Wanderley s. De oliveira



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LAÇOS DE AFETO

WANDERLEY S. DE OLIVEIRA

DITADO PELO ESPÍRITO ERMANCE DUFAUX

Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”.


Jesus – João, capítulo 13, versículo 35

Sumário
Apresentação = Harmonia Interior

Laços de Afeto deflagra uma série que carinhosamente intitulamos “Harmonia Interior”, cujo objetivo é enfatizar particularidades contidas dentro do universo de sabedoria das obras elementares da revelação nova do Espiritismo. Nesse projeto somamos esforços um grupo de corações que palmilharam as vivências da educação e ciências afins, todos, além de dispostos, muito esperançosos e felizes por terem a benfazeja oportunidade de estabelecer pontes com o mundo físico, cooperando com nossas teorias, agora redimensionadas pela ótica da Imortalidade na qual estagiamos em exuberante vida e plenitude.


Prefácio = O Milênio de Jesus

Sociedades espíritas fraternas só serão construídas por homens e mulheres mais dóceis e cordiais, mais confiantes e afáveis, mais amigos e amáveis. A criação dessas novas relações é garantia de uma aprendizagem mais sólida e bem aproveitada em nossas casas espirituais, facultando melhor assimilação dos conteúdos doutrinários e sua conseqüente aplicação no desenvolvimento de habilidades morais e emocionais, tão escassas na convivência entre as criaturas perante a pressão das lutas da vida terrena. Teremos assim, mais afeto, melhor

ambiente e bem-estar para conviver e maior motivação para servir e aprender!

PRIMEIRA PARTE

A Pedagogia do Afeto na Educação do Espírito

Capítulo 1 = A Pedagogia do “Ser”

Aprender a amar é pois a competência essencial que deveria fundamentar quaisquer conteúdos de nossas escolas espirituais. Aprender a amar o próximo, aprender a amar a si, aprender a amar a Deus.


Capítulo 2 = Aprender a Amar

Não existe Amor ou desamor à primeira vista, e sim simpatia ou antipatia. Amor não pode ser confundido com um sentimento ocasional e especialmente dirigido a alguém. Devemos entendê-lo como O Sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização de nossa condição de operários na obra universal, um “estado afetivo de plenitude”, incondicional, imparcial e crescente.


Capítulo 3 = Pestalozzi e a Educação do Coração

A visão “Pestaloziana” de educar, além de precursora, é perfeitamente compatível com a meta maior do Espiritismo, ou seja, o melhoramento moral da humanidade, a educação integral do homem bio-sócio-psíquico-espiritual.


Capítulo 4 = Kardec e a Educação Integral

O objetivo maior da vinda do homem à Terra é a sua melhora espiritual. Tal mister só será planificado na medida em que aprender a amar, porque o Amor é o decreto sublime do universo para o crescimento e a felicidade de todos os seres.


Capítulo 5 = Maioridade Afetiva

A “reconstrução do afeto’, portanto, é fator de reeducação do coração que vai burilando e refazendo as vivências, dia após dia, através da convivência na busca do abastecimento da sensibilidade.


Capítulo 6 = Educação do Afeto

Força descomunal tem a o afeto sobre a inteligência dos raciocínios, manifestando a intuição, a fé e a capacidade de escolha com mais sintonia com o bem.


Capítulo 7 = Corrosivos da Sensibilidade

Existem sulcos psico-emocionais profundos no “aparelho mental” que funcionam ativamente como “inibidores do afeto”, compondo entraves vigorosos nas fibras da sensibilidade junto ao sistema da afetividade do ser integral. Adquiridos em milênios de renitente rebeldia no erro, tais óbices fazem parte desse desafiante processo auto-educativo nos rumos da aquisição do patrimônio do Amor.


Capítulo 8 = Desenvolvimento da Sensibilidade

Jesus, na condição de eminente psicólogo, asseverou que por causa da iniqüidade o Amor de muitos esfriaria, conforme se lê em Mateus, capítulo 24, versículo doze. Essa iniqüidade também presente na seara espírita não deve nos impedir a idealização de projetos doutrinários nas agremiações, cujo perfil seja centrado em relações afetuosas e compensativas.


Capítulo 9 = Centro Espírita e Afeto

Como o centro espírita pode ajudar no fortalecimento de laços de amor entre seus integrantes? Como pode auxiliar na dilatação da sensibilidade?


Capítulo 10 = Kardec e a Unificação

Após viagem cansativa é recebido em Broteaux, Lyon, por um casal simples e amorável e, naquele instante magnânimo de aperto de mãos, sela-se entre o Sr. Rivail - aristocrata de Yverdon - e aquele operário humilde um clima de concórdia e respeitabilidade que jamais se apagou na retina mental de ambos. Ali consagrou-se, no regime do mais puro amor, o primeiro encontro de dirigentes espíritas que consolidou laços de estima e duradoura fraternidade - alma das idéias espíritas.




SEGUNDA PARTE

Caminhos do Amor na Convivência

Capítulo 1 = Humanização na Seara Espírita

Quando falamos em humanização, referimo-nos à contextualização, que é oferecer aos profitentes espíritas os instrumentos para que possam fazer dessa informação espírita a sua transformação espiritual. Conhecimento no cérebro quando é contextualizado tem o nome de saber. E saber, em outras palavras, quer dizer aprender as respostas e os caminhos para desenvolver seus potenciais humanos na edificação da felicidade própria e daqueles que nos rodeiam. O saber é o conhecimento intelectivo que foi absorvido pelo coração.


