Wallace Leal V. Rodrigues Katie King



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Wallace Leal V. Rodrigues
Katie King


A foto acima é original.

Aonde mostra o espírito de Katie King

junto do cientista Sir William Crookes.

Esta foto ele jamais permitiu fosse divulgada.

Nela vê-se o verso que o sábio escreveu sensibilizado

pela beleza do espírito Katie King materializado.





Conteúdo resumido
São inúmeros os depoimentos que foram catalogados por Wallace Leal V. Rodrigues das pesquisas realizadas por grandes cientistas tais como: William Crookes, Alexandre Aksakof, Guilly e outros que testemunharam em sessões espíritas a materialização e desmaterialização do espírito Katie King durante 3 anos através da grande médium Florence Cook.
Sumário

Prefácio do autor

1) - Apreciação de Gabriel Delanne / 06

2) - Sir William Crookes / 11

3) - Florence Cook / 18

4) - William Crookes repete a experiência de Mr. Volckman / 30

5) - Kate king / 35

6) - John king / 40

7) - Dr. Edward von Hartmann / 45

8) - Primeiras aparições / 46

9) - Testemunho de Katie Cook / 51

10) - Depoimento de Alexandre N. Aksakof / 54

11) - Testemunho de Mr. Henry Dunphy / 65

12) - Testemunho do Dr. George Sexton / 67

13) - Testemunho do príncipe Emílio de Sayn Wittgenstein, ajudante de campo e general do Imperador da Rússia / 70

14) - Testemunho do Dr. J. M. Gully / 77

15) - Testemunho de Florence Marryat / 82

16) - Testemunho do professor William Crookes / 90

17) - Sir William Crookes a Mr. Cholmondelly - 1874 / 93

18) - Testemunho do dr. Georges H. de Tapp / 95

19) - Depoimento de Mrs. Luxmoore / 103

20) - Testemunho de Mr. Benjamim Coleman / 106

21) - Cromwell Fleetwood Varley / 108

22) - "The Spiritualist" / 112

23) - Testemunho de Mr. Dawson Rogers / 114

24) - “The Spiritualist” / 115

25) - Depoimento de Mr. W. H. Harrison / 117

26) - Depoimento de Mrs. Castellan / 122

27) - As últimas aparições de katie king / 123

Prefácio Do Autor



Close – Up de Mrs. Elgier Córner,

ex-Miss Florence Cook, nos últimos anos de vida.

E uma foto rara.
Há muito tempo Miss Florence Cook, Sir William Crookes e o Espírito Katie King vêm exercendo incontável fascínio sobre nós.

Aqueles três anos - que foi o período em que o Espírito se materializou - pareciam-nos mágicos, uma espécie de conto-da-carochinha, e que jamais se repetiram na História do Espiritismo.

E Katie King surgia como uma espécie de Cinderela espírita. Nada mais belo do que a disposição heróica desse espírito de mulher, abandonando as suas esferas de vida no Além para vir submeter-se às exigências dos cientistas cépticos, a fim de provar a sobrevivência do Espírito e a sua possibilidade de se comunicar com os encarnados, os quais, muitas vezes, ao invés de gratidão, egoisticamente punham-se a infligir à pobre Miss Florence Cook as mais disparatadas, e, por vezes, inumanas exigências para o controle dos fenômenos.

A coragem e a humildade de Miss Florence Cook, a terna solicitude do Espírito em relação ao "seu" médium, sua docilidade para com aquele que foi sem dúvida o maior sábio de sua época, Sir William Crookes, a nosso ver, deviam ser perenizados em um livro, de modo que todas as gerações espíritas os tivessem na retentiva, sem os perigos do olvido que, sentíamos, como uma fina poeira, ia caindo sobre suas figuras, apagando-lhes os traços e tornando esquecida a maravilhosa saga.

