William Edwards Deming Biografia



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William Edwards Deming

1. Biografia

William Edwards Deming nasceu em Sioux City, estado de Iowa, em 14 de outubro de 1900. Embora tenha sido reconhecido através do mundo como um “guru do gerenciamento da qualidade” ele insistiu em ser reconhecido como “consultor em estudos estatísticos”. Foi responsável por grande parte dos avanços no gerenciamento da qualidade dentro das indústrias japonesas no período pós guerra.

Após sua graduação em Engenharia, em 1921, na Universidade de Wyoming, ele permaneceu mais um ano para estudar Matemática. Depois disso transferiu-se para a Escola de Minas do Colorado onde fez mestrado em Matemática e Física. Foi convidado por um de seus professores para trabalhar em Yale, onde concluiu seu doutorado.

Iniciou sua carreira como funcionário do governo atuando como Físico Matemático no Laboratório de Pesquisas de Fixação de Nitrogênio do Departamento de Agricultura (USDA), permanecendo neste emprego até 1939.

Neste período Deming vai também a Londres (em 1936) para estudar Teoria Estatística na Universidade de Londres onde conheceu o trabalho de Jerzy Neyman, o responsável pela publicação de um estudo que foi um marco na história da amostragem. Neyman acabou indo para os EUA lecionar na USDA, em 1937, o que resultou em um livro publicado por Deming chamado “Palestras e Conferências em Estatística Matemática”.

A análise de resultados experimentais de trabalhos em bacteriologia e química deram a ele a oportunidade de aprender sobre o ajuste estatístico de dados. Foram três artigos sobre a “aplicações dos mínimos quadrados” publicados no periódico “Phisophical”. No seu livro “Ajustamento Estatístico de Dados”, publicado em 1943, ele apresentou a fundamentação destes artigos e suas idéias sobre o assunto. Este texto é ainda consultado como ajuda na aplicação do Método dos Mínimos Quadrados em várias situações.

Sua entrada no mundo da melhoria da qualidade foi inspirada pelo livro: Controle Econômico da Qualidade de Produtos Manufaturados, de 1931, escrito pelo seu mentor Walter Shewhart, considerado o pai do CEP (Controle Estatístico do Processo).

Na década de 50, Deming vai para o Japão para colaborar na realização do censo japonês. Na ocasião ele viaja diversas vezes ao Japão a convite da JUSE(Japan Union of Scientists and Engineers) para ministrar palestras e conferências aos diversos líderes empresariais japoneses o que os leva a adotar seus métodos para controle da qualidade e princípios de administração causando uma verdadeira revolução nas indústrias japonesas que começam a liderar o mercado, principalmente o automobilístico e de informática.

A cruzada que Deming criou para a melhoria da qualidade resultou, como sabemos, no renascimento econômico do Japão e finalmente no seu reconhecimento mundial como o “profeta da qualidade”. Durante toda sua vida ele cultivou a crença que a teoria estatística mostra como a matemática, julgamentos e conhecimentos substantivos trabalham juntos para o melhor.

No Japão, em 1951, foi criado pela JUSE, o “Prêmio Deming” para premiar pessoas que contribuem para o controle da qualidade e aplicações de métodos estatísticos, e empresas que apresentem elevado desempenho da qualidade.


2. A qualidade para Deming

Por muito tempo o conceito de qualidade permaneceu associado à idéia do menor preço pelo qual um produto poderia ser trazido ao mercado. (TURCHI, 1997)

A partir dos anos 30, com a produção em massa, produtos como carros e armamentos, demandavam produção em escala de multicomponentes que precisavam se encaixar com precisão. Assim qualidade passou a ter o significado de conformidade com o projeto, houve também a intensificação do controle sobre todas as etapas do processo produtivo. (TURCHI, 1997)

Em meados da década de 50, Edward W Deming e Joseph Juran desenvolveram o conceito de qualidade em termos de adequação ao uso doconsumidor. Assim um produto além de obedecer às especificações do projeto, deveria atender as necessidades do usuário, ou seja, uma empresa interessada em produzir qualidade, deveria se empenhar em conhecer e corresponder aos desejos de seus clientes. (TURCHI, 1997)

A qualidade do projeto é entendida como o resultado de três procedimentos básicos: I) identificação das necessidades dos clientes; II) definição das características do produto que melhor atenderiam às necessidades identificadas; e III) tradução do produto escolhido em um projeto com as devidas especificações técnicas. A segunda dimensão — conformidade com o projeto —, refere-se ao grau de acurácia do produto às especificações do projeto.(TURCHI, 1997)

Segundo Deming (apud TURCHI, 1997) esse novo conceito de qualidade deve transcender a fase de inspeção e ser construído na concepção do projeto, ou seja, ser buscado não apenas no controle da produção final, mas também na sua concepção e especificação do produto e dos processos produtivos.