Capítulo 2 = Relações Sócio-afetivas

A presença de pessoas afetuosas em nossas vidas nunca é esquecida, cria “marcas”, deixa lembranças para o futuro e é forte dose de estímulo ao idealismo superior no presente. Sobretudo, essas pessoas deixam saudades...E saudade é o sentimento de quem sente falta de alguém. Amigos verdadeiros deixam saudades...


Capítulo 3 = Amor e Alteridade

Isso é alteridade: o estabelecimento de uma relação de paz com os diferentes, a capacidade de conviver bem com a diferença da qual o “outro” é portador.


Capítulo 4 = Recepção, Atendimento e Integração

Espontaneidade com moderação, preparo interior pela oração para espargir magnetismo salutar, conhecimento das necessidades alheias, disposição íntima de ser útil e servir, finura de trato, o sorriso afetuoso, são algumas das diretrizes dos recepcionistas fraternos.


Capítulo 5 = Comportamentos Hipócritas

Eis um assunto para nossos debates. Como ajudar esses trabalhadores? O centro espírita tem arregimentado um programa para ensinar a transformação íntima? Tem havido clima nos grupos para que os tarefeiros possam dialogar construtivamente sobre seus conflitos? Ou temos nos iludido, transferindo responsabilidades pessoais para as ações obsessivas de desencarnados?


Capítulo 6 = Habilidade Essencial

Jesus, como sempre, é o modelo. Em momento algum do seu ministério de Amor o percebemos em atitude de destaque ao mal; embora astuto e vigilante, sabia sempre onde ele se ocultava e procurava erradicá-lo sem que o evidenciasse.


Capítulo 7 = Condutores Afetuosos

Como dispõem sempre de afeto cristão, fazem-se fonte de estímulo, esperança e diretriz no encaminhamento das soluções a quem recorrerem os que lhe partilham a convivência.


Capítulo 8 = Rebeldia, Matriz de Distúrbios

Com felicidade indaga o lúcido Allan Kardec na referência de apoio: Que adianta conhecer o Espiritismo e não se tornar melhor? Façamos continuamente essa auto-avaliação para jamais esquecermos que as linhas libertadoras do comportamento espírita vão bem além do dever, penetrando as esferas do amor incondicional e da humildade obediente aos desígnios do Pai.


Capítulo 9 = Cuidados de Amor

Cuidar é uma palavra que merece atenção especial de todos nós. Os cuidados com a vida, com o próximo, com a natureza e conosco próprio traduzem a atenção e o empenho para com as questões pertinentes ao coração e às responsabilidades de cooperadores na obra do universo.


Capítulo 10 = Meditação Emocional

A meditação emocional é uma forma de lidarmos com a afetividade, estimulando-a sob a influência de visualizações mentais criativas, sadias e moralmente enobrecedoras. Por isso, inserimos abaixo pequenas frases indutivas que poderão servir de intróito para projetarmos a mente no dia-a-dia da faina doutrinária, e extrairmos os conteúdos de reavaliação e auto-exame, brindando-nos com pequenos lampejos no despertamento do afeto.


Capítulo 11 = Resgatando os Sonhos

Nesse prisma, a função do centro espírita será resgatar a capacidade de sonhar e instrumentalizar o homem de recursos morais-espirituais, que o auxiliem a tornar reais os seus ideais nas linhas do dever e da libertação incorruptível.


Capítulo 12 = Divergência e Dissidência

A divergência de idéias é uma necessidade a quaisquer grupos ou pessoas que desejem o crescimento real. Onde todos pensam uniformemente há muito campo para o radicalismo de opiniões, à dissimulação de sentimentos e à fragilidade de elos emocionais para formação de relações sadias. Saber conviver com opiniões contrárias é saber emitir idéias sem a carga emocional da vaidosa pretensão.


Capítulo 13 = Paixão e Amor

O verdadeiro amor, ao contrário de tudo isso, é uma construção lenta, feita dia após dia, é um desenvolvimento efetivado pela entrega integral e a responsabilidade com os deveres assumidos junto ao outro. É uma parceria que tende a crescer, na medida em que o par ou grupo cultivam os valores da cooperação espontânea, do apoio incondicional, da valorização mútua, do diálogo e outros tantos caminhos que fazem da relação uma amizade preciosa e boa de viver, sem os ímpetos infantis e arriscados da paixão.


Capítulo 14 = O Teste dos Cargos

Allan Kardec não se furtou de aplicar sobre ele a sua lente de observações sensatas e meticulosas. Vejamos que em nosso item de apoio, no capítulo 29 de O Livro dos Médiuns, o Codificador constata a relação existente entre o título de sócio e a visão pessoal que pode estabelecer perturbações ao conjunto, quando o cargo é utilizado para fazer valer direitos.


Capítulo 15 = Espíritas no Além

“Filha, os dramas espirituais são resultados da semeadura terrena, obrigando o lavrador da vida a colher os frutos do que plantou, conforme a lei dos méritos. Assim sendo, o maior drama daqueles que se internam na “Enfermaria do Espiritismo” não está na infeliz colheita de sofrimento aqui na vida extrafísica, mas sim no dia a dia da experiência terrena quando recusam-se, na condição de doentes, a ingerir o remédio da renovação interior. Conscientes do que existe para além da morte, deveriam submeter-se a urgente metamorfose afetiva, acionando os recursos da educação com vontade firme e muita oração. O esclarecimento, mesmo constituindo luz e lenitivo, por si só, não basta ao sublime tentame.”