O trabalho foi árduo. A nosso favor tínhamos apenas as antigas coleções de órgãos espíritas dos arquivos schutelianos, e, inesperadamente, a descoberta de que os bombardeios de Londres não tinham destruído de todo as chapas fotográficas que Mr. Harrison, editor do "The Spirítualist" e o próprio Sir William Crookes haviam batido. Obter cópias foi um trabalho de obstinação.

O líder inglês, que se tornou guardião dessas "plates", não tem boa vontade em franquear o seu exame, e foi com infinita deliberação que o vencemos pelo cansaço, obtendo as fotos.

Tudo isso, mais o trabalho de tradução, resultam em quase quatro anos de preocupação constante. Este nosso filho poderá, por vezes, parecer rebarbativo, mas acontece que não tivemos por bem mutilar o testemunho de nenhum narrador, por respeito e, também, porque as personagens que por aqui transitam são exatamente os membros do grupo, - pequeno, por sinal, que se reunia para as sessões, harmonizando suas vibrações de carinho e respeito, a fim de que o trabalho do Espírito Katie King não se tornasse tão árduo, dado que por si só já era um trabalho de gigantes, como se irá ver.

Contristamo-nos com o fato de algumas dos fatos estarem tão retocadas, mas há, por outro lado, um excelente "close-up" de Katie King, que ameniza, de certa forma, a falta de qualidade de alguns dentre outros clichês. Lamentamos, igualmente, que os processos da fotografia, na época, não façam justiça à beleza do Espírito materializado, que, segundo o próprio William Crookes, era formoso como um botão de rosa, um anjo, pois estes são os anjos de que nos fala a Bíblia.

Aqui fica o nosso arrazoado; e se o livro prender a atenção do leitor, nós, com isso, nos daremos por muito bem pago pela difícil empreitada.

Araraquara, verão de 1.975.


1
APRECIAÇÃO DE GABRIEL DELANNE

Paris, 19 de abril de 1899

"Evitar o fenômeno espírita, não lhe dar a atenção que merece e à qual tem direito, é condenar a verdade à bancarrota". Quem escreveu isto? O maior poeta de nosso século: Victor Hugo. O gênio tem suas intuições. Esta frase, que data de mais de oitenta anos, (*) hoje podemos assegurar que foi profética.

(*) Na época, 1899. Nota do tradutor.

O Espiritismo tem sido escarnecido pelos ignorantes e por aqueles que têm interesse em destruí-lo. Todavia, como se apóia em fatos naturais, venceu os seus detratores e, mais forte do que nunca, caminha na conquista das esferas intelectuais. Como explicar seu incessante progresso? Simplesmente, porque tem por método a investigação científica, emprega a observação e a experimentação, recrutando seus adeptos entre as mentes positivas, ávidas de conhecimentos precisos acerca do que seremos depois da morte.

A filosofia é insuficiente para nos informar a respeito da mente que pensa e seu futuro; seus mais célebres representantes chegaram a conclusões diametralmente opostas no tocante a esta questão fundamental. O espírito que busca, com imparcialidade, costuma vagar desorientado no labirinto das afirmações contraditórias e termina por cair no cepticismo ao verificar a impotência dos que tentaram decifrar o enigma de nosso destino.

As religiões apelam para a fé a fim de sustentar seus ensinamentos dogmáticos, mas como diferem entre si e pretende, cada uma em separado, representar a verdade absoluta, deixam o investigador na mais completa indecisão.

Quem, pois, nos dará a certeza da realidade da alma e nos dirá se é ou não mortal?

De nossa parte podemos sustentar que o Espiritismo resolve todos esses problemas: lança mão da observação e da investigação para estabelecer que a alma existe durante a vida do corpo físico e sobrevive à sua destruição. Empregando o método positivo, criou a verdadeira psicologia experimental, que tem fundamento nos fatos sempre comprobatórios quando as circunstâncias em que se verificam sejam idênticas. Meio século tem a inovação desta ciência, mas só de vinte anos a esta parte assumiu o caráter rigoroso ao qual deve toda a sua autoridade.

