Zecharia Sitchin a escada para o céu o caminho percorrido pelos Povos Antigos para atingir a Imortalidade



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OS ANTEPASSADOS IMORTAIS
A curta existência de Alexandre da Macedônia - ele morreu aos 33 anos, na Babilônia - foi recheada de conquistas, aventuras, explorações e um ardente desejo de chegar aos Confins da Terra e desvendar os mistérios divinos. Não se pode dizer que essa busca foi em vão.

Filho da rainha Olímpia e presumivelmente de seu marido, o rei Filipe II, Alexandre teve como mestre Aristóteles, que lhe ensinou a sabedoria antiga. Depois de muitas brigas conjugais que resultaram em divórcio, Olímpia fugiu da corte levando seu filho. Veio a reconciliação e em seguida a morte: o assassinato de Filipe, que levou à coroação de Alexandre aos 20 anos de idade. As primeiras expedições militares do jovem rei culminaram com sua ida a Delfos, sede do renomado oráculo, onde ele ouviu a primeira de várias profecias prevendo-lhe fama - mas vida curta.

Sem se deixar abater, Alexandre partiu - como os espanhóis fariam 1.800 anos depois - à procura da Água da Vida. Para isso, precisava abrir caminho para o leste, pois era de lá que tinham vindo os deuses: o grande Zeus (nome grego de Júpiter), que atravessara o Mediterrâneo a nado, saindo da cidade fenícia de Tiro e chegando à ilha de Creta; Afrodite, que também surgira na ilha, vinda do mar; Posêidon, que viera da Ásia Menor, trazendo consigo o cavalo; Atena, que levara à Grécia a oliveira originária da Ásia ocidental. Era na Ásia, também, segundo os historiadores gregos, cujas obras Alexandre tanto estudara, que ficavam as águas que mantinham as pessoas eternamente jovens.

Ele também ouvira contar a história de Cambises, o filho do rei persa, Ciro, que atravessara a Síria, a Palestina e o Sinai para atacar o Egito. Depois de derrotar os egípcios, Cambises tratou-os com crueldade e profanou o templo do deus Amon. Em seguida, resolveu seguir para o sul e atacar "os longevos etíopes". Ao descrever esses eventos - escrevendo um século antes de Alexandre -, Heródoto disse (História, Livro III):


Os espiões (de Cambises) partiram para a Etiópia sob o pretexto de levarem presentes para o rei, mas sua verdadeira missão era anotar tudo o que viam e especialmente observarem se existia mesmo naquele país aquilo que é chamado de "A Mesa do Sol".
Depois de contarem ao rei etíope que "80 anos era o mais longo tempo de vida entre os persas", os espiões/emissários o interrogaram sobre a longevidade de seu povo. Confirmando os rumores.
O rei levou-os a uma fonte onde, depois de se lavarem, notaram que estavam com a pele macia e lustrosa, como se tivessem tomado banho de óleo. E da fonte emanava um perfume como o de violetas.
Voltando a Cambises, os espiões descreveram a água "como tão fraca que nada conseguia flutuar nela, nem madeira ou outras substâncias leves; nela tudo afundava". E Heródoto concluiu:
Se o relato sobre essa fonte é verdadeiro, então seria o uso da água que dela verte que os torna (os etíopes) tão longevos.
A lenda da Fonte da Juventude na Etiópia e a violação do templo de Amon por Cambises têm grande peso nas aventuras de Alexandre. A importância desse segundo evento estava relacionada com os rumores de que o jovem rei não era filho de Filipe, mas fruto de uma união entre sua mãe, Olímpia, e o deus egípcio Amon. As relações tensas entre Filipe e Olímpia contribuíam para reforçar a suspeita.

De acordo com o relatado em várias versões do pseudo-­Calístenes, a corte de Filipe foi visitada por um faraó egípcio chamado pelos gregos de Nectanebo. Ele era um mago, um adivinho, que secretamente seduziu a rainha. Olímpia nada sabia na época, mas foi o deus Amon que a visitou disfarçado de Nectanebo. Por isso, ao parir Alexandre, ela deu à luz um deus, o mesmo cujo templo Cambises profanou.

Depois de derrotar os persas na Ásia Menor, Alexandre voltou­-se para o Egito. Esperando forte oposição dos vice-reis persas que governavam o Egito, surpreendeu-se ao ver aquele grande território cair em suas mãos sem resistência. Um bom presságio, sem dúvida. Sem perder tempo, Alexandre dirigiu-se ao Grande Oásis, sede do oráculo de Amon. Lá o próprio deus (segundo as lendas) confirmou o verdadeiro parentesco do jovem rei. Ouvindo essa afirmação, os sacerdotes egípcios deificaram Alexandre como faraó. Daí em diante, ele será mostrado nas moedas de seu reino como Zeus­-Amon, ostentando dois chifres. Na qualidade de um deus, Alexandre passou a considerar seu desejo de escapar do destino dos mortais não um privilégio, mas um direito.

