Vida no além francisco Cândido Xavier & caio ramacciotti espíritos diversos conteúdo resumido



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VIDA NO ALÉM

Francisco Cândido Xavier &

caio ramacciotti


ESPÍRITOS DIVERSOS

Conteúdo resumido
Documentário sobre a vida após a morte, repleto de comprovações a respeito da sobrevivência do espírito. São 5 casos de extraordinários depoimentos registrados pela pena mediúnica de Chico Xavier.

Sumário

Prefácio / 03

Apresentação / 04

Explicação necessária / 07

William José Guagliardi / 09

Maura Araújo Javarini / 17

Hilário Sestini / 26

Orlando Van Erven Filho / 41

Germano Sestini / 50

Prefácio
Prezado Leitor:

Inegavelmente este livro dispensa qualquer apresentação.

Os autores das mensagens que o constituem - amigos que volvem do Além ao Plano físico - se expressam com tamanha naturalidade nas notícias confortadoras de que se fazem mensageiros, que só nos resta desejar ao leitor amigo o proveito máximo nos informes e consolações de que este volume se mostra repleto.

Além disso, compete-nos ainda um registro: expressar a nossa gratidão a Jesus, o nosso Divino Mestre e Senhor, pela oportunidade de recolhermos estas páginas dos companheiros que as subscrevem, fornecendo aos companheiros do mundo às claras concepções da vida no Além que transformam este volume em precioso e autêntico repositório de paz e verdade, reconforto e esperança.

Uberaba, 23 de agosto de 1980

Emmanuel



Vista aérea da cidade de São José do Rio Preto


Trecho da Rua Bernardino de Campos, vendo-se parte da Praça Ruy Barbosa.
Apresentação
Caro Leitor.

Escrevem este livro espíritos que até recentemente residiam em São José do Rio Preto, tradicional município paulista, da Região dos Grandes Lagos.

Personalidades vinculadas ao progresso dessa cidade, profundamente reconhecidas à terra que lhes serviu de berço ou que as adotou por filhos abençoados, anotamos em suas palavras referências aos primeiros tempos de Rio Preto, citações que do mesmo modo que a relação de nomes e fatos que ressumam das mensagens psicografadas, eram do total desconhecimento de Chico Xavier e até mesmo, em alguns casos, dos próprios familiares dos autores espirituais do livro.

Mas, a par de seu conteúdo de revelação, a atestar a realidade da comunicação dos mortos com os vivos, deve-se ressaltar, sem dúvida, a mensagem naturalmente envolta na dor e na saudade - de esperança e de fé, alicerçada na certeza da sobrevivência da alma.

Em William José Guagliardi, jovem tragado com outros 58 rapazes, pelas águas do Rio Turvo, nos idos de 1960; em Hilário Sestini, empresário de reconhecidos méritos em São José do Rio Preto; no Doutor Orlando Van Erven Filho, o abnegado apóstolo da Medicina e no patriarca Germano Sestini, pioneiro de Cravinhos e Rio Preto, empreendedor respeitável, encontramos sempre, ao lado das surpreendentes revelações, a palavra de consolo e alento aos familiares saudosos de sua ausência compulsória.

É esse acervo de incalculável valor, que nos vem da nobre cidade de Rio Preto, através de seus diletos filhos, a essência da obra.

Agradeço profundamente a alguns companheiros, cujo concurso nos possibilitou a elaboração dos comentários e notas em complemento às mensagens recebidas por Chico Xavier. Refiro-me aos familiares dos autores espirituais, tão diligentes e solícitos, nas respostas às perguntas que formulei, para a adequada estruturação destas páginas.

De modo especial, expresso minha gratidão ao jornalista Nivaldo Carrazzone, de Rio Preto e ao Professor Benedito Silva, de Monte Aprazível e aos companheiros Romeu Grisi, sua esposa D. Hilda e seu cunhado Gérson Sestini, amigos de Votuporanga que aprendi a melhor admirar, pela participação indispensável que tiveram neste trabalho.

Finalmente, ao meu saudoso pai, falecido a 13 de dezembro de 1979, grande amigo e orientador, dedico as palavras finais desta Apresentação, agradecendo a Deus a bênção de tê-lo nesta presente existência, como genitor e mais do que pai, como o inseparável companheiro, cuja saudade será certamente o alento para que meus familiares e eu percorramos os caminhos da vida, com amor e respeito aos ensinamentos de Jesus que ele com tanta abnegação soube semear e cultivar em nossos corações.

