Yvonne do amaral pereira



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YVONNE DO AMARAL PEREIRA
RECORDAÇÕES DA MEDIUNIDADE
DITADO PELO ESPÍRITO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

ÍNDICE

INTRODUÇÃO


CAPÍTULO 1 = FACULDADES EM ESTUDO

CAPÍTULO 2 = FACULDADE NATIVA

CAPÍTULO 3 = REMINISCÊNCIAS DE VIDAS PASSADAS

CAPÍTULO 4 = OS ARQUIVOS DA ALMA

CAPÍTULO 5 = MATERIALIZAÇÕES

CAPÍTULO 6 = TESTEMUNHO

CAPÍTULO 7 = AMIGO IGNORADO

CAPÍTULO 8 = COMPLEXOS PSÍQUICOS

CAPÍTULO 9 = PREMONIÇÕES

CAPÍTULO 10 = O COMPLEXO OBSESSÃO



INTRODUÇÃO
Muitas cartas temos recebido, principalmente depois que saiu a lume o nosso livro “Devassando o Invisível”, onde algo relatamos do que conosco há sucedido, refe­rência feita ao nosso âmbito mediúnico. Desejariam os nossos correspondentes que outro noticiário naqueles moldes fosse escrito, que novos relatórios viessem, de algum modo, esclarecer algo do obscuro campo mediúnico, esquecidos de que o melhor relatório para instrução do espírita e do médium são os próprios compêndios da Doutrina, em cujos testos os médiuns se habilitam para os devidos desempenhos. Confessamos, entretanto, que não atenderíamos aos reiterados alvitres que nos fizeram os nossos amigos e leitores se não fora a ordem superior recebida para que o tentássemos, ordem que nos decidiu a dar o presente volume à publicidade. Como médium, jamais agimos por nossa livre iniciativa, senão fortemente acionada pela vontade positiva das entidades amigas que nos dirigem, pois entendemos que o médium por si mesmo nada representa e que jamais deverá adotar a pretensão de realizar isto ou aquilo sem antes observar se, realmente, é influenciado pelas verdadeiras forças espirituais superiores.

Disseram-nos os nossos Instrutores Espirituais há cerca de seis meses, quando aguardávamos novas ordens para o que ainda tentariamos no ângulo da mediunidade psicográfica:

“Narrarás o que a ti mesma sucedeu, como mé­dium, desde o teu nascimento. Nada mais será neces­sário. Serás assistida pelos superiores do Além durante o decorrer das exposições, que por eles serão selecio­nadas das tuas recordações pessoais, e escreverás sob o influxo da inspiração.»

E por essa razão ai está o livro Recordações da Mediunidade, porque estas páginas nada mais são que pequeno punhado de recordações da nossa vida de mé­dium e de espírita.

Muito mais do que aqui fica poderia ser relatado. Podemos mesmo diser que nossa vida foi fértil em dores, lágrimas e provações desde o berço. Tal como hoje nos avaliamos, consideramo-nos testemunho vivo do valor do Espiritismo na recuperação de uma alma para si mesma e para Deus, porque sentimos que absolutamente não teríamos vencido, nas lutas e nos testemunhos que a vida exigia das nossas forças, se desde o berço não fôramos acalentada pela proteção vigorosa da Revelação Celeste denominada Espiritismo.

Poderíamos, pois, re­latar aqui também as recordações do que foi o amargor das lágrimas que chorámos durante as provações, as peripécias e humilhações que nos acompanharam em todo o decurso da presente existência, e os quais a Doutrina Espírita remediou e consolou. Mas para que tal ex plana­ção pudesse ser feita seria necessário apontar ou criticar aqueles que foram os instrumentos para a dor dos res­gates que urgia realizássemos, e não foram acusações ao próximo que aprendemos nos códigos espíritas, os quais antes nos ensinaram o Amor, a Fraternidade e o Perdão. Encobrindo, pois, as personalidades que se tornaram pe­dra de escândalo para a nossa expiação e olvidando os seus atos para somente tratarmos da sublime tese espí­rita, é o testemunho do Perdão que aqui deixamos, único testemunho, ao demais, que nos faltava apresentar e o qual os nossos ascendentes espirituais de nós exigem no presente momento.