Saindo do Grande Oásis, Alexandre foi para Karnak, ao sul, o centro da adoração de Amon, numa viagem que tinha mais coisas do que saltava à vista. Grande centro religioso desde 3.000 a.C., Karnak era um conglomerado de templos, santuários e monumentos a Amon construídos por várias gerações de faraós. Uma das mais colossais e impressionantes edificações era o templo mandado erigir pela rainha Hatshepsut mil anos antes da época de Alexandre. Essa soberana também tinha a fama de ser filha de Amon, tendo nascido de uma rainha a quem o deus visitara sob um disfarce!

Não se sabe o que aconteceu em Karnak, mas o fato é que em vez de conduzir suas tropas de volta ao leste, na direção do coração do Império Persa, Alexandre escolheu uma pequena escolta e alguns amigos fiéis para o acompanharem numa expedição ainda mais para o sul. Seus perplexos companheiros foram levados a acreditar que o rei estava saindo numa viagem de recreio, procurando os prazeres do amor.

Esse interlúdio tão pouco característico foi incompreensível tanto para os generais de Alexandre como para os historiadores da época. Tentando racionalizar os que registraram as aventuras do jovem rei descreveram a mulher que ele pretendia visitar como uma femme fatale "cuja beleza nenhum homem vivo conseguiria elogiar de maneira suficiente". Ela era Candace, rainha de um país ao sul do Egito (o atual Sudão). Revertendo o conto sobre Salomão e a rainha de Sabá, desta vez foi o rei que viajou para a terra da rainha. Sem que seus companheiros soubessem, Alexandre procurava não o amor, mas o segredo da imortalidade.

Depois de uma estada agradável, a rainha Candace, como presente de despedida, concordou em revelar a Alexandre o segredo da localização da "maravilhosa caverna onde os deuses se congregam". Seguindo as indicações, o rei encontrou o lugar sagrado.
Ele entrou com alguns poucos soldados e viu uma névoa azulada. Os tetos brilhavam como iluminados por estrelas. As formas externas dos deuses estavam fisicamente manifestadas; uma multidão os servia em silêncio.

De início, ele (Alexandre) ficou surpreso e assustado, mas permaneceu ali para ver o que acontecia, pois avistou algumas figuras reclinadas cujos olhos brilharam como raios de luz.


A visão das "figuras reclinadas" conteve Alexandre. Seriam deuses ou mortais deificados? Então uma voz o assustou ainda mais. Uma das "figuras" tinha falado.
E houve um que disse: "Saudações, Alexandre, sabe quem  sou?”

E ele (Alexandre) falou: "Não, meu senhor".

O outro disse: "Sou Sesonchusis, o rei conquistador do mundo que se juntou às fileiras dos deuses".
Alexandre encontrara exatamente a pessoa que procurava. Se ele estava surpreso, os ocupantes da caverna não pareciam muito impressionados. Era como se sua chegada fosse aguardada. Ele foi convidado a entrar para conhecer "o Criador e Supervisor de todo o Universo". Entrou e "viu uma névoa brilhante como fogo e, sentado num trono, o deus que uma vez avistara sendo adorado pelos homens de Rokôtide, o Senhor Serápis". (Na versão grega, foi o deus Dioniso.)

Alexandre aproveitou a oportunidade para tocar no assunto de sua longevidade: "Senhor, quantos anos viverei?!

Não houve resposta. Sesonchusis tentou consolar Alexandre, pois o silêncio do deus falou por si. Contou que, apesar de ter se juntado às fileiras dos deuses, "não tive tanta sorte como você... pois, embora tenha conquistado o mundo inteiro e subjugado tantos povos, ninguém se recorda de meu nome; mas você possuirá grande fama... terá um nome imortal mesmo depois da morte". E terminou confortando Alexandre com as seguintes palavras: "Você viverá ao morrer, e assim não morrerá", querendo dizer que ele seria imortalizado por uma fama duradoura.

Desapontado, Alexandre deixou as cavernas e "continuou a viagem que tinha de fazer" para procurar conselhos de outros sábios na tentativa de escapar do destino de um mortal, de imitar outros que antes dele tinham obtido êxito em se juntarem aos deuses imortais.

