VÓs sois uma carta de cristo, escrita não com tinta, mas com o espírito do deus vivo



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Participação na Assembléia Semestral da USG
De 28 a 31 de maio deu-se, no Salesianum de Roma, a reunião semestral da União dos Superiores Gerais (USG), tendo como tema: “O religioso, homem de diálogo a serviço da Igreja e com a Igreja”. Houve três conferências que explanaram o tema e seguiram-se os trabalhos de grupo, antes por idiomas e depois por encargo: superiores gerais e vigários.

A escolha do argumento queria ser uma resposta a uma realidade muito fácil de constatar, isto é, a dificuldade do diálogo em todos os níveis: dentro de uma comunidade religiosa e de um Instituto religioso, entre vida consagrada e comunidade eclesial, entre Igreja e mundo.

O tema acentuou claramente que o diálogo é difícil, mas muito urgente, precisamente num contexto cultural e eclesial como o nosso. É uma dimensão absolutamente necessária para o desenvolvimento da pessoa humana, que é um ser relacional, para a vida das comunidades, para a missão, que é essencialmente comunicação e testemunho, para inserção no mundo. É uma realidade penosa, também porque implica saber mudar os próprios pontos de vista, as próprias convicções, as próprias maneiras de agir; mas é indispensável se queremos tornar crível e eficaz o nosso testemunho de discípulos de Jesus, que seremos conhecidos e reconhecidos se nos amamos, se somos um, se temos um só coração e uma só alma.
Partindo da Encíclica Ecclesiam Suam (1964), na qual Paulo VI dizia que “o diálogo é o novo nome da caridade” e aludia às suas quatro características fundamentais, ou seja, a clareza, a mansidão, a confiança e a prudência, os relatores mostraram como o diálogo entre as culturas, entre homens e mulheres, entre nós e os pobres, é possível somente ouvindo o outro com atenção, procurando ver o outro na melhor luz possível, tratando os outros com um respeito extraordinário, enfim olhando os outros com os próprios olhos de Deus.

A medida da saúde de uma comunidade local ou provincial é diretamente proporcional à maneira com que os membros são capazes de partilhar uns com os outros os respectivos pontos de vista e os respectivos esforços espirituais e pessoais.


Nessa linha, a primeira ficha do CG25 quis encorajar os irmãos e as comunidades a promover uma relação interpessoal profunda e, depois, a partilhar a própria experiência de vida e de Deus, para chegar a formar uma comunidade muito mais sólida e robusta. A isso visa também o projeto da comunidade salesiana local, que quer favorecer a comunhão dos irmãos mediante um processo de partilha e discernimento, começando pelo chamado de Deus, desenvolvendo depois a leitura da realidade e dos desafios em que vivemos e operamos, e concluindo com a escolha das grandes opções e objetivos a serem atingidos. Com efeito, a verdadeira comunhão é fruto do amor que se exprime num projeto comum, contra toda tendência ao individualismo e ao egoísmo.

Dom Bosco foi ao encontro dessa necessidade, procurando fazer da própria comunidade uma casa e criar um espírito de família que permeasse todas as relações. Dessa maneira são assumidas seja a vida da comunidade, suas alegrias e esperanças, suas fadigas e temores, sua dinâmica interna e o seu itinerário espiritual, seja a questão candente da qualidade da presença educativa pastoral, a capacidade de responder aos desafios, o envolvimento e a formação dos leigos colaboradores.


O diálogo com a Igreja, com os bispos e com os outros religiosos, conquanto nem sempre fácil, torna-se hoje mais do que nunca indispensável e exigente, porque demanda superar medos e desconfiança e enfrentar juntos grandes problemas como os da evangelização, da promoção humana, da justiça social, da cultura.

É fora de dúvida que o diálogo é um valor que se deve aprender e desenvolver ao longo dos anos de formação. É uma expressão da espiritualidade de comunhão, indispensável para nós chamados a ser artífices de comunhão.


