Viii encontro regional de história da anpuh história e religião universidade severino sombra vassouras (RJ)



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VIII ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH – HISTÓRIA E RELIGIÃO – UNIVERSIDADE SEVERINO SOMBRA – VASSOURAS (RJ) –

13 A 17 DE JULHO DE 1998

Texto para apresentação:

O setor de energia elétrica do Rio de Janeiro1

Jacqueline Ribeiro Cabral


Quando realizamos tarefas simples, quase automáticas como apertar o interruptor para acender ou apagar a luz, beber um copo d’água gelado ou mesmo quando executamos tarefas não tão “naturais” assim, como acessar a rede mundial de computadores, nem sequer pensamos nas várias implicações do longo processo desde a descoberta da eletricidade até o seu uso em um praticamente ilimitado número de aplicações.


Na verdade, nosso envolvimento com a energia elétrica é de tal forma integral, que só nos damos conta da sua importância caso a falta dela venha a provocar transtornos por vezes irreparáveis em nosso cotidiano. A extrema espontaneidade com a qual encaramos esta que é a maior força propulsora do progresso da humanidade, oculta os diversos aspectos relacionados ao emprego da eletricidade.
Até alcançar o posto de fonte de energia mais utilizada e indispensável do mundo tanto na indústria quanto no lar, muitos esforços foram feitos no sentido de desvendar os “mistérios” de um fenômeno físico absolutamente explicável, mas que esperava ser investigado minuciosamente para tornar possível a apresentação de resultados práticos e baratos.
Os primeiros passos foram dados pelos gregos ao questionarem a propriedade do âmbar de atrair pequenas partículas de pó quando friccionado; depois, por volta do século II d.C., os chineses já mencionavam em seus escritos um instrumento capaz de indicar direções, ou seja, a bússola, que mais tarde seria aperfeiçoada pelos árabes. Nada de realmente concreto aconteceu durante centenas de anos no campo da eletricidade, até que entre os séculos XVI e XVII começaram a surgir estudos mais sistemáticos acerca do assunto, inicialmente circunscritos à eletricidade estática e avançando sobre os princípios da eletricidade dinâmica em um segundo momento.
O extenso caminho percorrido a partir de então pelos cientistas que se dedicaram a pesquisar a energia elétrica2, culminou em importantes inventos científicos3 que causaram um impacto sem precedentes na sociedade e atenderam perfeitamente às exigências da nova fase política e econômica que o mundo ocidental atravessava no momento: a do imperialismo e do capitalismo monopolista, aliados ao complexo tecnológico da Segunda Revolução Industrial.
De fato, os últimos trinta anos do século passado e o início do presente, marcaram uma época de ampla expansão geográfica do capitalismo para os países periféricos. Estimulado pela estagnação econômica da concentração excessiva de capitais, do esgotamento dos lucros obtidos no mercado interno dos próprios países centrais – que então superavam o período anterior, baseado na livre concorrência –, o capitalismo monopolista, dos grandes aglomerados de empresas de todos os tipos e iniciativas, rompeu as fronteiras nacionais e ainda beneficiou-se das inovações técnico-científicas em curso na Segunda Revolução Industrial.
Neste ponto, parece interessante salientar que a Segunda Revolução Industrial, longe de ser um mero prolongamento da primeira, teve características singulares, pois muitas das invenções surgidas naqueles tempos dependeram da utilização de novos materiais e novas fontes de energia como a eletricidade e o petróleo, que por sua vez levaram ao aparecimento de novos ramos industriais como a siderurgia, a indústria química e a indústria elétrica4.
Sem nenhuma tradição prévia e sujeita aos aperfeiçoamentos que ocorriam concomitantemente à sua recente constituição como setor industrial autônomo, a eletricidade fez seus primeiros adeptos entre a opinião pública nas exposições universais de que participou5, um excelente espaço de divulgação de novidades científicas que aliavam lazer e instrução, além de incentivar a conquista de um mercado para os inventos e tecnologias que se mostravam promissores como a energia elétrica, tão logo ficou evidente a sua superioridade diante do gás para a iluminação, da tração animal para a movimentação dos bondes etc.
A virada do século XIX para o XX vivencia, portanto, profundas transformações em torno da economia internacional que apontam para a formação de um mercado em escala mundial – que hoje atinge a totalidade do globo –, cuja vinculação do Brasil se fez na condição de país periférico exportador de bens primários, território propício para ser palco de disputas entre grupos associados ou diretamente controlados pelo capital estrangeiro, interessados em expandir seus monopólios, seus negócios. Foi neste contexto que a indústria elétrica instalou-se aqui paralelamente à sua emergência em outros países como a Alemanha, os Estados Unidos, a França e a Inglaterra.