Essa concepção de qualidade trouxe o desenvolvimento de um conjunto de técnicas estatísticas e práticas organizacionais, tais como just- in-time, Kanban, zero defeito.(TURCHI, 1997).

Para Deming, a Qualidade de um produto ou serviço apenas pode ser definida pelo cliente. A Qualidade é, assim, um termo relativo que vai mudando de significado à medida que as necessidades dos clientes evoluem. (CARDOSO, 1996)

Deming considera não ser suficiente cumprir as especificações. É preciso utilizar os instrumentos de controlo estatístico de qualidade, em vez da mera inspeção de produtos, esta não melhora a qualidade, não a garante e até aceita certo número de defeitos. Ele recomenda igualmente uma seleção criteriosa dos fornecedores com que a empresa trabalha. (CARDOSO, 1996)

A base de sua filosofia está no amplo uso de ferramentas estatísticas e controle de processos, o que trará grau previsível de uniformidade devido a uma reduzida variabilidade, custos menores e adequação ao mercado. (CARDOSO, 1996). Isso torna a produção capaz de atingir os objetivos da sua abordagem: "qualidade como produtividade".

Além disso, considera os trabalhadores como pessoas e não como partes de um equipamento. Para ele, trabalhadores distraídos ou incompetentes são os principais responsáveis por problemas relacionados à qualidade. Para evitar esses inconvenientes atribui à gerência o papel de oferecer treinamento contínuo, melhorar o sistema e não colocar a responsabilidade das falhas nos trabalhadores. Os funcionários trabalham segundo um sistema. Os gerentes devem trabalhar sobre o sistema para aperfeiçoá-lo.

Deming criticou o sistema empresarial norte-americano por não apostar na participação dos trabalhadores no processo de decisão. Ele argumenta que os gestores são responsáveis por 94% dos problemas de qualidade. O seu principal papel é remover as barreiras na empresa que impedem a realização de um bom trabalho. “Os executivos devem fazer os outros trabalharem melhor, e não apenas mais” (CARDOSO, 1996)

O sistema de produção deve ser tratado como um todo, levando-se em consideração que o produto, mesmo já estando nas mãos do cliente, ainda faz parte desse sistema. Segundo Deming, a atenção deve estar voltada ao processo, onde ocorrem 85% das falhas, seu foco principal é identificar e reduzir as causas de variações dos mesmos.

3. Os 14 Princípios
A filosofia de Deming, consiste em idéias básicas fundamentadas em quatorze princípios, escritas em seu livro “Out of Crisis” originalmente ensinadas aos altos executivos japoneses na década de 50 e nos anos subsequentes, para melhoria da qualidade nas empresas tanto de pequeno, como grande porte, nas áreas industriais tanto de transformação, como de serviços. Aplicando-se também a qualquer unidade ou divisão da organização.

Na filosofia de Deming não existe um sistema estruturado para a condução da qualidade, no entanto, para implantação da mesma dentro da empresa é de primordial importância o conhecimento desses princípios, os quais ele atribuiu total responsabilidade da implantação a cargo da gerência.



1 - Crie constância de propósitos para melhoria do produto e do serviço

Deming divide esta etapa em algumas obrigações iniciais; Inovar (Alocar recursos para planejamento de longo prazo); Alocar recursos para pesquisa e formação; melhorar constantemente o projeto do produto e serviço continuamente e considerar o consumidor como elo mais importante da linha de produção. (HEGEDUS, 2004)



2 - Adote a nova filosofia

Segundo Deming, há uma nova era na administração, onde não se pode tolerar os níveis de erros, falhas, materiais e métodos antiquados. (HEGEDUS, 2004)



3 - Cesse a dependência da inspeção em massa

Uma rotina de inspeção em 100% para aprimorar a qualidade equivale a planejar defeitos, reconhecendo que o processo não está capacitado a satisfazer às especificações. A inspeção não melhora, nem garante a qualidade, é tardia e não incorpora qualidade ao produto. As inspeções em massa geralmente não são confiáveis, são custosas e ineficientes.

Quando um trabalho é submetido à controles estatísticos, tende a ter mais aceitação e concordância dos gestores.