São Bernardo do Campo, 23 de agosto de 1980

Caio Ramacciotti

Explicação necessária

O leitor espírita está familiarizado com as reuniões mediúnicas de que participa FRANCISCO CANDIDO XAVIER, em Uberaba.

Mas, para o leitor não espírita, a fim de que seja mais fácil a interpretação das páginas psicografadas, vamos dar uma idéia de como se processam as reuniões com Chico Xavier, no GRUPO ESPÍRITA DA PRECE, em Uberaba - Minas Gerais.

O recinto do Centro sempre superlotado; centenas e centenas de pessoas de todos os recantos do país e, às vezes, do mundo, com objetivos diferentes, procuram no médium: uma palavra de consolo, alguma notícia de familiar falecido, uma entrevista para determinado canal de televisão, etc.

Parte pequena dessa população heterogênea ali presente consegue, e muito rapidamente, cumprimentar o médium, antes do início das tarefas da noite que consistem no estudam do Evangelho Segundo o Espiritismo, ao mesmo tempo em que Chico Xavier, com rapidez vertiginosa, recebe inúmeras mensagens (em muitas ocasiões, até mesmo além de 10, de diferentes espíritos, numa única reunião que invariavelmente se prolonga madrugada a dentro).

Após o encerramento da reunião, outra parcela do público presente consegue conversar rapidamente com o médium, de modo que Chico Xavier, e queremos destacar esse fato, via de regra, não chega a conhecer sequer os familiares dos Espíritos que por ele trazem suas mensagens do Além.

Não obstante, o leitor observará, á saciedade, a incrível citação de nomes, fatos, dados, etc., aos quais o médium não tece acesso algum, como se depreende da mensagem de WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI, jovem sobre quem falaremos a seguir.


WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI

WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI... ao folhear as páginas já amarelecidas do Diário da Tarde, jornal de São José do Rio Preto, na época dirigido pelo ilustre escritor e jornalista Nivaldo Carrazzone, mal sopitávamos a emoção de desdobrar na mente as cenas da tragédia que tanto marcou a comunidade Rio-pretense.

Muita inquietação, sofrimento e saudade, mas acompanhados por altas demonstrações de solidariedade, respeito e fraternidade que certamente mais assinalaram a dignidade comunitária no contexto das provações coletivas que compõem o livro das tribulações mais agudas da Humanidade. Na tragédia do Rio Turvo, ocorrida no dia 24 de agosto de 1960, Rio Preto mais se engrandeceu ante os olhos de toda a Nação que acompanhou as horas difíceis em que a cidade se fundiu num único e grandioso ser, integralmente dedicado ao socorro dos jovens que mergulharam nas águas do rio, então transformado na porta de passagem para 59 adolescentes alcançarem a vida imperecível...

17 anos incompletos! Aquela tarde era particularmente importante para WILLIAM; passara o dia todo ajudando o pai no Empório, aguardando com entusiasmo a viagem que empreenderia com os colegas da Escola Técnica de Comércio D. Pedro II, no início da noite.

Pouco antes das 19 horas, horário marcado para a saída dos ônibus que conduziriam os jovens da fanfarra do Grêmio Literário da referida escola até Barretos, para participarem das comemorações de seu aniversário de fundação, do portão da casa, os familiares acompanharam William até que dobrasse a esquina, na longa despedida em que os adeuses reuniram pela vez última o dedicado filho e seus pais e irmãos.

Logo depois, um dos ônibus, que transportavam os jovens, mergulhou nas águas, provocando a morte de quase todos os seus ocupantes.

Do lamentável acidente ocorrido nas primeiras horas da noite de 24 de agosto de 1960, muito se falou e escreveu. São José do Rio Preto ficou por anos a fio mergulhada em atmosfera de angústia; as horas aflitivas da noite a dentro, em que abnegadas criaturas se desdobravam no içamento do ônibus e socorro das vítimas, como que se prolongaram indefinidamente, na visível amargura dos pais, irmãos e de toda a cidade, enfim, ante a perda dos promissores rapazes.