Visita à Inspetoria Adriática
Nos últimos dias de maio fiz uma visita de fim de semana à Inspetoria Adriática. O primeiro encontro foi em L’Aquila, onde dia 30, sexta-feira, o prefeito conferiu a cidadania honorária a toda a comunidade salesiana pelos setenta anos de presença e a influência sobre a cidade e sobre o território. No dia seguinte, pela manhã, deu-se o encontro com a comunidade inspetorial. À tarde e à noite celebrou-se a festa de Maria Auxiliadora com a Família Salesiana, compreendendo a procissão e um festival. O segundo encontro foi em Vasto, onde recebi a cidadania honorária, inaugurei o pavilhão esportivo, presidi a Eucaristia da Ascensão do Senhor e participei no festival organizado pelos meninos das obras da inspetoria.

Encontrei uma inspetoria que demonstra vivacidade e vitalidade, na qual também os irmãos idosos parecem viver com o entusiasmo dos primeiros tempos, ancorados na tradição salesiana sentida e vivida. Vi a presença de um grupo de jovens irmãos, que faz pensar na possibilidade de uma pastoral vocacional fecunda, sobretudo se as comunidades continuarem a ser abertas, acolhedoras e inseridas em meio aos jovens, se o Movimento Juvenil Salesiano se consolidar e tiver a capacidade de fazer amadurecer projetos de vida. Esperamos que assim seja.


Conclusão: o aniversário de Dom Bosco
Nos dias 15 e 16 de agosto estive no Colle Don Bosco para as celebrações da Assunção de Maria, a entrega das crianças a Nossa Senhora, como fez Mamãe Margarida com Joãozinho, a procissão da Madonna del Castello, em Castelnuovo, e para a festa do 188º aniversário do nascimento de Dom Bosco. Era a primeira vez que se celebrava essa festa e, não obstante, teve uma participação significativa de irmãos das comunidades da inspetoria, e a presença também das autoridades civis no aniversário de seu mais glorioso cidadão.

Presença também de grupos de jovens vindos da Bélgica, da Eslovênia, da Croácia e da Polônia, guiados por irmãos salesianos. É estupendo ver como o Colle se torna cada vez mais centro de peregrinação para irmãos, jovens, membros da Família Salesiana, que vêm conhecer o berço do pai, mestre e amigo dos jovens: o prado dos sonhos que marcou sua vida, confiando-lhe uma missão, indicando-lhe um campo de trabalho, dando-lhe uma mestra; o lugar das nossas origens e da nossa comunhão espiritual e apostólica. É verdade que em Valdocco Dom Bosco amadureceu seu projeto apostólico e que lá se deu a fundação da Congregação Salesiana, do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, dos cooperadores, da ADMA; mas é igualmente verdade que a vida, início de todo dom, começou nos Becchi e lá deu seus primeiros passos, alguns dos quais definiram para sempre a vida de Dom Bosco.


A iniciativa da comunidade do Colle de celebrar o nascimento do nosso Pai pareceu-me adivinhada e em linha com quanto estamos promovendo, isto é, a valorização dos “lugares santos salesianos!”. Faltam ainda doze anos para o bicentenário do nascimento, e queremos iniciar um caminho de preparação que se deve traduzir num conhecimento melhor de Dom Bosco e, sobretudo, em tornar operativo o seu carisma e a sua missão no contexto hodierno, por vários aspectos tão diversos do seu. A mensagem do dia 16 de agosto passado estava precisamente nesse rumo. O mês de agosto é, em muitos lugares da nossa Congregação, o mês de Dom Bosco, por isso essa lembrança mostrou-se oportuna.

São passados já 188 anos do nascimento de Dom Bosco, homem de Deus e dos jovens. A prodigiosa expansão do seu carisma em 126 países do mundo, graças a uma legião de consagrados e consagradas, que fizeram próprio seu projeto de vida, e a um batalhão de colaboradores leigos, atingindo milhares e milhares de meninos, permite a Dom Bosco dizer como São Paulo: “Vós sois uma carta de Cristo, escrita por mim não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo” (2Cor 3,3).


A Virgem Maria, na festa da sua Natividade, nos ensine a abrir-nos sem limites ao plano de Deus para acolhê-lo com generosidade e alegria de ser seus colaboradores para o bem dos jovens.

Pe. Pascual Chávez V.