Capítulo 16 = Sob a Luz do Amor

A despeito de erguermos juntos o estandarte da caridade, vezes sem conta abandonamos o imperativo de aplicá-la também nas nossas relações com quantos nos partilham o clima das atividades doutrinárias.


Capítulo 17 = Severa Inimiga

Como acentua o lúcido Kardec, agem através de “surdos manejos, que passam despercebidos’, e no campo do afeto “espalham a dúvida, a desconfiança e a desafeição”. São instrumentos da cizânia. Sentindo-se inferiorizados face às comparações que estabelecem com os bem-sucedidos, destacam os aspectos menos úteis da ação alheia...


Capítulo 18 = Flexibilidade nos Julgamentos

Difícil tema dos relacionamentos, porque além de convivermos com aquilo que os outros pensam que somos, ainda temos que separar aquilo que pensamos que somos, daquilo que realmente somos, deixando claro que nem mesmo nós próprios, em muitos lances, sabemos avaliar com a precisão necessária as causas de nossas ações.


Capítulo 19 = Nos Leitos da Caridade

Estudemos mais sobre a caridade relacional e compreendamos melhor os benefícios da vivência do afeto em favor de nosso futuro espiritual, porque então descobriremos, pelo estudo e pela vivência, que amar é vigoroso preventivo que elimina grande parte de nossas dores provacionais na escola da convivência.


Capítulo 20 = Plenitude na Gratidão

Ser grato é ser melhor e crescer; é ter na lembrança os benfeitores de ontem, é aprender a fixar-se nas circunstâncias felizes da existência, é devolver à vida os créditos que nos beneficiaram, é aprender a superar queixas e desgostos com a reencarnação dilatando o Espírito de desprendimento e aceitação, sem deixar de buscar o progresso.


Capítulo 21 = Melindre nos Centros Espíritas

As criaturas educadas emocionalmente têm sempre respostas adequadas ao teste do melindre. Reagir com equilíbrio, elaborar soluções criativas aos impasses e agir com espontâneo amor são respostas de quem é dotado de farta inteligência emotiva, lograda em refregas nas vivências do Espírito que amadureceu para a vida, O melindre é a pobre resposta do sentimento agredido.


Capítulo 22 = Casas ou Grupos?

O centro espírita, enquanto Casa, precisa reciclar seus paradigmas, contextualizar seus métodos, renovar sua forma de agir e decidir, agilizar suas atividades para atendimento dos inumeráveis e surpreendentes desafios que ora solapam as vidas humanas com dores acerbas.


Capítulo 23 = Calabouços dos Sentimentos

Dá-lhe tudo que tens, assim como fez a viúva pobre do Evangelho, depositando nesse coração que esmola carinho e piedade, a honra das atitudes nobres, ensejando-lhe uma mensagem, pelo exemplo, de que se pode amar sem possuir e gostar sem dominar, conclamando-o a comportamentos novos, íntegros moralmente.


Capítulo 24 = Amizade, Elixir dos Relacionamentos

Essa ausência de ternura entre os membros de um mesmo núcleo, guardando distanciamento, é empobrecedor para nossas realizações. Quando os componentes se amam, se conhecem, quando se estabelecem relações de confiança e respeito, as atividades ganham viço, estímulo, produtividade.


Capítulo 25 = Elos Entre Dois Mundos

Como tens acolhido os desencarnados? Como dispensar afeto a quem não se vê na vida extrafísica, se não dispões a cativar os que ombreiam contigo na vida da carne? Que recepção terão os que vagueiam itinerantes em busca de rota e luz, se a ancoragem na casa espírita é feita entre farpas de discórdia e do entrechoque de idéias, em litígios enfermiços entre seus próprios trabalhadores?


Capítulo 26 = Benefícios do Conflito

Os homens estiveram em desatinado conflito com Jesus, com suas idéias, com suas movimentações, embora Ele, pacífico e sereno, conduzia os provocantes a mergulharem em si mesmos e a descobrirem suas insatisfações, frustrações e as raízes de suas emoções perturbadoras, com as quais intentavam afetar o equilíbrio do Mestre.


Capítulo 27 = Homogeneidade no Grupo

Grupos homogêneos são os que guardam uma certa atração para um ideal comum, um objetivo claro, e que têm uma visão compartilhada de seu futuro, de onde querem chegar, para onde se dirigem. Em torno desse ideal compartilhado, nascido de dentro para fora e constituindo as aspirações de todos, tem-se a chave da homogeneidade.


Capítulo 28 = Auto-Amor

Aprender o auto-amor é arar a terra mental para “ser”. Quando o lograrmos, recuperaremos a serenidade, o estado de gratificação com a vida, a compreensão de nós mesmos, porque o sentimento será então um espelho translúcido das potencialidades excelsas depositadas em cada um de nós pela “inteligência suprema do universo”.


Capítulo 29 = Humanização e Segurança

Por isso, se verdadeiramente queremos segurança e estabilidade, busquemo-la na vivência do afeto, e afeto não se desenvolve sem convivência e proximidade, sem permuta e disposição de aprender, sem servir e trabalhar. Eis porque as atividades assistenciais de nossa Seara, entre inúmeras vantagens, propicia ao homem solitário e inseguro vigorosos estímulos não encontrados em quase nenhuma experiência social.


