhes dizem respeito, de modo a que não se tornem salteadores impunes na construção do mundo moral. São esses débitos contraídos por legiões de companheiros da Humanidade que determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexuais o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador. (PÁGS. 34 e 35)

45. É forçoso, assim, reconhecer que não existem no mundo conjugações afetivas, sejam elas quais forem, sem raízes nos princípios cármicos, nos quais as nossas responsabilidades são esposadas em comum. (PÁG. 35)


Divórcio

46. Partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas, porquanto é aí, nos laços matrimoniais, que se operam burilamentos e reconciliações endereçados à precisa sublimação da alma. (PÁG. 37)

47. A Sabedoria Divina, contudo, jamais institui princípios de violência, e o Espírito, embora em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraça. (PÁG. 38)

48. Em muitos lances da experiência, é a própria individualidade, na vida do Espírito, antes da reencarnação, que assinala a si mesma o casamento difícil que faceará na estância física, chamando a si o parceiro ou a parceira de existências pretéritas para os ajustes que lhe pacificarão a consciência, à vista de erros perpetrados em outras épocas. (PÁG. 38)

49. Reconduzida à vida terrestre e assumida a união esponsalícia que atraiu a si mesma, a criatura humana vê-se, muitas vezes, desencorajada à face dos empeços que lhe surgem à frente. Por vezes, o companheiro ou a companheira voltam à prática da crueldade de outro tempo, seja através do menosprezo, do desrespeito, da violência ou da deslealdade, e o cônjuge prejudicado nem sempre encontra recursos em si para se sobrepor aos processos de dilapidação moral de que é vítima. (PÁG. 38)

50. Compelidos, muita vez, às últimas fronteiras da resistência, é natural que o esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito, se valha do divórcio por medida extrema contra o suicídio, o homicídio ou calamidades diversas que lhe complicariam ainda mais o destino. Em tais momentos da vida, a separação surge à maneira de bênção necessária e o cônjuge prejudicado encontra no tribunal da própria consciência o apoio moral da auto-aprovação para renovar o caminho que lhe diga respeito, acolhendo ou não nova companhia para a jornada humana. (PÁGS. 38 e 39)

51. Obviamente, não nos é lícito estimular o divórcio em tempo algum, competindo-nos apenas, nesse sentido, reconfortar e reanimar os irmãos em lide, nos casamentos provacionais, a fim de que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições, vencendo as duras etapas de regeneração ou expiação que rogaram antes do renascimento, em auxílio de si mesmos. (PÁG. 39)

52. É justo, contudo, reconhecer que a escravidão não vem de Deus e que ninguém possui o direito de torturar ninguém, à face das leis eternas. O divórcio, pois, baseado em razões justas, é providência humana e claramente compreensível nos processos de evolução pacífica. (PÁG. 39)


União infeliz

53. Informam os Espíritos superiores (L.E., item 167) que o fim objetivado por Deus com a reencarnação é: expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. “Sem isto, onde a justiça?” (PÁG. 41)

54. Sem dúvida, é dolorosa a união considerada menos feliz e, claro, não existe obrigatoriedade para que alguém suporte, a contragosto, a truculência ou o peso de alguém, visto que todo Espírito é livre no pensamento para definir-se quanto às próprias resoluções. (PÁG. 41)

55. Os débitos que abraçamos são anotados na Contabilidade da Vida; todavia, antes que a vida os registe por fora, grava em nós mesmos, em toda a extensão, o montante e os característicos de nossas faltas. (PÁGS. 41 e 42)

56. A pedra que atiramos no próximo talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece conosco na figura de sofrimento e, enquanto não se remove a causa da angústia, os efeitos dela perduram sempre, tanto quanto não se extingue a moléstia, em definitivo, se não a eliminamos na origem do mal. (PÁG. 42)

57. Nas ligações terrenas encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações. (PÁG. 42)

58. A existência física é processo específico de evolução, mas, da mesma maneira que o aluno nenhuma vantagem obterá da escola se não passa dos ornamentos exteriores do educandário em que estuda, o Espírito encarnado nenhum proveito recolherá do casamento, caso pretenda imobilizar-se no êxtase do noivado. (PÁG. 42)

59. Os princípios cármicos desenovelam-se com as horas. Provas, tentações, crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, na ordem em que se nos recapitulam oportunidades e experiências, qual ocorre à semente que, devidamente plantada, oferece o fruto em tempo certo. (PÁGS. 42 e 43)

60. O matrimônio pode ser precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subseqüentes, em sua marcha incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações que deixaram para trás. A jovem suave que hoje nos fascina em muitos casos será talvez amanhã a mulher transformada, capaz de impor-nos dificuldades enormes para a consecução da felicidade. Essa mesma jovem foi, no entanto, em existências já transcorridas, a vítima de nós mesmos, quando lhe infligimos os golpes de nossa própria deslealdade, convertendo-a na mulher temperamental ou infiel, que nos cabe agora relevar e retificar. (PÁG. 43)

61. O rapaz distinto que atrai no presente a companheira será, muitas vezes, provavelmente, o homem cruel e desorientado, suscetível de constrangê-la a carregar todo um calvário de aflições. Esse rapaz foi, porém, no passado, em existências que já se foram, a vítima dela própria, quando, desregrada ou caprichosa, lhe desfigurou o caráter, transformando-o no homem vicioso ou fingido, que lhe compete tolerar e reeducar. (PÁGS. 43 e 44)