William Crookes é, na Europa, o primeiro cientista que teve o valor de comprovar, escrupulosamente, as afirmações dos espíritas. Muito céptico, a princípio, suas investigações o conduziram progressivamente à convicção de que esses fenômenos são verdadeiros e não titubeou um único momento em proclamar, alto e bom som, a certeza em que resultou o seu trabalho. Com a altiva firmeza que oferece quanto é comprovado, cientificamente, converteu-se em campeão de uma impopular mas indiscutível verdade. A partir daquele momento, ninguém foi mais capaz de deter o impulso recebido. Russel Wallace, Lodge, Myers, Hodgson seguem pela senda aberta. Na Alemanha, cientistas eminentes como Zolner, Weber, Fechner, Ulrici, o Dr. Frièze, Carl Du Prel rendem-se à verdade que passam a defender. Na Rússia, Aksakof e Bouterow. Na Itália, o professor Falconer, Chiaia, Broffério, Finzi, Schiaparellí e o próprio Lombroso são levados a confessar a exatidão dos fenômenos espíritas que, antes, punham em dúvida. Na França, Gibier, Richet, De Rochas, Flammarion comprovam a mediunidade de Eusápia Paladino.

Em toda a parte estão na ordem do dia as investigações em torno desse assunto, e hoje já não é permitido a nenhum homem de inteligência negar "a priori" esses fatos relegados à conta de superstições populares. Já não é à meia-noite, na pradaria deserta, ou nos castelos em ruínas que se apresentam os fantasmas. Ao contrário, surgem nos laboratórios dos cientistas para se submeterem a todas as condições, mesmo às mais rigorosas e escrupulosas pesquisas.

Este livro que oferecemos ao leitor possui grande força para levar à convicção a alma de todos quantos não são cegos pelos preconceitos. Em seus relatos ver-se-á que a aparição de Katie King, durante três anos, foi uma das mais bem investigadas entre numerosas outras semelhantes, existentes nos anais das pesquisas psíquicas. Pelo número e precisão das investigações de que foi objeto, merece ser considerada "clássica".

Nela não há lugar para dúvidas. A médium é uma jovenzinha de 15 anos, incapaz de organizar e levar a bom termo tão colossal embuste, sob a meticulosa observação de jornalistas, escritores e cientistas de primeira ordem. Tomaram-se todas as medidas, sempre com sua aquiescência, para impedir qualquer fraude. Procedeu-se em relação a ela como se teria feito com o mais hábil dos prestidigitadores. Imobilizam-se suas mãos por meio de cordas,cujos nós e laçadas são costurados e selados; com uma correia que cinge sua cintura e fica sujeita às maiores precauções; as extremidades se fixam no solo mediante uma argola de ferro. Outras vezes passavam lhe uma corrente elétrica pelo corpo de modo que um galvanômetro indicasse os seus menores movimentos. Entretanto, a aparição se mostrava completamente liberta, vestida com véus dispostos com arte e que desapareciam ao mesmo tempo em que o fantasma. Katie King difere tanto da médium Florence Cook que mesmo os incrédulos mais sistemáticos, como o Doutor Sextos, pôde vê-las juntas, enquanto Miss Cook jazia em transe, amarrada em sua cadeira. Seu testemunho confirma o da escritora Florence Marryat e o de Sir. William Crookes, que tinham podido ver a mesma cena.

Como não se convencer da realidade destas estranhas manifestações quando se assiste ao desaparecimento do fantasma que, em plena luz, se desagrega sob os olhos das assistentes?

Que misteriosa operação será esta que ressuscita, por um instante, um ser que há séculos desapareceu do cenário dos vivos? E a alma que vem tangivelmente afirmar sua existência, irrompendo em nosso materialismo para proclamar que sobreviveu à morte do corpo! Concebe-se, pois, o assombro e a incredulidade com que se têm recebido provas tão irrecusáveis. A negação se impõe como um dever, mas o fato é tão manifestamente contrario a todas as possibilidades, que se julgou indispensável recusá-lo sem mais discussões. Isso aconteceu durante algum tempo, até que outros investigadores, tão respeitáveis quanto os primeiros, chegaram a idênticos resultados; tornaram-se imprescindíveis procurar uma explicação para os fenômenos e se invocou para isso a teoria da alucinação para destruir os fatos. A crítica movimentando-se habilmente permitiu que se vissem por todas à parte fraudes de médiuns e que se suspeitasse sistematicamente da boa fé das testemunhas - o que é assaz difícil quando se trata de homens universalmente respeitados pelo seu talento. E se afirmou que os espectadores estavam enganados por alucinações provocadas pelos médiuns.