Reitor-Mor



2.1 O DELEGADO E A COMISSÃO

INSPETORIAL PARA A FORMAÇÃO
Pe. Francesco CEREDA

Conselheiro geral para a Formação
A figura do delegado inspetorial de formação está assumindo um papel cada vez mais decisivo na animação da vida das inspetorias, sobretudo por causa da reconhecida importância da formação para o crescimento vocacional dos irmãos, pela qualidade da ação educativa pastoral, para a identidade carismática. O delegado é quem “dá vida” à formação na inspetoria: ele a anima, estimula, acompanha de perto, avalia; o mesmo se diga da comissão inspetorial de formação, que ele coordena.
As recentes orientações da Congregação atribuem novas tarefas a essa figura. A Ratio fala em várias ocasiões do seu papel e apresenta uma visão dos seus compromissos, pondo-os em relação com os do inspetor (FSDB 246-247). O CG25 pede sua intervenção de estudo e de animação para o projeto pessoal de vida, o projeto comunitário, o programa anual de formação permanente da inspetoria, o plano de qualificação dos irmãos (CG25, 16.60). O conselheiro para a formação pede-lhe, enfim, uma atenção especial ao cultivo e promoção da vocação do salesiano coadjutor (cf. ACG 382).
Julgo, por isso, importante que as inspetorias tomem consciência da nova figura do delegado inspetorial de formação que se está delineando e das atuais exigências da formação, cuja realização será preciso garantir. Neste momento, a aplicação da Ratio passa principalmente através da qualificação e da valorização do delegado e da comissão inspetorial de formação. Eles estão a serviço do inspetor e do seu Conselho, da animação das comunidades, do crescimento dos irmãos. Apresento aqui uma visão de conjunto de suas tarefas; as inspetorias poderão assim gradualmente valorizar melhor as competências e servir-se de suas potencialidades.
1. Refletir
Primeira tarefa do delegado é refletir sobre a formação na inspetoria. Essa tarefa exige que esteja atualizado no campo da formação; nas áreas conexas a ela, como a vida consagrada, a maturação humana, a vida espiritual, os “estados de vida do cristão”, os desafios da evangelização; nas orientações da Igreja, dos Capítulos Gerais e do Reitor-Mor com o seu Conselho. Exige também que o delegado esteja em contato com a realidade da Inspetoria, especialmente com os jovens em formação inicial, os formadores, as comunidades formadoras, mas também com todas as comunidades, os irmãos, as iniciativas de formação permanente.

1.1 Ele reflete sobre a Ratio e sobre “Critérios e normas de discernimento vocacional salesiano”. A Ratio oferece orientações carismáticas, espirituais e pedagógicas que acompanham a normativa, dão o quadro geral da formação, identificam as suas dimensões. Ela apresenta uma síntese da vocação salesiana e do modo de crescer nela, acolhendo as principais orientações da Igreja e da Congregação e prestando atenção à metodologia formativa. Ela é um documento estratégico; merece, pois, ser meditada, estudada e feita própria por todo salesiano, particularmente por aqueles que têm encargos de animação e governo, de formação inicial e permanente, e sobretudo pelo delegado e pela comissão inspetorial de formação.


1.2 Tendo assimilado a Ratio e os demais documentos da Igreja e da Congregação sobre a formação, o delegado reflete sobre a práxis formativa da inspetoria, ou seja, pergunta-se constantemente se os processos formativos e sobretudo os seus resultados correspondem realmente às expectativa da Igreja e da Congregação, às circunstâncias atuais, às exigências locais. Dessa maneira, toma consciência dos pontos válidos dos processos formativos que se realizam na inspetoria, mas também de suas carências e dificuldades.
1.3 Não é suficiente que ele reflita juntamente com o inspetor, seu Conselho e a comissão para a formação; é preciso que saiba responsabilizar e fazer refletir toda a inspetoria, todo irmão e as comunidades. Dessa forma, ajuda a realizar uma das orientações da Ratio que afirma: “O inspetor empenha-se num processo contínuo de reflexão sobre a situação dos irmãos e das comunidades e sobre sua formação, e se torna um ambiente animador, estimulante e exigente de fidelidade vocacional” (FSDB 226).
2. Projetar
Refletindo com a comissão inspetorial para a formação sobre as orientações da Igreja e da Congregação, verificando a práxis formativa e fazendo refletir toda a inspetoria, nasce a segunda tarefa do delegado de formação, a de projetar.
2.1 O delegado e a comissão colaboram para preparação da seção formação do diretório inspetorial. Nele se encontram as normas e as grandes opções formativas da inspetoria. Cabe ao Capítulo inspetorial elaborar o diretório que, uma vez aprovado pelo Reitor-Mor com o seu Conselho, se torna o códice legislativo particular da inspetoria. Compete depois ao delegado, juntamente com a comissão para a formação, estimular sua atuação e verificar regularmente sua aplicação concreta.
2.2 A inspetoria empenha-se na elaboração, atuação e revisão do projeto inspetorial de formação. É errado ver o projeto inspetorial como um documento que o delegado e a comissão devem preparar. O projeto é o processo de discernimento e de convergência da comunidade inspetorial sobre a própria formação, é responsabilidade de todos, o delegado é quem ajuda a inspetoria a assumir responsabilidades.

