Xvii- conceitos de fundo de maneio (FM) e de necessidades de fundo de maneio (nfm)



Baixar 23.08 Kb.
Encontro04.08.2016
Tamanho23.08 Kb.
XVII- CONCEITOS DE FUNDO DE MANEIO (FM) E DE NECESSIDADES DE FUNDO DE MANEIO (NFM)
Já vimos que o activo se dividido em Imobilizado e activo circulante e que podemos também dividir o passivo em passivo de curto prazo e de médio e longo prazo.
Teremos então:

CAPITAL PERMANENTE


ACTIVO IMOBILIZADO


SITUAÇÃO LIQUIDA




ACTIVO CIRCULANTE

P
CAPITAL ALHEIO
ASSIVO MÉDIO/LONGO PRAZO (PMLP)



PASSIVO DE CURTO PRAZO (PCP)


FUNDO DE MANEIO


CAPITAIS PERMANENTES = CAPITAIS PRÓPRIOS + PASSIVO MLP


Como já referido atrás é desejável que o activo imobilizado (permanente) seja financiado por capitais permanentes. É fácil também de perceber que nenhum activo deve ser financiado por um passivo cuja maturidade (exigibilidade) seja menor que a maturidade (liquidez) do activo.

Daqui se conclui que:


ACTIVO IMOBILIZADO ≤ CAPITAIS PERMANENTES

ACTIVO CIRCULANTE ≥ PASSIVO CURTO PRAZO


A diferença entre activo circulante e passivo de curto prazo é o chamado fundo de maneio.


FUNDO DE MANEIO = ACTIVO CIRCULANTE – PASSIVO CURTO PRAZO


Ou


FUNDO DE MANEIO = CAPITAIS PERMANENTES – ACTIVO IMOBILIZADO

Quando uma empresa arranca não precisa só de financiar o activo imobilizado. Tem também que financiar a compra de matérias-primas para iniciar o ciclo de exploração e por isso tem que existir esse fundo de maneio. Por outras palavras, dos capitais permanentes tem que haver uma parcela suplementar (fundo de maneio) para financiar esse arranque.

No fundo, o fundo de maneio é aquilo que temos de ter para financiar o activo circulante, informando-nos de folga financeira que tem de se ter para solver os compromissos do curto prazo. Por outras palavras, interessa comparar os graus de liquidez dos activos, nomeadamente os circulantes (gerando cash pela venda (liquidificação) desses activos) e os graus de exigibilidade dos passivos, nomeadamente os de curto prazo. Face às responsabilidades de curto prazo, temos que ter em activos circulantes a capacidade de fazer face a essas responsabilidades.

Tudo isto varia com o sector de actividade e mesmo dentro do mesmo sector, há variações de empresa para empresa.

Com efeito, os prazos de pagamento e de recebimento variam de caso para caso e até consoante o ciclo económico (em períodos de crise, os prazos de pagamento alongam-se para os que estão em dificuldades o que leva a que esses também venham a criar dificuldades aos que vão receber, alongando-se assim também os prazos de recebimento.

Neste contexto, vamos então ver como se obtém as necessidades de fundo de maneio que são as necessidades de recursos financeiros gerados pelo ciclo de exploração da empresa e que não são financiadas directamente pelos intervenientes desse ciclo de exploração.

Teremos então que fazer a comparação entre:

- os capitais circulantes que a empresa necessita para financiar não só um dado nível de actividade, ( a qual acarreta um dado nível de activos circulantes) mas também uma dada estratégia de stocks, comercial e de produção;

- o passivo de funcionamento resultante dessa estratégia.


Tal vai ser calculado a partir das contas de:

CLIENTES + EXISTÊNCIAS – FORNECEDORES

(financiamos os clientes) (os fornecedores vão financiar-nos)
Vamos então ver o conceito de necessidades de fundo de maneio (NFM) (em inglês chama-se o “Working Capital”- WC)
Suponhamos que a empresa não constitua stocks de matérias-primas nem de produtos acabados e que a duração do ciclo de exploração era zero (hipótese teórica).
Teríamos então:

NFM= Prazo médio de recebimento

(PMR) -


Prazo médio de pagamento

(PMP)


Se PMR > PMP NFM > 0
Se PMR < PMP NFM < 0 → (É o que acontece nos supermercados em que PMR = 0 (o cliente paga a pronto) e o supermercado paga a prazo aos fornecedores).

Mas se a empresa tiver que constituir stocks de matérias primas e de produtos acabados e tiver que financiar o ciclo de exploração, é fácil de compreender que tal representa uma pressão adicional sobre a tesouraria da empresa, ou seja o financiamento destas rubricas aumenta as necessidades de fundo de maneio.

Teremos então:
N
NECESSIDADES DO

PERIODO TOTAL

DO CICLO DE EXPLORAÇÃO
FM = Dias de stocks de matérias-primas


NECESSIDADES DE EXPLORAÇÃO
+


OU


Duração do ciclo de exploração

+

Dias de stocks de produtos acabados



+

Prazo médio de recebimentos

(PMR)

Prazo médio de pagamentos (PMP)→RECURSOS PROVENIENTES DAS VENDAS OU RECURSOS DE EXPLORAÇÃO

Então na prática as necessidades de fundo de maneio são a diferença entre as necessidades do período total do ciclo de exploração (no qual está incluído o PMR) e o prazo médio de pagamentos (PMP) ou seja, o número de dias de vendas que têm de ser financiadas por capitais permanentes pois não podem ser financiadas pelas relações de troca corrente da empresa, uma vez que os clientes pagam mais tarde do que nós pagamos aos fornecedores e uma vez que os clientes não financiam directamente os stocks e o ciclo de exploração.

(Se PMP = PMR e se não houvesse stocks nem ciclo de exploração, as NFM eram nulas – os clientes pagavam e com esse dinheiro no mesmo momento a empresa pagava aos fornecedores).


EXEMPLO

Suponhamos uma empresa com as seguintes condições:



  1. crédito concedido aos clientes – 35000 euros

  2. stocks concedidos aos clientes – 15000 euros

  3. crédito negociado com os fornecedores – 15000 euros

NFM = (1) + (2) – (3)

= 35000+15000-15000= 35000€
De comparação entre FM e NFM, poderá então concluir-se que:
1) Se NFM > FM teremos uma tesouraria deficitária.

No fundo, não nos dotamos de uma estrutura de capitais permanentes que permitem obter um FM suficiente para as nossas NFM

INSUFICIÊNCIA DE CAPITAIS PERMANENTES

DÉFICE DE RECURSOS FINANCEIROS



2) Se NFM = FM teremos uma tesouraria equilibrada

Temos uma estrutura de capitais permanentes que nos permitem gerar um FM suficiente para as nossas NFM.
3) Se FM > NFM teremos uma tesouraria superavitária

Ou seja, temos uma estrutura de capitais permanentes que gera um FM excessivo para as nossas NFM.

EXCESSO DE RECURSOS FINANCEIROS

TESOURARIA SUPERAVITÁRIA

BIBLIOGRAFIA
- PRINCIPIOS DE GESTÃO FINANCEIRA

H. Caldeira Menezes

Biblioteca de Gestão Moderna

Editorial Presença


- FINANÇAS DA EMPRESA

António Gomes Mota e Cláudia Custódio



Booknomics, Outubro de 2006-12-05
- FINANÇAS

Elísio Brandão Porto Editora


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal