[Zeferino] Continuou em seguida



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Texto 0
[Zeferino] Continuou em seguida:

– Oh, senhô! Quando dona Luiza começô a benzedura, ela mesma entrô num desassossego tão grande que eu mais a Joana fiquemo até com os pêlo dos braço arrepiado. Chegava na janela do quarto, olhava pro mar, ia nos canto da casa, espiava pro chão, saía pro terrero, olhava pra riba do telhado, dava uma volta, entrava de novo na casa, sempre resmungando sozinha um podê de palavra que a gente não conseguia entendê. Depois se assentô em riba da caixa de guardá as ropa do menino e garrô fumá um cigarro de palha de milho.

– E o menino?

– Pra encurtá a conversa, isso se repetiu por muntos dias e mais de uma vez ela varou a noite, queimando palha de alho, pra cortá de vez o podê das bruxa. Daí, a cada dia que passava, o menino começô a melhorá, as mancha da pele foram sumindo e hoje ele taí, como o senhor pode vê, formoso, que ninguém diz que esteve embruxado.

Fiz algumas perguntas mais, principalmente sobre dados pessoais de Zeferino e da sua família. Depois disso achei que possuía material suficiente sobre o assunto que buscava.
SILVEIRA DE SOUZA, J. P. O folheto. In: CARDOZO, F.J.; MIGUEL, S.

(Orgs.). 13 Cascaes. Florianópolis: Fundação Cascaes, 2008. p. 103.





(UFSC 2010) - Questão 1 - Assinale o que estiver CORRETO em relação ao texto 0 e a obra, como um todo, 13 Cascaes.


01. A obra e 13 Cascaes, escrita por autor paranaense, tem como tema principal que permeia todos os episódios narrados: a relação do homem, ao mesmo tempo de veneração e de repulsa, com entidades sobrenaturais que povoam o imaginário ilhéu, tais como lobisomens, duendes e feiticeiras.

02. O livro 13 Cascaes é uma coletânea de contos em homenagem a Franklin Cascaes, em que treze autores, de um modo ou de outro, inserem o folclorista ou sua obra na trama criada em suas histórias.

04. Os contos de 13 Cascaes tematizam o imaginário luso-açoriano em narrativas típicas do realismo mágico, pois descrevem minuciosamente a paisagem paradisíaca das praias da Ilha da Magia.

08. No conto “O folheto” (texto 1), o narrador colhe dois depoimentos, os quais foram publicados mais tarde: um do professor Franklin, que confessa acreditar em bruxas; outro de Zeferino, um pobre morador de Ponta das Canas, que conta a história de seu filho embruxado, salvo por uma benzedeira.

16. Neste texto, o narrador utiliza a norma culta da língua portuguesa, mas sem deixar de marcar a diferença estilística entre sua fala (do narrador) e a de Zeferino, que comete vários desvios gramaticais, tais como: falta de concordância nominal e ausência do –r final em verbos.



(UDESC 2010/1) - Questão 2 - Em relação à obra 13 Cascaes, organizada por Flávio José Cardozo e Salim Miguel, leia as proposições que seguem.


I – Em Dois bandolins, Flávio José Cardozo enfoca o amor e a saudade, ao revelar um Franklin enternecido pela ausência da esposa falecida; esta lhe aparece à noite e toca a Ave-Maria de Schubert no bandolim, espantando de vez uma bruxa bandolinista que o incomodava.

II – Em O folheto, Silveira de Souza conta a trajetória de um narrador que se depara com bruxas velhotas na maior algazarra dentro de uma baleeira, quando este estava à busca de histórias de bruxas para publicá-las em folhetos.

III – Em O abençoado, Júlio de Queiroz conduz o leitor a uma reunião de bruxas, ocasião em que relatam suas maldadezinhas; no entanto, ali decidem poupar a vida do menininho Franklin, para que ele, quando adulto, fosse o propagador das histórias e dos causos bruxólicos.

IV – Em Uma noite de profunda insônia solitária, Amilcar Neves surpreende o leitor com outro lado das bruxas, o da sensualidade e erotização, ao narrar o envolvimento de ‘Francolino’ e seu vizinho com bonitas bruxas numa noite quente de sexta-feira.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa II é verdadeira.

b) As afirmativas III e V são verdadeiras.

c) As afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

d) Somente a afirmativa I é verdadeira.



e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

De acordo com a leitura do conto História praiana, de Eglê Malheiros, responda às questões 3 e 4.




(UDESC 2010/1) - Questão 3 - Assinale a alternativa incorreta.


a) As crianças que morressem e não tivessem sido batizadas, de acordo com os dogmas da igreja católica e a crendice das regiões praieiras, estariam fadadas ao limbo.

b) Especialmente nas regiões praieiras e interioranas, tão logo a criança adoecesse e apresentasse sintomas doentios, como a pele do corpo crivada de mordidas, os olhos arregalados, o choro contínuo, entre outros, as benzedeiras eram chamadas e logo diagnosticavam o embruxamento.

c) No terceiro parágrafo, entre as linhas 15 a 20, identificam-se temas como sexualidade, saúde, autoestima, valorização e comercialização do trabalho manual feminino como arte.

d) De “Quanta coisa, agora, no presente, quanta coisa para o futuro. Quanta coisa para meditar sob os raios do sol poente.” (linhas 22 e 23), infere-se que há perspectiva de melhora de vida às personagens do conto.



e) Para Armando, os procedimentos científicos que evitavam a concepção eram preceitos Divinos, por isso ele os aceitava.