Acaso este ser que todos podemos ver de igual maneira, cujas mutações acompanhamos, que tocamos, que nos fala, não é mais do que uma fantasmagoria, um produto doentio de nossos cérebros enfermos? Sim! respondem gravemente os incrédulos. Estais sob a influência do hipnotismo, sonhais com os olhos abertos. A alucinação coletiva, que se explica facilmente pela sobre-excitação produzida pela expectativa do maravilhoso, é o que determina a confusão de que sois vítimas inconscientes.

Difícil parecia responder a alegações desta natureza e, entretanto, nós, os espíritas pudemos refutá-las vitoriosamente empregando a fotografia para testificar a objetividade do fenômeno. Se a chapa sensível reproduz a aparição tal como esta se mostra aos olhos dos assistentes, isso significa que ela tem existência real, objetiva; então, caem por terra todos os sofismas dos contraditores. Pois bem! Essa comprovação fotográfica foi obtida com tal abundância que desafia qualquer suspeita. Mr. Harrison foi o primeiro a obter o retrato de Katie King. E seu testemunho é apoiado pela declaração serena de Mr. Luxmoore e do Dr. Georges H. Tapp. Em seguida, Sir William Crookes afirma ter obtido mais de cinqüenta outras, por intermédio de cinco câmaras enfocando o fantasma a um só tempo. Não deveria haver, pois, nenhuma dúvida quanto à materialidade de Katie King.

Ante semelhante evidência destruíram-se as objeções? Será possível negar-se a sobrevivência tão laboriosamente estabelecida?

Seria desconhecer os negadores acreditar que se rendem tão facilmente. Raciocinaram em seguida e afirmaram que a aparição não era um Espírito, mas, simplesmente, um desdobramento de Miss Florence Cook. Para emitir esse parecer, apoiaram se nos relatos publicados pela "Sociedade de Investigações Psíquicas", de Londres, que registram mais de dois mil casos de aparição de vivos e de mortos. E eis aqui um caso estranho: os que fazem profissão de não crer na existência da alma, servem-se dos fenômenos de desdobramento para combater as materializações sem perceber que, com isso, caem em contradição.

Se a alma pode sair do corpo, isso supõe que é independente dele, e esta é a demonstração mais palpável de sua existência; portanto, sua sobrevivência não é impossível, visto que não é engendrada pelo organismo. Ademais, todos os fantasmas de vivos são sócios de seu corpo físico e, graças a essa identidade, podem ser reconhecidos. E, como Katie King difere de Miss Cook, é mais do que provável que não é um desdobramento da jovenzinha.

Mas o que demonstra peremptoriamente a independência absoluta de Katie King, é que ela fala com a médium estando esta completamente desperta.

Pela leitura dos relatórios de Sir William Crookes vemos que, em sua última aparição, o Espírito se despediu de Miss Florence Cook, quando esta foi despertada e posta em seu estado normal.

Os documentos reunidos nesta obra estabelecem que, desde o início das manifestações, isto sucedia. Portanto, pode-se assegurar que foi um Espírito que, durante três anos, se submeteu a tão rudes provas a fim de demonstrar, de modo irrecusável, a existência da alma depois da morte.