Capítulo 30 = Educandário do Amor

Nesse comenos chamamos a atenção de grande parte de nossos dirigentes espíritas que têm ouvido e amparado muitos corações, não possuindo, por sua vez, quem lhes possa orientar ou avaliar seus esforços. Sozinhos, sentindo-se na obrigação de darem o melhor de si, terminam por chafurdar-se em posturas de aparente vitalidade moral; entretanto, seu mundo interior, freqüentemente, deambula para as fronteiras com o colapso da sua saúde mental e afetiva.


Apêndice 1 = Campanha pelo Amor

A vitória sobre o maior inimigo do homem, o egoísmo, solicita a renovação dos modelos institucionais e a transformação do comportamento na aquisição de novos valores que o capacitem para longa batalha interior. Recriar as relações e repensar a sistematização das nossas organizações espíritas são investimentos sólidos, que atendem ao programa inspirado sob a tutela do incansável Bezerra de Menezes, no atendimento às “novas determinações” do Espírito Verdade, a fim de construirmos, no futuro, um movimento espírita plenamente identificado com a mensagem de Amor trazida por Jesus à humanidade há dois milênios, e atualizada pelo trabalho nobre de Allan kardec.


Apêndice 2 = Programa de Bezerra de Menezes pelos Valores Humanos no Centro Espírita

O núcleo espiritista deve sair do patamar de templo de crenças e assumir sua feição de escola capacitadora de virtudes e formação do homem de bem, independentemente de fazer ou não com que seus transeuntes se tornem espíritas e assumam designação religiosa formal.



Apresentação

Harmonia Interior

Convidamos, pois, todas as Sociedades Espíritas a colaborar nessa grande obra. Que de um extremo ao outro do mundo elas se estendam fraternalmente as mãos e eis que terão colhido o mal em inextricáveis malhas.



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 350

Pestalozzi estabeleceu em sua filosofia o princípio da interação afetiva como fonte estimuladora da cognição e da aprendizagem. A autora de Laços de Afeto segue-lhe os passos e preceitua, como fio condutor de suas abordagens, as relações afetivas que ensejam uma convivência educativa e plenificadora.

Esse interacionismo na vida relacional, pródigo de Amor, constitui a essência da educação onde quer que ele se manifeste nas atividades humanas, conquanto Ermance Dufaux ressalte o centro espírita na condição de escola em potencial para a construção de relacionamentos afetuosos, libertadores e gratificantes. Chama a comunidade espírita para uma reflexão sobre a necessidade de se criar metodologias e mecanismos que incentivem o cultivo da amizade e da fraternidade, como esteio aos projetos do bem levados a efeito por essas entidades.

Vínculos emocionais superiores despertam forças sublimes do ser que apelam para condições excepcionais de sensibilidade para vir a luz. Por outro prisma, bloqueios que dormitam há séculos nas zonas abissais da subconsciência solicitam elos consistentes de confiança e respeito, para ebulirem sob cuidados que funcionarão como extrema medicação profilática.

Ermance, discreta por estilo, procura quase sempre evitar citações nominais, embora sua pesquisa se inspire em muitos pensadores que abrilhantaram as academias humanas na conquista de sólidos saberes para o progresso social. É assim que, sofrendo as necessárias adaptações e abstraindo-se da técnica, ela busca subsídios em Carl Gustav Jung, Sigmund Freud, Jean Piaget, Howard Gardner, Daniel Goleman, Emmanuel Lévinas, Vygotski, Jürgen Habermas, Antoine de Saint Exupery, apenas para citar alguns dos expoentes a que recorreu em seu trabalho. Deve-se frisar, no entanto, que a base estrutural de sua literatura é Pestalozzi, o senhor Allan Kardec e Jesus, o pedagogo sublime e insuperável.

Laços de Afeto deflagra uma série que carinhosamente intitulamos “Harmonia Interior’, cujo objetivo é enfatizar particularidades contidas dentro do universo de sabedoria das obras elementares da revelação nova do Espiritismo. Nesse projeto somamos esforços um grupo de corações que palmilharam as vivências da educação e ciências afins, todos, além de dispostos, muito esperançosos e felizes por terem a benfazeja oportunidade de estabelecer pontes com o mundo físico, cooperando com nossas teorias, agora redimensionadas pela ótica da Imortalidade na qual estagiamos em exuberante vida e plenitude.

Semelhante iniciativa vem em boa hora, considerando os avanços culturais do mundo nesse setor; justo agora em que a UNESCO prioriza a inspirada diretriz dos pilares educacionais para a humanidade do século 21, propostos pelo relatório Jacques Delors (1). Inaugura-se um tempo novo para os roteiros e curriculos de aprendizagem assentados nos quatro pontos: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a conhecer, em favor de uma educação mais humanitária e centrada em valores e habilidades do homem, assumindo sua verdadeira condição de sujeito de sua jornada de crescimento em direção à felicidade e à paz.

Agradeçamos juntos a Deus, Pai de Amor infinito, pelas perspectivas de Laços de Afeto através da palavra confortadora e afetuosa, repleta de estímulo e ponderação, de nossa amiga Ermance. Ante a responsabilidade que nos aguarda, renovemos nossos ideais e caminhos para atendermos ao convite sábio exarado pelo senhor Allan Kardec há mais de cento e quarenta anos, trabalhando para que todas as sociedades espíritas colaborem na grande obra regenerativa da humanidade, solidificando, primeiramente, entre suas paredes o clima do Amor cristão e humanitário, envolvendo em seguida todas as demais instituições similares, de um a outro extremo do mundo, com abundante fraternidade, dissipando as sombras do mal.