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A cidade do Rio de Janeiro, capital do Império brasileiro, era o cenário perfeito para a disseminação de investimentos estrangeiros em virtude de pelo menos dois fatores básicos: um, de ordem política, afinal era a sede do governo e conseqüentemente o lugar onde eram tomadas as principais decisões acerca do destino do país; outro, de ordem econômica, pois a cidade vivia o auge da lavoura de café no Vale do Paraíba.
A convergência dos fatores supracitados animaram a modernização do Rio de Janeiro através das iniciativas e empréstimos sobretudo britânicos, que logo se concentraram na construção de ferrovias e no aparelhamento dos portos, duas medidas essenciais para garantir o enorme fluxo de mercadorias que aqui circulavam – as exportações e importações aumentaram vertiginosamente a partir de 1850 –, e a integração do Brasil no comércio internacional.
Outra urgência do processo de modernização da capital do país estava em remodelar todo o seu espaço urbano6, implantando serviços de infra-estrutura e utilidade pública, como os sistemas de transportes, iluminação, água e esgotos, que também contaram com a participação estrangeira.
Não obstante ter sido o centro político do país, o Rio de Janeiro foi precedido na aplicação dos serviços de eletricidade por outras cidades fluminenses e várias províncias do Brasil7. O que deveria ser um elemento decisivo para a sua eletrificação, acabou retardando os acordos para a instalação da rede elétrica para fins de iluminação, tração e posterior abastecimento das indústrias8, devido à sobreposição das instâncias de poder determinada pelas funções de município, estado e capital que ocupava simultaneamente9.
Assim, ao longo da segunda metade do século passado, o Rio de Janeiro foi palco de algumas iniciativas de uso da eletricidade que, entretanto, pela ausência de um sistema gerador, não tiveram prosseguimento. Esse quadro mudaria radicalmente com a constituição da companhia canadense10 The Rio de Janeiro Tramway , Light and Power em 1904, que junto com a sua homônima de São Paulo criada cinco anos antes, deu início à produção industrial de energia elétrica em larga escala no Brasil, montando, em pouco tempo, um sistema de geração, transmissão e distribuição de grande porte para os padrões internacionais da época.
Contribuiu para o interesse do grupo Light na então capital da República, a reforma urbana empreendida pelo Prefeito Pereira Passos (1903-1906), na qual o governo municipal passou a preocupar-se em dotar de iluminação elétrica as áreas privilegiadas com o processo de transformação vivido pela cidade. A Light monopolizou os serviços de energia elétrica do Rio de Janeiro, não sem antes entrar numa acirrada disputa com o grupo nacional de capital igualmente privado, capitaneado por Cândido Graffrée e Eduardo Guinle, fundadores da Companhia Brasileira de Energia Elétrica, que chegou a desempenhar importante papel no desenvolvimento do parque elétrico brasileiro11.
Para além das importantes questões de cunho jurídico que a disputa pelo monopólio dos serviços de energia elétrica encerrou, deve-se considerar a questão da energia elétrica como força motriz responsável pelo aumento do parque industrial do país em geral, devido à abundância de nossos recursos hidráulicos (95% da eletricidade produzida no Brasil provém desta fonte) e na medida em que tivemos a oportunidade de diminuir a dependência nacional do carvão importado que movimentava as fábricas a vapor antes da emergência da eletricidade.
Especificamente em relação ao parque industrial carioca, a constatação de que o natural avanço da eletricidade entre os estabelecimentos fabris – facilitado pela entrada em cena da Light, fornecendo energia elétrica de forma regular e abundante –, coincidiu temporalmente com a progressiva perda da liderança industrial do Distrito Federal para São Paulo, merece atenção. No artigo intitulado “As tarifas de energia elétrica na composição dos custos industriais da cidade do Rio de Janeiro no início do século” (Anais do 1º Seminário Nacional de História e Energia. São Paulo: Eletropaulo, 1986, p.27-40), a professora Maria Bárbara Levy considera a eletricidade uma variável decisiva na elevação dos custos da produção das empresas do Rio de Janeiro e conseqüentemente da queda de competitividade dos produtos cariocas nos vários mercados do país12.
Sem ir adiante em torno dessas discussões em função das limitações de espaço impostas ao texto, vale ressaltar que a formação do setor de energia elétrica em qualquer tempo e lugar, sempre esteve acompanhada de uma complexa rede de interações sociais, técnicas, políticas e ideológicas, que podem revelar muito acerca da história de uma cidade ou país13. A despeito da grande quantidade e variedade de obras que tratam da industrialização brasileira, a eletricidade ainda é bem pouco mencionada como agente primordial deste processo.
Dessa forma, a eletricidade só mereceu abordagem historiográfica a partir da década de 1980 pela iniciativa do Departamento de Patrimônio Histórico da Eletropaulo e do Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, dois núcleos de pesquisa que nasceram dentro de empresas públicas – inspirados em instituições semelhantes que atuam na Europa e nos Estados Unidos –, e servem de referência a quem quiser se debruçar sobre o assunto e contribuir para o desenvolvimento de uma “história da eletricidade”, pesquisando, sistematizando e analisando também as fontes primárias disponíveis nos arquivos públicos14.