Trata-se de criar uma visão partilhada entre os irmãos da inspetoria sobre o tipo de salesiano que se entende formar, no ponto em que nos encontramos, no percurso que resta ainda por fazer, sobre como se entende realizá-lo. O projeto compreende as áreas da formação permanente, formação inicial, qualificação dos irmãos, formação ao mesmo tempo de salesianos e leigos. Nesse tem-se especial cuidado de oferecer os diversos elementos do currículo formativo do salesiano coadjutor (cf. FSDB 424).



Feito o projeto e aprovado pelo inspetor com o seu Conselho, cabe ao delegado acompanhar sua atuação, a avaliação e a eventual revisão. É ele, pois, que acompanha a sua realização por parte de todos, da comissão de formação, do inspetor com o seu Conselho, dos formadores, dos irmãos e das comunidades. Ele faz do projeto o meio para o contínuo crescimento e renovação da inspetoria.
2.3 O CG25 pede ao inspetor e ao seu Conselho, com a ajuda do delegado e da comissão para a formação, que sugiram modalidades e ofereçam subsídios para elaborar o projeto pessoal de vida e o projeto da comunidade salesiana (CG25, 16). O projeto pessoal de vida, já solicitado pela Ratio a todos, é um modo de “unificar as próprias aspirações, energias e valores, assumindo a responsabilidade do próprio crescimento e vivendo com plenitude as motivações profundas da própria vocação” (FSDB 69). Nele o irmão delineia o tipo de salesiano que se sente chamado a ser e o caminho para se tornar tal. O projeto da comunidade salesiana é um meio eficaz para dar consistência à capacidade de “viver e trabalhar juntos” e superar a dispersão do trabalho individual e o risco da fragmentação. A comunidade se interroga sobre a vontade de Deus em relação a ela, vê a sua situação, descobre o caminho a ser tomado para chegar à meta; desse modo cresce entre os seus membros a comunhão e o sentido da responsabilidade comum.
2.4 Enfim, segundo as orientações apresentadas nos ACG 382, compete ao delegado juntamente com a comissão inspetorial de formação projetar e estimular uma ação de promoção da vocação do salesiano coadjutor, que envolva toda a inspetoria, as comunidades educativas pastorais, a Família Salesiana. Essa ação propõe-se realizar as quatro linhas de ação indicadas pelo conselheiro para a formação: melhor conhecimento e apreço da identidade do salesiano coadjutor, a começar pelos irmãos e pelas comunidades salesianas; empenho forte na promoção dessa vocação. A isso deve acrescentar-se a animação de uma oração constante. O delegado e a comissão devem envolver toda a inspetoria seja no projetar seja no realizar tais compromissos. Mas a iniciativa de estímulo e coordenação cabe a eles.
3. Acompanhar a formação inicial
A formação inicial requer atenções específicas, conforme as fases que os jovens irmãos estão vivendo. O delegado de formação presta uma atenção especial a momentos, pessoas, situações.
3.1 O projeto inspetorial de formação tem uma parte que diz respeito à formação inicial, que se chama precisamente plano de formação inicial. O delegado e a comissão inspetorial para a formação devem cultivar a articulação dos vários processos e das diversas experiências, intervenções, operadores, momentos, conteúdos, ambientes, fases, de modo que convirjam para metas claras. Deve-se notar que o acento não é colocado sobre a quantidade de coisas por fazer, mas sobre suas finalidades. Se, por exemplo, no projeto inspetorial de formação uma inspetoria tem como objetivo dar um forte impulso entre os jovens irmãos à atenção aos mais pobres ou à formação de uma mentalidade missionária, o delegado procurará envolver os esforços de todos nesse objetivo. Para isso ajuda fazer no começo do ano uma boa programação de formação inicial, baseada no projeto inspetorial.
3.2 O delegado cuida ainda da continuidade do processo formativo durante a formação inicial. A maneira de assegurar tal continuidade pode assumir formas diversas. Pode haver encontros periódicos entre os formadores das diversas fases para refletir sobre o andamento do processo formativo (FSDB 239); a Ratio sugere a ligação entre os formadores do pós-noviciado, noviciado e tirocínio (FSDB 425) e entre os formadores do pós-noviciado e o mestre dos noviços (FSDB 345). Pode-se promover encontros de partilha entre os formadores para o conhecimento e a aplicação convergente de critérios e normas para o discernimento vocacional salesiano (FSDB 297), ou então iniciativas para garantir a continuidade da pedagogia formativa ou da metodologia de ensino nos diversos momentos. É necessário também especificar como garantir que o jovem irmão durante as diversas fases realize um verdadeiro caminho contínuo e unitário.
3.3 O delegado acompanha as comunidades formadoras e os centros de estudo. Isso quer dizer que ele os visita periodicamente, interessa-se pela sua orientação e programação, verifica sua ação formativa. Visita também as comunidades formadoras interinspetoriais, mantém contato com os formadores e se encontra com os jovens em formação inicial.
3.4 O delegado organiza adequadas iniciativas de animação e acompanhamento para os tirocinantes, segundo um programa já preparado. Para eles, tais iniciativas são ocasiões para o confronto direto, a comunicação de experiências, a reflexão partilhada e o apoio mútuo; elas ajudam a qualificar o percurso formativo individual (FSDB 439). O delegado mantém também contatos com os diretores dos tirocinantes e recolhe suas avaliações formativas trimestrais.
4. Acompanhar a formação permanente
A formação permanente apresenta um campo em que o delegado tem um papel importante. Ele sensibiliza os irmãos e as comunidades quanto à necessidade da conversão, renovação, atualização, crescimento contínuo. É questão de criar em todos uma mentalidade de abertura, reflexão, pesquisa, anseio pela santidade, responsabilidade com sua própria maturação, ou seja, uma mentalidade de formação permanente.
4.1 Em nível inspetorial, o delegado envolve irmãos e comunidades na formulação do plano de formação permanente, que é uma parte do projeto inspetorial de formação, em ordem à renovação espiritual, à qualificação pastoral, à competência educativa e profissional dos irmãos. A sua elaboração leva em conta os vários papéis, as diversas idades, a vocação específica, as situações da vida: qüinqüênio, maturidade, aniversários significativos, velhice (FSDB 556).

Ele se traduz num programa anual de formação permanente, que diz respeito à formação dos principais animadores: diretores, formadores, delegados, sem descuidar, porém, os doentes e os idosos, de modo que possam viver com serenidade e espírito de fé sua situação (CG25, 60). Elabora subsídios e organiza serviços apropriados: os exercícios espirituais, os dias e sessões de oração, os cursos de renovação, as reuniões de atualização por categorias, os encontros de estudo dos documentos eclesiais e salesianos, as referências bibliográficas (FSDB 549).