Contudo, a Misericórdia Divina foi plantando nos corações feridos dos familiares dos 59 jovens, novas flores de esperança e reconforto, reanimando-os para a vida; na íntima convicção de que seus filhos não morreram. Tão bons, na sua gárrula mocidade, apenas alçaram vôos maiores, em direção às Paragens Celestiais, cujo ambiente, sem dúvida, enriqueceram ao som dos bumbos, caixas, repiques e cornetas, com o mesmo brilho da participação da famosa fanfarra dos alunos do Grêmio Literário da Escola Técnica de Comércio D. Pedro II, nos dias festivos de Rio Preto.

Para os pais de WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI, o socorro chegou sob a forma de consoladora mensagem mediúnica em que William colocou muita paz sobre a infeliz ocorrência, desdobrando novos ângulos do triste acidente, envolvendo-o, sem dúvida, com a bênção do reconforto e do esclarecimento que os ensinamentos de Jesus encerram.


Alguma coisa sobre William

WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI nasceu em São José do Rio Preto no dia 3 de setembro de 1943, vindo a falecer a 24 de agosto de 1960.

Filho de Benedito Guagliardi e de Walkyria Zaccarias Guagliardi, deixou três irmãos: Marleine Guagliardi Seraphim, Benny Guagliardi e Osmir Guagliardi. Cursava o 2° ano Técnico de Contabilidade, quando faleceu.

Jovem amoroso, cultivava como os pais, a religião espírita.

A respeito da mensagem de WILLIAM, recebida por Chico Xavier, dois meses e meio após a morte do jovem, assim se expressou sua mãe, D. Walkyria:

"Graças a Deus a mensagem do William trouxe-nos a mim, a meu marido e aos outros filhos, bastante conforto, pois se não tivesse ido ao Chico, creio que teria ficado louca, pois nada me consolava.

"Diz, ainda D. Walkyria, que não conhecia o Chico. Esteve em Uberaba pela vez primeira, quando da psicografia do comunicado.

Alguns outros aspectos surpreendentes do recado que apresentamos a seguir, observaremos posteriormente.


Mensagem obtida, através de Francisco Candido Xavier, na noite de 14-11-1960, em Uberaba - Minas Gerais.

Querida Mamãe, peço ao seu carinho me abençoe.

Estou presente, rogando à senhora que me ajude com a sua paciência. Tenho sofrido mais com as lágrimas da senhora do que mesmo com a libertação do corpo... Isso Mamãe, porque a sua dor me prende à recordação de tudo o que sucedeu e quando a senhora começa a perguntar como teria sido o desastre, no silêncio do seu desespero, sinto-me de novo na asfixia.

Tenhamos calma e resignação. O que passou foi a Lei a cumprir-se. Pode crer que nossas reuniões e preces funcionaram, quando vi que nós todos afundávamos no rio sem esperança na terra, apareceu em mim à esperança da grande vida e entreguei-me à vontade de Deus, conformado. Notei que companheiros me agarravam como a me pedirem socorro para voltar à tona, no entanto, Mamãe, embora não pudesse falar, eu pensava... Pensava que Deus não dá pedras aos seus filhos que pedem pão, que a Previdência Divina só faz o bem... Recordei as conversações do Papai e o carinho da senhora e fiz no fundo da alma, a prece derradeira no corpo... não havia tempo para chorar. Senti-me sufocado, mas pouco a pouco, notei que mãos amigas me davam passes, de leve, e dormi.

Não tenho noção do acidente, como desejaria, mas estou informado de que saberei tudo quando estiver mais sereno. Asseguro, porém, que ninguém teve culpa; nem nosso motorista amigo, nem nosso Genésio. (1) Mamãe, nada fizeram que pudesse provocar a situação.

Foi a dívida do passado que surgiu na máquina em movimento. Mais tarde conversaremos nisso. Ainda tenho a cabeça dolorida e só venho até aqui, trazido pelo senhor Schutel (2) que me acolheu para rogar à senhora calma e oração.

Pelo amor de Deus, Mãezinha, não chore mais e nem pense que será melhor morrer para encontrar-nos. Estaremos juntos no serviço da nossa fé. É preciso reconhecer isso. Osmir, Benny e Marleine (3) ao lado do papai precisam muito de seu carinho na Terra. E não estarei longe.