Ao que parece, o presente livro é a despedida da nossa mediunidade ao público. Obteremos ainda outros ditados do Além? É bem possível que não, é quase certo que não. O mais que ainda poderá acontecer é a publi­cação de temas antigos conservados inéditos até hoje, porqüanto nunca tivemos pressa na publicação das nossas produções mediúnicas, possuindo ainda, arquivados em nossas gavetas, trabalhos obtidos do Espaço há mais de vinte anos.

As fontes vitais que são o veículo da mediunidade:

fluido vital, fluido nervoso, fluido magnético, já se esgo­tam em nossa organização física. O próprio perispírito encontra-se traumatizado, cansado, exausto. As dores morais, ininterruptamente renovadas, sem jamais permi­tirem um único dia de verdadeira alegria, e o longo exer­cicio de uma mediunidade positiva, que se desdobrou em todos os setores da prática espírita, esgotaram aquelas forças, que, realmente, tendem a diminuir e a se extinguirem em todos os médiuns, após certo tempo de labor. Se assim for, consoante fomos advertida pelos nossos maiores espirituais e nós mesma o sentimos, esta­remos tranquila, certa de que nosso dever nos campos espíritas foi cumprido, embora por entre espinhos e lutas, e, encerrando nossa tarefa mediúnica literária na presente jornada, cremos que poderemos orar ao Criador, dizendo:

— «Obrigada, meu Deus, pela bênção da mediuni­dade que me concedeste como ensejo para a reabilitação do meu Espírito culpado. A chama imaculada que do Alto me mandaste, com a revelação dos pontos da tua Dou­trina, a mim confiados para desenvolver e aplicar, eu ta devolvo, no fim da tarefa cumprida, pura e imaculada conforme a recebi: amei-a e respeitei-a sempre, não a adulterei com idéias pessoais porque me renovei com ela a fim de servi-la; não a conspurquei, dela me servindo para incentivo às próprias paixões, nem negligenciei no seu cultivo para benefício do próximo, porque todos os meus recursos pessoais utilizei na sua aplicação. Perdoa, no entanto, Senhor, se melhor não pude cumprir o dever sagrado de servi-la, transmitindo aos homens e aos Es­píritos menos esclarecidos do que eu o bem que ela pró­pria me concedeu.”

E, assim sendo, neste crepúsculo da nossa penosa marcha terrena recordamos e aqui deixamos, aos leitores de boa vomtade, parcelas de nós mesma, nas confidências que aí ficam registradas, patrimônio sagrado de quem nada mais, nada mais nem mesmo um lar, possuiu neste mundo. E aos amados Guias Espirituais que nos amaram e sustentaram na jornada espinhosa que se apaga, o tes­temunho da nossa veneração.
Rio de Janeiro, 29 de Junho de 1966.
YVONNE A. PEREIRA

1

FACULDADES EM ESTUDO
P — Por meio de cuidados dispensados a tem­po, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?

R — “Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos.”

(“O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, pergunta 424.)
Além desse interessante tópico do livro áureo da filosofia espírita, pedimos vênia aos prováveis leitores destas páginas para também transcrever o comentário de Allan Kardec, situado logo após a questão acima cita­da, uma vez que temos por norma, aconselhada pelos instrutores espirituais, basear o relatório das nossas ex­periências espíritas em geral no ensinamento das entida­des que revelaram a Doutrina Espírita a Allan Kardec. Diz o citado comentário:

«A letargia e a catalepsia derivam do mesmo prin­cípio, que é a perda temporária da sensibilidade e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. Diferem uma da outra, em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral e dá ao corpo todas as aparên­cias da morte; na catalepsia fica localizada, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, de sorte a permitir que a inteligência se manifeste livre­mente, o que a torna inconfundível com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é por vezes magné­tica.» (1)

Por sua vez, respondendo a uma pergunta que lhe fizemos acerca de determinados fenômenos espíritas, o venerável Espírito Adolfo Bezerra de Menezes dis­se-nos o seguinte, pequena lição que colocamos à dispo­sição do leitor para observação e meditação:

— Podereis dizer-nos algo sobre a catalepsia e a letargia? — perguntámos — pois o que conhecemos a respeito é pouco satisfatório.