Ajuda as comunidades a terem o próprio programa anual de formação permanente e acompanha sua realização. Isso faz parte do projeto da comunidade salesiana. Vela por que a vida ordinária da comunidade seja formativa. Estimula os irmãos a cultivar a qualidade da oração pessoal, de modo especial a meditação, favorecendo o conhecimento e o exercício de métodos coerentes com a nossa espiritualidade (FSDB 120); a dar especial atenção à área afetiva e à capacidade de relações interpessoais (CG25, 60). A praticar a “lectio divina” (CG25, 31).
4.2 Hoje é sempre cada vez mais importante que na inspetoria o delegado para a formação ajude a criar interesse pela salesianidade e estimule as comunidades e os irmãos a aprofundá-la, promovendo iniciativas e proporcionando subsídios para o conhecimento das orientações da Congregação, as cartas do Reitor-Mor, os documentos salesianos. Interessa-se por que haja na inspetoria uma boa biblioteca salesiana (FSDB 51), para favorecer a efetiva possibilidade de acesso às fontes do nosso carisma (CG25, 60). Assegura que nas várias fases da formação seja realizado um programa sério e atualizado de estudos salesianos: história, espiritualidade, pedagogia, pastoral. De modo semelhante organiza experiências de salesianidade como parte da formação permanente (FSDB 50). Sua ajuda no aprofundamento da identidade vocacional do salesiano coadjutor e na tradução prática da sua visibilidade na comunidade salesiana e na comunidade educativa pastoral assume uma função importante.
4.3 O delegado ajuda o inspetor a projetar a qualificação de todos os irmãos para as tarefas educativo-pastorais e formativas. Dê-se atenção à preparação dos que devem assumir responsabilidades de animação, de governo e de formação na comunidade local e inspetorial. Trata-se de identificar as exigências prioritárias da inspetoria em vista da missão e da formação, de encontrar as modalidades para responder a essas exigências e de escolher as pessoas mais aptas segundo suas aptidões e propensões. Tudo isso está expresso no plano de qualificação dos irmãos, que faz parte do projeto inspetorial de formação e que é submetido pelo delegado ao inspetor com o seu Conselho para decisões. Cabe ao delegado verificar sua realização. Nesse processo, ele se preocupa com que se dê o devido peso aos estudos filosóficos, pedagógicos, teológicos, salesianos, profissionais e acadêmicos (CG25, 50). A Ratio recomenda que não se perca de vista a preparação de expertos em salesianidade para o serviço a irmãos e comunidades (FSDB 547).
4.4 O delegado garante que dentro do projeto inspetorial de formação se encontrem as linhas da formação conjunta de salesianos e leigos que devem prever conteúdos, experiências e tempos dedicados às atividades formativas (FSDB 547.560). Ele promove a colaboração com os grupos da Família Salesiana no campo da formação permanente, através de iniciativas extraordinárias ou mediante uma ação sistemática que pode ser proposta e animada por equipes integradas com membros dos diversos grupos (FSDB 547).
5. Trabalhar em equipe
É fundamental para a formação da inspetoria ter um núcleo animador; ele é normalmente constituído pelo delegado e pela comissão inspetorial para a formação (FSDB 18); sem um grupo de referência é difícil fazer progressos. A formação é uma realidade crucial para a vida da inspetoria. Ela compreende uma variedade de comunidades, programas, situações, pessoas, experiências, necessidades; diz respeito à formação inicial e à permanente, à qualificação dos irmãos e à formação conjunta de salesianos e de leigos É difícil pensar que uma pessoa só, por mais qualificada que seja, possa fazer todo o necessário e fazê-lo bem.
5.1 Por isso, o delegado tem a seu lado uma comissão, que colabora diretamente com ele no campo formativo. Com efeito, é com a comissão que o delegado reflete sobre a situação formativa da inspetoria, identifica os pontos nevrálgicos, procura as respostas mais adequadas, oferece propostas ao Conselho inspetorial, planeja os passos a serem realizados, organiza as atividades, coordena as várias iniciativas, realiza as propostas feitas, avalia o resultado. Desse trabalho de equipe deve emergir uma ação orgânica, programada e coordenada (FSDB 22).
5.2 É mister prestar atenção à composição da comissão. Ela deve ser constituída por pessoas que, seja pela preparação seja pela experiência, possam dar uma contribuição válida e que disponham do tempo necessário para os encontros, a reflexão, a colaboração nos serviços concretos. É oportuno que dela faça parte pelo menos um salesiano coadjutor.
5.3 A situação e as opções da inspetoria podem levar também a articulações da comissão. A animação dos vários âmbitos pode sugerir a constituição de grupos de trabalho para a formação inicial, para a formação permanente, para a formação de salesianos e leigos, para a ligação com a Família Salesiana; de qualquer modo, é necessário garantir uma colocação convergente, com referência quer ao único delegado quer à única comissão inspetorial de formação.
6. Trabalhar em rede
O delegado inspetorial de formação colabora com multíplices sujeitos: a formação é uma realidade que deve ter em conta numerosas contribuições e sinergias. Deve tornar-se uma figura de rede.
6.1 O delegado mantém contatos freqüentes com o delegado de pastoral juvenil e com a sua equipe, a fim de promover na inspetoria uma mútua colaboração entre pastoral juvenil e formação. Conhecendo o projeto educativo-pastoral inspetorial, toma consciência das linhas a serem seguidas na formação educativa pastoral dos irmãos e solicita a contribuição do delegado de pastoral juvenil no processo formativo. Em diálogo com o delegado de pastoral juvenil elabora um itinerário de atividades educativas pastorais para cada fase da formação inicial, organiza-as e avalia. Juntos tratam da animação vocacional, do aspirantado ou comunidade proposta, o pré-noviciado, a vocação do salesiano coadjutor; colaboram também para individuar as linhas de formação conjunta de salesianos e leigos. Uma forma de união entre pastoral juvenil e formação é a participação do delegado ou de um membro da comisssão inspetorial de formação na equipe de pastoral juvenil.
6.2 O delegado oferece estudos, sugestões e propostas ao inspetor e Conselho inspetorial. Convém que ele seja membro do Conselho inspetorial (FSDB 247); poderá assim manter o Conselho atualizado sobre questões que dizem respeito à formação e pode manter nele uma viva preocupação formativa. Quando, como acontece em muitas inspetorias, o delegado para a formação é o vigário inspetorial, ele dará mais consistência à sua figura diante dos irmãos, dará visível importância à formação, facilitará as suas intervenções na realidade formativa, criará a união com o Conselho inspetorial, favorecerá a proximidade com todas as comunidades.
6.3 O delegado mantém a ligação com os demais delegados de formação. Sendo muitas as exigências formativas, não é possível que uma inspetoria faça tudo sozinha; tornou-se, pois, necessária a colaboração interinspetorial, que o delegado pode facilitar.