Tudo que a senhora puder fazer para auxiliar os meninos necessitados, faça com amor e devotamento. Ajude, Mamãe, a compreensão de todos os nossos amigos em Rio Preto. Se eu puder pedir alguma coisa,rogo para que nosso motorista seja desculpado. Tenho visto alguns dos meus companheiros e todos os que tenho visto rogam a mesma coisa. Vamos todos orar pedindo a Deus compreensão e coragem. Senhor Schutel, Vovó Mariquinha, e D. Mariquinha Perche (4) estão me ajudando, pois ainda estou assim como um doente precisando recuperar-se. Estou bem, somente aflito com a sua aflição. Peço à senhora agradecer às nossas bondosas amigas, D. Clementina Carlito e Tia Dulce Zaccarias (5) as orações com que tanto me confortaram.

Hoje não posso escrever mais. Senhor Schutel pede para eu encerrar esta carta que ele me auxiliou a escrever. Para a senhora, Mamãe, para o querido Papai e todos os nossos o coração carinhoso e reconhecido do seu filho que lhe pede paz e confiança em Deus.



Esclarecimentos sobre as notícias psicografadas

80 dias após o falecimento de William José Guagliardi

1) - houve, na época, críticas ao motorista, Yoshiyuki Hayashi, que sobreviveu ao acidente, e ao organizador da viagem, Genésio Fabrini, Presidente do Grêmio Literário e Esportivo D. Pedro II, entidade que congregava os alunos da Escola Técnica de Comércio Pedro II e à qual se achaca vinculada a distinta fanfarra que em dois ônibus viajava naquela noite de 24 de agosto de 1960 para Barretos. Genésio faleceu no acidente.

2) - Schutel - Cairbar Schutel, conceituado espírita, falecido no início do século. Atuou particularmente na região da Araraquarense, tendo fixado residência em Matão, onde fundou a Revista Internacional do Espiritismo.

3) - Irmãos de William.

4) - Vovó Mariquinha e D. Mariquinha Perche - Esta, abnegada senhora que residiu em Matão, conhecida nos meios espíritas. Aquela, avó materna do William, já falecida.

Curioso, como lembraria da avó do William, e de seu apelido afetivo, e como saberia estar ela desencarnada, se nem os pais e irmãos do próprio jovem, Chico conhecia? E a pergunta que se impõe, para melhor compreendermos a clareza e a autenticidade do intercâmbio mediúnico.

5) - D. Clementina Carlito e Tia Dulce Zaccarias - Também nomes desconhecidos do médium, como aliás era a própria família Guagliardi. D. Clementina Carlito era à época uma senhora enferma que D. Walkyria, mãe do William, socorria semanalmente. Dulce D. Zaccarias, tia materna, era muito ligada ao jovem desencarnado. De fato, ambas as senhoras fizeram muitas preces por William, como se vê na comunicação. Podemos entender por essa passagem simples, mas repleta de revelações, o porquê dos Espíritos enfatizarem o calor da prece, como ponto de ligação entre os dois planos de vida.

Finalmente, para que o leitor sinta melhor a autenticidade desta mensagem de William, vamos lembrar que sua mãe, D. Walkyria, não conhecia Chico Xavier e sequer o cumprimentou antes do recebimento das palavras do filho, pois o Centro onde na época atuava o querido médium, estava, como sempre, repleto. Destacamos na carta psicografada a citação de nomes do total desconhecimento do Chico, como Vovó Mariquinha, Osmir, Benny (assim mesmo, com dois N e Y!!!), Marleine Clementina Carlito e D. Dulce Zaccarias.

Ao leitor, deixamos as conclusões...

MAURA ARAÚJO JAVARINI
Ainda o Rio Turvo

Meses depois do acidente do Rio Turvo, familiares de jovens desencarnados no infausto acontecimento procuraram Chico Xavier, em busca de palavras de consolo e, quem sabe? dessa ou daquela comunicação pessoal. Particularmente o Dr. Waldemiro Naffah e sua esposa, D. Mafalda Mussi Naffah, ansiavam por alguma notícia do filho, Waldemiro Naffah Júnior.

Na ocasião Chico lembrou aos pais da transitória impossibilidade do filho comunicar-se e disse de uma senhora que estava presente, em espírito, naquele papo informal, e que trabalhara muito no socorro dos jovens afofados sob as águas. Ela se denominava Maura Araújo Javarini e dizia ter-se suicidado em São José do Rio Preto, em 11 de maio de 1932.