E a benemérita entidade respondeu:

«Quem for atento ao edificante estudo das Escri­turas Cristãs encontrará em o Novo Testamento de N. S. Jesus-Cristo, exatamente nos capítulos 9º, de São Mateus; 5º, de São Marcos; 8º, de São Lucas, e 11º, de São João, versão do Padre Antônio Pereira de Fi­gueiredo, a excelente descrição dos fenômenos de catalep­sia (talvez os fenômenos sejam, de preferência, de letargia, segundo as análises dos compêndios espíritas acima citados) ocorridos no círculo messiânico e regis­tados pelos quatro cronistas do Evangelho, lembrando ainda o caso, igualmente empolgante, do filho da viúva de Naím, caso que nada mais seria do que a mesma letargia, ou catalepsia.

«A ciência moderna oficial, a Medicina, conhece a catalepsia e a letargia, classifica-as, mas não se inte­ressa por elas, talvez percebendo não ser da sua alçada o fato de curá-las. A ciência psíquica, no entanto, assim também a Doutrina Espírita, não só as conhecem como se interessam grandemente por elas, pois que as estu­dam, tirando delas grandes ensinamentos e revelações em torno da alma humana, e por isso podem curá-las e até evitá-las, ao mesmo tempo que também poderão provocá-las, contorná-las, dirigi-las, orientá-las e delas extrair conhecimentos esplendentes para a instrução científico-transcendente a benefício da Humanidade. Se
(1) A bibliografia espírita é copiosa nas referências às experiências sobre a catalepsia e a letargia e interessante será o seu estudo para o aprendiz dedicado.

os adeptos encarnados dessa grande revelação celeste — a Doutrina Espírita — não curam, no presente mo­mento, as crises catalépticas do próximo, as quais até mesmo uma obsessão poderá provocar, será porque elas são raras ou, pelo menos, ignoradas, ou porque, lamen­tàvelmente, se descuram da instrução doutrinária neces­sária à habilitação para o importante certame.

«A catalepsia, tal como a letargia, não é uma enfer­midade física, mas uma faculdade que, como qualquer outra faculdade medianímica insipiente ou incompreen­dida, ou ainda descurada e mal orientada, se torna pre­judicial ao seu possuidor. Como as demais faculdades suas companheiras, a catalepsia e a letargia também poderão ser exploradas pela mistificação e pela obsessão de inimigos e perseguidores invisíveis, degenerando então em um estado mórbido do chamado perispírito, tendên­cia viciosa das vibrações perispirituais para o aniquila­mento, as quais se recolhem e fecham em si mesmas como a planta sensitiva ao ser tocada, negando-se às expansões necessárias ao bom funcionamento do con­sórcio físico-psíquico, o que arrasta uma como neutralidade do fluido vital, dando em resultado o estado de anestesia geral ou parcial, a perda da sensibilidade, quando todos os sintomas da morte e até mesmo o iní­cio da decomposição física se apresentam, e sômente a consciência estará vigilante, visto que esta, fagulha da Mente Divina animando a criatura, jamais se deterá num aniquilamento, mesmo temporário.

«Tanto a catalepsia como a letargia, pois elas são faculdades gêmeas, se espontâneas (elas poderão ser também provocadas e dirigidas, uma vez que a perso­nalidade humana é rica de poderes espirituais, sendo, como foi, criada à imagem e semelhança de Deus), se espontâneas, serão, portanto, um como vício que impõe o acontecimento, como os casos de animismo nas demais faculdades mediúnicas, vício que, mais melindroso que os outros lembrados, se a tempo não for corrigido, pode­rá acarretar consequências imprevisíveis, tais como a morte total da organização física, a loucura, dado que as células cerebrais, se atingidas frequentemente e por demasiado tempo, poderão levar à obsessão, ao suicídio, ao homicídio e a graves enfermidades nervosas: esgo­tamento, depressão, alucinações, etc. Mas, uma vez con­tornadas por tratamento psíquico adequado, transfor­mar-se-ão em faculdades anímicas importantes, capazes de altas realizações supranormais, consoante a prática o tem demonstrado, fornecendo aos estudiosos e obser­vadores dos fatos mediúnicos vasto campo de elucidação científica-transcendental.