(1) A fundação francesa Jacques Delors se encarregou de organizar o relatório desenvolvido por vários especialistas de todo o mundo, que compõem a Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21. Este relatório, concluido em 1996 é a base da UNESCO para orientar seus projetos de ação. Maiores informações no livro “Educação - Um Tesouro a Descobrir’ - Editora Cortez - MEC.
Helena Antipoff
25 de Fevereiro de 2001

Prefácio

O Milênio de Jesus

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”.



Jesus, Mateus, capítulo 5, versículo 8

Com essa obra homenageamos os dois mil anos do nascimento de Jesus comemorados hoje na Terra.

Celebramos a data relembrando o Amor - cerne das propostas educacionais do Mestre.

E a inspiração para nossas anotações buscamo-la no Seu discípulo da Era Nova, Allan Kardec, tomando por base o excelente tratado de vida interpessoal contido no capítulo 29 de O Livro dos Médiuns, “Das Reuniões e das Sociedades Espíritas”. A atualidade das questões enfocadas pelo Codificador sobre relacionamentos entre companheiros de ideal é roteiro consistente e seguro para a edificação da convivência harmoniosa.

Objetivamos, em “Laços de Afeto”, propor a meditação e o estudo conjunto a partir de fatos colhidos aqui e acolá, na faina doutrinária, destacando a importância da afetividade como degrau para autênticas relações de Amor e base para a criação de um clima espiritual ideal nas instituições fraternais do Espiritismo.

A afetividade é tema de profundos estudos e pesquisas científicas na humanidade, porém, objetivando conduzir os textos para o coração e a meditação, abstraimo-nos do rigor técnico que exigiria pesquisa intelectual dos conteúdos abordados, tarefa essa que vem sendo desenvolvida por competentes cooperadores, em ambos os planos de vida, com expressiva clareza e utilidade.

Alertamos os leitores, especialmente os espíritas, para evitarem conceber nossas abordagens como “manual prático de vida”, transformando os apontamentos em psicologismo ou regras de felicidade imediata. Chamamos a atenção para esse ponto por constatarmos uma tendência humana a “canonizar” idéias provenientes de intercâmbios mediúnicos, convertendo-as em caminhos coletivos da verdade ou normas de soluções fáceis ante os problemas da existência. Cada um deverá absorver nessa ou naquela consideração algo que contribua para seu crescimento, utilizando sempre a “relativização” do saber, do entendimento e da experiência.

Portanto, nada além fizemos que reunir temas sugestivos para o debate amigo e sincero entre equipes de serviço e estudo, priorizando ângulos que emergem como imperativos misteres nas agremiações bafejadas pela luz espírita. Pinçamos alguns ítens de valor do capítulo 29 de O Livro dos Médiuns, e sugerimos o estudo minucioso desse texto da obra basilar, por acreditarmos que constituirá investimento incomparável para a instrumentalização das equipes espiritistas.

Educadores e outros especialistas maduros e cônscios de seus deveres sociais e espirituais poderão, no futuro, contribuir em muito para o desenvolvimento de nossas idéias, levando ao centro espírita os recursos diversos de sensibilização e aprimoramento relacional entre as criaturas, colaborando com o desenvolvimento da vida afetiva em suas nuanças através de técnicas que facilitem a compreensão das “leis e mecanismos do coração”.

Programas educativos do afeto farão parte dos círculos de Amor do Espiritismo em tempo não muito longínquo...

Sociedades espíritas fraternas só serão construídas por homens e mulheres mais dóceis e cordiais, mais confiantes e afáveis, mais amigos e amáveis. A criação dessas novas relações é garantia de uma aprendizagem mais sólida e bem aproveitada em nossas casas espirituais, facultando melhor assimilação dos conteúdos doutrinários e sua conseqüente aplicação no desenvolvimento de habilidades morais e emocionais, tão escassas na convivência entre as criaturas perante a pressão das lutas da vida terrena. Teremos assim, mais afeto, melhor ambiente e bem-estar para conviver e maior motivação para servir e aprender!

Os resultados serão percebidos e sentidos na dilatação da criatividade para soluções dos problemas, na solidariedade aos projetos de Amor desenvolvidos por outros colaboradores, na superação das fronteiras institucionais, no suporte emocional às lutas individuais para alcançar as metas de melhoria interior e, sobretudo, na disposição com os deveres assumidos junto à comunidade que serão executados com mais comprometimento e cuidados nascidos na prestabilidade espontânea.

Assim, laços de confiança e fraternidade tecidos com o fio da sensibilidade resultam em alegria para os encontros, ânimo para a luta diária, força para os instantes de fragilidade e prova, e inclinação para o altruísmo no rompimento dos costumeiros limites, aos quais, quase sempre, guindamo-nos sob o domínio do egoísmo pessoal ou grupal, distanciando-nos uns dos outros na Vinha que é a mesma, e é de todos...

Trabalhar por essa meta é o desafio que a todos nos compete ante as responsabilidades delegadas pelo Divino Rabi e pelo exemplar Allan Kardec.

As bases fraternais na convivência entre os espíritas são os sinais da esperança acenando com as melhores perspectivas nos serviços a serem encetados no porvir do terceiro milênio. Essa é a única garantia de relações capazes a empreendimentos enobrecedores no campo do Espírito.