A ligação entre os delegados de formação ajuda as inspetorias a refletir juntas, a promover o intercâmbio de experiências, a elaborar linhas comuns, a reforçar a colaboração, a valorizar a contribuição dos centros de estudo e de formação permanente. De modo especial, é necessária a ligação do delegado com o coordenador regional e com a comissão regional de formação; a Ratio recomenda o contato com os delegados de outras inspetorias e com o responsável da coordenação em nível interinspetorial (FSDB 549).



Além da constituição e fortalecimento das comunidades formadoras interinspetoriais, que é a forma de colaboração mais urgente, há numerosos modos de unir as forças a serviço da formação: vai-se da coordenação ocasional às equipes interinspetoriais, aos centros nacionais ou regionais; de encontros esporádicos a iniciativas periódicas, a programações orgânicas; da partilha de experiência à reflexão realizada juntos, à preparação de subsídios comuns; da formação dos formadores à formação por grupos de irmãos: diretores, padres e coadjutores do “qüinqüênio”, irmãos que se preparam para a profissão perpétua, salesianos coadjutores.
6.4 O delegado, enfim, mantém contato com o conselheiro geral para a Formação. Com efeito, ajuda o conselheiro estar a par da situação formativa das inspetorias: seus desafios emergentes, as experiências feitas, as orientações tomadas. Assim ele pode avaliar os problemas e as necessidades formativas da Congregação; recebe um estímulo para refletir sobre eles e encontrar a maneira de enfrentá-los. O conselheiro, além disso, juntamente com o Dicastério, está sempre disponível para apoiar o trabalho formativo que o delegado realiza na inspetoria e a oferecer-lhe ajuda.
* * *
A Ratio mostra a diversidade das tarefas do inspetor e do delegado inspetorial de formação (FSDB 246-247); não são tarefas que se sobrepõem ou se excluem. O inspetor deve assumir a responsabilidade primária da formação, e o delegado, justamente por ser delegado, age em tudo no nome do Inspetor e de acordo com ele. Isso reforça a exigência de que as inspetorias reflitam sobre essa figura, a valorizem e façam crescer, tendo em vista uma animação qualificada e uma formação eficaz. Numerosas inspetorias encontram-se já nessa perspectiva; o delegado e a comissão inspetorial de formação vêm a ser um recurso para seu crescimento.
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