«Entretanto, se os adeptos da grande doutrina da imortalidade — os espíritas — não sabem, conscientemente, ou não querem resolver os intrincados proble­mas oferecidos pela catalepsia e sua irmã gêmea, a letargia (eles, os espíritas, não se preocupam com esses fenômenos), sem o quererem e o saberem corrigem a sua possibilidade de expansão com o cultivo geral da mediunidade comum, visto que, ao contacto das corren­tes vibratórias magnéticas constantes, e o suprimento das forças vitais próprias dos fenômenos mediúnicos mais conhecidos, aquele vício, se ameaça, será corrigi­do, podendo, não obstante, a faculdade cataléptica ser orientada inteligentemente para fins dignificantes a bem da evolução do seu possuidor e da coletividade. De outro modo, o tratamento magnético através de passes, em particular os passes ditos espirituais, aplicados por mé­diuns idôneos e não por magnetizadores, e a intervenção oculta, mas eficiente, dos mestres da Espiritualidade, têm evitado que a catalepsia e a letargia se propaguem entre os homens com feição de calamidade, daí advindo a relativa raridade, espontânea, de tais fenômenOs nos dias presentes. E essa nossa assertiva também revela que todas as criaturas humanas mais ou menos possuem em germe as ditas faculdades e as poderão dirigir à própria vontade, se conhecedoras dos seus fundamentos, uma vez que nenhum filho de Deus jamais foi agraciado com predileções ou menosprezado com desatenções pela obra da Criação.

“Dos casos citados nos Evangelhos cristãos, toda­via, destaca-se o de Lázaro pela sua estranha particula­ridade. Aí vemos um estado cataléptico superagudo, porque espontâneo, relaxamento dos elos vitais pela de­pressão cansada por uma enfermidade, fato patológico, portanto, provando o desejo incontido que o espírito encarnado tinha de deixar a matéria para alçar-se ao infinito, e onde o próprio fluido vital, que anima os organismos vivos, ao encontrava quase totalmente ex­tinto, e cujos liames magnéticos do perispírito em dire­ção à carne se encontravam de tal forma frágeis, dani­ficados pelo enfraquecimento das vibrações e da vontade.

(Lázaro já cheirava mal, o que é frequente em casos de crises catalépticas agudas, mesmo se provocadas, quando o paciente poderá até mesmo ser sepultado vivo, ou antes, não de todo no estado de cadáver), que fora necessário, com efeito, o poder restaurador de uma alma virtuosa como a do Nazareno para se impor ao fato, substituir células já corrompidas, renovar a vitalidade animal, fortalecer liames magnéticos com o seu poderoso magnetismo em ação. Na filha de Jairo, porém, e no filho da viúva de Naím as forças vitais se encontravam antes como que anestesiadas pelo enfraquecimento físico derivado da enfermidade, mas não no mesmo grau do sucedido a Lázaro. Neste, as mesmas forças vitais se encontravam já em desorganização adiantada, e não fora o concurso dos liames magnéticos ainda aprovei­táveis e as reservas vitais conservadas pelo perispírito nas constituições físicas robustas (o perispírito age qual reservatório de forças vitais e os laços magnéticos são os agentes transmissores que suprem a organização física) e se não fôssem aquelas reservas Jesus não se abalaria à cura porque esta seria impossível. Muitos homens e até crianças assim têm desencarnado. E se tal acontece antes da época prevista pela programação da lei da Criação, nova existência corpórea os reclamará para o cumprimento dos deveres assumidos e, portanto, para a continuação da própria evolução.

«Perguntará, no entanto, o leitor:

«Porque então tal coisa é possível sob as vistas da harmoniosa lei da Criação? Que culpa tem o homem de sofrer tais ou quais acidentes se não é ele quem os provoca e que se realizam, muitas vezes, à revelia da sua vontade?