Trabalhar nas fibras do sentimento, para desenvolver o potencial do afeto cristão, significa direcioná-lo para realizações elevadas do relacionamento na expansão do “ser” - árdua tarefa reeducativa, considerando-se os extensos reflexos de narcisismo e paixão vividos por nós ao longo dos séculos.

Sociedades espíritas afetivas só se concretizam com corações dispostos a amar, e o Amor é suscetível de “treino” e educação para a consolidação de uma conduta amorosa, libertadora e preenchedora.

O Espiritismo abre-nos as portas do entendimento esclarecendo a razão para compreendermos Deus, mas após milênios de naufrágios nas águas turbulentas do religiosismo sem Amor, convém-nos, além de “saber Deus”, o “sentir Deus”, pois é pelas vias sagradas do sentimento que ocorre a fixação dos valores Divinos em nós, conduzindo a crença para os domínios da fé racional, transformando o coração no espelho daquilo que realmente lograremos ser, orientando-nos sempre pelas luzes da imortalidade da alma.

O “Guia e Modelo”, consciente desse assunto, exarou que quem mantivesse o coração limpo veria a Deus, e ver Deus é criar a sublime empatia com Sua obra, vibrando em uníssono com Sua criação, condição essa somente alcançada quando envolvemo-nos na aura do Amor.

O centro espírita, como unidade social do Espiritismo, precisa ser promovido a esse patamar de “escola de afeto cristão”, a fim de não estancar na superficialidade da proposta do Espírito Verdade para a humanidade do terceiro milênio, onde a afetividade será o centro das esperanças de um tempo melhor e a bússola segura para encontrarmos a felicidade em relacionamentos gratificantes e libertadores.

Espiritismo estudado, preciosa chave da informação no cérebro. Espiritismo sentido, alforria espiritual pela transformação do coração.

O terceiro milênio será o verdadeiro tempo de Jesus, liberto do dogmatismo e das negativas tradições passadas, vivido em Espírito e realidade.

Esperançosa em ter colaborado, mesmo que palidamente, com esse objetivo de instaurar um novo tempo para nossas agremiações, muito nos alentará saber que nossas palavras, pelo menos, serviram para deixar claro que a grande causa de nossas vidas é o Amor uns pelos outros acima de quaisquer postulados de caráter doutrinário ou religioso, conforme já fora asseverado pelo Pastor de nossas vidas:

“Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”.

Dois milênios sem ti Senhor, dois milênios que proclamamos teu nome sem honrar-te os ensinos. Ampara-nos para fazermos nos augúrios do terceiro milênio a era do Espírito imortal, ensejando nosso encontro contigo. Fortalece-nos para transformarmos nossos grupos em celeiros de paz e harmonia, lídimos Educandários do Amor, fiéis a teus postulados, conduzindo a sociedade para um milênio de justiça e lucidez sob a égide de Tua bonança. Auxilia-nos Senhor a limpar nosso coração para merecermos a tão almejada condição de Bem­-aventurados.
Obrigado Jesus pelo Teu Amor durante esses últimos dois mil
Ermance Dufaux
25 de dezembro de 2000

PRIMEIRA PARTE

A Pedagogia do Afeto na Educação do Espírito

Capítulo 1

A Pedagogia do “Ser”

Jesus, o Mestre.

Nós, os aprendizes.

A reencarnação, sublime matrícula no aprendizado.

A Terra, incomparável escola do Espírito.

O Amor, lição essencial.

O afeto, pedagogia do ‘ser”.

O centro espírita, excepcional núcleo educativo da alma.

Eis uma síntese a qual nos propomos desenvolver nessa Primeira Parte, destacando as nossas agremiações doutrinárias como educandários, sem precedentes na sociedade, para o desenvolvimento da competência essencial do Amor.

O afeto é um dos pilares do desenvolvimento humano saudável. Uma habilidade que abre largas portas para a entrada do Amor, porque ser afetivo é laborar com o sentir. Diríamos assim que a afetividade éum degrau para o Amor. E amar é desenvolver-se para “ser”, verbo que traduz o existir Divino ou existir para a felicidade. “Ser” é educar-se, externar o amplo contingente de valores e potencialidades celestes que dormitam há milênios em nosso eu Divino, que nos conduzem ao destino glorioso de Filhos de Deus, à plenitude. Portanto, a pedagogia do “ser” tem no afeto um de seus principais potenciais didáticos.

Ninguém pode “ser” permanecendo agrilhoado aos trâmites expiatórios do “sentir mórbido”, ou seja, essa forma inferior de viver a vida do “homem fisiológico”, voltado somente para as sensações, o prazer, a competitividade selvagem.

Afeto é uma força da alma de incalculável poder. Sua boa utilização demanda sólida formação moral para que o vigor dos sentimentos seja abençoada estrada de libertação nos passos das atitudes.

Esse ‘existir humano” apela para valores nobres a fim de consagrar uma ética do “ser” em identidade com aquilo que de fato é “ser”. Verificamos assim o quanto é relevante o papel do centro espírita, associação que busca, essencialmente, burilar o caráter, a virtude, desenvolver o moral da criatura.

Sob os auspícios de uma casa doutrinária bem conduzida, o desafio do “existir humano” torna-se uma proposta atraente, motivadora, clara e simples.