Segundo uma versão, entre aqueles que Alexandre partiu para procurar e encontrou foi Henoc, o patriarca bíblico dos tempos antes do dilúvio, o bisavô de Noé. O encontro deu-se num lugar nas montanhas, "onde fica situado o paraíso, a Terra dos Vivos", o 1ocal "onde moram os santos". No alto de uma montanha havia uma estrutura brilhante, de onde se elevava para o céu uma imensa escadaria feita de 2.500 lajes de ouro. Num vasto salão ou caverna, Alexandre viu "estátuas de ouro, cada uma em seu nicho", um altar de ouro e dois imensos "castiçais de ouro" com cerca de 20 metros de altura.
Sobre um divã próximo via-se a forma reclinada de um homem envolto numa colcha bordada com ouro e pedras preciosas, e acima dele estavam os galhos de uma videira feita de ouro, cujos cachos de uva eram formados por jóias.
O homem falou de repente, identificando-se como Henoc. "Não sonde os mistérios de Deus", alertou. Atendendo ao aviso, Alexandre partiu para juntar-se às suas tropas, mas não antes de receber como presente de despedida o cacho de uvas que milagrosamente alimentou todo seu exército.

Numa outra versão, Alexandre não encontrou apenas um, mas dois homens do passado: Henoc e o profeta Elias, que, segundo as tradições bíblicas, jamais morreram. O caso aconteceu quando o rei atravessava um deserto. Subitamente seu cavalo foi tomado por um "espírito" que o transportou, junto com seu cavaleiro, para um cintilante tabernáculo, onde Alexandre viu os dois homens. Seus rostos brilhavam, os dentes eram mais brancos do que leite, os olhos tinham o fulgor da estrela matutina. Tinham "grande estatura e aparência graciosa". Depois de contarem quem eram, eles disseram que "Deus escondeu-os da morte". Falaram também que aquele lugar era a "Cidade do Celeiro da Vida", de onde emanava a "cristalina Água da Vida". Mas, antes de Alexandre descobrir mais ou conseguir beber a água, um "carro de fogo" arrebatou-o dali e ele viu-se de novo com suas tropas.

(Segundo a tradição muçulmana, mil anos depois também o profeta Maomé foi levado para o céu montado em seu cavalo branco.)

O episódio da caverna dos deuses e tantos outros das histórias sobre Alexandre seriam pura ficção, meros mitos? Ou seriam contos embelezados, baseados em fatos históricos?

Existiu mesmo uma rainha Candace, uma cidade real chamada Shamar, um conquistador do mundo inteiro como Sesonchusis? Até bem recentemente, esses nomes pouco significavam para os estudiosos da Antiguidade. Se eram figuras da realeza egípcia ou de uma mítica região da África, estavam tão encobertos pelo passar dos séculos como os monumentos egípcios pela areia. Erguendo-se acima do deserto, as pirâmides e a esfinge só aumentavam o enigma.

Os hieróglifos, indecifráveis, apenas confirmavam a existência de segredos que talvez não devessem ser desvendados. Os relatos da Antiguidade transmitidos por gregos e romanos foram se dissolvendo em lendas c pouco a pouco caindo na obscuridade.

Foi só em 1798, quando Napoleão conquistou o Egito, que a Europa começou a redescobrir a região. Junto com as tropas de Napoleão chegaram pesquisadores sérios que passaram a remover a areia e a levantar a cortina do esquecimento. Então, perto da cidadezinha de Rosetta, foi encontrada uma placa de pedra com a mesma inscrição em três idiomas. Estava ali a chave para decifrar a língua e as inscrições do Egito Antigo, os registros dos feitos dos faraós, a glorificação de seus deuses.

Por volta de 1820, exploradores europeus, que penetraram na direção sul atingindo o Sudão, reportaram a existência de antigos monumentos, inclusive pirâmides de ângulos agudos, num ponto do Nilo chamado Méroe. Uma expedição real da Prússia descobriu impressionantes ruínas em escavações realizadas em 1842-1844. Entre 1912 e 1914, outros arqueólogos encontraram locais sagrados. Os hieróglifos indicaram que um deles era chamado de Templo do Sol - talvez o exato lugar onde os espiões de Cambises tinham visto "A Mesa do Sol". Escavações posteriores somadas aos dados já conhecidos, mais a contínua decifração dos hieróglifos estabeleceram que realmente existiu naquela região, no primeiro milênio a.C., um reino núbio. Era a bíblica Terra de Cuch.

E existiu mesmo uma rainha Candace. As inscrições revelaram que nos primórdios do reino núbio ele era governado por uma sábia e benevolente rainha chamada Candace. Daí em diante, sempre que uma mulher ascendia ao trono - o que não era incomum -, ela adotava o nome como símbolo de grande soberania. E, ao sul de Méroe, dentro do território desse reino, havia uma cidade chamada Sennar - possivelmente a Shamar mencionada nas lendas de Alexandre.

E quanto a Sesonchusis? A versão etíope do pseudo-Calístenes diz que quando Alexandre viajara para o (ou do) Egito, ele e seus homens passaram por um lago cheio de crocodilos. Ali um antigo governante mandara construir um caminho para a travessia do lago. "Havia uma edificação na margem do lago e sobre essa edificação ficava um altar pagão no qual se lia: 'Sou Coch, rei do mundo, o conquistador que atravessou este lago'.”