Presentes também estacam naquela visita a Chico Xavier: os advogados Paulo Nimer e Paulo Roque e o Dr. Argymiro Acayaba de Toledo, Juiz de Direito da Comarca de São José do Rio Preto e signatário do importante depoimento que transcrevemos abaixo:

No segundo semestre de 1960, inconsoláveis pela morte, num desastre do Rio Turvo, ocorrido poucos meses antes, de um filho, o Dr. Waldemiro Naffah, advogado em S. José do Rio Preto, e sua esposa, D. Mafalda Mussi Naffah, em companhia do Juiz de Direito, então titular da 3ª Vara, Dr. Argymiro Acayaba de Toledo, do advogado Dr. Paulo nimer e do economista Paulo Roque, hoje advogado, dirigiram-se a Uberaba, onde residia o médium Francisco Candido Xavier, dele pretendendo uma palavra de conforto, bem como, embora o casal fosse católico, como ainda o é, uma comunicação mediúnica com o espírito do filho.

À noite, num centro espírita, onde o Chico prestava assistência espiritual aos necessitados, o casal e seus acompanhantes aproximaram-se, numa fila, do médium, ao qual foi exposta a pretensão. Chico Xavier disse que o rapaz ainda não tinha condição de comunicar-se, mas que, ali ao lado, estava o espírito de uma mulher, a qual dizia que, no instante do acidente, amparara alguns dos desencarnados, vitimados na queda do ônibus no Rio Turvo, um dos quais o filho do casal e dava o nome de Maura de Araújo Javarini, dizendo que se suicidara em S. José do Rio Preto em 11.05.32.

No dia seguinte, de retorno a S. José do Rio Preto, dirigiram-se ao Ofício de Registro Civil, onde sem declinar o motivo, o Dr. Waldemiro Naffah pediu ao oficial Gomide uma certidão de óbito de Maura, dando a data do seu falecimento. O oficial Gomide trouxe o livro de óbitos, abriu-o e disse que, na data mencionada, não constava o óbito da falecida. Mas, virando a página do livro, informou que, realmente, havia o assento do óbito da referida Maura, no dia 12, e que ali constava que falecera no dia anterior, o que conferia com a data fornecida pelo Chico.

São José do Rio Preto, 11 de novembro de 1977.

Argymiro Acayaba de Toledo
Pela certidão de óbito, o leitor pode compreender melhor o depoimento do Dr. Argymiro Acayaba de Toledo:

Curioso, como Chico, senão por via mediúnica, poderia falar de uma senhora desencarnada quase trinta anos atrás, informar a data correta da desencarnação, embora no próprio Livro de Registro de Óbitos da Comarca de São José do Rio Preto, nada constasse no referido dia e sim no dia seguinte? Em 1932, vale lembrar, o médium residia na cidade de Pedro Leopoldo - MG, tinha apenas 22 anos e nada poderia saber das coisas que ocorra, há milhares de quilômetros de distância, numa época em que os meios de comunicação eram ainda bastante precários. Não há dúvida alguma de que D. Maura, em espírito, deu as informações a Chico, quando da visita acima comentada.

Aliás, alguns meses depois, no dia 24 de abril de 1961, quando da visita de senhoras rio-pretenses a Chico Xavier, D. Maura volta, desta vez pela psicografia, com as seguintes informações particulares:

Mensagem de Maura Araújo Javarini


Meus queridos irmãos e irmãs de Rio Preto, especialmente minhas amigas Zilda, Zilda, Elba (1) e todos os corações abençoados de nosso núcleo espiritual.

Em nome de Jesus, peço a bênção de Deus para nós. Venho rogar-lhes para que façamos, em torno dos nossos queridos irmãos que partiram, através das águas do Rio Turvo, uma oficina de trabalho, de prece, de compreensão e de amor. Todos se acham protegidos, resguardados. Alguns têm podido ver os entes queridos de que se separaram violentamente, entretanto, muitos jazem ainda em tratamento de recuperação, como não podia deixar de ser. Peço-lhes para que as mãezinhas saudosas e os parentes que ainda choram, ajudem a eles pelo serviço do bem, auxiliando aos outros em seus nomes. Essas vibrações de fraternidade e agradecimento serão para eles remédio balsamizante. Quando puderem, volverão a falar, a escrever, a confortar os amigos queridos que ficaram no mundo.

