Xv mapas de origens e aplicaçÕes de fundos ou mapa de fluxos de tesouraria ou mapas dos cash-flows



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XV - MAPAS DE ORIGENS E APLICAÇÕES DE FUNDOS OU MAPA DE FLUXOS DE TESOURARIA OU MAPAS DOS CASH-FLOWS
Vamos agora tratar dos fluxos de tesouraria que vão completar as demonstrações de resultados, fazendo os ajustes necessários entre os proveitos e aquilo que se recebe no período em análise e entre os custos e aquilo que nesse período se paga por forma a sabermos e que fica em caixa.

A demonstração de resultados regista contabilisticamente os proveitos (vendas) e os custos, sem cuidar de saber se se recebe ou se paga.

É o mapa dos cash-flows que nos vai fazer a passagem (corrigindo-os) dos registos contabilísticos de vendas (proveitos) e custos para os efectivos fluxos de recebimentos e pagamentos no período em análise.

Esta peça vem assim completar a demonstração de resultados, e vai articular-se com os balanços na medida que as diferenças de activos e de passivos entre o instante inicial e final do período vão corresponder necessariamente a fluxos de tesouraria expressos e medidos pelo mapa dos cash-flows.



Diferença entre dois stocks (activos ou passivos)- Fluxos de tesouraria (entrada ou saída de fundos)
VARIAÇÃO DE ACTIVOS E PASSIVOS OPERACIONAIS
Suponhamos então que no período em análise, a empresa vende x+y (registado como tal na demonstração de resultados) mas só recebe x. Tal levará a um aumento de dividas de terceiros à empresa no montante de y e portanto no mapa dos “cash-flows” haverá um aumento do activo circulante no montante de y, o que corresponde a termos uma contribuição negativa no valor y para o nosso “cash-flow” (se nos pagassem x+y, o nosso “cash-flow” aumentava de x+y, como está na demonstração de resultados, como só nos pagam x, o nosso “cash-flow” terá de ser corrigido e diminuído no montante de y).

Inversamente se no período em análise, a empresa tiver um custo de z+w (registado contabilisticamente na conta de resultados) e só pagar z, tal levará a um aumento de dívidas a terceiros no montante de w e portanto no mapa dos cash-flows haverá um aumento do passivo operacional no montante de w, o que corresponde a termos uma contribuição positiva no valor de w para o nosso “cash-flow” (se tínhamos que pagar z+w e se o tivéssemos feito, o nosso cash-flow teria diminuído de z+w, como está registado na demonstração de resultados, mas nós só pagamos z e portanto é como se o cash-flow aumentasse no montante w).

É então fácil de perceber que no período em análise:


-aumento do endividamento dá uma contribuição positiva para o CF (equivalente à entrada de fundos “cash-in” (+))

-diminuição do endividamento dá uma contribuição negativa para o CF (equivalente à saída de fundos “cash-out”(-))

-aumento do crédito de fornecedores (aumento de dívida a terceiros) dá uma contribuição positiva para o CF (equivalente à entrada de fundos “cash-in” (+))

-diminuição do crédito de fornecedores (diminuição de divida a terceiros) dá uma contribuição negativa para o CF (equivalente à saída de fundos “cash-out” (-))




(+) AUMENTO DE PASSIVOS =CASH-IN

(-) DIMINUIÇÃO DE PASSIVOS = CASH-OUT

-aumento do activo dá uma contribuição negativa para o CF (pois corresponde a uma saída de fundos para comprar o activo “cash-out” (-))


-diminuição do activo dá uma contribuição positiva para o CF (pois corresponde a um desinvestimento / venda de activos o que é equivalente à entrada de fundos “cash-in” (+))
-aumento do crédito a terceiros (aumento de divida de terceiros) dá uma contribuição negativa para o CF (pois corresponde a uma saída de fundos para financiar os clientes pois que emprestamos dinheiro aos clientes “cash-out” (-))
-diminuição de crédito a terceiros (diminuição de divida de terceiros é uma contribuição positiva para o CF (pois corresponde a diminuirmos o nosso financiamento aos clientes e como tal é equivalente a uma entrada de fundos cash-in (+)).
(-) AUMENTO DE ACTIVOS =CASH-OUT

(+) DIMINUIÇÃO DE ACTIVOS = CASH-IN


A partir dos “cash-flows” de resultados, obtidos das Demonstrações de Resultados e corrigidos pela variação dos activos e passivos operacionais chegaremos a:
-CASH FLOWS OPERACIONAIS=

CASH FLOW DOS LUCROS = “FREE” CASH FLOW


Com a actividade operacional nós geramos este cash-flow e depois somos livres de o aplicar em investimentos e em financiamentos e por isso lhe chamamos free-cash flow. É com este free-cash flow que nós somos livres de fixar as políticas de investimento e financiamento da empresa, ou seja os:
CASH-FLOWS DE INVESTIMENTO

CASH-FLOW DE FINANCIAMENTO


Teremos então:
(1) CASH-FLOW DE RESULTADOS- obtido de Demonstração de Resultados → É o ponto de partida.
(2) + variações no ciclo operacional de activos e passivos


  • Aumento (diminuição) das dívidas a receber→cash-out (cash in)

  • Aumento (diminuição) das existências→ cash-out (cash-in)

  • Aumento (diminuição) dos adiantamentos por dívidas a pagar→cash-out (cash-in)

Todos estes três activos operacionais de curto prazo se conduzem a um aumento do saldo final (variação positiva) corresponde a uma contribuição negativa para o cash-flow dos lucros: Aumentos de activos → contribuição negativa; Dimunuição de activos → contribuição positiva.



  • Aumento (diminuição) de dívidas a pagar → “cash-in” (“cash-out”)

  • Aumento (diminuição) das dívidas ao Estado (impostos a pagar) →”cash-in” (“cash-out”)






Se o total das variações dos passivos operacionais de curto prazo corresponde a um saldo final positivo, tal significa uma contribuição positiva para o cash-flow dos lucros. Aumento dos passivos → contribuição positiva; Diminuição dos passivos → contribuição negativa.
(3) = CASH FLOW OPERACIONAL

(ou cash flow de lucros)

(ou free cash-flow)

Teóricamente a empresa é livre de fazer o que quiser com estes “free-cash flows”.


(4) +CASH-FLOWS DE INVESTIMENTO
(compras (vendas) de terrenos, edifícios e equipamentos)→ “cash-out” (“cash-in”)

Estas compras são denominadas CAPEX (capital expenditure)


(5) +CASH FLOW DE FINANCIAMENTO
- Aumento (diminuição) liquido das dividas de curto prazo – cash-in (cash-out)

- Empréstimos (diminuição) de dividas de longo prazo - cash-in (cash-out)

- Aumento (diminuição) do capital social- cash-in (cash-out)
(6) =Aumento (ou diminuição) do dinheiro em caixa durante o ano (CASH NO FIM DO PERÍODO – CASH NO INICIO DO PERÍODO)













BALANÇOS




BIBLIOGRAFIA
- “MBA Intensivo em Finanças”

John A. Tracy

Biblioteca Executive Digest
- “Analysis for Financial Management”

Robert C. Higgins

Irwin MC Graw-Hill
- “Corporate Finance”

Fred R. Keen

Bleckwell Business
- “Finanças da Empresa”

António Gomes Mota e Cláudia Custódio



Booknomics 2006
- Finanças

Elísio Brandão Porto Editora


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