Seria esse conquistador do mundo um soberano que reinara sobre Cuch ou Núbia? Na versão grega dessa lenda, o homem que fizera o monumento para marcar a travessia do lago - descrito como parte das águas do mar Vermelho - chamava-se Sesonchusis. Assim, Sesonchusis e Coch seriam uma só pessoa, um faraó que  reinou sobre o Egito e a Núbia. Os monumentos núbios mostram um governante como esse recebendo o Fruto da Vida, sob a forma de tamareiras, das mãos de um "Deus Brilhante".

Os registros egípcios falam de um grande faraó que, no início do segundo milênio a.C., foi realmente um conquistador do mundo. Seu nome era Senusret e ele também era devoto de Amon. Os historiadores gregos lhe atribuem a conquista da Líbia e da Arábia, e, significativamente, da Etiópia e de todas as ilhas do mar Vermelho, e mais de grandes partes da Ásia, penetrando mais a leste do que mais tarde fizeram os persas. Ele também teria invadido a Europa a partir da Ásia Menor. Heródoto descreveu os grandes feitos desse faraó, a quem chama de Sesóstris, acrescentando que ele erigia pilares comemorativos em todos os lugares por que passava.

"Os pilares que ele erigiu ainda são visíveis", escreveu Heródoto. Assim, quando Alexandre viu o pilar junto ao lago, teve a confirmação do que o historiador grego registrara um século antes.

Sesonchusis realmente existiu. Seu nome egípcio significa: “Aqueles cujos nascimentos vivem". E, em virtude de ser um faraó do Egito, ele tinha todo o direito de ir juntar-se às fileiras dos deuses e viver para sempre.


Na procura pela Água da Vida ou eterna juventude, era importante ter-se certeza de que a busca não seria em vão, que outros tinham sido bem-sucedidos no passado. Além disso, se a água procedia de um paraíso perdido, encontrar os que nele haviam estado não seria um meio de descobrir como chegar até ele?

Foi com isso em mente que Alexandre tentou encontrar os Antepassados Imortais. Se realmente esteve com eles não é significativo. O importante é que nos séculos que precederam a era cristã, Alexandre ou seus historiadores (ou ambos) acreditavam que esses ancestrais realmente existiam, que em tempos para eles antigos e distantes os homens podiam se tornar imortais se os deuses assim o desejassem.

Os autores ou redatores das histórias de Alexandre contam vários incidentes onde o jovem rei encontrou-se com Sesonchusis, Elias e Henoc, ou apenas com este último. A identidade do faraó podia apenas ser adivinhada por eles e assim a maneira como Sesonchusis foi transladado para a imortalidade não é descrita. O mesmo não acontece com Elias, o companheiro de Henoc no Templo Brilhante, segundo uma das versões da lenda de Alexandre.

Elias é o profeta bíblico que viveu em Israel no século IX a.C., durante o reinado de Acab e Ocozias. Como indica o nome que adotou (Eliyah - "Meu Deus é Iahweh"), ele era inspirado pelo deus hebreu, cujos fiéis estavam sendo perseguidos pelos seguidores do deus cananeu Baal. Depois de um retiro num local secreto perto do rio Jordão, onde aparentemente foi instruído pelo Senhor, Elias recebeu "um manto tecido de pêlos" e tornou-se capaz de fazer milagres. Morando perto da cidade fenícia de Sídon, o primeiro milagre que ele realizou foi fazer um pouquinho de azeite e uma colher de farinha durarem para o resto da vida de uma viúva que lhe concedera abrigo. Logo em seguida, precisou clamar a Deus para reviver o filho dessa mulher, que acabara de falecer em virtude de "uma forte doença". Elias também podia convocar o Fogo de Deus, que vinha bem a calhar em seus contínuos entreveros com reis e sacerdotes que sucumbiram às tentações pagãs.

As escrituras dizem que Elias não morreu na Terra, pois "subiu ao céu num turbilhão". Segundo as tradições judaicas, Elias continua imortal e até hoje elas mandam que ele seja convidado a visitar os lares judeus na véspera da Páscoa. Sua ascensão ao céu está descrita com grandes detalhes no Velho Testamento. Como contado em II Reis, Capítulo 2, o evento não foi súbito ou inesperado. Ao contrário, tratou-se de uma operação planejada, cujo local e hora foram comunicados a Elias com antecedência.

O lugar marcado ficava no vale do Jordão, na margem esquerda do rio - talvez a mesma área onde Elias fora ordenado como "Homem de Deus". Quando saiu de Gilgal em sua última viagem, Elias encontrou dificuldade em livrar-se de seu dedicado discípulo Eliseu. Durante o caminho, os dois profetas foram repetidamente interpretados por discípulos menores, "os filhos dos profetas", que perguntavam se era verdade que naquele dia Deus levaria Elias para o céu.

Deixemos o narrador bíblico contar a história com suas próprias palavras:
Eis o que aconteceu quando Deus arrebatou Elias ao céu num turbilhão:

Elias e Eliseu partiram de Gilgal.

E Elias disse a Eliseu:

"Fica aqui, pois Iahweh me enviou só até Betel";

Mas Eliseu respondeu:

"Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!"

E desceram a Betel.

Os filhos dos profetas que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu e disseram-lhe:

"Sabes que hoje Iahweh vai levar o mestre por sobre tua cabeça?”

Ele respondeu:

"Sei, mas calai-vos".
Desta vez Elias admitiu que seu destino era Jericó, às margens do rio Jordão, e pediu ao seu companheiro para parar ali e deixá-lo seguir sozinho. Novamente Eliseu recusou-se e insistiu em ir com o profeta. "E eles foram a Jericó.”
Os filhos dos profetas que moravam em Jericó aproximaram-se de Eliseu e lhe disseram:

"Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?”

Ele respondeu:

"Sei, mas calai-vos".


Contrariado em seu desejo de prosseguir sozinho, Elias pediu a Eliseu para ficar em Jericó e deixá-lo ir sozinho até a margem do rio, Todavia Eliseu recusou-se a se separar de seu mestre. Encorajados, "cinqüenta homens dos filhos dos profetas foram também, mas ficaram parados a distância enquanto os dois (Elias e Eliseu) se detinham à beira do Jordão".
Então Elias tomou seu manto, enrolou-o e bateu com ele nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, de modo que ambos passaram a pé enxuto.
Depois que passaram para a outra margem, Eliseu pediu a Elias que lhe fosse dado o espírito santo, mas antes que pudesse ouvir uma resposta:
E aconteceu que enquanto andavam e conversavam eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro e Elias subiu ao céu no turbilhão.

Eliseu olhava e gritava:

Meu pai! Meu pai!

O carro e a cavalaria de Israel!

Depois não mais o viu...
Atordoado, Eliseu ficou imóvel por alguns instantes. Depois viu o manto que Elias deixara para trás. Isso acontecera por acidente ou fora proposital? Determinado a descobrir, Eliseu pegou o manto e voltou à margem do rio. Invocando o nome de Iahweh, bateu com ele nas águas e eis "que as águas se dividiram de um lado e de outro, e Eliseu atravessou o rio". E os filhos dos profetas, os discípulos que tinham ficado na margem esquerda do rio, na planície de Jericó, "viram-no a distância e disseram: 'O espírito de Elias repousa sobre Eliseu!'; vieram ao seu encontro e prostraram-se diante dele".

Incrédulos, apesar de terem visto com seus próprios olhos, os cinqüenta discípulos duvidaram que Elias fora mesmo levado ao céu para sempre. O turbilhão do Senhor podia tê-lo arrebatado e lançado em algum vale ou montanha. A despeito das objeções de Eliseu, eles o procuraram por três dias. Eliseu então falou: "Não dissera eu que não fôsseis?" Ora, ele sabia muito bem qual era a verdade: O Deus de Israel levara Elias para o céu num carro de fogo.


O relato do encontro de Alexandre com Henoc, que está nas lendas sobre o rei da Macedônia, introduziu na busca pela imortalidade um "antepassado imortal", especificamente mencionado tanto no Velho como no Novo Testamento, cujas lendas são muito anteriores ao aparecimento da Bíblia e já estavam registradas quando esta foi escrita. Segundo a Bíblia, Henoc foi o sétimo patriarca pré-­diluviano da linhagem de Adão através de Set (para distingui-lo da amaldiçoada linhagem proveniente de Caim). Ele era o bisavô de Noé, o herói do dilúvio. O quinto capítulo do Gênesis dá a lista das genealogias desses patriarcas, as idades com que tiveram seus primogênitos e a idade com que morreram. Entretanto, Henoc é uma exceção. Não existe menção sobre sua morte. Explicando que ele "andou com Deus", o Gênesis afirma que, com a idade real ou simbólica de 365 anos (o número de dias do ano solar), Henoc "desapareceu" da Terra, "pois Deus o arrebatou".

Ampliando essa crítica afirmação bíblica, os comentaristas judeus freqüentemente citaram fontes mais antigas que pareciam descrever a real ascensão ao céu de Henoc, onde ele foi transformado em Metatron, o "Príncipe do Semblante" de Deus, que ficava postado atrás de Seu trono.

Segundo essas lendas, como reunidas por I. B. Lavner em seu livro Kol Agadoth Israel (Todas as Lendas de Israel), quando Henoc foi chamado à casa do Senhor, um cavalo de fogo veio buscá-lo. Na época, o patriarca pregava virtude ao povo. Quando o povo viu o cavalo flamejante descendo do céu, pediu uma explicação a Henoc, que falou: "Saibam que chegou a hora de deixá-los e subir aos céus". Mas, quando ele começou a montar o cavalo, o povo recusou-se a deixá-lo partir e o seguiu por todos os lados durante uma semana. "Então, no sétimo dia, um carro de fogo puxado por anjos e cavalos flamejantes desceu e arrebatou Henoc." Enquanto o patriarca subia, os anjos queixaram-se ao Senhor: "Como pode um homem nascido de mulher ascender aos céus?" Deus salientou a piedade e devoção de Henoc e abriu para ele os Portões da Vida e da Sabedoria, e vestiu-o com uma roupa magnífica e uma coroa luminosa.

Como em outros casos, as referências mais críticas nas escrituras muitas vezes sugerem que o antigo redator partia da hipótese de que o leitor conhecia outros textos mais detalhados sobre o tema em questão. Existem até menções específicas a esses escritos - o "Livro da Virtude" ou "O Livro das Guerras de Iahweh" - que devem ter realmente existido, mas perderam-se no tempo. No caso de Henoc, o Novo Testamento amplia uma afirmação crítica de que o patriarca foi "levado" por Deus "a fim de escapar da morte", mencionando um Testemunho de Henoc, escrito ou ditado por ele antes de ser "arrebatado" para a imortalidade. (Hebreus, 11:5.) Considera-se que a Epístola de São Judas, 14, falando das profecias de Henoc, faz referências a textos escritos pelo patriarca.

Vários escritos cristãos ao longo dos séculos também contêm insinuações ou referências similares. De fato, circulam pelo mundo, desde o século II a.C., diferentes versões de um Livro de Henoc. Quando os manuscritos foram estudados no século XIX, os eruditos concluíram que eles provinham basicamente de duas fontes. A primeira, identificada como I Henoc e chamada de O Livro Etíope de Henoc, é a tradução para o grego de um original em hebraico ou aramaico. A outra, chamada II Henoc, é uma tradução eslávica de um original grego cujo título completo era O Livro dos Segredos de Henoc. The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament (Os Apócrifos e Pseudoepígrafes do Velho Testamento), que R. H. Charles começou a publicar em 1913, ainda é a principal tradução dos livros de Henoc e outros escritos primitivos que foram excluídos do Velho e Novo Testamentos canonizados.

Escrito na primeira pessoa, O Livro dos Segredos de Henoc começa numa hora precisa e em local determinado.


No primeiro dia do primeiro mês do 365º. ano eu estava só em minha casa, repousando em meu leito, e adormeci... Então surgiram diante de mim dois homens muito altos, como eu jamais vira na Terra. Tinham o rosto brilhante como o sol, os olhos eram como candeias acesas e fogo saía de seus lábios. As vestes que usavam pareciam de penas, os pés eram roxos. Suas asas eram mais brilhantes do que o ouro e as mãos mais brancas do que a neve. Eles estavam junto à cabeceira e me chamaram pelo nome.
Como Henoc dormia quando esses estranhos chegaram, ele faz questão de registrar que agora estava acordado: "Vi claramente esses homens parados diante de mim". O patriarca saudou-os, tomado pelo medo, mas os dois o tranqüilizaram:
Alegra-te, Henoc, não te assustes.

O Deus Eterno mandou­-nos aqui e hoje tu ascenderás conosco ao céu.


Os dois então disseram a Henoc para acordar sua família e os criados, dando-lhes ordens para não procurá-lo "até o Senhor devolver-te a eles". O patriarca obedeceu, aproveitando a oportunidade para instruir seus filhos sobre o caminho da virtude. Então chegou a hora da partida:
Quando terminei de falar com meus filhos, os dois homens me chamaram, tomaram-me em suas asas e me colocaram nas nuvens; e eis que as nuvens se movimentaram... Subindo mais, vi o ar e, mais alto ainda, o espaço celeste. Inicialmente eles me puseram no Primeiro Céu e mostraram-me um mar imenso maior do que o terrestre.
Ascendendo ao céu em "nuvens que se movimentavam", Henoc foi transportado para o Primeiro Céu, onde "duzentos anjos governam as estrelas", e em seguida para o sombrio Segundo Céu. Daí ele foi para o Terceiro, onde lhe mostraram: 
Um jardim agradável à vista, belas e perfumadas árvores e frutos. No meio dele fica uma Árvore da Vida - no lugar onde Deus repousa quando vem ao paraíso.
Impressionado com a magnificência da árvore, Henoc tenta descrever a Árvore da Vida com as seguintes palavras: "Ela é mais bela do que qualquer coisa já criada; em todos os lados parece feita de ouro e carmim, e é transparente como o fogo". Das raízes saíam quatro rios que vertiam mel, leite, vinho e azeite, e eles desciam desse paraíso celeste para o Jardim do Éden fazendo uma volta em torno da Terra. Esse Terceiro Céu e sua Árvore da Vida eram guardados por trezentos anjos "muito gloriosos" e era ali que ficavam situados o Lugar dos Justos e o Lugar Terrível, onde os maus sofriam torturas.

Subindo para o Quarto Céu, Henoc pôde ver os luminares e várias criaturas formidáveis, além da Hoste do Senhor. No Quinto Céu, mais "hostes"; no Sexto, "bandos de anjos que estudam a revolução das estrelas". Atingindo o Sétimo Céu, onde os maiores anjos andavam apressadamente de um lado para o outro, Henoc viu Deus - "de longe" - sentado em seu trono.

Os dois homens alados e sua nuvem movente colocaram o patriarca na fronteira do Sétimo Céu e partiram. Por isso, o Senhor mandou o anjo Gabriel buscá-lo para trazê-lo a Sua Presença.

Durante 33 dias Henoc foi instruído sobre toda a sabedoria e eventos do passado e futuro. Depois desse período, um anjo "com fisionomia muito fria" o devolveu à Terra. No total, Henoc ficou sessenta dias ausente da Terra. Todavia, esse retorno só se deu para ele poder ensinar aos filhos as leis e mandamentos. Trinta dias depois, o patriarca foi novamente levado para o céu - desta vez para sempre.


Escrito tanto na forma de testamento pessoal como na de uma resenha histórica, o Livro Etíope de Henoc, cujo título primitivo provavelmente era Palavras de Henoc, descreve não apenas as viagens para o céu como também uma jornada pelos quatro Cantos da Terra. Enquanto viajava "para os confins norte da Terra", o patriarca avistou "um grande e glorioso artefato", cuja natureza não é descrita, e nesse local, bem como nos confins leste da Terra, viu "três portais do céu dentro do céu", através dos quais sopravam granizo e neve, frio e geada.

"Daí fui para os confins sul da Terra" e lá, pelos portais do céu, saíam o orvalho e a chuva. Em seguida, Henoc foi ver os portais ocidentais, através dos quais passavam as estrelas seguindo seu curso.

No entanto, os principais mistérios e segredos do passado e futuro só foram revelados a Henoc quando ele chegou "ao meio da Terra" e para o leste e oeste desse ponto. O "meio da Terra" era o local do futuro Templo Sagrado de Jerusalém. Em sua viagem para o leste desse lugar, Henoc chegou à Árvore do Conhecimento e, na para o oeste, foi-lhe mostrada a Árvore da Vida.

Na jornada para o leste, Henoc passou por montanhas e desertos, viu cursos de água saindo de picos rochosos cobertos de neve e gelo ("água que não corre") e mais árvores perfumadas. Seguindo cada vez mais para o leste, encontrou-se sobre as montanhas que ladeiam o mar de Eritreu (mar Vermelho e o mar da Arábia) e, prosseguindo, passou por Zotrel, o anjo que guardava a entrada do paraíso, e entrou no Jardim da Virtude. Lá, entre muitas árvores magníficas, avistou a Árvore do Conhecimento. Era alta como um pinheiro, com folhas parecidas com a da alfarrobeira e frutos como os cachos de uma videira. O anjo que acompanhava Henoc confirmou que aquela era exatamente a árvore cujo fruto Adão e Eva tinham comido antes de serem expulsos do Jardim do Éden.

Em sua viagem para oeste, Henoc chegou a "uma cadeia de montanhas de fogo, que ardiam dia e noite". Mais além, chegou a um lugar cercado por seis montanhas separadas por "ravinas íngremes e profundas". Uma sétima montanha elevava-se entre elas "parecendo um trono, toda cercada de árvores aromáticas; entre elas havia uma cujo perfume eu jamais sentira... e seus frutos eram como as tâmaras de uma palmeira".

O anjo que acompanhava Henoc explicou que a montanha do meio era o trono "onde o Grande Santo, o Senhor da Glória, o Rei Eterno irá sentar-se quando vier à Terra". E a respeito da árvore, cujos frutos pareciam tâmaras, disse:

Quanto à árvore perfumada, nenhum mortal tem permissão de tocá-la até o Grande Julgamento...

Seus frutos serão alimento para os eleitos...

Seu aroma estará em seus ossos

E eles terão vida longa na Terra.