Nesse tempo de materialismo e do império da razão nossas casas de Amor devem fixar-se na função social reeducativa do sentimento, aprimorando-se cada vez mais para honrar o título de escola da alma, desenvolvendo pessoas felizes, realizadas, dignas e solidárias.

Aprender a amar é pois a competência essencial que deveria fundamentar quaisquer conteúdos de nossas escolas espirituais. Aprender a amar o próximo, aprender a amar a si, aprender a amar a Deus.

E como ensinar o Amor no centro espírita?

Fala-se muito no que devemos fazer, mas pouquíssimas vezes em como fazer. Como amar o outro, a si e a Deus contextualizando?

Contextualizar o conteúdo espírita abstraindo o excesso de informações e trazê-lo para a realidade de seu grupo, priorizar respostas, soluções, discutir vivências, refletir sobre horizontes novos de velhos temas do viver, reinventar a vivência em direção aos apelos da consciência, propiciar à criatura externar sonhos, limitações e valores já conquistados, fazendo da sala de estudos espíritas um laboratório de idéias na ampliação da capacidade de pensar com acerto, lógica e bom senso. Isso se chama educar.

A esse mister somos convocados para uma mudança de paradigmas urgente nas metodologias pedagógicas da casa espírita. Somos convocados a reestruturar essa visão “sacra”, que faz de muitas de nossas células templos de religiosismo, conduzindo seus profitentes a fórmulas de imediatismo e acomodação, ou à absorção do conhecimento espírita em lamentável dogmatismo, recheado de presunção com a verdade.

A pedagogia do “ser” inclui os valores da participação, da interatividade, da cooperação. Não temos outro caminho para arregimentar essas opções didáticas que não seja a formação de equipes, pequenos grupos de amigos voltados para o estudo e o trabalho, congregados em torno de ideais incentivadores da evolução de nossas potencialidades. Grupos que absorvam para a rotina das sociedades doutrinárias projetos de trabalho, ousando o inusitado, o incomum, implantando novas e mais ajustadas propostas de ensino e trabalho no atendimento das demandas humanas, e na consolidação de habilidades e valores que promovam o homem a uma vida mais íntegra, gratificante e libertadora, sob as luzes da imortalidade.

Grupos nos quais a imaginação, o desejo, os sonhos, os limites, as conquistas, as dores, a criatividade, as idiossincrasias, as dúvidas, as respostas, a experiência e, sobretudo, o afeto, possam fazer parte desse projeto de “ser”. Permitir à criatura apresentar-se como está e ensejá-la serviço e conhecimento - o antigo lápis e papel da educação - é matriculá-la na escola da vida sob a tutela dos princípios redentores do Evangelho e do Espiritismo, a fim de que ela, por si mesma, aprenda o caminho do Amor na transformação e no existir de cada instante, em busca de sua felicidade.

A pedagogia do “ser” prioriza o homem, sua experiência pessoal, o relacionamento humano, tendo como pólo de atração o idealismo, que é o centro indutor dos valores morais e a defesa vigilante contra nossas intempéries, provenientes das bagagens vivenciais seculares.

Grupos que se amam e se querem bem, formando ambientes agradáveis para conviver, estabelecem as premissas para esse “ser”, e isso, inevitavelmente, além de felicitar a criatura com o que ela precisa para seu crescimento, também trará reflexos, acentuadamente benéficos, para as realizações doutrinárias graças à alegria e comprometimento com os quais o trabalhador fará sua adesão aos deveres na escola da alma, honrando os princípios espíritas-cristãos com uma vida reta, plena de sobriedade e identidade com a base social da fraternidade e da transformação para o bem, onde quer que esteja participando.



Capítulo 2

Aprender a Amar

Escutamos freqüentemente frases que constituem atestados de incompatibilidade ou admiração instantânea em relacionamentos, emitidas rotineiramente nas diversas rodas de convivência, definindo alguns sentimentos que temos pelo outro como se fossem predestinados e definitivos.

Convivemos, comumente, “ao sabor” daquilo que sentimos espontaneamente por alguém.

Consideremos nesse tema que o Amor não é um automatismo do sentir no aprendizado das relações humanas, como se houvessem fatores predisponentes e inderrogáveis para gostar ou não gostar dessa ou daquela criatura.

Amar é uma aprendizagem. Conviver é uma construção.

Não existe Amor ou desamor à primeira vista, e sim simpatia ou antipatia. Amor não pode ser confundido com um sentimento ocasional e especialmente dirigido a alguém. Devemos entendê-lo como O Sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização de nossa condição de operários na obra universal, um “estado afetivo de plenitude”, incondicional, imparcial e crescente.

Ninguém ama só de sentir. Amor verdadeiro é vivido. O atestado de Amor verdadeiro é lavrado nas atitudes de cada dia. Sentir é o passo primeiro, mas se a seguir não vêm as ações transformadoras, então nosso Amor pode estar sendo confundido com fugazes momentos de felicidade interior, ou com os tenros embriões dos novos desejos no bem que começamos a acalentar recentemente.

O Amor é crescente no tempo e uniforme no íntimo, não tem hiatos.

Mesmo entre aqueles que a simpatia brota instantaneamente, Amor e convivência sadia serão obras do tempo no esforço diário do entendimento e do compartilhamento mútuo do desejo de manter essa simpatia do primeiro contato, amadurecendo-a com o progresso dos elos entre ambos.

Sabendo disso, evitemos frases definitivas que declarem desânimo ou precipitação em razão do que sentimos por alguém. Relações exigem cuidados para serem edificadas no Amor, e esse aprendizado exige os testes de aferição no transcorrer dos tempos.