Segundo Deming a conscientização do Impacto da qualidade se ocorre da seguinte forma: A melhoria da qualidade gera redução dos custos, aumentando assim a produtividade, assim se conquista o mercado através de mais qualidade a custos mais baixos, fazendo com que o negócio se mantenha ou melhore, gerando assim mais empregos. (HEGEDUS, 2004)



4 - Acabe com a prática de aprovar orçamentos apenas com base no preço

O preço não tem sentido sem uma medida da qualidade que está sendo adquirida. Sem dispor de medidas adequadas de qualidade, os negócios tendem a ser feitos com quem oferecer o orçamento mais baixo, e o resultado inevitável é a baixa qualidade e o custo elevado. (HEGEDUS, 2004)



5 - Melhore constantemente o sistema de produção e de serviços

Segundo Deming, é responsabilidade da gerência melhorar constantemente o sistema de produção e serviço. Todo produto deve ser encarado como parte de um todo: há uma única chance de sucesso total. A qualidade desejada começa com a intenção determinada pela direção, e só é alcançada através do conhecimento, e não através de grandes quantias em investimentos. (HEGEDUS, 2004)



6 - Institua treinamento

A administração necessita de treinamento para aprender a conhecer a empresa, desde o recebimento de materiais até o cliente. (HEGEDUS, 2004)



7 - Adote e institua a liderança

Para Deming a função da administração não é supervisionar, e sim liderar. Ela deve trabalhar as fontes de melhora, o que se tem a intenção de obter em termo de qualidade do produto ou serviço e a tradução desta intenção para o projeto e produto final. (HEGEDUS, 2004)



8 - Afaste o medo

É importante não ter preocupação e cuidado para exprimir idéias e fazer perguntas, mantendo sempre a segurança. (HEGEDUS, 2004)

Há uma resistência geral ao conhecimento, que os avanços de uma indústria ocidental exige. Outro prejuízo resultante do medo é a incapacidade de servir aos interesses da empresa devido à necessidade de satisfazer determinadas regras e completar a qualquer custo uma quota de produção. (HEGEDUS, 2004)

9 - Rompa as barreiras entre os diversos setores da empresa

Fazer a integração dos diversos setores da empresa para ampliar o conhecimento em relação aos produtos e clientes. (HEGEDUS, 2004)



10 - Elimine slogans, exortações e metas para a mão de obra

Eliminar cartazes incentivando o aumento de produtividade, pois estes não levam em conta que a maior parte dos problemas provêem do sistema.

Objetivos são necessários, mas quando indicado o cominho para se alcançá-los. (HEGEDUS, 2004)

11 - Elimine as cotas numéricas para a mão de obra

Os coeficientes de produção são determinados para o trabalhador médio. A pressão dos demais, mantém a metade que está acima da média, apenas atendendo o valor mínimo do coeficiente desejado, isso pode gerar insatisfação e rotatividade. (HEGEDUS, 2004)



12 - Remova as barreiras que privam as pessoas do justo orgulho pelo trabalho bem executado

A possibilidade de realização profissional é algo mais significativo do que a existência de benefícios quaisquer. (HEGEDUS, 2004)



13 - Estimule a formação e o auto-aprimoramento de todos

Uma organização precisa de pessoas que vão se aprimorando sempre através da formação adequada. (HEGEDUS, 2004)



14 - Tome a iniciativa para realizar a transformação

A administração deve assumir e enfrentar cada um dos 13 princípios e repassa-los diariamente cada um deles. (HEGEDUS, 2004)



4. As 5 doenças fatais de Deming

1. Falta de constância de propósito.
É importante ter uma perspectiva de longo prazo e manter um relacionamento de alta maturidade com clientes, fornecedores e funcionários, aumentando conhecimento e promovendo a sustentabilidade da empresa. ( COELHO, 2009) 

2. Ênfase nos lucros a curto prazo.
A ênfase deve ser dada aos clientes. ( COELHO, 2009) 

3. Avaliação de desempenho, classificação por mérito.

Este sistema alimenta o desempenho no curto prazo, mas destrói o planejamento em longo prazo, diminui o espírito de equipe, aumentando a rivalidade entre os funcionários. ( COELHO, 2009)  



4. Mobilidade da administração.
Diminuir a rotatividade dos cargos para aumentar o comprometimento dos colaboradores a fim de que conheçam todos os meios, cultura, e interação da empresa com o cliente. . (COELHO, 2009)  

5.Dirigir a empresa apenas com base em números visíveis.

Considerar também a imagem da empresa no mercado, satisfação dos clientes, grau de conhecimento adquirido, etc. . ( COELHO, 2009) 

 Os itens 6 (custos de assistência médica) e 7 (custos exagerados de garantia) são mais voltados aos Estados Unidos, não cabendo ao Brasil. . ( COELHO, 2009) 
5. O ciclo PDCA
O ciclo PDCA foi desenvolvido por Walter a Shewart na década de 20, mas começou a ser conhecido como ciclo de Deming em 1950, por ter sido amplamente difundido por este. È uma técnica simples que visa o controle do processo, podendo ser usado de forma contínua para o gerenciamento da atividades de uma organização.