Pela acumulação de testemunhas, faremos penetrar a luz da imortalidade em todos os ambientes. Quando se verificar que os fenômenos espíritas se produzem em todos os países e são comprovados por investigadores habituados às mais precisas e delicadas operações científicas, os homens sinceros não poderão resistir à autoridade dos fatos. A vida de ultratumba parecerá uma continuação lógica da presente e, sobrepondo-se à fé, ao misticismo, ao sobrenatural, a grandiosa certeza da imortalidade se fixará em todas as consciências com as conseqüências que lhe são correlatas. Em lugar da dúvida, ao invés de uma fé vacilante, teremos apresentado a prova logicamente estabelecida e experimentalmente demonstrada.

Esta será a solução do grande problema que vem perturbando os mais poderosos pensadores em todas as idades da humanidade. Irradiando fecunda sobre o século XX, abrilhantará os albores da emancipação intelectual, da regeneração moral que, por si sós, podem elevar nosso planeta a destinos infinitamente superiores.

Paris, 19 de abril de 1899

2
SIR WILLIAM CROOKES

Este livro, de per si difícil e exigindo incansável pesquisa, não estaria completo, nem seria entendível, por parte do leitor, se não apresentarmos ao menos um escorço de quem foi Sir William Crookes e de sua heróica participação na maior aventura psíquica de que se tem notícia. Nele têm papéis relevantes uma menina de 15 anos de idade, - Florence Cook, um dos maiores cientistas de seu tempo, - Sir William Crookes, e nada mais nada menos do que um Espírito, - Katie King.

Sir William Crookes
Concordamos plenamente com o professor Charles Richet quando afirma, em seu livro "Trinta Anos entre os Mortos", que a pesquisa psíquica começa, na História, com Sir William Crookes, e estaríamos dispostos a alongar sua biografia não fosse o fato de a Editora "O CLARIM" já ter em mãos The Life of Sir William Crookes, de E. E. Fournier D'Albe, lançado por T. Fisher Unwin Ltd., London: Adelphi Terrace.

Quanto à médium Miss Florence Cook, queixamo-nos de que tão poucas referências sobre ela mesma e sobe o panorama humano em que viveu tenham chegado ao nosso tempo, alertando os escritores espíritas de que é preciso enfeixar em livros a vida e a obra dos grandes sensitivos de nossa época, se não quisermos que os pósteros repitam a nossa acusação.

No que diz respeito ao Espírito Katie King, foi uma espécie de "Cinderela" que fascinou três continentes no século XIX. Cremos, todavia, que, embora as dificuldades encontradas, as personagens desta obra surgem de corpo inteiro; e, se nos perguntarem em que consiste ela, teremos dificuldades em responder, pois, dada a sua ambigüidade, pode até mesmo ser considerada uma espécie de biografia de um Espírito.

Relativamente a Sir William Crookes, nasceu a 17 de junho de 1832, em Regent Street, Londres, e desencarnou a 4 de abril de 1919, no nº 7 de Kesington Park Gardens, filho de uma família residente no vilarejo de Masbore, Yorkshire.

Seu primeiro contato com os fenômenos psíquicos se deu em julho de 1869, em uma sessão com Mrs. Marshal; sua curiosidade voltou a ser provocada por J. J. Morse, em julho e em dezembro de 1870; após a chegada de Henry Slade a Londres, ele anunciou sua intenção de se aprofundar inteiramente na investigação dos fenômenos espíritas. Em um artigo intitulado "O Espiritismo visto à luz da ciência moderna", declarou:

"Não posso dizer que tenho pontos de vista ou opiniões sobre um assunto que não tenho a pretensão de entender".

Mais tarde voltou a declarar:

"Prefiro entrar na questão sem nenhuma noção preconcebida, quanto ao que pode ou ao que não pode ser, mas com todos os meus sentidos alertados e prontos para transmitir informações racionais, acreditando que não temos de modo algum esgotado todo o conhecimento humano ou galgado todos os degraus do conhecimento humano e das forças físicas".

A investigação havia sido sugerida a Crookes "por homens eminentes que exerciam grande influência no pensamento dos pais". A sentença conclusiva do artigo aclarou as suas expectativas: "O crescente emprego dos métodos científicos produzirá uma raça de observadores que conduzirá o resíduo imprestável do Espiritismo daqui até o limbo desconhecido da mágica e da necromancia".