62. Toda vez que amamos alguém e nos entregamos a esse alguém, no ajuste sexual, ansiando por não nos desligarmos desse alguém, para depois – somente depois – surpreender nele defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à frente de criatura anteriormente dilapidada por nós, a ferir-nos justamente nos pontos em que a prejudicamos, no passado, não só a cobrar-nos o pagamento de contas certas, mas, sobretudo, a esmolar-nos compreensão e assistência, tolerância e misericórdia, para que se refaça ante as leis do destino. (PÁG. 44)

63. A união supostamente infeliz deixa de ser, portanto, um cárcere de lágrimas para ser um educandário bendito, onde o Espírito equilibrado e afetuoso, longe de abraçar a deserção, aceita o companheiro ou a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitar-se com os princípios de causa e efeito, liberando-se das sombras de ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz. (PÁG. 44)


Filhos

64. Informa Kardec (“O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. XIV, item 8) que os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porque este já existe antes da formação do corpo. O pai não cria o Espírito de seu filho; apenas lhe fornece o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir. (PÁG. 45)

65. Surge comumente, entre os casais, o problema do abandono, pelo qual o parceiro lesado é compelido à carência afetiva. Integradas duas criaturas na comunhão recíproca, é natural que o afastamento uma da outra provoque, em numerosas circunstâncias, o colapso das forças mais íntimas naquela que se viu relegada a esquecimento. (PÁG. 45)

66. O cônjuge menosprezado no círculo doméstico detém, no entanto, a faculdade de refazer as condições que julgue necessárias à própria euforia, com base na consciência tranqüila. Não há obrigações de cativeiro para ninguém nos fundamentos morais da Criação. Um ser não dispõe de regalias para abusar impunemente de outro, sem que a vítima se veja espontaneamente liberta de qualquer compromisso para com o agressor. (PÁG. 46)

67. As Leis da Vida, todavia, rogam – sem impor – às vítimas da deslealdade ou da prepotência que não renunciem ao dever de amparar os filhos, notadamente se esses filhos ainda não atingiram a puberdade. (PÁG. 46)

68. Em semelhantes crises, é preciso que haja no cônjuge largado em desprezo uma revisão criteriosa do próprio comportamento, para verificar até que ponto terá ele provocado a agressão moral sofrida e, seja ou não culpado, que se renda, antes de tudo, à desculpa incondicional do ofensor, fundindo no coração os títulos ternos que tenha concedido ao outro no título de irmão ou de irmã, de vez que somos todos Espíritos imortais e filhos do mesmo Pai. (PÁG. 47)

69. Só pelo esquecimento das faltas uns dos outros é que nos endereçaremos à definitiva sublimação. (PÁG. 47)

70. Nenhum de nós, os filhos da Terra, está em condições de acusar a ninguém, nos domínios do sentimento, porquanto os virtuosos de hoje podem ter sido os caídos de ontem e os caídos de hoje serão possivelmente os virtuosos de amanhã, a quem tenhamos, talvez, de rogar apoio e bênção. (PÁG. 47)

71. Homem ou mulher em abandono, se tem filhos pequeninos, que se voltem, acima de tudo, para eles, agasalhando-os sob as asas do entendimento e da ternura, até que se habilitem aos primeiros contactos conscientes com a vida terrestre, antes de se aventurarem à adoção de nova companhia. (PÁG. 47)
Alterações afetivas

72. Ensina “O Livro dos Espíritos”, item 208, que os pais exercem grande influência sobre o filho. “Conforme dissemos – afirmam os Imortais –, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa.” (PÁG. 49)

73. Depois que o navio do casamento se afasta do cais do sonho para o mar largo da experiência, é muito comum se alterem as condições afetivas. A esperança converte-se em trabalho e desnudam-se problemas que a ilusão envolvia. Observa-se, então, na maioria das posições, que arrefece o calor em que o casal se aquecia nos primeiros dias da comunhão esponsalícia. (PÁGS. 49 e 50)

74. Urge, porém, salvar a embarcação ameaçada de soçobrar. E ambos os cônjuges precisam reaprender na escola do amor, reconhecendo que, acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case, em espírito - sempre mais em espírito -, dia por dia. (PÁG. 50)

75. Não se inquietem os parceiros, à frente das modificações ocorridas, de vez que toda afinidade correta, nas emoções do Plano Físico, evolui fatalmente para a ligação ideal, a exprimir-se na ternura confiante da amizade sem lindes. (PÁG. 50)

76. O carinho que era, em princípio, repartido a dois, passa a ser dividido por maior número de partícipes do núcleo familiar, os quais são, em muitas circunstâncias, os associados da doce hipnose do namoro e do noivado, que mantinham nos pais jovens, ainda solteiros, a chama da atração entusiástica até a consumação do enlace afetivo. (PÁGS. 50 e 51)

77. Quase sempre, Espíritos vinculados ao casal, ora mais ao pai, ora mais à mãe, interessam-se na Vida Maior pela constituição da família, à face das próprias necessidades de aprimoramento e resgate, progresso e autocorrigenda. Em vista disso, cooperam, em ação decisiva, na aproximação dos futuros pais, aportando em casa pelos processos da gravidez, reclamando naturalmente a quota de carinho e atenção que lhes é devida. (PÁG. 51)

78. Em toda comunhão mais profunda do homem e da mulher na formação do grupo doméstico, seguida de filhos, há que contar com a sublimação espontânea do impulso sexual, cabendo a ambos aderir naturalmente a essa contingência da vida, cientes de que apenas o amor que se divide, em bênçãos para com os outros, é capaz de multiplicar a verdadeira felicidade. (PÁG. 51)


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