(UDESC 2010/1) - Questão 4 - Assinale a alternativa incorreta.


a) Pela leitura do conto História praiana, de Eglê Malheiros, infere-se que as mulheres daquela comunidade, despertadas pelas reuniões no Posto de Saúde, começaram a sentir-se mais valorizadas e já não se permitiam mais ser ludibriadas, até mesmo, por seus maridos.

b) O texto apresenta um narrador em terceira pessoa, que vai mostrando a evolução temática da narrativa.

c) Docelina, que no início da narrativa demonstrava ser inteiramente submissa ao marido, cresce como personagem psicológica no desenrolar da trama.

d) Os homens reúnem-se na venda do Tibúrcio e, juntamente com Armando, discutem a situação que vem ocorrendo aos sábados; concluem que as mulheres da Cidade que ali vêm incitar suas esposas são bruxas.

e) Sabendo que a enfermeira vai se candidatar à vereadora, o leitor suspeita haver algum interesse político no envolvimento desta profissional com aquela comunidade.


De acordo com a leitura do conto Noites de encantamento, responda às questões 5 e 6.


(UDESC 2010/2 - Adaptada) - Questão 5 - Com relação à leitura do Texto 2 e do conto Noites de encantamento, de Raul Caldas Filho, dê a somatória das proposições são corretas, exceto:


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Para Natascha, inicialmente, o que estivesse ligado à bruxaria era de valor inferior, não representando importância alguma à ciência antropológica.

Para Sinhá Vitelina, o dinheiro – elemento capaz de comprar as ações mais desprezíveis do homem – é uma criação do Príncipe das Trevas.

A expressão “o corpo já vergado” (linha 8) revela a vergadura natural do corpo de Sinhá Vitelina, resultado de oito décadas de vivência.

Na oração “Então vosmecê não acredita em bruxas” (linha 9), o termo destacado é uma amostra de que a língua, além de variar geograficamente, no espaço, varia também no tempo.

O espaço que marca o conto é urbano e social, pois retrata o ambiente de uma cidade grande e de uma região cosmopolita.





(UDESC 2010/2 - Adaptada) - Questão 6 – Com relação à leitura do Texto 2 e do conto Noites de encantamento, de Raul Caldas Filho, assinale V (verdadeiro) ou F (falso).

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Sinhá Vitelina acredita nas manifestações bruxólicas de Franklin Cascaes, como aparições e encantamentos em noites de lua cheia.

Sinhá Vitelina morava no Ribeirão da Ilha, onde era repudiada pela população local devido ao seu conhecimento em ervas e chás.



Pode-se deduzir que a forma da fala “rápido linguajar” (linha 9) caracteriza o manezês, a linguagem usada pelo manezinho, especialmente o do interior das comunidades pesqueiras da Ilha de Santa Catarina.

Bruxaria, para Sinhá Vitelina, é tudo de mal capaz de passar pela cabeça do homem.

Da leitura do texto 2 infere-se que uma bruxa pode enfeitar-se com adornos e vestimentas muito bem apresentáveis, embora seu interior esteja inebriado de perversidade.



(ACAFE 2010/1 - Adaptada) - Questão 7 – Sobre o livro 13 Cascais, analise as afirmações a seguir e dê a somatória das corretas.

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Compõe-se de treze crônicas, todas escritas por escritores catarinenses, dentre os quais: Mário Pereira, Alcides Buss, Sérgio da Costa Ramos e Cristóvão Tezza.

No conto Uma noite de profunda insônia solitária, de Amílcar Neves, faz-se referência à Lagoinha do Jacaré do Rio Tavares, “ninho de boitatás”, onde, em 1960, nasceu a “vacatatá Enréa”, a “deusa-mãe mitológica da espécie”.

O texto escrito por Flávio José Cardoso, cujo título é “Ao entardecer”, trata da pesca da tainha, mas tem como mote o seguinte epíteto: "Eu ouvi muitas histórias, também, de mentirosos, e aprendi a ser mentiroso".

O fragmento “À pergunta do pai esclareceram, o corpo estava bem ali, o caminhão do lixo acabou de levá-lo para o necrotério e o doutor Luís Delfino, médico legista, vai fazer a autópsia” é parte do conto “Mistério no Miramar”, de Salim Miguel.

O texto “Branco assim da cor da lua”, escrito por Jair Francisco Hamms, ambientado na Rua Bocaiúva, perto da Igreja de São Sebastião, tem como protagonista o Orlandinho, menino sem pigmentos na pele, cujos desenhos chamaram a atenção do professor Franklin Cascaes.


(ACAFE 2010/2) - Questão 8 – Em relação à obra “13 Cascaes”, assinale a alternativa correta que completa as lacunas do texto a seguir.
Nos contos, __________ entra para a ficção como ___________ ou figurante, numa concepção literária que revela uma espécie de extensão do trabalho do ___________, que morreu em 1983. Cascaes ilustrava em suas obras a literatura oral relacionada a bruxas, feiticeiras, lobisomens e fenômenos encantados que faziam parte do universo ___________.


  1. Silveira de Souza - autor - rotineiro - metafísico

  2. Jair Francisco Hamms - personagem - jornalístico - mitológico.

  3. Franklin Cascaes - protagonista - folclorista - ilhéu.

  4. Flávio José Cardozo - resenhista - urbano - místico


Questão 9 – Sobre o conto O presépio, responda:


  1. Onde era montado o presépio? ___________________________________________________________

  2. Dê que o presépio era feito? _____________________________________________________________

  3. Para a Literatura, associada a este conto, o que é estética?

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  1. Qual o conflito abordado neste conto?

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Treze raio tem o sóli

treze raio tem a lua.

Sarta mô aluno pro istudo

qu'esta enrolacera não é tua.

Tosca marosca, rabo de rosca

Deixa de sê mosca e vê se desenrosca.







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