«A resposta será então a seguinte:

“Tais acidentes são próprios do carreiro da evolução, e enquanto o homem não se integrar de boamente na sua condição de ser divino, vibrando satisfatória-mente no âmbito das expansões sublimes da Natureza, mecânicamente estará sujeito a esse e demais distúrbios. Segue-se que, para a lei da Criação, a chamada morte não só não existe como é considerada fenômeno natural, absolutamente destituído da importância que os homens lhe atribuem, exceção feita aos casos de suicídio e homi­cídio. A morte natural, então, em muitos casos será um acidente fàcilmente reparável e não repercutirá com os foros de anormalidade como acontece entre os homens. De outro modo, sendo a catalepsia e a letargia uma faculdade, patrimônio psíquico da criatura e não própria-mente uma enfermidade, compreender-se-á que nem sem­pre a sua ação comprova inferioridade do seu possuidor, pois que, uma vez adestradas, ambas poderão prestar excelentes serviços à causa do bem, tais como as demais faculdades mediúnicas, que, não adestradas, servem de pasto a terríveis obsessões, que infelicitam a sociedade, e quando bem compreendidas e dirigidas atingirão feição’ sublime. Não se poderá afirmar, entretanto, que o pró­prio homem, ou a sua mente, a sua vontade, o seu pensamento, se encontrem isentos de responsabilidade no caso vertente, tanto na ação negativa como na posi­tiva, ou seja, tanto nas manifestações prejudiciais como’ nas úteis e beneméritas.

«Um espírito encarnado, por exemplo, já evolvido, ou apenas de boa vontade, senhor das próprias vibra­ções, poderá cair em transe letárgico, ou cataléptico, voluntàriamente (2), alçar-se ao Espaço para desfrutar o


(2) Esses transes são comuns à noite, durante o repouso do sono, e muitas vezes o próprio paciente não se apercebe deles, ou se apercebe vagamente. Entre os espiritualistas orientais torna-se fato comum, conforme é sabido, dado que os mesmos cultivam carinhosamente os poderes da própria alma.

consolador convívio dos amigos espirituais mais inten­samente, dedicar-se a estudos profundos, colaborar com o bem e depois retornar à carne, reanimado e apto a excelentes realizações. Não obstante, homens comuns ou inferiores poderão cair nos mesmos transes, conviver com entidades espirituais inferiores como eles e retornar obsidiados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao homicídio e ao suicídio. Um distúrbio vibratório po­derá ter várias causas, e uma delas será o próprio sui­cídio em passada existência. Um distúrbio vibratório agudo poderá ocasionar um estado patológico, um transe cataléptico, tal o médium comum que, quando esgotado ou desatento da própria higiene mental ou moral (queda de vibrações e, portanto, distúrbio vibratório), dará possibilidades às mistificações do animismo e à obsessão. Nesse caso, no entanto, o transe cataléptico trará feição de enfermidade grave, embora não o seja prôpriamente, e será interpretado como ataques incuráveis, indefiní­veis, etc. O alcoólatra poderá renascer predisposto àcatalepsia porque o álcool lhe viciou as vibrações, anes­tesiando-as, o mesmo acontecendo aos viciados em en­torpecentes, todos considerados suicidas pelos códigos da Criação. Em ambos os casos a terapêutica psíquica bem aplicada, mormente a renovação mental, influindo poderosamente no sistema de vibrações nervosas, será de excelentes resultados para a corrigenda do distúrbio, enquanto que a atuação espírita prôpriamente dita abrirá novos horizontes para o porvir daquele distúrbio, que evolverá para o seu justo plano de faculdade aní­mica. E tudo isso, fazendo parte de uma expiação, porque será o efeito grave de causas graves, também assinalará o estado de evolução, visto que, se o indi­víduo fôsse realmente superior, estaria isento de padecer os contratempos que acima descrevemos. Todavia, repe­timos, tanto a catalepsia como a letargia, uma vez bem compreendidas e dirigidas, quer pelos homens quer pelos Espíritos Superiores, transformar-se-ão em faculdades preciosas, conquanto raras e mesmo perigosas, pois que ambas poderão causar o desenlace físico do seu paciente se uma assistência espiritual poderosa não o resguardar de possíveis acidentes. A letargia, contudo, presta-se mais à ação do seu possuidor no plano espiritual. Ao despertar, o paciente trará apenas intuições, às vezes úteis e preciosas, das instruções que recebeu e sua apli­cação nos ambientes terrenos. É faculdade comum aos gênios e sábios, sem contudo constituir privilégio, agindo sem que eles próprios dela se apercebam, porque se efetivam durante o sono e sob vigilância de Espíritos prepostos ao caso.