O ciclo Pdca é um método que visa controlar e conseguir resultados eficazes e confiáveis nas atividades de uma organização. É um eficiente modo de apresentar uma melhoria no processo. Padroniza as informações do controle da qualidade, evita erros lógicos nas análises e torna as informações mais fáceis de se entender.

O PDCA é aplicado principalmente nas normas de sistemas de gestão e deve ser utilizado em qualquer empresa de forma a garantir o sucesso nos negócios, independentemente da área ou departamento (vendas, compras, engenharia, etc...). É representado por um círculo onde cada quadrante representa uma atividade gerencial para a busca de melhorias. O primeiro quadrante representa a atividade de planejar(plan). O segundo a atividade de fazer(do); enquanto o terceiro significa verificar(check) e o quarto representa a ação na correção de eventuais distorções(action).



Passo 1.Traçar um plano (PLAN)

Este passo é estabelecido com bases nas diretrizes da empresa. Quando traçamos um plano, temos três pontos importantes para considerar:


- Estabelecer os objetivos, sobre os itens de controles;

- Estabelecer o caminho para atingi-los;

- Decidir quais os métodos a serem usados para consegui-los.
Após definidas as metas e os objetivos, deve-se estabelecer uma metodologia adequada para atingir os resultados.

Passo 2 . Executar o plano (PLAN)
- Treinar no trabalho o método a ser empregado;

- Executar o método;

- Coletar os dados para verificação do processo.

Neste passo devem ser executadas as tarefas exatamente como estão previstas nos planos.



Passo 3 . Verificar os resultados(CHECK)
- Verificar se o trabalho está sendo realizado de acordo com o padrão;

- Verificar se os valores medidos variaram, e comparar os resultados com o padrão;

- Verificar se os itens de controle correspondem com os valores dos objetivos.

Passo 4 . Fazer as ações corretivamente (ACTION)
Tomar ações baseadas nos resultados apresentados no passo 3.
- Se o trabalho desviar do padrão, tomar ações para corrigir estes;

- Se um resultado estiver fora do padrão, investigar as causas e tomar ações para prevenir e corrigi-lo;

- Melhorar o sistema de trabalho e o método.
A melhoria contínua ocorre quanto mais vezes for executado o Ciclo PDCA, e otimiza a execução dos processos, possibilita a redução de custos e o aumento da produtividade.

Conclusão

Deming foi um grande estudioso da qualidade e seus estudos são empregados até hoje nas empresas que caminham rumo a excelência da qualidade no processo produtivo. Graças as suas pesquisas, o Japão, após a segunda guerra mundial, se tornou referência na “produção enxuta” e mudou totalmente conceitos até então considerados como eficientes. Sua contribuição resultou em um aprimoramento na fabricação e na busca de produtos sempre melhores, com menos defeito, e que atendam as necessidades inconstantes dos consumidores.



Referências bibliográficas 
CARDOSO, Jaime Fidalgo. Os mestres da qualidade. Exame Executive Digest, 25º edição,1996.

Acessado em: http://www.centroatl.pt/edigest/edicoes/ed25cap1.html


COELHO, Gilson . Deming, O Japão e a Qualidade Total.

Acessado em : http://www.gilsoncoelho.com.br/artigos/15/DEMING-O-Japao-e-a-Qualidade-Total

HEGEDUS, Clovis E. Gerenciamento da qualidade total. Mauá. 2004

TURCHI, Lenita Maria. Qualidade Total: Afinal, de que estamos falando?. Texto para discussão nº 459, 1997.

Acessado em: http://www.geocities.com/ResearchTriangle/Node/8639/Escolas.html e



http://www.proficience.com.br/index_arquivos/QCeTecn_arquivos/Pensamento_arquivos/deming
MANN, Nanci R. Biografia de William Edwards Deming.

Disponível em www.pucrs.br data do acesso: 26/04/2009


FARIA, Caroline. Biografia de Deming

Disponível em www.infoescola.com data do acesso :27/04/2009


CICLO PDCA

Disponível em bellbit.com.br data do acesso 20/04/2009



http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_PDCA data do acesso 20/04/2009.

http://paginas.terra.com.br/negocios/processos2002/ciclo_pdca.htm data do acesso 20/04/2009

http://pmies.org.br/v2/centraladm/artigos/arquivos/20-09_Ciclo_PDCA_-_Um_instrumento_para_melhoria_continua.pdf . data do acesso 20/04/2009


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