Foi durante essas viagens que Henoc viu "os anjos receberem longos cordões, pegarem suas asas e partirem para o norte". Quando perguntou o que estava acontecendo, o anjo acompanhante falou: "Eles partiram para medir... trarão as medidas dos justos para os justos e as cordas dos justos para os justos... todas essas medidas revelarão os segredos da Terra".

Terminada a viagem a todos os locais secretos da Terra, chegou a hora de Henoc partir para o céu. E, como outros depois dele, foi levado para uma "montanha cujo cume alcançava o céu" e para um País das Trevas.


E eles (os anjos) me levaram a um lugar onde os que lá estavam eram como fogo flamejante e, quando desejavam, apareciam como homens.

E eles me levaram para um lugar de trevas e para uma montanha cujo pico chegava ao céu.

E eu vi a câmara dos luminares, os tesouros das estrelas e do trovão nas grandes profundezas, onde havia um arco e flechas flamejantes com sua aljava, uma espada flamejante e todos os raios.
No caso de Alexandre, nessa etapa crucial da jornada a imortalidade escapou de suas mãos porque ele fora procurá-la contrariando seu destino. No entanto, Henoc, como os faraós depois dele, viajava sob a bênção divina. Assim, nesse ponto foi considerado digno de prosseguir e por isso "eles me levaram à Água da Vida".

Continuando em frente, o patriarca chegou à Casa de Fogo:


Entrei até me aproximar de uma parede feita de cristais e cercada de línguas de fogo, o que me causou medo.

Avancei por entre as labaredas e cheguei perto de uma grande casa feita de cristais. As paredes e o assoalho eram um mosaico de cristal. O teto parecia o caminho das estrelas e dos raios, e entre eles pairavam flamejantes querubins e seu céu era como água.

Um fogo resplandecente cercava as paredes e os portais ardiam com fogo.

Entrei nessa casa e ela era quente como o fogo e fria como o gelo...

Olhei para dentro dela e vi um imponente trono. Parecia de cristal e suas rodas eram como o sol brilhante, e houve o aparecimento de querubins.

E, por sob o trono saíam rios de fogo, de modo que não pude olhar além dele.


Depois de atingir o "Rio de Fogo", Henoc foi levado para o alto. Então pôde ver toda a Terra - "as desembocaduras de todos os rios da Terra... todos os marcos de fronteira da Terra... e os ventos carregando as nuvens". Subindo mais, ficou onde os ventos estiram as abóbadas da Terra e têm sua estação entre o céu e a Terra. Vi os ventos do céu que giram e trazem a circunferência do Sol e de todas as estrelas. Seguindo "os caminhos dos anjos", Henoc chegou a um ponto do "firmamento do céu acima", do qual pôde ver "o fim da Terra".

Desse lugar, conseguiu avistar a expansão dos céus e "sete estrelas como grandes montanhas cintilantes", "sete montanhas de magníficas pedras". Do ponto onde observava esses corpos celestiais, "três ficavam para o leste, na região do fogo celeste", e foi ali que o patriarca viu "colunas de fogo" subindo e descendo, erupções "além de qualquer medida, tanto em largura como comprimento". No outro lado, os três corpos celestiais estavam "para o sul" e lá Henoc viu "um abismo, um lugar sem firmamento do céu sobre ele e nenhuma terra firme embaixo... um vácuo, um local assustador". Quando pediu uma explicação ao anjo que o transportava, ouviu: "Lá os céus foram completados... é o fim do céu e da Terra, uma prisão para as estrelas e hostes do céu".

A estrela do meio "chegava ao céu como o trono de Deus". Dava a impressão de ser de alabastro "e a cúpula do trono parecia feita de safira". A estrela era como "um fogo flamejante".

Continuando o relato sobre sua viagem aos céus, Henoc diz: "Prossegui até onde as coisas eram caóticas e lá vi algo terrível". O que o impressionou foram "estrelas do céu amarradas umas às outras". O anjo explicou: "São as estrelas do céu que transgrediram o mandamento do Senhor e estão presas aqui até 10 mil anos se passarem".

O patriarca então conclui sua história: "E eu, Henoc, sozinho vi a visão, o fim de todas as coisas, e nenhum homem os verá como eu". Depois de receber todo tipo de sabedoria no reino celestial, ele foi devolvido à Terra para transmitir esses ensinamentos aos outros homens. Por um período de tempo não especificado, "Henoc permaneceu escondido e nenhum filho de homem sabia onde ele morava ou o que fora feito dele". Porém, quando o dilúvio se aproximava, Henoc escreveu seus ensinamentos e aconselhou seu bisneto Noé a ser virtuoso e digno de salvação.

Cumprida essa obrigação, o patriarca mais uma vez "foi elevado de entre aqueles que habitavam a Terra. Ele foi carregado para o alto na Carruagem dos Espíritos e seu nome desapareceu entre eles".

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