Notas:

Este tema está sendo tratado com maiores detalhes na minha monografia de graduação do curso de História da Universidade Federal Fluminense, sob o título Faça-se a luz: o impacto social da eletrificação do Rio de Janeiro no limiar do século, que conta com a orientação do Prof. Dr. Fernando Antonio Faria.


2 Para citar alguns nomes de físicos e químicos que colaboraram decisivamente para o desenvolvimento da ciência da eletricidade: William Gilbert (1544-1603), Otto von Guericke (1602-1686), Stephen Gray (1666-1736), Pietervan Musschenbroek (1692-1791), Ewald George von Kleist (1700-1748), Luigi Aloisio Galvani (1737-1798), Alessandro Volta (1745-1827), André-Marie Ampère (1775-1836), Hans Christian Oersted (1777-1851), Michael Faraday (1791-1867), Joseph Henry (1797-1878), James Prescott Joule (1818-1889), James Clark Maxwell (1831-1879) e Heinrich Rudolph Hertz (1857-1894).
3 O engenheiro elétrico Guglielmo Marconi (1874-1937), entrou para a história com a invenção do rádio, mas um dos inventores mais versáteis de todos os tempos foi certamente Thomas Alva Edison (1847-1931), que chegou a ter 1.093 patentes de invenções e aperfeiçoamentos de aparelhos alheios, foi o grande responsável por inventos como a lâmpada incandescente, o fonógrafo ou gramofone e por melhoramentos significativos no telefone, no cinematógrafo, no gerador elétrico e nos trens movidos a eletricidade.
4 Isto só foi possível graças ao estreitamento dos laços entre cientistas – os criadores em potencial das novas “necessidades” que o capitalismo alimenta – e industriais – os patrocinadores dos inovadores projetos. Não há dúvida que atualmente tais laços consolidaram-se por completo.