De mim própria, também voltei ao mundo espiritual em situação dolorosa. Não me creiam espírito feliz, e sim coração de boa vontade que procura servir, a fim de servir na própria restauração. Foram às preces de meu pobre João (2), unido aos nossos irmãos Antonio Marino e Farid Mussi, (3) através de vibrações de fortalecimento, que me levantaram. Para restabelecer minhas forças, comecei cooperando em favor de nossos irmãos no Abrigo de Tuberculosos (4) que se inclinavam ao suicídio; tanto quanto na Santa Casa, buscando com todas as minhas pobres forças, amparar alguém que estivesse nas sombras do desespero. nada fiz, meus amigos, no entanto, a migalha que tentava fazer, deu-me energias novas. Hoje sou outra. Em nossa terra abençoada de Rio Preto, ainda estou vinculada a deveres que me falam alto ao coração. Ajudem-me pois, também, com o amparo espiritual de vocês. Digo à nossa Zilda, que o Celinho (5) está convenientemente amparado e que o seu trabalho na Creche (6) tem sido para ele esperança e consolação.

Meus amigos, é preciso ajudar, fazer, merecer e realizar.

Aproveitem a existência e o sofrimento que eu não soube valorizar. Voltarei, porém, mais tarde, e desejo, qual acontece com vocês, colaborar no bem, para que o bem me favoreça aqui, na Vida Espiritual, onde cada um vale pelo que fez, habilitando-se com a Divina Bondade de Deus, para fazer o melhor.

Não posso continuar, motivo pelo qual, deixo a cada um dos presentes o reconhecimento da serva, pequenina e ainda inútil.

Maura Araújo Javarini



Comentários à nota de Maura Araújo Javarini

A mensagem de MAURA ARAÚJO JAVARINI foi psicografada alguns meses após sua primeira aparição em espírito ao médium, justamente numa reunião de que participavam companheiros rio-pretenses.

Colocamos a palavra de D. Maura no contexto do episódio, em vista da comunicante haver participado dos socorros aos jovens e por haver estreita Dação de seus informes com o acidente. E oportuno destacar a riqueza de revelações na mensagem de D. Maura, tendo sido muito difícil conseguir-se o esclarecimento de dados e nomes nela citados, pois que raras pessoas em Rio Preto têm ciência dos fatos ligados ao remoto falecimento de Maura Araújo Javarini. Devemos muito dos fatos que abordaremos a seguir, à perseverança e dedicação dos amigos ROMEU GRISI e GÉRSON SESTINI, a quem mais uma vez anotamos nosso profundo agradecimento.

1) - Zilda, Hilda e Elba - Zilda Nora Souza Santos, Hilda Sestini Grisi e Elba Renzo Campos, senhoras rio-pretenses presentes à reunião de 24 de abril de 1961, em que Chico Xavier recebeu as anotações de D. Maura.

2) - Meu pobre João - refere-se ao marido João Javarini.

3) - Antônio Marino e Farid Mussi - Membros nos idos de 1932 do Círculo Esotérico de Rio Preto, presenciaram os funerais de D. Maura e condoídos colocaram seu nome para as mentalizações (preces) do Círculo Esotérico. O Senhor Farid Mussi disse ao Romeu Grisi que quando passou o enterro de D. Maura, comentou com o seu colega Antônio Marino: ''aí vai a mulher do padeiro, sem a bênção da Igreja, pois é suicida. Vamos orar por ela".

É importante lembrar, como vemos no relato de Maura Javarini, corroborando, aliás, as palavras de WILLIAM JOSÉ GUAGLIARDI, que as preces apresentam significado muito importante para os Espíritos que sempre se recordam das orações feitas em favor deles. D. Maura, 30 anos depois, ainda se recorda das preces que lhe foram endereçadas pelas almas piedosas de Farid Mussi e Antonio Marino.

4) - Abrigo de Tuberculosos refere-se D. Maura à Liga Rio-pretense de Combate à Tuberculose que na época da desencarnação dela funcionava nos fundos da Santa Casa de Misericórdia. Observem os leitores que a mensagem se refere às duas entidades, que funcionavam próximas, numa só chácara.

5) - Celinho - Célio Álvaro de Souza Santos Júnior, filho de D. Zilda Nora de Souza Santos, presente à reunião. Celinho faleceu no acidente do Rio Turvo, com apenas 15 anos.

6) - Creche - É a Creche da Sociedade de Proteção aos Necessitados Irmã Estelita, de que participa D. Zilda, mãe do Celinho.



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