A imprensa recebeu a notícia com um júbilo que viria a ser de pouca duração. Tinha-se por certo que o Espiritismo seria posto a descoberto, meridianamente, como uma simples asneira. Todavia, conclusões posteriores nunca colimaram decepções mais amargas. As pesquisas foram iniciadas em maio de 1871, depois que Daniel Dunglas Home regressou da Rússia. Os testes foram realizados por um grupo do qual faziam parte: Williams, Walter Crookes, irmão do cientista, ambos auxiliares químicos de Crookes e ainda por Sir William Huggins; eminente físico e astrônomo, ex-presidente da "Royal Society" e Sergente Cox, um advogado proeminente. Os secretários da "Royal Society" recusaram o convite de Crookes para participarem das experiências.

O relatório de Crookes foi submetido à "Royal Society" em 15 de junho de 1871. Entretanto, como não demonstrava a falsidade das propaladas maravilhas do Espiritismo, foi rejeitado, e essa repulsa chegou a ponto de se proibir a publicação de artigos, em que Crookes descrevia os fatos presenciados, no periódico editado pela Sociedade. Essa infeliz medida era tomada pelo professor Gabriel Stokes, que era, então, secretário dessa mesma Sociedade.

Foi somente a partir de julho de 1871 que Crookes conseguiu a publicação de seu relatório nas páginas do Quartely Journal of Science. Só então o público tomou conhecimento das suas primeiras investigações.

Em uma resolução especial, a Sociedade Real expressou o seu pesar por essa publicação, visto que, a seu ver, o relatório era incorreto e representava uma brecha no regulamento da mesa.

Nos anos seguintes, inumeráveis honrarias científicas e medalhas de honra científicas foram conferidas a Crookes, e ele foi eleito Presidente daquela Sociedade.

Podemore escreve em Modern Spiritualism. "A flagrante serenidade dos artigos de Crookes na "Quartely Journal of Science" e sua tônica judiciosa contrastam com as incorretas e levianas depreciações a que, sob o manto do anonimato, faziam coro os grotescos pontos de vista de outros indivíduos que só serviam para desfigurar o criticismo do "Dr. Carpenter".

Muitos outros cientistas discutiram as experiências de Crookes em diversos campos do conhecimento humano.

A alegação de que Crookes desistira de convencer seus companheiros cientistas é verdadeira. Todavia, ele nunca voltou atrás ou modificou as convicções que adquirira em 1874. A fúria da oposição alarmou-o; ele percebeu que sua carreira cientifica estava correndo perigo e se tornou mais cauteloso. Nunca permitiu que se publicasse a fotografia em que aparece de pé, de braços dados com Katie King. Em uma carta dirigida ao professor Ângelo Brofferio, em 1894, diz o seguinte: "Do meu ponto de vista, seres invisíveis e inteligentes existem, os quais dizer ser Espíritos de pessoas mortas. Todavia, as provas que eu desejava ter, no sentido de apurar se elas são realmente as personalidades que se dizem ser, estas não pude obter embora esteja disposto a admitir o que muitos dos meus amigos asseveram, isto é, que tiveram provas indubitáveis; e eu próprio já tenha estado freqüentemente e em várias épocas prestes a ter essa convicção". (Für den Spiritismus, Leipzig, 1894).

Ante a British Association, em Bristol, em seu discurso presidencial, em 1898, ele declara o seguinte: "Acerca de outro interesse, no qual ainda não toquei, para mim o de maior peso de todos, embora à distância do tempo, nenhum incidente em minha carreira cientifica é mais vastamente conhecido do que a parte que tomei, há alguns anos, em certas pesquisas psíquicas. Trinta anos se passaram desde que publiquei um relatório de experiências tentando mostrar que além do conhecimento cientifico que possuímos, existem forças exercidas por inteligências diferentes da inteligência comum dos mortais. Nada tenho que retratar. Mantenho o meu relatório já público e, de fato, teria ainda muito mais que acrescentar".




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