5 As duas exposições que apresentaram a eletricidade ao mundo realizaram-se em Paris. Na primeira, a Exposição Internacional de 1881, foi apreciada quase exclusivamente como entretenimento, devido às imperfeições inerentes ao ainda precário domínio de seus procedimentos; já na Exposição do Centenário da Revolução Francesa de 1889, a sua tecnologia encontrava-se bem estruturada e em pleno desenvolvimento. Tanto na França quanto em outros locais onde os estudiosos da eletricidade fizeram demonstrações públicas da recente “descoberta”, sua força invisível e pouco compreendida soava como algo mágico, sobrenatural. A idéia de que a vida animal era uma propagação da energia elétrica rendeu algumas experiências de revitalização de cadáveres, as quais serviram de inspiração para o clássico Frankenstein, publicado em 1818 pela escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851).
6 Ao passo que a urbanização do Rio de Janeiro estava ligada à agricultura de exportação, nas cidades européias e norte-americanas a indústria é que impulsionou os melhoramentos urbanos, numa lógica diametralmente oposta.
7 Apesar das primeiras demonstrações de iluminação elétrica terem contemplado o público carioca logo em 1879 na estação central da Estrada de Ferro Dom Pedro II (hoje Central do Brasil) e dois anos mais tarde no Campo da Aclamação (Praça da República), os investimentos de maior porte como a inauguração de iluminação pública e particular, além da instalação de usinas hidrelétricas e termelétricas ocorreram fora do Rio de Janeiro. As localidades pioneiras na adoção da nova fonte de energia foram: Campos (RJ) em 1883; Rio Claro (SP) em 1884; Porto Alegre (RS) em 1887; Juiz de Fora (MG) e São Paulo (SP) em 1889; Curitiba (PR) em 1892; Maceió (AL) em 1895; Belém (PA) em 1896; Belo Horizonte (MG) em 1897; Estância (SE) em 1900; Cachoeira de Itapemirim (ES) em 1903; Cruzeiro do Sul (AC) em 1904.
8 Com efeito, por problemas de ordem técnica, o uso regular da energia elétrica como força motriz na produção fabril só foi possível dez anos depois das invenções que garantiram seu sucesso na iluminação e nos transportes públicos. A introdução do motor polifásico de corrente alternada potencializou a transmissibilidade – capacidade de ser transportada a longas distâncias sem perdas consideráveis – e a flexibilidade – capacidade de ser convertida em outras formas de energia como o calor e a luz – da energia elétrica. As limitações do sistema de geração através de corrente contínua e o seu alto custo, dificultaram sua aceitação entre os industriais.
9 Tal situação seria regularizada apenas com a promulgação do Código de Águas (Decreto no 26.234 de 1934) sob o governo de Getúlio Vargas (1883-1954).
10 Nominalmente canadense, mas que inicialmente contava com financiamento norte-americano e mais tarde foi controlada por capitais ingleses. Ademais, seus investimentos não se limitavam ao nosso país, estendendo-se também ao México e a Cuba.
11 Nos anos da década de 1920, a Light e um novo grupo estrangeiro, a Amforp (American & Foreign Power Company), de origem norte-americana, promoveram intensa concentração e centralização de empresas concessionárias, que culminou com a quase completa desnacionalização da indústria de energia elétrica.
12 A dependência praticamente total da eletricidade fornecida pela Rio Light, afetou duramente os industriais cariocas a partir de 1914, quando a empresa concessionária colocou em prática a revisão da sua política tarifária já determinada no contrato de 1907 com a prefeitura, passando a cobrar de seus clientes o pagamento da energia elétrica metade em papel-moeda e metade em ouro ao câmbio médio do respectivo mês de consumo (a chamada “cláusula-ouro”). A desvalorização do mil-réis acentuou mais ainda a clara desvantagem em que se encontrava a indústria do Rio de Janeiro na época em questão.
13 No que diz respeito ao aspecto ideológico da eletrificação, por exemplo, a associação da energia elétrica à modernidade comporta mudanças no imaginário coletivo e na solidificação de um estilo de vida urbano extremamente interessantes.
14 Entre as obras mais recentes que têm a eletricidade como objeto de estudo central, destacam-se os trabalhos de Amara Silva de Souza Rocha em A sedução da luz. O imaginário em torno da eletrificação do Rio de Janeiro:1892-1914 (apresentado como Dissertação de Mestrado do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro), e de Sergio Tadeu de Niemeyer Lamarão em A energia elétrica e o parque industrial carioca (Tese de Doutorado em História da Universidade Federal Fluminense, a qual tive a oportunidade de participar como auxiliar de pesquisa e incentivou minha aproximação com o tema).


Bibliografia (esta lista não abrange todos os títulos usados na elaboração da minha monografia):


A ENERGIA elétrica no Brasil: da primeira lâmpada à criação da Eletrobrás. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1977.
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CENTRO DA MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL. A CERJ e a história da energia elétrica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Memória da Eletricidade, 1993.
___________. Panorama do setor de energia elétrica no Brasil. Textos de Lígia Maria Martins Cabral, Paulo Brandi de Barros Cachapuz e Sergio Tadeu de Niemeyer Lamarão. Rio de Janeiro: Memória da Eletricidade, 1988.
FALCON, Francisco, MOURA, Gerson. A formação do mundo contemporâneo. 13ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
FAUSTO, Bóris. História do Brasil. 4ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: 1996.
HOLLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
HUGHES, Thomas P. Networks of Power: Electrification in Western Society, 1880-1930. Baltimore: John Hopkins University Press, 1988.
LEITE, Antonio Dias. A energia do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
OLIVEIRA, Geraldo Beauclair Mendes de. Raízes da indústria no Brasil: a pré-indústria fluminense, 1808-1860. Rio de Janeiro: Studio F & S Editora, 1992.
SCHIVELBUSCH, Wolfgang. Disenchanted Night: The Industrialization of Light in the Nineteenth Century. Berkeley: University of California Press, 1988.
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