«A provocação desses fenômenos nada mais é que a ação magnética anestesiando as forças vibratórias até ao estado agudo, e anulando, por assim dizer, os fluidos vitais, ocasionando a chamada morte aparente, por sus­pender-lhe, momentâneamente, a sensibilidade, as cor­rentes de comunicação com o corpo carnal, qual ocorre no fenômeno espontâneo, se bem que o fenômeno espon­tâneo possa ocupar um agente oculto, espiritual, de elevada ou inferior categoria. Se, no entanto, o fenô­meno espontâneo se apresentar frequentemente e de forma como que obsessiva, a cura será inteiramente moral e psíquica, com a aproximação do paciente aos princípios nobres do Evangelho moralizador e ao cultivo da faculdade sob normas espíritas ou magnéticas legí­timas, até ao seu pleno florescimento nos campos me­diúnicos.

«Casos há em que um consciencioso experimentador remove a possibilidade, ou causa de tais acontecimentos, e o paciente volta ao estado normal anterior. Mas o de­senvolvimento pleno de tal faculdade é que consciencio­samente restituirá ao indivíduo o equilíbrio das próprias funções psíquicas e orgânicas. O tratamento físico me­dicinal, atingindo o sistema neuro-vegetativo, fortalecendo o sistema nervoso com a aplicação de tônicos reconstituintes, etc., também será de importância va­liosa, visto que a escassez de fluidos vitais poderá incen­tivar o acontecimento, emprestando-lhe feição de enfer­midade. Cumpre-nos ainda advertir que tais faculdades, relativamente raras porque não cultivadas, na atuali­dade, agem de preferência no plano espiritual, com o médium encarnado sob a direção dos vigilantes espirituais, campo apropriado, o mundo espiritual, para as suas operosidades, tornando-se então o seu possuidor prestimoso colaborador dos obreiros do mundo invisível em numerosas espécies de especulações a benefício da Humanidade encarnada e desencarnada. Entre os ho­mens a ação de tais médiuns se apresentará de menor vulto, mas, se souberem atentar nas intuições que com eles virão ao despertar, grandes feitos chegarão a rea­lizar também no plano terreno.

«Os ensinamentos contidos nos códigos espíritas, a advertência dos elevados Espíritos que os organiza­ram e a prática do Espiritismo demonstram que nenhum indivíduo deverá provocar, forçando-o, o desenvol­vimento das suas faculdades mediúnicas, porque tal princípio será contraproducente, ocasionando novos fe­nômenos psíquicos e não prôpriamente espíritas, tais como a auto-sugestão ou a sugestão exercida por pes­soas presentes no recinto das experimentações, a hip­nose, o animismo, ou personismo, tal como o sábio Dr. Alexandre Aksakof classifica o fenômeno, distin­guindo-o daqueles denominados «efeitos físicos». A me­diunidade deverá ser espontânea por excelência, a fim de frutescer com segurança e brilhantismo, e será em vão que o pretendente se esforçará por atraí-la antes da ocasião propícia. Tal insofridez redundará, inapelàvelmente, repetimos, em fenômenos de auto-sugestão ou o chamado «animismo», ou «personismo», isto é, a mente do próprio médium criando aquilo que se faz passar por uma comunicação de Espíritos desencar­nados. Existem mediunidades que do berço se revelam no seu portador, e estas são as mais seguras, porque as mais positivas, frutos de longas etapas reencarnató­rias, durante as quais os seus possuidores exerceram atividades marcantes, assim desenvolvendo forças do perispírito, sede da mediunidade, vibrando intensamente num e noutro setor da existência e assim adquirindo vibratilidades acomodatícias do fenômeno. Outras exis­tem ainda em formação (forças vibratórias frágeis, incompletas, os chamados «agentes negativos»), que ja­mais chegarão a se adestrar satisfatoriamente numa só existência, e que se mesclarão de enxertos mentais do próprio médium em qualquer operosidade tentada, dando-se também a possibilidade até mesmo da pseudo­-perturbação mental, ocorrendo então a necessidade dos estágios em casas de saúde e hospitais psiquiátricos se se tratar de indivíduos desconhecedores das ciências psíquicas. Por outro lado, esse tratamento será balsa­mizante e até necessário, na maioria dos casos, visto que tais impasses comumente sobrecarregam as células nervosas do paciente, consumindo ainda grande percen­tagem de fluidos vitais, etc., etc.

