Vitalista que envolve todos os aspectos da vida do Homem



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Encontro06.08.2016
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Aspectos teóricos e práticos
Ideologia:
O futurismo é um movimento vitalista que envolve todos os aspectos da vida do Homem, a política, os costumes e a moral, a arte, etc.., que socorreu a qualquer meio expressivo, como as artes plásticas, arquitectura, urbanismo, publicidade, moda, cinema, música, literatura etc.., para dar vida à sua ideologia, criando uma verdadeira arte de acção. Procura envolver-se profundamente com a vida, num retomar da poética romântica e pós-romântica, próximo do pensamento de Bergson e Nietzsche. Marinetti, (poeta italiano, autor do primeiro manifesto futurista, publicado no jornal francês LE Fígaro, a 20 de Fevereiro de 1909), anuncia o nascimento de uma “beleza Nova”, a “beleza da velocidade”, ligada ao culto da máquina e aos elementos mais dinâmicos, ainda que perturbadores, da sociedade industrial que estão se vinha formando. O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo governo, academias de arte e Vaticano, para fazer a sociedade italiana despertar para a nascente da modernidade. O seu programa político abordava o divórcio, a distribuição de riqueza e a igualdade entre homem e mulher. O apego do futurismo ao novo é tão grande que chega a defender a destruição de museus e cidades antigas. Agressivo e extravagante, encara a guerra como forma de “higienizar” o mundo. Contou com o apoio incondicional dos pintores mais jovens da Itália, do início do século: Balla, Boccioni, Carrá, Russolo e Severini, entusiastas revolucionários que acabariam por redigir também os seus próprios manifestos, assumindo os valores essenciais do Futurismo e adoptando na sua arte o conceito-chave do dinamismo, ou seja, a poética do movimento, “ Os pintores mostraram-nos sempre coisas e pessoas colocadas à nossa frente. Nós, colocaremos o espectador no centro do quadro”, (Marinetti). Foi um dos cerca de 50 manifestos publicados entre 1909 e 1916 a propósito de quase tudo: teatro, literatura, cozinha, etc.

A esta nova corrente unia-se também o arquitecto Sant’Elia, que teorizava sobre uma arquitectura caduca e transitória que não sobrevivesse ao homem. No seu manifesto, declara que a arquitectura futurista é a arquitectura do cálculo, da audácia, e dos novos materiais, (betão, cimento, vidro, ferro, cartão, etc.), afirma que a decoração é um absurdo, que se deve buscar inspiração ao mundo mecânico e que o ambiente arquitectónico deve ser renovável sempre que se sinta essa necessidade.

O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais.

Aspectos formais:
Para obterem os efeitos de movimento na superfície do quadro, ou para exprimirem a “sensação dinâmica”, recorrem aos princípios da decomposição cromática e da luz próprios do pós-impressionismo divisionista – com os seus conceitos de simultaneidade e dinamismo conseguidos através da cor, (ex. Briga na Galeria, 1910 e a cidade que sobe, 1910-11, de Boccioni; O Funeral do Anarquista Galli, 1911 de Carrá). Do cubismo, apesar de recusarem o seu carácter estático, retirarão a solução formal da multiplicação dos pontos de vista e da decomposição dos objectos – as cenas são representadas, por exemplo, apresentando as figuras ao mesmo tempo de perfil e de frente, assim como os outros elementos vistos de diversos ângulos, tudo isto simultaneamente, as figuras “estão imóveis e depois movem-se, vão e vêm, espalham-se pela rua, devoradas por uma zona de sol, símbolos persistentes da vibração universal”. Para cumprirem a necessidade de interpretarem a simultaneidade dinâmica das formas e dos valores cromáticos, que lhes era tão cara, os futuristas irão realizar uma síntese original destes contributos.

Cada artista irá interpretar todos estes conceitos de maneira muito diferente:

Boccioni, o melhor intérprete destes pressupostos formais, leva longe estas práticas introduzindo o conceito das linhas-força, “ direcções das formas-cor”. Na sua escultura Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913), observa-se a intersecção de vários volumes distorcidos. É uma das obras emblemáticas do futurismo. Nela se percebe a ideia de movimento e força.

Balla, partindo da análise científica e objectiva da decomposição da cor, (legado pelos pós-impressionistas), produziu obras inteiramente abstractas.

Sverini, muito próximo do cubismo sintético, com uma obra exaltando a modernidade e o optimismo, em cenários parisienses. Para além da utilização das cores primárias e da decomposição geométrica, é dos primeiros juntamente com Picasso e Braque, a utilizar a técnica da colagem, no que foi seguido por Boccioni e Carrá.

Na Rússia, o futurismo tem papel importante na preparação da Revolução Russa, (1917) e caracteriza-se as pinturas de Lariónov, (1881-1961) e Gontcharova, (1881-1962).

Bragaglia, através de estudos fotográficos, desmaterializava os corpos, reproduzindo a sua trajectória através de silhuetas de luz que se produz quando uma figura se move numa fotografia. Fundou também o teatro experimental em 1922, inspirado pelo manifesto de marinetti de 1915, que defende representações apenas de dois ou

três minutos, com um pequeno ou nenhum texto, poucos actores e vários objectos em cena.

Marinetti publicou uma obra dramática em 1920, Elettricità Sensuale, com o mesmo título de uma peça sua, escrita em1909.

Alguns pintores aproximaram-se da música. O pintor italiano Luigi Russolo, (1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e utiliza-os em apresentações públicas.

No campo da literatura as principais manifestações ocorrem na poesia italiana. Sempre ao serviço de causas políticas, a primeira antologia sai em 1912. O texto é marcado pela destruição da sintaxe e da pontuação, substituída por símbolos matemáticos e musicais. A linguagem é espontânea e as frases são fragmentadas para expressar velocidade. Os autores abolem os temas líricos e incorporam à poesia palavras ligadas à tecnologia.

As ideias de Marinetti, mais actuante como teórico do que como poeta, influenciam o poeta cubista francês Guilherme Apollinaire, (1880-1918).

Na Rússia, o futurismo expressa-se principalmente na literatura. Mas enquanto os autores italianos se identificam com o fascismo, os russos aliam-se à esquerda. Vladímir Maiakóvski, (1893-1930), o poeta da Revolução Russa, aproxima a poesia do povo. Outro poeta de destaque é Viktor Khlébnikov, (1885-1922).

Na arquitectura, o arquitecto António de Sant’Elia, apresenta os planos da Cidade Nova, é o único exemplo do futurismo nesta área, que exalta os valores próprios do urbanismo pela projecção vertical do arranha-céus e pela ideia da megalópolis industrial.

Depois da Guerra o movimento desagrega-se mas influenciou artistas que surgiram depois:

Balla e Fortunato Depero – a partir do Manifesto futurista para a Reconstrução Futurista do Universo, vão aplicar os princípios futuristas na construção de objectos de decoração, “brinquedo futurista”, “fato transformável”, engenhos mecânicos barulhentos – mito da máquina, mais do que o automóvel será o avião a entusiasmá-los.



Outros países:

Rússia – movimento quase tão importante quanto o italiano, (L. Popova), Japão e Brasil. Na Inglaterra – Vorticismo, nome dado pelo grande poeta Ezra Pound, (1914). Evoluem depois para um maior abstraccionismo, Espanha – Vibracionismo, com R. Barradas.


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