Se nos guardamos na retaguarda moral e afetiva, esperando que os outros melhorem e se adaptem às nossas expectativas para com eles, a fim de permitirmo-nos amá-los, então, certamente, a noção de gostar que acalentamos é aquela na qual ainda acreditamos que Deus faculta isso como Dom Divino e natural em nossos corações conforme a sua Vontade.

Encontrando-nos nesse patamar de evolução, nada mais fazemos que transferir para o Pai a responsabilidade pessoal do testemunho sacrificial, na criação de elos de libertação junto a quantos esposam nossos caminhos nas refregas da vida.

Amor não é empréstimo Divino para o homem e sim aquisição de cada dia na aprendizagem intensiva de construir relacionamentos propiciadores de felicidade e paz.

Espíritas que somos temos bons motivos para crer na força do Amor, enquanto a falta de razões convincentes tem induzido multidões de distraídos aos precipícios da dor, porque palmilham em decidida queda para as furnas do desrespeito, da lascividade, da infidelidade, da vingança e da injustiça, em decrépitas formas de desamor.

A terapêutica do Amor é, sem dúvida, a melhor e mais profilática medicação do Pai para seus filhos na criação. Compete-nos, aos que nos encontramos à míngua de paz, experimentá-la em nossos dias, gerando fatos abundantes de Amor, vibrando em uníssono com as sábias determinações cósmicas estatuídas para a felicidade do ser na aquisição do glorioso e definitivo título de Filhos de Deus.

E se esse sentimento sublime carece aprendizagem, somente um recurso poderá promover semelhante conquista: a educação.



Capítulo 3

Pestalozzi e a Educação do Coração

Pestalozzi definiu a educação como sendo o desenvolvimento harmônico de todas as potencialidades do ser, considerando como elementos latentes básicos no interior da criatura humana a inteligência, o sentimento e a vontade. Para ele, essa tríade, sintetizada em educar a cabeça, o coração e as mãos, ganhava uma amplitude incomensurável quando se cria a relação de Amor entre educador e educando.

Johann Heinrich Pestalozzi, sem dúvida, foi o educador do Amor. A ele devemos o mérito indiscutível de estabelecer as linhas afetivas da educação em maior proporção que outros pedagogos, demonstrando na sua própria vivência a eficácia de conduzir o processo educacional em elos de afeto.

Assinalamos em suas palavras na “Carta de Stans”(1) a grandeza de suas concepções, como segue:

“Minha meta principal direcionou-se, antes de mais nada, a tomar as crianças irmãs, cultivando os primeiros sentimentos da vida em comum e desenvolvendo suas primeiras faculdades nesse sentido. Com isso, minha intenção era fundir a casa no Espírito simples de uma grande comunidade familiar e, sobre a base de tal relacionamento e da predisposição por ele gerada, suscitar em todos um sentimento de justiça e moralidade.

Atingi meu objetivo com razoável sucesso. Em breve, viam-se setenta crianças mendigas, embrutecidas viverem juntas numa paz, num Amor, numa atenção recíproca e cordial que raramente se encontram entre irmãos de uma mesma família.

Minha ação, nessas circunstâncias, partia do seguinte princípio: procura em primeiro lugar fazer tuas crianças generosas. Pela satisfação diária de suas necessidades, impregnarás sua sensibilidade, sua experiência e sua ação de Amor e de caridade, que se estabelecerão e se consolidarão em seu íntimo. Depois, acostuma-as às práticas em que poderão exercitar e espalhar seguramente a benevolência em seu próprio círculo.”

A grande conquista da educação, segundo o mestre suíço, é a autonomia do homem pela maturidade de suas potências morais, que já se encontram em gérmen em seu mundo íntimo ao nascer.

As teorias modernas da psicologia têm demonstrado a importância essencial da emoção em todas as realizações humanas, confirmando por experiências e pesquisas sérias que o homem é dotado de múltiplas inteligências, sendo que suas habilidades emocionais são as mais aptas a fazer-lhe feliz e bem sucedido.

A visão “Pestaloziana” de educar, além de precursora, éperfeitamente compatível com a meta maior do Espiritismo, ou seja, o melhoramento moral da humanidade, a educação integral do homem bio-sócio-psíquico-espiritual.

Kardec, como aluno da escola de Yverdon, fundada por Pestalozzi, foi notadamente influenciado pela didática da tríade conhecida mais tarde como “Princípio do Equilíbrio de Potencialidades”, ou seja, mãos, corações e cabeça em harmonia. Nota-se em seu comentário na questão 917 de “O Livro dos Espíritos” o quanto essa cultura do emérito pensador suíço marcou sua formação quando diz:

“A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecera arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejaras inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação”.

Esse desenvolvimento harmônico implica fazer crescer o intelecto, o afeto e a ação, não sendo demais afirmar que a coerência entre pensar, sentir e fazer respondem pelo equilíbrio do ser integral.

Temos desenvolvido a razão, mas, temos trabalhado o afeto? Temos disseminado conteúdos espíritas a mancheias, mas os temos contextualizado à vida?

Trabalhamos pela aquisição da fé racional, contudo, semelhante valor só será angariado na ética do “ser”, ou seja, na vivência das “Virtudes Paternas” ínsitas em nosso patrimônio sublime, prestes a descobrirmos pelas vias da evolução.

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