«Possuindo na minha clínica espiritual fatos inte­ressantes cabíveis nos temas em apreço, consignados neste livro, patrocinarei aqui a exposição de alguns deles para estudo e análises dos fatos espíritas, convi­dando o leitor à meditação sobre eles, pois o espírita necessita profundamente de instrução geral em torno dos fenômenos e ensinamentos apresentados pela ciência transcendente de que se fêz adepto, ciência hnortal que não poderá sofrer o abandono das verdadeiras atenções do senso e da razão.

(a) — Adolfo Bezerra de Menezes.”
*
Por nossa vez, conhecemos pessoalmente, faz alguns anos, na cidade fluminense de Barra Mansa, ao tempo em que ali exercia as funções espiritistas o eminente médium e expositor evangélico Manoel Ferreira Horta, amplamente conhecido pela alcunha de «Zico Horta», a médium cataléptica «Chiquinha». Tratava-se de uma jovem de 19 anos de idade, filha de respeitável família e finamente educada. Sua faculdade apresentou-se, ini­cialmente, em feição de enfermidade, com longos ataques que desafiaram o tratamento médico para a cura. Obser­vada, porém, a pedido da família, e hàbilmente dirigida por aquele lúcido espírita, a jovem tornou-se ‘médium de admiráveis possibilidades, com a insólita faculdade cataléptica, que lhe permitia até mesmo o fenômeno da incorporação de entidades sofredoras e ignorantes, a fim de serem esclarecidas. Em vinte minutos a mé­dium apresentava os variados graus da catalepsia, in­clusive o estado cadavérico após as vinte e quatro horas depois da morte, e os sintomas do início da decompo­sição, com as placas esverdeadas pelo corpo e o desa­gradável almíscar comum aos cadáveres que entram em decomposição. De outras vezes, no primeiro ou no segundo grau do transe, transmitia verbalmente o recei­tuário que ouvia das entidades médicas desencarnadas que a assistiam, obtendo, assim, excelentes curas nos numerosos doentes que procuravam a antiga «Assistên­cia Espírita Bittencourt Sampaio», dirigida por Zico Horta. Narrava fatos que via no Espaço, transmitia instruções de individualidades espirituais sobre diversos assuntos, penetrava o corpo humano com a visão espiritual, e seus diagnósticos eram seguros, visto que os reproduzia verbalmente, ouvindo-os, em espírito, dos médicos espirituais. O tom da voz com que se exprimia era pausado e grave, e sua aparência física reproduzia o estado cadavérico: rigidez impressionante, algidez, ar­roxeamento dos tecidos carnais, inclusive as unhas, fisionomia abatida e triste, própria do cadáver, olheiras profundas. O mesmo sucedia, como é sabido, ao médium Carlos Mirabelli, que, em poucos minutos, atingia o grau de decomposição, a ponto de as pessoas presentes às sessões, em que ele trabalhasse, só muito penosamente suportarem o fétido que dele se exalava, até que o transe variasse de grau, em escala descendente, fazen­do-o despertar. Ao que parece, a catalepsia ai era com­pleta. Ambos de nada recordavam ao despertar.

Uma vez de posse das indicações que aí ficam, ani­mada nos sentimos a descrever nestas páginas alguns acontecimentos supranormais de que também temos sido paciente na presente vida orgânica. Que o suposto leitor ajuize e por si mesmo deduza até onde poderá chegar o intricado mistério da mediunidade, porque a mediuni­dade ainda constitui mistério para nós outros, que apenas lhe conhecemos os efeitos surpreendentes, isto é, apenas a primeira parte dos seus estranhos poderes.

Devemos declarar, de início, que, para a descrição dos fenômenos ocorridos conosco, usaremos o tratamento da primeira pessoa do singular, e para a primeira parte de cada capitulo, ou seja, para as análises e exposições obtidas pelas intuições do dirigente espiri­tual da presente obra, Adolfo Bezerra de Menezes, usaremos o tratamento da primeira pessoa do plural, assim destacando as duas feições do presente volume.




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